segunda-feira, 24 de abril de 2017

Montejunto Trail 2017 - uma desistência com sabor salgado

Saber quando desistir é difícil, uma decisão que nunca é tomada de ânimo leve e raramente à primeira. 
A expectativa estava elevada. Não que fosse com pretensões de ganhar a prova, mas o corpo andava a responder bem ao treino e, sendo esta a última prova antes do UTSM, queria ver como se portava neste último teste.


Tudo preparado de véspera, no domingo saí de casa cedinho para ir encontrar com o resto da malta, o Cláudio e o Carlos. Viagem tranquila até Montejunto, fomos doa 1º a chegar e ir levantar o dorsal. Depois com o tempo que ainda tínhamos, ficámos por ali na conversa, tratar das questões logísticas e perto das 9 ir para a zona de partida.



Pouco depois das 9h e de um ligeiro briefing, é feita a contagem de 3 a 0 e dada a partida.
Arranco bem, sem sentir que ia a forçar, mas ainda assim num ritmo mais elevado que o que esperava. Segui durante uns 2k no grupo da frente de 4 elementos, liderado pelo Daniel Rodrigues - estás em grande forma, sempre em crescendo, parabéns!. Depois decidi que era hora de seguir ao meu ritmo mais constante, e com mais cautela nas descidas, pelo que fui ultrapassado por  alguns atletas. Em conversa nos dias anteriores com o Daniel, que conhece bem a serra de Montejunto, tinha-me avisado que a serra tinha trilhos com muita pedra solta e propícios a entorses, o que fez soar o alarme!!

Deixo-me ir ao meu ritmo, cuidadoso nas descidas e nas subidas sempre que possível a trote, e sinto o corpo sempre a responder bem. O calor ia apertando, pelo que fui sempre a hidratar e em todos os abastecimentos - 7 no total, para 36k!! - despejava 1 ou 2 copos de água por cima de mim.

Quando passei no posto de controlo aos 25k disse a menina: vai em 18! Vou?? 
Fixe!! Dali a 100m era o abastecimento. Cheguei lá, água por cima da cabeça, tomate, batata frita e sal, um pedaço de banana e segui. 
Logo a seguir entramos no Trilho da Senhora, trilho bastante técnico a descer. Ia bem, com cuidado por causa das entorses, até que comecei a ficar mal disposto e a sentir o corpo a fraquejar, perder força. 
Sentei-me a sombra, e despejei água por cima da cabeça, braços e pernas. Depois de uns minutos a descansar lá segui com calma. O estômago não estava bem, e na próxima sombra que apanhei voltei a encostar. Aqui a vontade de vomitar já era grande, mas nada saía. Tonturas obrigaram a sentar, mais uns 15 minutos. Voltei a arranjar forças para seguir, trilho a subir, até encontrar nova árvore, a única que fazia sombra. 
Aquela árvore era um oásis no deserto!! Reparei depois enquanto estava junto à carrinha da Cruz Vermelha que quase todos lá paravam a descansar por uns momentos!!

Mais 5 minutos. Mais acima está uma carrinha da Cruz Vermelha, é o próximo objetivo.. e o último. Chego, sento-me, bebo água, e começo a pensar...
Ainda faltam mais 500m a subir até ao abastecimento, 1k a descer, e a última subida com sensivelmente 5k. 

Ir ou não ir, eis a questão. 

Saber quando desistir é difícil, uma decisão que nunca é tomada de ânimo leve e raramente à primeira. 
A sensatez diz que não adianta arriscar, mas outra coisa diz para seguir...  já me sinto melhor, ainda me levanto para seguir, mas não...
Ia arriscar, sofrer por mais 6k para apenas dizer que terminei..  Valia a pena? Acho que não... há mais corridas, corpo há só um... 

Depois de mais de 1h de espera, lá veio um carro da organização buscar-nos. Falo no plural, porque depois de eu chegar mais uns 7 ou 8 atletas decidiram ficar também por ali.

sábado, 1 de abril de 2017

III Trail de Almeirim - Na Rota do Vinho e da Sopa da Pedra

Não gosto de vinho nem aprecio sopa da pedra, mas apesar disso decidi inscrever-me no III Trail de Almeirim.


De manhã quando acordei, por volta das 6.00 estava longe de imaginar o dia que ia ter. 
Ainda a recuperar da entorse que fiz nos Montes Saloios, o dia anterior à prova foi tudo menos o que deve ser!! Depois de ir para a piscina com a Madalena na parte da manha, comecei a ficar bastante mal disposto. não consegui almoçar ou beber o que quer que fosse, passei a tarde na cama e a vomitar, e apenas consegui comer um pão com manteiga já pelas 10 da noite... Preparei as coisas, mas sem a certeza se ia para Almeirim no domingo de manhã.

Pelas 6 o despertador tocou e levantei-me. Não estava a 100%, mas era o suficiente para ir fazer a prova. Preparei-me silenciosamente, pois a última coisa que queria era acordar algum dos 3 miúdos, mas estava a pegar nas chaves do carro para sair, aparece o Tomás no corredor a correr, a desejar um feliz dia do Pai! De seguida foi buscar a prendinha que tinha feito para mim, digam lá que não é gira??! 
A escova, para limpar os ténis!!!
De coração mais aconchegado, saí de casa e pus-me a caminho. Viagem de 1h, feita nas calmas porque o nevoeiro intenso também não permitia grandes excessos, eram 8:15 quando estacionei o carro junto à escola em Fazendas de Almeirim. Dirijo-me para o secretariado para levantar o dorsal, e tenho o 2º momento do dia: à minha espera, de surpresa o meu Pai e a Helena, tinham ido a Fazendas de Almeirim para me apoiar e passar o dia do pai comigo.
Levantamento de dorsal super rápido, sem algum problema, e voltei ao carro para acabar de equipar, e depois ir para a zona de partida.

Aquecimento feito, com muita atenção dada ao tornozelo, e coloco-me na zona de partida.

Após um breve briefing do Omar, é dada finalmente a partida.

No ano passado fiz a prova dos 18k e adorei os trilhos. Este ano sabia que iam haver muitos trilhos novos, e a expectativa era enorme. Depois de cerca de 1k de alcatrão, entramos finalmente nos trilhos. Sem grandes desníveis que ofereçam grandes paredes, entramos num autêntico carrossel, um sobe e desce constante que, como se costuma dizer, não mata mas mói!!  Apesar de ter abrandado um pouco o ritmo de treinos nos últimos tempos devido à entorse, e estar mais fraco por causa do dia antes, ia a sentir-me bem e rápido!


Até ao 1º abastecimento, não sei em que posição ia, mas ia bem à frente, até que pus a mão na consciência, pois se assim continuasse não ia aguentar até final. E assim aproveitei o 1º abastecimento, onde inicialmente não fazia intenção de parar, para beber um pouco de água, comer qualquer coisa, e abrandar o ritmo!!

E assim segui, mais calmo, a fazer a prova com a única preocupação de não torcer o pé novamente nalguma descida! Nas descidas acabava para abrandar um pouco para evitar alguma entorse, mas a subir recuperava - o trabalho no ginásio está a ter efeito!!



E foi  neste sobe e desce constante, trilhos novos abertos propositadamente para este evento, que os km's foram passando sem dar por eles. Passou o abastecimento aos 11k, e o dos 17, após uma pequena escalada pela corda e onde aproveitei para voltar a hidratar bem e despejar 2 copos de água pela cabeça abaixo.



A prova ia-se aproximando do final, e nesta altura tínhamos por alguns km a companhia dos participantes na caminhada, o que dava outra alegria e sempre um apoio extra à nossa passagem! E assim rapidamente cheguei ao abastecimento dos 21k, numa altura em que o calor já apertava e onde soube bem a água fresca, pela garganta e cabeça abaixo!!


Nos últimos km quebrei. A mistura do estradão com os trilhos em que andávamos aos Esses, ora a afastar ora a aproximar do final foram bastante maçadores. Aqui ia num grupo com mais 3 companheiros, e onde a companhia foi determinante para ultrapassar estes últimos km com menos dificuldades.

Finalmente chegamos ao pavilhão. Tínhamos combinado que íamos juntos, acabávamos juntos, e assim foi, camaradagem até final, o Espírito do Trail!!


E ao chegar à linha de meta, uma surpresa mais! Eu estava a olhar e a não acreditar naquilo que via! Alem do meu Pai e da Helena, estavam lá a Ana Bela com os miúdos, a 1ª prova que a Oriana viu o pai terminar; a Lurdes, o Hélder e a Lara! Melhor que qualquer registo de tempo, medalha ou pódio que pudesse alcançar, foi esta surpresa, ver ali na meta aqueles que me são mais importantes.

Em relação à prova, acho que esteve tudo quase imaculado, excepto por volta do km 8.5, em que íamos a descer e tínhamos de virar a direita. Aí segui em frente durante uns metros, acho que uma fita atravessada tinha dissipado qualquer dúvida, e comparando com o ano passado, pareceu-me ter mais estradão e trilhos mais chatos. No ano passado na prova mais curta, antes de chegar ao último abastecimento passámos por um trilho formidável, que tive pena de este ano não passar por lá.
Para o ano espero voltar, e não estar a recuperar de nenhuma lesão!!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

VI Trail Montes Saloios




A confiança estava em alta. Depois do Natal comecei a treinar bem, de uma forma mais organizada com a inclusão de ginásio e treino de séries em pista e fui aumentando a carga, terminado o mês de Janeiro bastante satisfeito. 
O mês de Fevereiro não começou tão bem, com uma dor no pé a causar algum desconforto, mas que entretanto passou, não sem antes impedir de treinar nalguns dias como gostaria. 

Na semana antes desta prova participei num corta-mato de 5km, que faz parte do troféu de atletismo do Seixal, por onde corro pelo CCR Alto do Moinho, e onde por equipas conquistámos o 1º lugar!!! Individualmente não correu muito bem, fiz um 14º lugar no escalão, mas numa prova tão curta e com um ritmo tão alto, sofri um bocadinho. No entanto, não abalou em nada a confiança, e esta última semana foi sobretudo de recuperação.

Desde 2015 que trazia esta prova debaixo de olho, pois os comentários que ia ouvindo eram favoráveis em relação à organização e aos trilhos. No ano passado não foi possível ir devido a lesão, pelo que para este ano quando comecei a idealizar o calendário de provas, esta foi logo incluída.
Ao longo da semana o entusiasmo foi aumentando, com a expectativa em relação à meteorologia a aumentar, devido às elevadas previsões de chuva e o consequente aumento de lama!!

No domingo levantei-me cedo, preparei-me e saí de casa com tempo. O caminho foi todo feito debaixo de chuva, por vezes forte. Não tinha bem a noção onde ficava Covas do Ferro, mas quando lá cheguei reconheci o largo: afinal já lá tinha estado há alguns anos, quando andava mais pelas lides geocachianas!

O levantamento do dorsal decorreu sem problemas e sem grande fila, mas para receber o chip já não se pode dizer o mesmo, pois a fila era enorme. Faz-me um pouco de confusão porque não usam dorsais com o chip, e dorsais de melhor qualidade, porque este pouco depois de o ter prendido aos calções, já dava sinais de estar a perder tinta!! 
Depois de ter voltado ao carro para equipar, dirigi-me para ao pé do pavilhão, embora houvesse alguma contra-informação em relação ao local da partida: havia quem dissesse que era lá dentro, e quem dissesse que era cá fora. Aguardei um pouco cá fora, até que alguém disse que efectivamente era lá dentro!! Lá fui, passei pelo controlo zero e aguardei. Aguardei pelo já atrasado aquecimento coordenado por uma menina que dançava no cimo das bancadas, e por um briefing que não se percebia nada do que diziam devido ao eco que fazia.

10 minutos depois das 9h, é finalmente dada a partida!

Arranco com calma, sem nunca forçar o ritmo.
Apesar de estar com confiança e me sentir bem, o terreno enlameado faz-me ir com cuidados redobrados nas zonas mais técnicas; a lesão que sofri no ano passado ainda está presente na memória e não quero voltar a parar pelo mesmo motivo.


Arranquei com o impermeável vestido por cima da mochila, mas o céu começou a apresentar um ar mais amigável e a temperatura estava também bastante agradável, pelo que por volta do 3º km tirei-o e coloquei na mochila. 



E foi assim que rapidamente cheguei ao 1º abastecimento, onde fiz uma paragem rápida para comer um bocado de banana e marmelada! Sem demoras arranquei e continuei a seguir o planeado: divertir-me e nunca forçar ou arriscar demasiado.

Os trilhos estavam bastante pesados, com muita lama e água, o que fazia nas subidas dar um passo atrás sempre que se davam dois à frente, e a descer dava para ir a escorregar!!




Ia a sentir-me bastante bem e a ganhar bastantes posições, até que.... por volta do k12, após uma descida com algumas zonas que requeriam mais concentração, entramos numa zona mais plana, facilitei e desconcentrei-me, e o mal aconteceu!... Pé mal colocado, senti logo um pico de dor, e a entorse feita. 
Comecei imediatamente a sentir dores fortes, sentei-me e massajei um pouco, aguardei uns minutos e tentei seguir. Ao colocar o pé no chão doía bastante, e foi então que sem aceitar de imediato tomei a decisão de desistir... Ainda segui a caminhar, tomei um Voltaren para ver se a dor diminuía, mas sem sucesso. Pela 1ª vez ia desistir numa prova... Sempre ouvi dizer que para desistir também é preciso coragem, mas não sabia que era preciso tanta... Custa bastante deitar a toalha ao chão, pegar no telefone e ligar para a organização a dizer para nos virem buscar, mas também não fazia sentido colocar os próximos meses em causa por causa de uma teimosia. Após a lesão do ano passado prometi a mim mesmo que em caso de sentir dores, parava imediatamente, fosse em treino ou prova, mas dizer é muito mais simples que fazer. E foi assim que após tirar e arrumar o telefone várias vezes na mochila, liguei para a organização. Perguntaram se conseguia chegar até ao posto de controlo,ao que respondi que pensava que sim, caminhando devagarinho e parando imensas vezes! E assim quando cheguei ao posto de controlo, em vez de validar o chip e prosseguir, segui directo para uma cadeira que lá estava, onde aguardei que me viessem buscar....


Dizer também que a "operação de resgate" foi uma aventura, porque com a lama que enchia os caminhos, a carrinha onde ia por várias vezes andou de lado e a patinar!

Depois de uma pequena paragem para uma 1ª assistência numa ambulância que estava no caminho para Covas do Ferro, lá chegado voltei a ser assistido. Ligadura, muito gelo, anti inflamatório e descanso foi a receita para os próximos dias. Felizmente, à hora que escrevo isto, já consigo caminhar sem as muletas e sem dores, e espero daqui a uns dias poder voltar aos treinos :)


Em relação à prova, e aos 12k que fiz, só posso dizer que gostei. O abastecimento estava óptimo, os trilhos brutais e as marcações irrepreensíveis. Como aspecto menos positivo o facto de o briefing antes da prova ter sido praticamente imperceptível. 
Para o ano volto para me vingar!! 








terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Trilhos do Javali

Finalmente participei numa prova dos Trilhos do Javali..
Na 1ª edição no ano passado estava de férias, na edição nocturna estava lesionado, pelo que foi como diz o ditado, à 3ª foi de vez!!!


Os trilhos eram bem conhecidos, treino lá bastantes vezes, mas o feedback das outras edições em relação à organização da prova, aguçavam a curiosidade e a vontade de participar nesta prova, a juntar ao facto de ser na Arrábida. Havia apenas uma questão que me fez adiar a inscrição até às últimas, que era o facto de o nascimento da Oriana estar previsto para esta altura. Mais dia menos dia, mais semana menos semana, havia algum risco de no dia da prova não poder ir, ou ter de me vir embora a meio, mas acabei por fazer a inscrição!!

Dia da prova, encontro marcado com o resto dos Madrugas que acabou por ser a meio do caminho, e seguimos em direcção ao covil. Quando chegámos o movimento já era muito, imensos carros estacionados e o trail junior já tinha começado. Fomos levantar os dorsais, processo que decorreu sem problemas, acabar de equipar e voltámos para a zona de partida, onde se começavam a juntar os atletas dos 25k.
Os Madruga Runners
Paulo, eu, André e o João "Kilian Jornet"!!
Depois de um briefing inicial, é dada a partida, controlada nos primeiros 400m.

No último mês e meio não treinei com a disciplina que se pedia, depois da última prova em Outubro desleixei-me um bocado. Uma dor que me apareceu no pé no final de Outubro durante um treino espectacular nocturno pela Arrábida também ajudou ao abrandamento dos treinos (uma ressonância magnética detectou Bursites...); ainda assim, e conhecendo bem os trilhos por onde íamos andar, e porque em prova nunca consigo ir em "ritmo de treino", logo após a partida tentei impor-me um ritmo que não sendo elevado, fosse um ritmo constante e que conseguisse aguentar até ao final. 

Outro factor que me estava a entusiasmar para esta prova, era o facto de ser a 1ª prova dos novos Salomon S-Lab Wings 8, ainda com menos de 1 mês e que tinham nem meia dúzia de treinos feitos para habituação. 


Desde os fáceis trilhos da Mata da Machada até à serra da Arrábida cheia de lama, as sensações transmitidas pelos ténis tinham sido bastante positivas. Aderência espectacular nos trilhos mais técnicos e enlameados, estabilidade, conforto e, importante agora no inverno, drenagem rápida da água. Nota-se que estamos com um modelo topo gama, ou não se tratasse de uns ténis da linha S-Lab, com uma qualidade de construção assinalável. Se juntarmos aos ténis as meias Lurbel Desafio, ficamos com um conjunto espectacular para os trilhos mais exigentes. 
Estou completamente rendido a estes ténis, e era, como referia acima, outro factor causador de entusiasmo. Queria testá-los em prova, onde há sempre uma pressão adicional para entrar mais rápido, para arriscar mais. 
Com o ritmo que impus, não sendo elevado, permitiu passar muitos atletas e fugir a potenciais engarrafamentos nos trilhos mais apertados. Nas subidas, algumas delas durinhas, tentei caminhar apenas só em último caso, e correr sempre que fosse a direito e "entrar a matar" nas descidas. Se nos treinos que tinha feito ainda não tinha dado para ganhar a confiança necessária nos ténis, aqui rapidamente passei essa fase, e conhecendo os trilhos, entrei nas descidas sempre a correr rápido. E senti os ténis a transmitirem a segurança que se pede, e a pedirem para dar mais.

Foi com estas boas sensações que fui fazendo a minha prova, em que passei pelo 1º abastecimento sem parar, e no 2º apenas aproveitei para encher um flask.


Terminei com o tempo total de 3h00, que era o tempo +/- que esperava fazer; esperar menos que isso era ter as expectativas demasiado elevadas. 
A chegar à meta

Na fila para a massagem, e a ver se os outros Madrugas chegavam!!!
3/4 da equipa!!
Quanto à organização, apenas 1 reparo num par de locais onde as marcações poderiam estar melhor, com as fitas mais visíveis ou marcações no chão. De resto, uma prova onde juntam todos os trilhos excelentes existentes naquela zona, e quando feito por quem sabe, o resultado só podia ser este: uma prova de excelência.


E para quem ainda não teve oportunidade de participar nesta prova, dia 4 de Março há a II edição dos Trilhos do Javali Nocturno


terça-feira, 22 de novembro de 2016

II Trail Quinta do Pinhão



4ª e última etapa das 4 semanas non stop!

No ano passado participei no I Trail da Quita do Pinhão, e disse para mim que, apesar de ser aqui ao pé de casa, este ano não iria participar. Mas... há sempre um mas...! apesar de não estar muito interessado em participar, ser na semana seguinte ao Duratrail, depois da Maratona de Lisboa e do Grande Trail Serra D'Arga, ofereceram-me um dorsal!! E se era dado, não podia rejeitar, e como era perto, e das 4 provas era a mais pequena e dava para fazer nas calmas, sem desníveis... bem, a verdade é que arranjei uma data de razões para participar. No entanto, na 5ª feira antes da prova, não sei como, sofri uma contractura muscular no gémeo esquerdo, o que me fez andar com dores e ter de recorrer ao David na 6ª, que já me tinha tratado a tendinite que sofri no início do ano. Remedio santo, problema resolvido!!

E assim no dia 16 lá me dirigi para a Quinta do Pinhão, onde cheguei apenas 10 minutos antes da partida. Aquecimento feito a caminho da zona de partida, e lá me posicionei, ali pelo 1º terço do pelotão, a aguardar pela partida. Não ia com grandes objectivos definidos, apenas ir a gerir a prova, rolar num ritmo a rondar os 5'/km o que daria para fazer os 18k em 1h30'. E assim arranquei, a segurar-me para não entrar em loucuras na recta logo a seguir à partida.


A prova decorreu toda na mata de Belverde, onde o desnível é mínimo; nos 18k deu pouco mais de 100DA. As marcações também estavam impecáveis, e os abastecimentos pareceram-me ter o essencial para uma prova desta distância; pareceram, porque não parei, levava um soft flask comigo e chegou, apenas comi alguma coisa no abastecimento final. 
De resto, a prova correu sem grande história. 
Um corta-mato denominado de Trail, propício a ritmos elevados e para o pessoal da estrada deixar o alcatrão por uns momentos. Sinal disso, eram os muitos atletas com ténis de estrada, muitos deles caras conhecidas do troféu do Seixal.

Na recta final, nos últimos 700m olho para o relógio e verifico que o objectivo de terminar com 1h30' será atingido, pelo que acelero um pouco para terminar antes de chegar ao minuto 30. Consegui, acabei com 1h29'51'' e no 27º lugar da geral!!!

O ciclo das 4 provas tinha sido concluído. A que correu pior foi aquela que mais ansiava fazer, mas é mesmo assim, há dias menos bons e aquele 25 de Setembro foi um desses. Em 2017 há Serra D'Arga novamente, e quem sabe não volto para a desforra ;)

sábado, 22 de outubro de 2016

IV DuraTrail 2016



No ano passado queria ter participado nesta prova. Custou-me imenso não ir, uma prova na Arrábida, mas era apenas a 15 dias do grande objectivo do ano, a Maratona de Lisboa e não quis arriscar uma lesão que iria deitar tudo por terra.

Este ano, decidi que tinha de ir, mas havia um problema: era na semana a seguir à Maratona de Lisboa, 2 semanas apenas depois do Grande Trail Serra D'Arga....
Inscrevi-me para os 28k, mas até aos últimos dias andou sempre no pensamento ir fazer os 53k. Ganhou o bom senso.. Sei que os conseguiria fazer, mas depois das provas das 2 últimas semanas, não iria desfrutar da melhor maneira da Arrábida.

Dia da prova, cedo, lá vão os 3 madrugas, eu, o João "KJ" Carapinha e o Paulo Sousa :)
Levantamento de dorsais sem problemas, volta ao carro para acabar de equipar e toca de ir para a caixa de partida que a hora aproxima-se.

Tinha decidido fazer a prova com cabeça, MESMO!! Não me podia entusiasmar! Conhecia praticamente todos os trilhos por onde íamos passar, conhecia as grandes subidas que iríamos enfrentar, e sabia que se abusasse ao início ia sofrer desnecessariamente para o final.
Dada a partida simbólica, lá fomos em pelotão até à partida real, junto à Av Luísa Todi. Saí do PUA no último quarto do pelotão, mas consegui posicionar-me mais à frente para a partida que interessava.

Partida real dada, e arranquei calmo. Já se sabe que o 1º km é sempre rápido, mas rapidamente acalmei e segui ao meu ritmo. A táctica passava por ir a trote sempre que possível nas subidas, e foi isso que fiz logo aos 700m, na subida que nos levava para perto do forte de São Filipe. Entrada nos trilhos, e tive de me aguentar um pouco atrás de um grupo de atletas, que passei assim que me foi possível. Ia em trilhos que conheço bem, por isso sabia que logo à frente havia uma subida curta, mas com alguma inclinação, e depois do Moinho dos Campistas, um trilho a descer em que não queria apanhar atletas à minha frente. E assim foi, conhecendo bem o que tinha pela frente, fui passando atletas e divertindo-me bastante pelos fantásticos trilhos.

Ia tudo a correr maravilhosamente, quando ao quilómetro 9, um percurso que até então estava marcado de forma excelente, e no restante também não deixa queixas, tem ali uma falha enorme, que na minha opinião não pode acontecer: numa descida grande, em que vamos concentrados em descer rápido sem nos esbadalharmos por ali abaixo, sensivelmente a meio, tínhamos de virar à direita. Havia fitas no caminho à direita, mas não havia nada nem ninguém a bloquear o caminho em frente. Ia com outro atleta, e apenas dei conta que tínhamos de virar para a direita porque olhei ligeiramente para o lado.
Era para virar à direita, e não seguir em frente

Comentámos que muitos atletas ali iriam seguir em frente, e seria chato terem de voltar atrás e subir aquilo tudo.Pois, mas o que aconteceu foi que quem seguiu em frente, continuou, e quando chegámos ao abastecimento que era logo à frente, nós que até iríamos bem classificados e não com muitos atletas à nossa frente, encontrámos uma enorme multidão de volta das mesas, sem contar com os que, segundo o João da minha equipa, já teriam seguido ou nem parado no abastecimento.
Fiquei fulo, bastante. Mal lhe respondi, bebi um copo de água e segui.
Logo a seguir ao abastecimento havia talvez a pior subida da prova, a Durassaurus, mas da forma como ia chateado entrei na subida a correr, e segui a trote quase até ao fim. 

Rapidamente e bem cheguei ao 2º abastecimento, que foi onde me demorei mais. Comi, bebi e molhei a cabeça com água fresquinha, e segui. 
Ia com boas sensações, na serra que adoro, trilhos que conheço bem, a divertir-me bastante. 

Estava a cumprir com o planeado, com uma gestão de ritmo irrepreensível, e num salto estava na toca dos javalis, e dali à meta era sempre a descer :)

Apesar de ter feito 2 provas grandes nas semanas anteriores, senti-me sempre bem, sem nunca notar demasiado o cansaço, e com grande satisfação cumpri mais esta meta.

3h18', não sendo um tempo excepcional, considero que foi um bom tempo, o que valeu na classificação final um 56º lugar da geral.
Organização excepcional que, infelizmente, ficou manchada com aquele episódio. Felizmente sei que vão fazer os possíveis para que não se volte a repetir, pelo que para o ano lá estarei novamente, na Ultra!