terça-feira, 12 de junho de 2018

VIII Ultra de Sesimbra

Pelo 4º ano consecutivo rumei a Sesimbra para participar nesta prova; nos 2 primeiros anos participei na versão mais curta, no ano passado e este ano na versão Ultra.


Dia da prova, saí de casa pouco mais de 1h antes da prova começar. Fui buscar o meu camarada Paulo Sousa que se ia estrear nas Ultras e seguimos viagem nas calmas. Cerca de uns 25 minutos depois estávamos a estacionar o carro. Colocar mochila e seguir para a partida nas calmas, ainda havia muito tempo!
Euipa OCS Proaventuras presente!

Na partida muitas caras conhecidas lembram que aqui corre-se em casa! Muitos elementos da equipa, muitos amigos, muitos conhecidos levam a que se esteja ali na conversa, a tirar fotos sem pensar muito no que está para vir! 

Pouco depois das 9h é dado o sinal de partida. Uma partida sempre rápida com a saída da praça da Califórnia e a entrada na marginal a descer, mas rapidamente o ritmo acalma quando derivamos da marginal para a areia. Na minha opinião esta derivação era completamente desnecessária, penso que não acrescenta nada e chateia logo ao início termos de ir pela areia da praia... adiante! Voltamos à estrada mais à frente e seguimos em direcção ao clube naval e a 1ª subida, para entrar no acesso para a praia da Ribeira do Cavalo. 


Nesta subida o ritmo abranda, meto a passo assim como a maioria do pessoal. Ainda vamos todos perto uns dos outros, o Paulo Alves um pouco à frente, depois eu e uns metros atrás vêm o Paulo Sousa e o Eurico. Entramos no acesso à praia da Ribeira do Cavalo e aqui abrando um pouco nas zonas que podem ser mais escorregadias; as solas dos Wings 8 já apresentam algum desgaste e a entorse que fiz no ESTRELA GRANDE TRAIL ainda não está completamente sarada, ainda sinto uma ligeira dor nalgumas situações. Sou passado por alguns atletas, mas não é importante, sigo no meu ritmo e assim que entramos na subida imediatamente a seguir tento aumentar um pouco a passada e passar alguns. 

Alcançado o topo aumento o ritmo e passo grande parte dos atletas que me passaram na descida, incluindo o Paulo e o Eurico. Queria aproveitar aqui para rolar, pois sabia que cerca do k10 havia nova descida muito técnica, para o Forte da Baralha e iria ter que abrandar bastante o ritmo aí.
Assim fiz, nessa descida abrandei bastante, e assim que cheguei lá abaixo sabia que a parte mais técnica da prova estava feita, depois era só rolar!! 
Segui em direcção ao Cabo Espichel onde estava o 3º abastecimento, e onde apanhei o Paulo e o Eurico. 
Seguimos juntos aqui pelas arribas em direcção à Praia da Foz na zona do Meco. Ritmo sereno e conversa animada, rapidamente chegámos ao 4º abastecimento. Encher flasks e comer um bocado de melancia e toca a andar!! 

Aqui a prova seguia por estradões e estava a tornar-se um pouco monótona... 
Cerca do k27 para ajudar a acabar com essa monotonia a ligadura que levava no pé esquerdo saiu um pouco do sítio e começou a magoar-me, cada passada era uma dor imensa. Assim que cheguei ao abastecimento ao k30 sentei-me imediatamente e saquei a ligadura fora. Problema resolvido, passei ao seguinte que foi hidratar e comer. A hidratação consistiu em quase uma garrafa de 1l despejada em cima de mim e encher os flasks! Aqui disse ao Paulo para seguir, ee está em grande forma, treinou imenso e era a 1ª Ultra dele. Cada 1 com os seus demónios, amigo não empata amigo e vemo-nos no final!! Eu já começava a antecipar o que aí vinha, começava a sentir os gémeos a acusar o cansaço acumulado das últimas semanas entre treinos puxados e provas, nomeadamente o EGT.
Segui com o Eurico pedreira acima, e depois a descida para Sesimbra onde se nos juntou também o Miguel Marques que estava também a fazer a sua estreia em Ultras,  que nos leva à entrada do trilho que vai para o castelo. Já fiz este trilho várias vezes, mas nunca me custou tanto como desta vez... Cada 1 a seu ritmo lá fomos como podíamos por ali acima, a meio ainda encontrámos o Francisco Monte que estava do lado da organização que vinha em sentido contrário a dar água a quem precisava. Finalmente atingimos o castelo, dirigi-me à pequena fonte que lá está e molhei-me todo. Aproveitei ainda para descansar um pouco, massajar os gémeos, e esticar as pernas. Depois ainda fui abastecer e comer qualquer coisa e segui. Faltavam cerca de 9k para o final, queria era acabar o mais rápido possível. Descida do castelo, atravessamento da estrada nacional e passamos para o lado de lá. Se no ano passado não gostei desta parte da prova, este ano muito menos, talvez tenha de ir ali treinar mais vezes mas não gosto daquele trilho! 
Chegado ao último abastecimento colocado no k38, enchi os flasks e segui rápido. Aqui já ia com muitas dificuldades em correr e mesmo a caminha não estava fácil, as dores nos gémeos estavam insuportáveis... 
Prossegui como consegui, o tempo passava e nunca mais chegava ao topo, ponto de viragem onde iria iniciar a última descida até à meta. Mas quando aí cheguei as coisas pouco mudaram, pois a descer também sentia dificuldades.. Não estava fácil, entrei na última descida em trilho e aqui, já com a meta ali ao fundo voltei a correr apesar das dores. Entro no alcatrão e olho para o relógio: falavam 7 minutos para as 6h de prova. Pensei, caraças tenho de lá chegar abaixo antes das 6h!! Disparei por ali abaixo e 4 minutos depois estava a cortar a meta lol


Já lá estavam o Eurico e o Paulo. Trocámos comprimentos, um grande abraço ao meu amigo Paulo que concluiu a sua 1ª Ultra com muita qualidade, Grande prova amigo!!



Pernas completamente "desfeitas", atirei-me para o chão e assim fiquei durante um bocado. Depois fui tentar comer alguma coisa, mas o abastecimento ali na meta, aquele que teria melhores condições para ser o melhor abastecimento não tinha praticamente NADA para comer.... inadmissível....

quinta-feira, 31 de maio de 2018

ESTRELA GRANDE TRAIL

Cresci a ver a Serra da Estrela num horizonte não muito distante. Cerca de 50k distavam dos meus lugares de brincadeira para o ponto mais alto de Portugal continental. De onde quer que olhasse lá estava ela, imponente, vestida com o manto branco durante o inverno e o início da primavera, e despida mas ainda assim bela durante os meses de verão. Foram várias as vezes que fomos passear à serra: fazer sku na neve, ver as trutas em Manteigas e a etapa raínha da Volta a Portugal, com a subida à Torre! 
Lembro-me de olhar para aqueles ciclistas e pensar que eram uns heróis, subir assim à Torre!, que brutalidade. Nunca imaginei, naquela altura, que iria um dia também subir ao ponto mais alto da serra não de bicicleta, mas a correr!!!


O Estrela Grande Trail há muito que estava nos planos, só não sabia se era para este ano ou o próximo. A ideia inicial passava por ir a Portalegre ajustar umas contas que ficaram por terminar no ano passado, mas a hipótese de variar este ano também não me desagradava, e por isso acabei por decidir fazer esta prova; em 2019 volto a Portalegre!!

Aproveitando que ia fazer a prova, decidimos ir todos. Tirámos a 6ª feira de férias e fizemos uma viagem calma até Canas, com direito a paragem para almoço junto ao rio Mondego para um agradável e descontraído picnic e o jogo de atirar pedras para o rio, com o Tomás e a Madalena!!

A meio da tarde chegámos a Canas, e a partir daí foi só descansar, comer, hidratar e acabar de preparar as coisas para o dia seguinte.
A vista em Canas para a Serra da Estrela

Para o final da tarde chegaram também o Paulo e a Ana Alves. Iam ficar em Canas connosco e no dia seguinte iríamos todos juntos para Manteigas. Com o Paulo e a Ana há sempre boa disposição, e foi assim que decorreu o jantar e a pequena caminhada que fizemos antes de ir deitar.

4h30' da manhã e toca o alarme do telefone. 2 minutos depois começa a apitar o relógio! Estava na hora de sair da cama, equipar, tomar o pequeno-almoço e arrancar em direcção a Manteigas!

Viagem de cerca de 1h20' feita sem sobressaltos, a apreciar a magnífica paisagem com que fomos brindados assim que começámos a subir de Seia. A apreciar a paisagem, e a concentrar-me para o desafio que estava prestes a começar!!!

Chegados a Manteigas os carros foram estacionados bem perto da zona da partida, e fomos ao secretariado levantar os dorsais, processo que correu bastante rápido e sem sobressaltos. Depois foi tempo de ir tomar café, acabar de equipar e ir para a zona da partida. Estava prestes a começar!!!


Depois de ouvir as últimas indicações dadas pelo Armando Teixeira e a contagem até 0, arrancámos. E arrancámos, logo a subir! E assim seria pelos próximos 6km, até chegarmos às Penhas Douradas. Um trilho que sai de Manteigas serra acima aos "esses", e que nos colocou logo em sentido!! Os 8km que nos separavam do 1º abastecimento no Vale do Rossim não iam ser fáceis!! Apesar de ainda ser cedo, o sol já estava a aquecer e não tardou a estar a transpirar e cheio de calor! Este troço até às Penas Douradas foi feito maioritariamente a caminhar com pequenos bocados de corrida; não convinha forçar pois ainda faltava muito.

Chegados ao largo das Penhas Douradas entrámos num estradão onde já dava para correr e assim se fez. Um pouco à frente já se avistava o lago do Vale do Rossim, estávamos a chegar ao abastecimento. Corríamos agora por terrenos queimados, onde a terra fica mais mole e como que se desfaz à nossa passagem, onde há cotos de árvores queimadas, onde é preciso mais cuidado onde se colocam os pés, não vá fazer-se uma entorse....
C#$%$##"% para isto, foi isso mesmo que aconteceu.... Nessa zona coloquei mal o pé direito, e fui logo ao chão. As dores eram fortes, e à memória veio imediatamente a entorse que fiz no ano passado nos Montes Saloios que me fez desistir da prova e parar 1 mês... Levantei-me calmamente, tentei pousar o pé e avaliar se as dores eram semelhantes; não eram, pelo menos conseguia caminhar.
Comecei lentamente a caminhar e depois a correr, a dor abrandou um pouco, o abastecimento estava ali a 300m e chegado lá iria colocar ligadura. Depois, logo se via!!!
Chegada ao Vale do Rossim

Cheguei ao abastecimento, e já lá estava o Paulo. E a Ana, e o meu Pai e a Lena. Comi um bocado de laranja, banana, enchi os flasks e dirigi-me apressado a umas cadeiras que lá estavam. "Torci o pé ali atrás. Tenho de colocar a ligadura". Soou o alarme, acho que ficaram mais aflitos que eu lol

Ligadura colocada, um "até já" e lá seguimos que estava na hora.

O troço agora até à Garganta de Loriga era um "falso plano", sempre a ganhar altitude mas sem grandes inclinações, dava para ir correndo. Fomos seguindo, de vez em quando lá me dava uma pontada de dor no pé, mas nada demais.
Aqui com o meu amigo Rui

Rapidamente chegámos à Fenda da Nave Mestra, local emblemático da serra da Estrela. Com a minha elegância não tive grandes problemas em passar este obstáculo, apenas alguns cuidados por causa do pé, o receio de o colocar mal era grande. Atravessado este ponto continuamos em direcção à Garganta de Loriga e chegamos aos pontos onde ainda havia neve, ou gelo vá! Engraçado ao início, depois começou a fartar um pouco e a dificultar a progressão. E nisto estávamos no 2º abastecimento, onde só havia líquidos para reabastecer os flasks para a subida para a Torre.



O meu pai aflito pergunta como estava e repondo que estou bem, sem preocupações.



Enchemos e seguimos, mais um bocado de neve para atravessar e entramos na subida para a Torre. Neste ponto já começava a ficar com algumas dificuldades para subir, a fome começava a apertar, começava a sentir-me fraco....

Foi um alívio enorme quando vi a Torre ali à frente, mas os metros custavam a passar...

Chegada à Torre. Foto espectacular tirada pela Ana

Finalmente atingimos o ponto mais alto, muita gente a tirar fotos, a apoiar os atletas. Dirigi-me para o abastecimento, ia faminto e só pensava em comer!!! Peguei logo num bocado de laranja, banana, bolachas e pão, e por fim sentei-me a comer uma taça com bolonhesa. Finalmente estava a recompor o estômago e a acalmar um pouco, a recuperar forças. Esta subida tinha sido mais difícil que o esperado, aliado às ligeiras dores no tornozelo e à fome, sentia alguma dificuldade em respirar devido à altitude. Na verdade, já tinha comentado com o Paulo pouco depois do Vale do Rossim que estava a sentir dificuldades a respirar como nunca havia sentido.
Depois de recomposto o estômago, fui ao carro do meu pai que estava ali ao lado. Precisava de trocar a ligadura que tinha no pé, que estava apertada demais e trocar por um suporte para o tornozelo com compressão que tinha no saco. Aproveitei e troquei também as meias para umas secas, que se mantiveram secas apenas por escassos minutos!!

Aqui a tirar a ligadura e a trocar de meias
Troca feita, era hora de seguir. O Paulo estava bem e seguiu à frente, fez bem pois eu ia mais lento e como se costuma dizer, amigo não empata amigo! Ora depois de chegar ao ponto mais alto, a solução é descer. E assim que saímos da Torre o caminho era para baixo! 1º pelo meio da neve/gelo, e depois de andar uns quantos metros pela estrada, entrámos num trilho paralelo à estrada, com muita pedra e de difícil progressão no estado em que ia.
Esta foto faz jus ao lema da prova: "Enjoy being small"
Segui por ali abaixo com cuidados redobrados para não torcer novamente, até chegar ao cruzamento do trilho com a estrada, onde estavam novamente o meu Pai, a Lena e a Ana e entrar no trilho que guiava pelo Vale Glaciar.


Aqui já mais a direito, era mais fácil correr. Ali sentimo-nos mesmo pequenos entre os montes gigantes... Fui seguindo com calma até chegar a novo abastecimento. Aí havia um pequeno tanque com água fresquinha, onde mergulhei imediatamente as duas pernas; que bem que soube, e não fui o único a seguir esta táctica de refrescamento!! Após uns minutos de molho lá me abasteci e segui caminho. O próximo troço começava com uma subida com inclinações na casa dos 20 a 30% e cerca de 1,5k com 270D+, não foi fácil!!!

Chegado ao topo entrámos num estradão. Soube bem para poder esticar as pernas novamente e voltei a correr, devagar mas ia a correr! Começou também a ameaçar chover e de repente ficou frio, o que obrigou a vestir o impermeável. Um pouco à frente encontrei o Luís e a Goreti que estavam a fazer a prova dos 109k, e colei-me a eles! Soube bem ir com companhia e lá seguimos alegres e na conversa até ao abastecimento seguinte.
Ali aproveitámos para descansar, abastecer de líquidos e seguimos. Até ao Poço do Inferno iríamos juntos, depois as provas separavam-se. O ambiente ia agradável, o ritmo descontraído e o percurso também entrou num trilho bastante agradável, uma espécie de bosque onde dava uma vontade enorme de correr, o meu medo era mesmo o tornozelo....
Chegámos ao Poço do Inferno e separamo-nos, eles ainda tinham quase uma maratona pela frente, eu estava a pouco mais de meia dúzia de km da meta. Mas aqui tive uma surpresa inesperada: mais uma parede para subir, pensava mesmo que já não havia mais subidas daquelas...
Pois bem, se ela ai estava tinha de ser feita por isso lá cerrei os dentes e enfrentei-a. Já ia melhor do pé, no último abastecimento tinha tomado um Ben-U-Ron e as dores estavam a abrandar pelo que a confiança aumentava um pouco.

Chegado ao topo, agora sim era a descer ate Manteigas!! Sempre com cuidado para não torcer novamente mas a ganhar confiança, foi a parte da prova onde me senti melhor.
"Disparei" por ali abaixo a ritmos que ainda não tinha atingido nesta prova, foi o segmento onde me diverti mais.
Aos 43k passo novamente pelo meu Pai e a Lena. A Ana já tinha seguido para Manteigas para acompanhar o Paulo na chegada à meta :)

Incrível a alegria deles ao nos verem, a alegria e motivação que nos transmitem ali naqueles poucos segundos em que passamos por eles. Faltavam 5k, estava a sentir-me muito bem e só queria chegar!!

Continuei com tudo o que tinha e cheguei a Manteigas, uma última rampa a subir e entro na recta da meta, finalmente a passadeira amarela!


Lá ao fundo estavam eles à minha espera. Sigo em corrida pela passadeira amarela, é uma descarga enorme de toda a adrenalina acumulada ao longo de tantas horas de prova, de tanto sofrimento, mas neste momento a certeza que tudo vale a pena.
Corto por fim a meta, estou feliz, todos estamos felizes.
Adoro esta foto, acho que está fantástica!
Apesar de tudo tanto eu como o Paulo acabámos bem. Ficamos por ali a tirar fotos, estava terminada a prova! Demorei mais que o que tinha pensado, bem mais. Mas não esperava tantas dificuldades, nem torcer o pé logo aos 8k. Desistir só era opção se a entorse fosse mesmo grave, assim tive de ir sempre a proteger o pé com cuidados redobrados principalmente a descer.
Com o meu Pai e a Lena
Depois fui tomar banho e, se há algo que há a apontar à organização é aqui: sei que a crioterapia é uma boa terapia de recuperação, mas depois de tanto acho que merecíamos um banho de água quente!!

sábado, 12 de maio de 2018

30K Vale dos Barris - Bailado na lama!

A Arrábida é o meu local de eleição. Seja para treinar ou simplesmente para passear com família e amigos, a minha 1ª opção é sempre a mesma: Serra da Arrábida, local onde passo grande parte das manhãs dos domingos. Apesar disso, nunca tinha participado nos 30k de Vale dos Barris...


Não sei explicar o porquê, sempre que pensava nesta prova via uma prova muito rolante, sem grande dificuldade e realizada pelos estradões da Serra do Louro e Vale dos Barris. Nada mais errado, pelo menos este ano!!

A partida estava marcada para as 9h, cheguei ao local onde era a partida pelas 8h30'! Levantar o dorsal e ficar por ali na conversa com o pessoal da equipa até à hora de arrancar. Depois de uma pequena contagem, deu-se início a mais uma edição dos 30k de Vale dos Barris.

Arranque rápido, mas mantive-me perto do grupo da frente. Contudo, assim que passei a 1ª zona com mais lama, percebi que ia ser uma manhã "engraçada"!! Até cerca do km 4 mantive o ritmo que levava, mas depois decidi abrandar um pouco. Os ténis - a dúvida era entre estrear os Sense Ultra 2 ou levar os Wings 8, e optei pelos últimos - não estavam com aderência nenhuma, e sempre que apanhava um pouco mais de lama parecia que estava num escorrega!!

Assim num ritmo um pouco mais calmo e menos perigoso fui seguindo por trilhos bem conhecidos até chegar à Aldeia Grande e atravessar a N10. 

Depois um pouco à frente, cerca do km8 até ao k 10,5 entrámos em trilhos que eu não conhecia e com alguma tecnicidade, e onde os meus ténis hoje não estavam a ajudar nada e fazia aumentar o receio de alguma entorse. Aí fui com mais cautela, até chegar ao estradão no sopé da Vigia, zona já muito familiar! Foi com satisfação que cheguei à casa do Javali, local tão bem conhecido e onde começa a subida pela pedreira até à Vigia. Aí ainda pensei que fôssemos subir ao posto da vigia; apesar de no gráfico de altimetria só ir até cerca dos 200m, ao chegar ali já não batia certo o perfil do gráfico com o que estávamos a fazer, portanto..... Mas não, ao chegar a meio da subida virámos à esquerda e começámos a descer, e a meio dessa descida nova virada à direita, por um trilho aberto propositadamente para a prova e que, sinceramente não gostei de o fazer: preferia que nos tivessem deixado aproveitar a descida até ao fim!! Neste momento começou também a chover quase torrencialmente, e o impermeável... tinha ficado no carro pois claro!! O que vale é que foi chuva de pouca dura, a roupa seca rapidamente, mas deu para encharcar os trilhos e fazer um pouco mais de lama ainda! Houve subidas, pequenas rampas que se fazem facilmente, que era um passo para a frente e dois para trás! Estava a ser uma aventura nalguns locais!

E com isto, atravessamos Vale dos Barris e entramos na zona do Alcube. Aqui já com roupa seca, tempo seco, trilho largo e a descer, entro com demasiada confiança e não reparo que havia uma zona com pedra. Pois, está-se mesmo a ver o que aconteceu! Escorreguei e pumba, um bom par de trambolhões que me puseram a sangrar e cheio de dores no joelho direito e mão direita... ah, e uma valente capa de lama por cima do local onde sangrava!!Aquilo que temia quase desde o início acabou por acontecer, e segui a passo até chegar mais à frente a um atravessamento de um curso de água, onde aproveitei para lavar a pernas e mãos! A água não parecia muito limpa, mas sempre ouvi dizer que água corrente não faz mal!!
Depois desta pequena pausa lá segui, com alguma dificuldade em caminhar ainda, e a perna direita mais fraca dificultava a progressão num terreno já de si complicado. Aguentei-me assim um par de km até que fui voltando a conseguir correr. Com muito cuidado segui, mas sem conseguir evitar mais umas quantas quedas. Bem tentava nas descidas fugir à zona mais escorregadia, ir pelas ervas, mas havia zonas onde era quase impossível!!

E foi depois de mais umas quedas que entrei no estradão do Alcube, e um par de km depois cheguei ao abastecimento, onde parei e comi que já ia com fome!

Depois lá segui para os 9km finais, atravessar novamente a N10, Aldeia Grande e seguir em direcção à Comenda. No parque de merendas aproveitei para lavar novamente o joelho, aqui já com água limpa! Aqui estava a cerca de 3km do final, faltava apenas a subida final para cortar a meta.

3h55' depois da partida acabei a prova. Não fiquei satisfeito com o tempo final pois esperava fazer no máximo cerca de 3h30', mas depois da queda que dei não havia mesmo maneira de arriscar e os últimos 14k foram feitos a um ritmo muito calmo! O EGT é já daqui a dias e é mais importante. Fiquei no entanto satisfeito porque não senti nenhuma quebra física, o corpo transmitiu sempre boas sensações.

Em relação à organização, há vários pontos que devem melhorar para próximas edições: o perfil disponibilizado não correspondeu com o que fizemos, os abastecimentos não estavam nos locais indicados e as marcações houve vários locais onde ficámos na dúvida para onde seguir.





sexta-feira, 30 de março de 2018

IV Trail De Almeirim - Na Rota do Vinho e da Sopa da Pedra


O trail de Almeirim já começa a ser tradição. Mas não é só para mim, é também para a família que vai acompanhar a prova e comer a sopa da pedra. Este ano seria igual, pelo 3º ano, não fosse a ameaça da tempestade Hugo ter estragado os planos….


Foi no almoço de ano novo que ficou uma vez mais combinado que a 18 de Março nos iriamos reunir novamente todos em Almeirim – no ano passado se não tínhamos a maior mesa no almoço, andámos la perto! Decisão tomada, inscrição efectuada para os 30k, que afinal iriam ser 35.

Não gosto, nem tenho de arranjar justificações para os resultados melhores ou piores que consiga obter, mas a realidade é que para esta prova a preparação foi claramente insuficiente. Estes primeiros meses do ano não têm sido muito favoráveis; 1º foi a recuperação da lesão que fiz nos 100k de Abrantes, e depois quando estava a voltar a treinar bem em Fevereiro fui atacado por uma constipação que não esta ainda totalmente curada…
Foi então com uma preparação “assim-assim” que me apresentei em Almeirim. Entretanto, e por culpa das ameaças de tempestade, tomamos a decisão de a equipa de apoio ficar por casa; caso se confirmassem as previsões era complicado ir para Almeirim com as 3 crianças…

Aparentemente as previsões assustaram também vários atletas, porque eramos apenas cerca de uns 100 na linha de partida.
Antes da partida, com a Ana e o Paulo.
Foto do  outro Paulo!


Contrariamente aos anos anteriores este ano o percurso sofreu algumas alterações; em vez de começar e acabar no mesmo local (a prova dos 30k, porque a L.U.T.A. começava e acabava no pavilhão) era um percurso em linha. Desta forma fomos de autocarro ate Marianos, e depois de ver passar os 1º classificados da LUTA (grande Rovisco em 1º lugar!!) teve inicio a nossa prova.

Tinha claramente a noção que não estava bem, pelo que arranquei sem forçar grandes ritmos­ no inicio, puxando apenas um pouco pelo 3º km para evitar um possível engarrafamento numa subida. E rapidamente entramos no sobe e desce, no parte pernas autentico que caracteriza esta prova. 

Pequenas rampas a subir e descer e que lhes vemos o fim, mas que assim que acabam viramos para o lado e temos outra rampa igual, no sentido inverso, em constantes ‘S’.
E foi com este parte pernas que cheguei ao 1º abastecimento, cerca do 11º km. 


A poucos metros do 1º abastecimento, fotos do Paulo!

Não me demorei, peguei apenas num pedaço de banana e segui. Os flasks iam cheios ainda, pelo que não senti necessidade de mais nada.
E se até aqui tinha vindo quase sempre acompanhado, a partir deste ponto segui já mais sozinho.
Apesar de não estar na minha melhor forma estava a aguentar-me bem, até ao 16ºkm onde tive um ataque de tosse que parecia que saltava tudo para fora…. Estive uns minutos parado, ate conseguir recuperar um pouco, e decidi abrandar o ritmo, de forma a baixar os BPM e a respiração.
Com este baixar de ritmo comecei a ser ultrapassado por vários atletas, mas isso seria o menos importante. Fui também apanhado, cerca do km 20, pelo meu amigo Paulo Sousa. Contei-lhe o que se tinha passado e disse-lhe que ia seguir nas calmas, para ele seguir que no final la nos encontrávamos, mas ele decidiu ficar e seguirmos juntos. Km 23 e abastecimento, neste parei, enchi os flasks e aproveitei para comer alguma coisa. Estivemos parados aí uns 5 minutos e seguimos, em ritmo de passeio e na conversa.

Se as previsões para este dia eram de tempestade, neste segmento tive calor que parecia verão! Ate ao abastecimento seguinte, 30º km seguimos nas calmas alternando corrida com passo rápido, e depois de mais uma pausa para reabastecer no ultimo abastecimento decidimos correr um pouco. 
No último abastecimento

Pouco depois do último abastecimento, 4km para a meta

Faltavam cerca de 4km, já cheirava a sopa da pedra e à caralhota!!

Quase 5h depois do inicio cortámos a meta. Foi, de longe, a pior prestação que tive nas 3 participações do Trail de Almeirim, mas dadas as circunstancias fazer melhor era difícil.


Quanto à organização, já sabia com o que contar e uma vez mais não desiludiram. Gostei da alteração do percurso, embora ache um pouco chatos aqueles ‘S’ nos km iniciais, onde descemos e subimos por vezes lado a lado, mas percebo, pois sem grande altitude de serra tem de se criar altimetria; quanto ao resto tudo excepcional desde as marcações a abastecimentos, a massagem no final e os banhos com água quente, e o almoço.
A famosa caralhota! :P 


Até para o ano!!!!