sábado, 7 de novembro de 2020

Penacova Trail do Centro

 

Finalmente, 9 meses depois de ter participado nos Ultra Trilhos dos Reis num ano completamente atípico e que jamais será esquecido, voltei a participar numa prova... é verdade que após o desconfinamento tenho feito bons treinos com um restrito grupo de amigos, no final de Maio cumprimos um objectivo de à alguns anos que era fazer a Travessia Integral da Serra da Arrábida ligando Palmela ao Cabo Espichel e em Agosto fiz sozinho toda a Ecopista do Dão, mas uma prova é uma prova, com todo o ambiente que a rodeia ainda que agora, neste novo normal como gostam de chamar, nada tenha a ver com o que era antes...

Mas claro que este ano nada é normal, e a prova inicialmente marcada para o fim-de-semana de 19 e 20 de Setembro acabou por ser adiada para o fim-de-semana de 10 e 11 de Outubro, se não aparecesse outro surto de COVID claro está....
Por um lado acabou por me beneficiar este adiamento, porque permitiu treinar um pouco mais.

Sendo Penacova perto de Canas, o plano desde o início passava por um fim-de-semana em família, e assim foi. Saída da margem sul na 6ª ao final do dia de trabalho e rumámos à Beira Alta!

O sábado foi de completo descanso, e aproveitei para de tarde ir buscar o dorsal.



Domingo de madrugada é o despertar, e depois de tudo preparado apanho boleia com o Paulo Mendes, meu quase vizinho que corre pela equipa do Dão Nelas Runners.
Chegámos com tempo, ele foi levantar o dorsal e acabámos de preparar as coisas.
Estava de noite e um frio de rachar...

Aos poucos lá nos fomos dirigindo para a zona de partida, a nova zona de partida... Grupos de 20 atletas com partidas marcadas a cada minuto. Eu ia partir às 7:04, pelo que tive de ir para a box 5 com mais 19 atletas. Assim que partiram os atletas das 7:03 somos chamados para avançar e nos colocarmos do lado de fora do tapete verde, cada um junto a um pino azul.


Depois de todos a postos é dada a nossa partida - uma partida fria, não pelo frio que se fazia sentir mas sim pela falta de convívio e de calor humano, tão característico das partidas nas provas de trail...
500m a direito por um caminho largo e paralelo ao rio, e de máscara colocada.... ia a abafar, é impossível correr de máscara, a quem fala em fazer desporto de máscara apenas digo para experimentarem!!!

Apesar de Penacova ser perto de Canas, nunca lá tinha ido pelo que ia completamente às escuras no que ao percurso diz respeito. Logo nos primeiros km entramos em single track, o que originou engarrafamentos.
Depois do frio que se fazia sentir na partida junto ao rio, já começava a sentir calor e encostei para tirar o casaco.
Estes primeiros km eram um carrossel autêntico, e num instante chegámos ao alto onde tem um avião de madeira. Espectacular, o dia a clarear e uma paisagem fenomenal. Daí começamos a descer por um trilho espectacular até chegarmos à estrada, e depois de atravesarmos a ponte, novo trilho inclinado com uns degraus que nos levam a outro miradouro com uma vista fantástica!




Bela maneira de começar o dia!!
Depois de atravessar Penacova, damos início ao trilho que nos ia levar até a um dos pontos altos da prova: os Moinhos de Gavinhos. Um segmanto com partes bastante técnicas, ora a subir ora a descer a pique até chegar à parede que temos de transpor para chegar aos moinhos. Chegámos lá acima mas mal deu para ver a vista, pois estava tanto vento que parecia empurrar-nos dali abaixo; foi chegar e virar à esquerda para o trilho que nos ia conduzir em direcção ao Lorvão, onde estava o abastecimento dos 15km.
Por falar em abastecimentos.... nesta prova apenas havia abastecimentos de líquidos, se quiséssemos comer alguma coisa apenas poderia ser aos 15 e/ou 35km que era o mesmo abastecimento no Lorvão, e se tivéssemos apoio de alguém.. Quem estivesse sozinho, tinha de levar tudo consigo. Quando passei aos 15, depois de uns km que gostei de fazer pois não sendo demasiado técnicos dava para divertir, não tive ainda apoio, pelo que apenas enchi flasks e segui.

Foto da Susana Luzir, espectacular!




O segmento que se seguia começava com uma subida bastante acentuada que fiz nas calmas, e depois chegado lá acima uns trilhos muito bons onde dava para ir a correr sempre, assim houvesse pernas!! 
Não conhecia nada desta zona e estava a adorar a prova, e aqui já sabia que no próximo abastecimento aos 22,5km em Caneiros ia ter o apoio da Ana Bela e dos miúdos, do meu Pai e da Helena, pelo que ia entusiasmado!!

Cheguei e lá estavam, uma festa!! Enchi flasks, umas palavras e segui caminho. Termos ali apoio é muito muito bom, mas às vezes torna-se ingrato para eles que esperam tanto que cheguemos e depois damos umas palavras e queremos é seguir o mais rápido possível...

Se até aqui a prova não estava a correr mal e estava a gostar, depois deste abastecimento foi o ponto de viragem... O percurso seguia paralelo ao rio e tinhamos de ir por cima de pedra, lisa e onde não dava para correr. Num momento de desconcentração caí, escorreguei e bati com o meu lado direito em cheio na pedra enquanto escorregava em direcção ao rio por cima de umas silvas... nada agradável!!!! Depois de ultrapassar esta zona apanhamos um bocado de trilho onde pensei que o pior estava feito, mas enganei-me! Fomos colocados naquilo que eu chamo de encher chouriços, ou seja há uma ribeira e somos mandados a andar a passar de um lado para o outro dezenas de vezes, subir e descer ramos e pedras. Aqui ainda todo dorido da queda que tinha dado comecei a fartar-me... Foram cerca de 5km disto...
É a minha opinião e de pouco vale, eu não gosto e há quem goste, mas acho que quando se cai no exagero ao colocar estes bocados só estraga a prova..
Adiante... depois de sair desta zona uma subida a levar-nos de volta à civilização, mas aqui estava a aparecer outro problema: água! Estava a ficar com os flasks vazios,e ainda só estava a chegar ao km 30 e estava calor... Safou uma fonte que encontrei à entrada de uma aldeia, onde tomei quase um banho, bebi 1,5l de água e enchi flaks. Já mais descansado e refrescado, lá segui a corrinhar. Aqui estávamos a passar umas aldeias e era quase só alcatrão e estradão, um bocado seca. Só queria chegar ao km 34 onde íamos apanhar o caminho que tínhamos feito a subir, mas os km estavam a custar a passar....

Finalmente cheguei ao pé do conjunto de moinhos que tinha passado umas horas antes, e dei início à descida que me ia levar ao Lorvão, ao abastecimento dos 35km, à comida e ao meu apoio!!! Foi também esta descida a que mais gostei e onde mais me "diverti" em toda a prova, e aqui onde voltou a dar o click para entrar novamente em modo prova...

Chegada ao abastecimento, com o melhor apoio do mundo <3



Cheguei ao abastecimento onde fui recebido em festa!, e sentei-me finalmente a comer!! Já tinha comido 3 barras que levava comigo, mas continuava com fome. Atirei-me às batatas fritas e a uma sandes de presunto, que me soube pela vida!
Já de barriga mais aconchegada, arranquei para os últimos 5km da prova. 



Não sei se foi do abastecimento ou de sentir a meta perto, deixei de sentir o cansaço e ia com o chip de prova colocado.
Fiz estes últimos km sempre a correr/caminhada rápida a subir. Ainda apanhámos pelos 40km uma descida técnica onde eu só imaginava como teria sido feita ontem pelos 1ºs classificados do campeonato!!




Depois de cruzar o rio fiz finalmente os últimos metros em sprint e terminei a 2ª prova do ano!!
É agora uma meta triste, sem o convívio e animação habituais... o atleta chega, recebe a medalha e tem de sair dali para não criar ajuntamentos...

Quanto à prova em si, antes de mais dar os parabéns ao Carlos Sá e a toda a organização pela coragem e audácia de organizar a prova na situação em que nos encontramos. Quanto ao percurso, como já disse acima houve uma parte que não gostei e senti que foi apenas para colocar os km necessárias à distância, sem acrescentar interesse. O percurso que foi comum à prova do dia anterior foi bastante interessante, partes técnicas divertidas e outras corriveis, um percurso interessante. Assim que deixámos de fazer a parte comum e derivámos para os 43, o percurso pouco teve de interessante. Pessoalmente, preferia ter feito a mesma distância do dia anterior, em prova aberta a todos...





terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Monchique Open Trail 2019


Quanto em finais de Setembro me apareceu no feed do Facebook esta prova, o interesse ficou logo em níveis elevados!!
No longínquo ano de 2011 estive com a Ana Bela 1 semana de férias no Monchique Resort & Spa e adorámos, e voltar agora lá, desta vez já com 3 miúdos e ainda com a possibilidade de correr.... bem era uma oportunidade que queria aproveitar!!

Apresentei a ideia de um fim-de-semana interessante cá em casa e foi imediatamente aceite eheh :) 


E assim na sexta-feira saímos de casa com tempo e lá fomos em direcção a Monchique. Lá chegados e feito o check-in no hotel, lá fomos conduzidos para a nossa suite. Não fosse isto um resort de 5*****, o saco com as lembranças e o dorsal já estava lá à espera!! Maravilha assim!! E seguiu-se o estágio para a prova, com ida pra piscina quentinha do spa!

Sábado de manhã com tempo ideal para correr, depois de um pequeno-almoço de hotel não exagerado, lá fomos para a zona da partida! Era uma prova onde não estava à espera de ver muitas caras conhecidas, mas lá apareceu o Bruno Narciso, irmão do meu grande amigo Heitor e assim ainda estivemos por ali à conversa.








Após um muito breve briefing lá foi dada a partida e, partida de prova curta que se preze e a descer, tem de ser feita em ritmo elevado e esta não foi excepção!!! 1º km a descer e a 3'59"km, ia bem mas com noção que tinha de abrandar, mas deixei-me ir no grupo dos 3 primeiros até deixar de ser a descer e inverter a inclinação!

A subir e com noção que o treino nos últimos tempos não tem sido o melhor, abrandei e estabilizei num ritmo mais confortável. Não sei se foi do café que bebi poucos minutos antes da prova começar, o ritmo cardíaco ia algo elevado, o que fez com que abrandasse também...


Não conhecia nada do percurso, mas uns comentários no Facebook da prova tinham aconselhado a levar bastões! Não levei, afinal eram apenas 23k, e a verdade é que não senti falta deles, mas ia sempre na expectativa a ver quando é que eles fariam falta. O percurso não apresentou grandes dificuldades técnicas, e sempre muito muito bem marcado.


Depois de passarmos por Caldas de Monchique começou a 1ª grande subida da prova. Aqui senti a diferença nas pernas para quando andava a treinar com disciplina, mas eram poucos km por isso não havia muito a gerir! Puxar no máximo, feita a subida deu para correr um bocado a direito e a descer até chegarmos a Monchique onde, aí sim começou o principal desafio da prova: a subida à Picota.

Com muitos atletas da prova curta e pessoal da caminhada pelo caminho, foi sempre a dar o máximo que enfrentei esta subida. Eu gosto destas subidas!
A prova tinha 2 abastecimentos, aos cerca de 7km e 14. Não parei em nenhum, mas quando passei e olhei pareceram-me bem compostos.

O topo da Picota estava aos cerca de 16km, cheguei lá com 2h. Nas minhas previsões esperava chegar mais cedo, e tinha sido possível se estivesse em melhor forma. 
Estou mesmo a chegar ao topo da Picota e toca o telefone! A Ana Bela e os miúdos andam na piscina, e querem saber se ainda estou longe!! Respondo para não terem pressa, que ainda demorarei um bocado!!

Chegados à Picota, o caminho era a descer claro!! Só que o topo da serra era só pedra, e como tinha estado de chuva estava tudo molhado e alguma lama. 
Pouco depois de começar a descer apanho um susto, vou a curtir a descida, pedra está molhada, escorrego e torço o pé direito! Não foi nada grave, mas fez soar os alarmes.
Daí para a frente abrandei, desci com muita mais cuidado e a arriscar ZERO! Com este abrandamento perdi cerca de 10 posições.... Não é que interesse muito até porque o que interessava era não lesionar, mas ia contente com o meu lugar e depois como abrandei perdi bastantes posições, mas os atletas iam perto uns dos outros e era inevitável...

Cerca de 2km da meta ligo, a avisar que estou a chegar. Com o caminho fácil e a descer, disparo em direcção à meta a ritmos bastante abaixo dos 4'km! 
A poucos metros da chegada tenho o melhor prémio que se pode ter à espera: a Ana Bela, o Tomás, a Madalena e a Oriana, que me acompanham contentes para cruzar a meta!

Depois ficámos por ali, fui tomar banho e voltámos para a festa final que estava preparada para os atletas e familiares.

Para uma 1º edição, e já tive oportunidade de o dizer à organização, foi uma prova excelente! Percurso muito bom, marcações excelentes, abastecimentos que me pareceram qb
Fiquei com pena de não ter conseguido uma melhor classificação, mas depois do susto que apanhei ao torcer o pé tive medo de arriscar... o objectivo começa em Janeiro no Trilho dos Reis, e é aí que tenho de estar nas melhores condições.

Mas mais importante que qualquer classificação que pudesse obter, foi o fim-de-semana espectacular que passámos! A Oriana que é a mais pequena e que só faz 3 anos daqui a dias, continua a perguntar quando voltamos para o hotel!!! :) 


quarta-feira, 24 de julho de 2019

Seixal Night Run

A Seixal Night Run é especial para mim, pois foi a minha 1ª prova em 2014. Falhei apenas uma edição, no ano passado porque estava na Lousã para participar no Louzan Trail no dia a seguir. Custou não participar, mas aí nada havia a fazer...

Este ano e estando livre na data da prova, prontamente aceitei o desafio do Pedro para participar na prova em representação do LH Ginásio. Havia também o desafio de tentar melhorar o tempo que fiz na São Silvestre do Seixal em Dezembro, 39'40". Só que, e depois de participar no Ultra Trail de Sesimbra, dediquei  mais tempo a descansar que a treinar para esta prova!!


Chegado o dia, depois de jantar lá me dirigi para o Seixal. Reunir com a malta, aquecer e garantir um lugar bom para sair bem na partida.

Dada a partida, arranquei rápido como esperado e ultrapassei alguns atletas que estavam à frente e segui no meu lugar. 1º km feito em 3'41", 2º km em 3´59"... 

Ia rápido, de faca nos dentes e a dar tudo o que tinha. 3º e 4º km's a 4'00" ia com tudo.
O percurso era todo na marginal do Seixal, o que acabava por concentrar mais o público e garantir um maior apoio aos atletas.
Até que a meio do 5º km tive de parar por uns segundos.... uma "dor de burro" que não conseguia aguentar mais obrigou-me mesmo a parar e acalmar a respiração. Este foi o km mais lento feito em 4'40". 
Ainda consegui aumentar o ritmo nos km seguintes, mas sem conseguir chegar ao nível dos primeiros km, o que me fez perceber que o tempo da São Silvestre não ia ser batido...
LH Running Team
Acabei a prova em 41'23", muito aquém do que esperava mas sem conseguir dar mais que fosse...

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Ultra Sesimbra 2019



Pelo 5º ano seguido marquei presença nesta prova. Nas 2 primeiras participações na distância mais curta, e nos seguintes na distância Ultra.
De todas, acho que esta foi a mais difícil não devido à elevada dificuldade do percurso, que basicamente é a mesma dos anos anteriores, mas devido ao calor extremo que se fazia sentir este ano.

Ao final da tarde já no conforto do sofá em casa, escrevi o seguinte no Facebook:
"Agora que o Ultra Trilhos Rocha da Pena - UTRP vai ser feito de noite, o Ultra Sesimbra está bem lançado para ganhar o prémio de prova mais quente do ano 🔥
Prova duríssima, o percurso de sempre mas debaixo de um braseiro
Ah, e não devia ter ido fazê-la 2 semanas apenas depois do UTSM - Ultra-Trail de São Mamede..."

Pois.... aliado ao calor que se fazia sentir, passavam somente 2 semanas depois do UTSM e quer se queira quer não, não é tempo suficiente para recuperar convenientemente. Mas era difícil ter esta prova à porta de casa e não ir...

Assim sendo, no dia da prova o ritual foi o de sempre: quando faltava cerca de 1h para a prova saí de casa, passados 20 minutos estava a estacionar em Sesimbra e de seguida a levantar o dorsal. De todos os lados, pessoal amigo e conhecido a cumprimentar, trocar 2 dedos de conversa e a desejar boa sorte para a prova.

Perto das 8h estou na zona de partida, como sempre na Praça da Califórnia. 
A partida é dada à hora certa e, este ano ao contrário dos anos anteriores, uma boa novidade: não noa vão meter logo de início pela praia; para mim isso não fazia sentido nenhum e finalmente este ano parece que a organização percebeu isso!!

Conhecendo bem o percurso da prova, arranco com calma, sem me entusiasmar com os primeiros km de alcatrão! Passado o par de km a subida para a pedreira para depois entrarmos no trilho de acesso à Ribeira do Cavalo, e com o bafo que se fazia sentir já começava a sentir o calor a apertar!!
Este trilho para a Ribeira do Cavalo não é de uma tecnicidade elevada, mas aqui apercebi-me que fiz a escolha de ténis errada!! Para esta prova levei os já "velhos" Salomon S-Lab Sense 6 que contam já com cerca de 600 km, como tal a sola já apresenta algum desgaste e não agarram como dantes. Pois, pois não, e numa curva do trilho lá me esbardalhei!!! Nada de grave, levantei-me e segui trilho abaixo, para logo de seguida dar início à subida cascalheira acima.
Aqui em fila, sem espaço para grandes acelerações, cheguei ao topo e suava em bica, o suor escorria que parecia que me tinham despejado um balde de água em cima!!! Cheguei ao 1º abastecimento da prova e parei: desconfio que terei sido dos pouco a fazê-lo, mas com o calor que estava era essencial hidratar muito e bem!

Segui caminho, agora um segmento mais rolante até ao Cabo Espichel. Pensei que aqui não iria sentir muitas dificuldades, mas com o calor que começava a fazer-se sentir cada vez mais o cansaço ainda do UTSM começou a aparecer... 
Decidi abrandar um pouco o ritmo, e fiz uns bocados a caminhar... Chegue ao Cabo e enchi flasks, comi banana, laranja e melancia e arranquei.

Este bocado é uma seca... Seguir pelos trilhos junto à orla costeira, sem sombra alguma e com o calor cada vez mais forte... Os kms parece que não passavam, e o terreno com areia fina não ajuda em anda...

Na praia da Foz há um abastecimento, e aproveito para comer e refrescar. Estavam mais de 30º, um dia bastante quente, e este percurso quase não tem sombra; esta prova feita em Fevereiro/Março era uma coisa, mas num dia destes....
Prossigo caminho, cada vez mais farto do percurso... Agora seriam cerca de 8km a subir, não muito acentuado mas como se costuma dizer "não mata mas mói"...
A meio caminho um abastecimento extra, mesmo em boa hora para voltar e encher flasks... 
No abastecimento da pedreira demorei muito tempo. Chegou a passar-me pela cabeça a ideia de desistir; já fiz esta prova imensas vezes, treino nesta zona quando quero e estava a ser um sacrifício fazê-la, não estava a tirar nenhum prazer... Comi, bebi, andei para trás e para a frente, e decidi seguir, a correr ou a caminhar, ia indo e ia vendo!!

Saio da pedreira e sigo a caminhar, mas num passo rápido. Chegado ao topo da pedreira, entro no estradão a descer e inicío um trote. Vou cansado, está imenso calor e começo a alternar trote e caminhada até chegar ao trilho que sobe ao castelo, pois aqui já seria impossível pensar em algo mais que fosse caminhar!!!!

No castelo junto ao abastecimento tem uma torneira, e quando lá chego completamente esgotado, tomei quase um banho completo! Depois dirigi-me para o abastecimento, e sou recebido pela Mena que tinha feit comigo muitos kms no UTSM!! Sempre bem disposta, mandou-me logo sentar à sombra e tratou de me arranjar uma sandes, e coca-cola fresca!!! Soube pela vida!! Ainda comi também umas bolachas, e já recomposto arranquei para os últimos 10km.
Continuei a alternar trote e caminhada, já não dava mais! A caminhar tentava manter um ritmo vivo, mas era o possível! O percurso continuava a não oferecer qualquer sombra, e o corpo já não dava mais... Agora era gerir e chegar ao fim....

Acho que foi também neste segmento que decidi que nos próximos anos não volto a fazer a Ultra distância nesta prova; o percurso é basicamente o mesmo todos os anos, sem grande interesse (as paisagens são bonitas na sua grande parte, mas torna-se desinteressante) e cansativo psicologicamente... Provavelmente volto, mas para fazer a distância de 21km...

7h depois do início cheguei à meta. É um resultado péssimo, apenas justificado pelo cansaço ainda do UTSM conjugado com o elevado calor que se fez sentir, mas ainda assim muito muito mau....
Família LH Ginásio




quinta-feira, 30 de maio de 2019

UTSM - Ultra Trail de São Mamede 2019



2 anos depois voltei ao UTSM, mas desta vez tudo foi diferente!

2 anos fui ao UTSM, naquela que seria a minha primeira prova de 3 dígitos, mas tive de desistir aos 50km em Porto de Espada.
Este ano tudo foi diferente. 

Apesar de a preparação não ter sido tão boa como há 2 anos, a experiência entretanto adquirida também me deixava muito mais calmo e confiante.
Os últimos meses foram focados nesta prova, todo o treino feito foi com um único objectivo: desta vez terminar o UTSM.
Cheguei ao dia da prova a sentir-me bem. Dia de férias, tudo preparado de véspera, de manhã foi só acordar e fazer uma última verificação, almoçar e ir apanhar o autocarro!!
Fui para Portalegre de autocarro mais o Heitor; o Paulo já tinha ido mais cedo, e íamo-nos encontrar quando lá chegássemos. Os últimos meses foram passados a treinar juntos, praticamente toda a preparação foi feita juntos, e pelo menos íamos começar a prova juntos, depois logo se via!!

Chegados a Portalegre fomos levantar dorsais e depois descansar para o quartel general, a casa alugada do Paulo!!

Aqui tenho de deixar um agradecimento especial à Andreia porque nos preparou um super jantar, e praticamente apenas tivemos de descansar, jantar e equipar!
No quartel general

Perto das 21 arrancámos em direcção ao estádio dos Assentos; estava a chegar o grande momento!
Ao chegar já se via uma enorme azáfama, carros por todo o lado e atletas a chegar de todos os cantos.
Fomos deixar o saco da base de vida e para a pista: já lá estávamos!!!!
Últimas fotos, últimos cumprimentos, concentração. Alguém da organização está a falar, mas não se ouve, na pista estão cerca de 400 atletas entusiasmados que já só pensam em partir.
Brothers in Arms


Às 22h é feita a contagem decrescente e dada a partida! Arrancamos juntos, o plano é ir calmo e gerir o esforço porque os avisos para a dificuldade vêm de todos os quadrantes.

A prova este anos sofreu muitas alterações: começou às 22h ao invés das 00h, inventaram muitos trilhos nem todos bem conseguidos na minha opinião, mas a melhor novidade foi sem dúvida a prova ir pelo meio da cidade de Portalegre, onde havia muita animação e pessoas a apoiar os atletas na rua.

Seguimos calmos e rapidamente chegámos ao 1º abastecimento, no Centro Vicentino da Serra. Paragem rápida e seguimos em direcção às Carreiras. A seguir a este abastecimento o Paulo e o Bruno (irmão do Heitor) seguiram mais rápidos e fiquei com o Heitor, no nosso ritmo de gestão.
Convento da Provença

A Castelo de Vide já cheguei com alguma fome, e lá comi e reabasteci o depósito!

A seguir a este abastecimento veio aquela que para mim foi talvez a parte mais complicada da prova, e perigosa: um single laeado de pinheiros e cheio de pedras de vários tamanhos e feitios, muitas soltas, tapadas e algumas afiadas, um perigo este trilho de noite e onde sei que houveram algumas baixas.

Aqui demoramos muito tempo. Não queria arriscar nenhuma lesão, eu que tenho tendência a entorses...
Chegar à Portagem foi um alívio, e a subida a Marvão pela calçada foi feita a bom ritmo. Chegámos ao abastecimento e parecia um cenário de guerra... Comemos alguma coisa, encher flasks, e tomei um café... café que me fez correr para a casa-de-banho!!!!

Depois de tudo tratado, estamos para sair e começam a avisar que já lá vem o vassoura. Já??? Como é possível?! Pois, parece que já há muitas desistências lá para trás...
Arrancamos e começamos a descer de Marvão, mas distraídos na conversa com o nascer do dia enganamo-nos e quando demos conta já tínhamos descido uns 500m. Ora toca a subir 500m para trás e tomar o rumo certo.
Seguimos a um ritmo confortável, mas um pouco antes de chegar a Porta de Espada estava um bombom: uma subida aos socalcos, boa para dar cabo de quem já não viesse muito bem!!
Aqui ia-me a sentir muito bem, solto e sem cansaço, mas o Heitor já não ia tão bem, e como tal subia um bocado e esperava por ele. Chegados ao topo seguimos juntos, está a nascer um belo dia! O telefone toca, é a Bela e os miúdos; sabe tão bem falar com eles <3 digo que vou bem, Ela também reconhece na minha voz que estou bem, falo um pouco com o Tomás que vai ter jogo dali a pouco e desligamos.
Apesar de ir a bebericar sempre Tailwind, começo a sentir necessidade de trincar alguma coisa mais sólida, e isso mesmo comentamos os 2. Pois bem, chegados ao abastecimento, e depois de trocar de roupa - roupa que não troquei tudo que devia... aqui cometi um erro que teve uma importância enorme no desfecho final: devia ter trocado de meias mas na hora achei que não era necessário..... - fomos para a parte do banquete!!! Havia bifanas, ui!!! Pedimos uma para cada 1, depois mais 2, e depois mais 2!!!! Saímos dali cheios, mas com um tempo enorme de paragem...
Tanto tempo parados fez mossa, e o Heitor que vinha-se queixando da virilha estava com dificuldades em correr... Seguimos com calma, mas passados uns km ele percebeu que eu estava (naquele momento) muito mais solto e mandou-me ir à minha vida!! Com a garantia dele que estava bem, segui. Aqui estávamos a descer para El Pino em Espanha, e havia uns trilhos engraçados onde me diverti a descer!!
Cheguei ao abastecimento e, quando perceberam que tinha o dorsal 1, fizeram uma festa enorme!!!
Dorsal "uno"!

Entretanto chega o Heitor que já vinha melhor, mas como eu já estava despachado arranquei.
Saída de El Pino e apanhamos um corta-fogo numa subida interminável, cerca de 3km...
Opinião pessoal: esta ida a El Pino não tem interesse nenhum, serve apenas para encher chouriços, dar mais uns kms à prova e desnível....
Um bocadinho da subida!

Chegados lá acima, toca a descer para São Julião... Há 2 anos tinha feito estas 2 descidas inclinadíssimas em sentido contrário, a subir, já fazia ideia do que me esperava.
Lembram-se de não ter trocado de meias na base de vida??? Pois, aqui a descer comecei a sentir umas dores enormes nos pés, por baixo...
Só queria chegar ao abastecimento para trocar finalmente de meias, porque, estava eu convencido, tinha colocado umas extra na mochila...
Entretanto vem o Heitor, passa-me e segue a bom ritmo!! Nunca mais o apanhei até ao abastecimento.

Cheguei e fui directo sentar-me numa cadeira, tirei a mochila e fui ao saco que lá trazia, para trocar as meias. SÓ QUE NÃO.... F0#@§§€ ESTA MERDA.....
Tentei limpar os pés o melhor que pude, e deu para verificar que estavam com umas espécie de cortes... Ia ser bonito até final ia........

O Heitor estava à minha espera, e lá seguimos os 2.
Íamos agora enfrentar mais uma subida, a mais dura ao ponto mais alto da prova, alto de São Mamede. Mas... antes de começar a subir ainda nos puseram a brincar aos salta pocinhas... DETESTO ISTO... andar a passar riachos de um lado para o outro, e uns metros à frente voltar a passar, e repetir por mais uma dúzia de vezes... enfim, não vejo qualquer interesse nisto.... Depois desta brincadeira lá iniciámos a subida, com segmentos por vezes bastante inclinados e complicados para subir... Mas, a mais dificuldade já não ia em subir, era mesmo descer, umas descidas inclinadíssimas com que a organização nos brindou e onde os bastões deram um jeitaço: pregar bastões no chão, apoiar e descer....
Chegamos FINALMENTE a São Mamede, e paramos no abastecimento. Mal aguento os pés, mas temos de seguir...
Seguimos em grupo de 4 em direcção a Alegrete: eu o Heitor, a Filomena e a Mafalda. Vamos tentando alternar caminhada com alguma corrida, este segmento é relativamente fácil, é praticamente só estradão, e queremos tentar ganhar algum tempo para o troço entre Alegrete e Reguengo, sobre o qual há imensos avisos relativos à dificuldade...
Chegados ao abastecimento só quero sentar-me. Peço, quase imploro para me deixarem estar uns minutinhos para levantar os pés do chão... Depois de alguma negociação,  lá me deram 3 minutos para estar sentado!!!
SIGAAAA

Saímos do abastecimento, dispostos a enfrentar este último troço que tantos alertas mereceu....
Continuamos a tentar alternar corrida e caminhada, e depois de alguns km quase a direito apanhamos então uma primeira subida, depois uma descida onde havia uma corda e finalmente a tão falada besta...
Nesta altura pairava, ainda que algo distante, o fantasma do limite horário no Reguengo. Disse ao Heitor que "tínhamos de dar ao chinelo" e arrancamos pela Besta acima em bom ritmo. A sério que mal dei pela subida, tão difícil que diziam que era e não custou nada!!! Virada a subida, começamos a descer e aqui dava para correr.
À saída de Alegrete tomei um Ben-u-ron para acalmar as dores e agora ia bem. Conseguia correr e arranquei a bom ritmo serra abaixo... Aqui já tinha a certeza que a prova tava feito, era só chegar à meta!! Desde São Mamede separei-me do Heitor, mas sabia que ele estava bem, também só tinha de rolar ara acabar, e deixei-me ir!
No abastecimento do Reguengo parei, enchi os flasks e segui! Nos 2/3 km seguintes ainda corri, mas depois decidi abrandar... Os pés voltavam a doer um pouco, já estava de noite e não queria arriscar nada....
Fiz os últimos km a corrinhar, e os últimos 2/3 a chamar todos os nomes (uma vez mais) porque íamos paralelos ao estádio, viam-se as luzes e ouvia-se o speaker, mas não havia meio de lá chegar....




24H 42' depois cortei a meta!
Não, não foi 24h depois, mas sim 2 anos depois, porque aquele DNF de há 2 anos ainda me custa a aceitar....
FINALMENTE é minha!!

A prova não correu de todo como esperava... Os avisos para o acréscimo de dificuldade vinham de vários sítios, e devido a isso fui durante a noite a gerir e poupar demasiado, tanto que por exemplo as 8 da manhã não sentia ponta de cansaço nas pernas... Cometi 2 ou 3 erros de principiante que já não os devia ter cometido.... Nalguns abastecimentos também estive demasiado tempo. São situações que tenho de rever porque tenho a noção que tinha tirado umas horas ao tempo final.

Quanto às alterações da prova, a mais positiva é sem dúvida o arranque pelas ruas de Portalegre às 10 da noite, hora em que há muita gente na rua a apoiar e, se mantiverem assim nos próximos anos, só tenderá a aumentar o apoio. Entre Castelo de Vide e Portagem, este ano colocaram um trilho quanto a mim perigoso; perigoso porque feito de noite, tem muitas pedras soltas e pontiagudas, nalguns locais mal dá para colocar os pés e sei que aqui houve muitas baixas. A ida a El Pino como já disse atrás é encher chouriços; não tem nada de interesse, é ir lá abaixo e voltar a subir por um corta-fogo poucas centenas de metros ao lado.... O declive de algumas descidas, claramente exageradas quando já vamos com 70/80/90 km nas pernas mas colocados para dar algum interesse às outras provas do evento é, quanto a mim, alguma desconsideração para com os atletas dos 110km; não é pelo desnível que esse é anunciado previamente, mas sim o exagero de alguns troços.... Sei que houve muitos atletas a reclamar, inclusive o meu Pai ouviu bastantes na zona da meta a queixar-se, e tenho a certeza que para a próxima edição a organização terá isso em conta.

Quanto a mim... bem, costuma dizer-se que não há 2 sem 3, certo?!