quinta-feira, 22 de junho de 2017

VII Ultra Trail de Sesimbra

Gosto de fazer as provas organizadas pel' O Mundo da Corrida, mas esta edição da prova realizada em Sesimbra desiludiu-me um pouco....


Depois da desistência no UTSM desmoralizei um pouco; os treinos diminuíram, a vontade era pouca, e os treinos que fiz só 1 ou 2 foram de se aproveitar, os outros andei a arrastar. Mas estava decidido a ir fazer esta prova. Terceira participação, 1ª vez na ultra, já que as outras 2 participações foram na prova mais pequena.

Tinha decidido como estratégia para a prova, ir com calma, nunca forçar e não ter pressa em nenhum abastecimento. Evitar olhar para o relógio e preocupar-me com tempos. Tinha mesmo comentado em casa que iam ser 60k para reflectir, tentar aprender a ouvir melhor o meu corpo e se possível, perceber melhor o que tinha acontecido em Portalegre.

Para evitar stresses no dia da prova, no dia anterior fui levantar o dorsal, processo que demorou menos de 5 minutos, e voltei para casa acabar de preparar a mochila!!
No dia 4 levantei-me com tempo, preparei-me e fiz a viagem de cerca de 25 minutos de casa até Sesimbra. Troquei de ténis ( não gosto de conduzir com os ténis de correr!! ) e fui para a zona da partida.

Depois de uns últimos ajustes e trocar umas palavras com algum pessoal conhecido, coloquei-me na zona de partida.

É dada ordem de partida e arranco tal como tinha planeado, sem pressas! Uns metros à frente apanho o Rui Nascimento e seguimos juntos na conversa.
Prova longa, a ser feia com calor e num local que conheço bem, onde tenho a vantagem de saber o que está a frente, seguimos num ritmo calmo. Passamos o Clube Naval, subida da pedreira a alternar trote ligeiro com caminhada, e entramos no trilho para a Ribeira do Cavalo.
Depois da entorse que sofri nos Montes Saloios, em trilhos mais técnicos vou sempre mais retraído e aqui, apesar de conhecer bem o trilho, não foi excepção, pelo que fiquei um pouco para trás do grupo com quem ia. Perdi esse grupo, mas a malta já se começa a conhecer e ainda mais numa prova "em casa", pelo que colei imediatamente ao Luisito Manguinhas e outro pessoal, e assim fizemos a subida do outro lado da Ribeira do Cavalo e até ao 2º abastecimento. No 1º não parei, porque era ainda só ao km4 e apenas de água, e ainda tinha os flasks cheios.
Aí, tal como havia planeado, fiquei com calma a trincar um pedaço de banana, laranja e beber água, enquanto a malta seguiu.
Entretanto chega o Rui e seguimos.

Nesta parte o percurso foi diferente este ano. Entre o 1º e 2º abastecimentos, devíamos seguir pelos trilhos mais abaixo tal como noutros anos, mas o ICNF não permitiu, pelo que me disseram num abastecimento quando falávamos disto. Sinceramente não percebo e não faz para mim qualquer sentido estes entraves que ano após ano colocam à realização de eventos na Serra. A Serra é de todos e todos nós que gostamos dela não devíamos ser privados do seu usufruto. Até porque, pessoas na serra é prevenção gratuita, mas há aqui algo que não entendo....
Como não fomos pelos trilhos, seguimos praticamente por estradões até à Azóia, à entrada do trilho da Chã dos Navegantes, que desce até ao forte da Baralha.
Este trilho tem significado para mim, pois foi das 1ªs caminhadas aqui na serra que fiz com a Ana Bela, numa das nossa aventuras de geocaching.
Forte da Baralha
 Como bom trilho técnico que é, aqui abrandei o ritmo e fui com mais cuidado, ficando sozinho, não faz mal, SIGA!!

Chegado ao forte, voltei a correr pelo trilho, agora era um instante até ao Cabo Espichel. Uns km à frente, depois de falar com a base aqui em casa, onde todos deram os Bons Dias e queriam saber se estava bem, apanho novamente o Rui, na companhia do Luisito. Só que as notícias não eram animadoras... Numa zona fácil, uma queda e ombro deslocado... Bombeiros chamados e a prova estava terminada para o Rui, a poucos dias da grande aventura em Andorra - boa recuperação, estás uma máquina e em Andorra vai correr bem ;).

Sigo com o Luisito até ao abastecimento, onde fiquei a tratar da alimentação e hidratação!! Passados uns 5' segui, sozinho, para a 1ª parte muito chata do percurso. Este segmento até ao próximo abastecimento foi uma seca, muitos trilhos de areia em direcção à praia do Meco e pior de tudo, muito mal marcado. Foram vários os pontos onde houve dúvidas no caminho a seguir, e inclusive no Meco junto ao café seguimos em frente e andámos desorientados à procura do caminho a seguir, quando deveríamos ter virado à direita mais atrás. Isto pessoalmente desanima-me um bocado, mas lá segui até ao abastecimento.
Aqui cheirava bem, havia bifanas quentinhas a sair e minis frescas para quem bebe!! Ora eu não bebo logo fquei-me pela água e isotónico, e as bifanas também não comi porque me lembrei do que tinha acontecido em Portalegre.... Comi do resto que lá havia!!!

Depois de uns minutos por lá, a comer e a conversar, segui caminho. O sol já começava a ficar quente, e aqui praticamente não há sombra... Vou gerindo a água dos flasks, e a que levo na mochila vou despejando sobre a cabeça, e vai resultando!!
Sigo sozinho, entretanto já falei novamente para casa, o que dá ainda mais ânimo! Este segmento até ao abastecimento da pedreira passou rápido, aquela descida ao chegar ao abastecimento é brutal, mas desta vez fi-la com calma, não por ir retraído por causa da entorse, mas porque ia com uma ligeira dor na perna que não me dava muita confiança para arriscar. Uma queda nesta descida, cheia de pedras pontiagudas pode ter consequências...

Depois de mais uma pausa neste abastecimento, segui pedreira acima. Chegado ao topo, é hora de soltar os cavalos estrada abaixo, até começar a subir para o castelo. E que desafio que é esta subida... Aqui começo a apanhar pessoal da caminhada e do trail curto que se vão desvando, e faço curtas pausas nalgumas zonas de sombra e onde correr uma aragem menos quente!! A subida é íngreme e há zonas que subo de mãos no chão, e rapidamente estou lá em cima. Ao lado do abastecimento há uma torneira, e é para lá que me dirijo!! Molho-me todo, cabeça cara braços pernas, encharco o chapéu e só depois me dirijo para a banca do abastecimento!!! Encho os flasks de agua, como e bebo e sigo.
Descer o castelo é fácil, mas depois de atravessar a estrada apanho ali uma zona chata, onde acabo por ter a impressão que vou enganado. Mas não, ia bem e sigo para o abastecimento. Ia com fome, pelo que assim que chegei agarrei-me a umas fatias de presunto, bolos, laranja, banana e coca-cola, qual banquete!!! Estive uns 10 minutos aqui, mas era necessário. Faltavam 15km apenas, mas a 2ª parte muito chata do percurso, pelos estradões do vale do risco. Aqui nesta parte foi onde fui um bocado mais abaixo, e fui alternando a corrida com caminhada. Dava a sensação que a distância para a meta não diminuía, e foi com alguma alegria que cheguei à subida da pedreira. Conheço muito bem esta subida, já a fiz imensas vezes mas a caminhar, nalgumas das mais interessantes aventuras de geocaching ue tive aqui na Serra. Do outro lado da encosta há trilhos fenomenais e praias fantásticas e isoladas, mas a prova não ia por aí. Chegados ao topo seguimos, já começa a cheirar a meta lá em baixo. Viramos em direcção ao triângulo - nunca percebi para que serve aquilo!! - e o abastecimento surge mais à frente. Entretanto já um voluntário tinha vindo ao nosso encontro com garrafas de água, e que bem que souberam!!
Mais uma vez no abastecimento comi e bebi, e só depois segui caminho. Agora ia ser sempre a descer até à meta, e assim foi. Rapidamente cheguei ao alcatrão e acelerei por ali abaixo, passando junto ao parque de estacionamento da prova, descer a escadaria quase a voar e chegar à meta a correr, bem e feliz. Feliz não porque tenha alcançado algum resultado extraordinário, mas porque a estratégia que defini para a prova funcionou a 100%. Acabei bem, sem ter tido qualquer tipo de problemas, e praticamente sem dores. Terminei com 7:31', mas segundo o Strava estive em movimento 6:44', o que dá cerca de 47' parado em abastecimentos!!!



E acabo tal como comecei o artigo: gosto das provas feitas por esta organização, mas este ano o problemas de marcações foi enorme. Arrancar alguém 1 ou 2 horas antes dos atletas pode ser uma solução para verificar e colocar fitas em falta, mas deveriam também rever a localização das mesmas nas mudanças de direcção e considerar colocar marcações ou no chão - fita balizadora - ou placas à altura dos olhos a informar a direcção a tomar. Estou certo que vão fazer por melhorar na próxima edição, e eu estarei lá para confirmar ;)
Outra coisa, que não tem impacto com a prova, mas os atletas gostam, este ano da Ultra, não vi fotos....  Posso ter visto mal, mas nem da chegada encontrei.

domingo, 18 de junho de 2017

UTSM - Ultra-Trail de São Mamede 2017

O que correu mal? Não sei, neste momento ainda não consegui perceber, mas sei que se aos 10 e aos 12k, quando tive de fazer paragens forçadas, fiquei na expectativa, aos 21 em Alegrete tive a certeza que nada ia ser como tinha planeado. 

Foram meses e meses a treinar, a planear, a imaginar como tudo ia ser. Era a minha estreia em provas de 3 dígitos, uma ida ao desconhecido, mas se fisicamente poderia eventualmente não estar bem preparado, psicologicamente sentia-me forte e decidido a terminar. Nos últimos dias andava mais ansioso, mas acho que era normal. Ansioso e nervoso, que nunca mais chegava o grande dia!!

Na semana que antecedeu a prova fui preparando com calma todo o material que ia levar: mochila com tudo que era preciso, frontal, géis, um shot de cafeína para tomar a meio da noite, saco para deixar no Marvão com muda de roupa e ténis e saco para deixar no secretariado com roupa para tomar banho no final. Não houve grandes treinos, toda a preparação estava feita com maioria dos treinos feitos entre a serra e o reforço muscular no ginásio.

Chegado o grande dia, descansei bastante, almocei bem, acabei de rever as coisas e fui ter com o Cláudio e o Sérgio ao Barreiro para seguirmos juntos. Um ligeiro atraso deles começou a deixar-me ansioso, mas depois de arrancarmos e chegarmos a Portalegre com tempo fiquei calmo.

O levantamento dos dorsais foi super rápido, e depois fomos até à pista tirar umas fotos. 



Depois fomos ao carro, preparar as coisas, colocar os dorsais nas mochilas e seguimos para o restaurante lá perto, onde comemos bastante bem.

Jantámos relaxados, e depois ainda antes de ir equipar fomos dar uma volta pela feira do Trail, onde havia o estrondoso número de UM stand de vendas!!!
Voltámos ao carro para equipar, sem pressas que tínhamos bastante tempo, e pelas 23:20 começámo-nos a dirigir para a zona de partida. A azáfama já era grande, e notava-se o pessoal ansioso para que chegasse a hora de partir. Foi-se cumprimentando pessoal conhecido e lá nos posicionámos na caixa de partida, onde ficámos a aguardar enquanto se faziam uns vídeos e tiravam umas fotos!!


Às 00:00, depois de uma pequena contagem decrescente e ao som dos Gritos Mudos dos Xutos e Pontapés, deu-se a tão aguardada partida!! O muito público que assistia ladeava os atletas, aplaudia e incentivava à medida que passávamos. Ambiente BRUTAL!


Segui a um ritmo calmo, sem grandes pressas. Ia entusiasmado, o ambiente era de festa com imensas pessoas ao longo do caminho a apoiar, e foi num instante que se chegou ao 1º abastecimento, aos 8 km. Neste abastecimento o ambiente era espectacular, com muita muita gente! Peguei em 2 pedaços de banana, comi e segui. 

Poucos metros depois do abastecimento entrámos num trilho ligeiramente a subir, ladeado por uns muros baixos, e foi aí que comecei a sentir a barriga a doer. Ainda tive esperança que fosse passageiro e não demorasse a passar, mas em vez disso aumentava. A luz do frontal andava de um lado para o outro, à procura de um local onde fosse seguro fazer uma paragem técnica! Encontrado um lugar que me pareceu seguro, parei e fiz o que tinha de ser feito. No trilho, mais abaixo, via os frontais dos atletas a passar em fila, até que deixei de ver mais luzes alem da minha, quer para trás, quer para a frente… Quando voltei ao trilho estava sozinho! Sensação de liberdade à 1 da manhã completamente sozinho no meio da serra, ouvindo apenas os meus passos e o som dos pássaros! Voltei a correr e consegui apanhar a cauda do grupo que ia a frente, até que por volta do k12 tive de fazer nova paragem….
Antes de voltar ao trilho tomei um Imodium, se havia alguma coisa que poderia ajudar seria isso…
Voltei a correr, já não tao solto como antes, e lentamente fui avançando e transpondo as dificuldades que a organização este ano reservou para os atletas na 1ª parte da prova, nos outros anos considerada bastante rolante
Cerca das 3:30 da manhã, já com um atraso enorme em relação ao que tinha planeado, cheguei finalmente a Alegrete, local do 2º abastecimento.


Sem muita fome, mas com a consciência que tinha de comer alguma coisa, peguei num bolo e num pedaço de banana e num pouco de Coca-Cola, e fui-me sentar a comer. Conforme comi e bebi, deitei tudo fora… Mal acabo de beber a cola vomitei logo. Passou-me logo ai pela cabeça desistir, mas não ia deitar a toalha ao chão tao facilmente. Levantei-me e fui buscar um café. Voltei a sentar e bebi o café calmamente. Já passava das 4 da manha quando me decidi a levantar e seguir. Mas era claramente um dia Não. Assim que estou a sair de Alegrete, ligo o frontal e começa a dar sinal de bateria fraca. WTF??? JÁ???? Supostamente a bateria devia aguentar a noite toda, ainda mais quando andei em modo poupança em zonas com luz… Siga, troquei a bateria por pilhas e segui. Com isto tudo arrefeci e custava a correr. Segui com uma passada rápida, alternando ocasionalmente com corrida. Seguia sozinho, e o foco era chegar o mais rápido possível às antenas, local de abastecimento aos 31k. Entretanto começava a clarear, e com o nascer do dia parecia voltar a vontade e a força para correr.


Eram 6 da manhã, nunca nos piores pesadelos imaginei chegar aos 31k tão tarde, quando cheguei ao abastecimento. Comer muito não arrisquei, em vez disso continuei com banana e bolos, bebendo coca-cola e isotónico. Depois de descansar um pouco lá segui.

E aqui, já com o frontal arrumado e o sol a subir, voltei a correr. Foi o segmento da prova que corri mais, deste abastecimento até S. Julião. 


O terreno também ajudava, maioritariamente a descer, disparei por ali abaixo e passei imensos atletas.  Apenas abrandei para atender o telefone, quando a Bela e os miúdos me ligaram para falar comigo e saber como estava. Que bem que soube este telefonema…
Rapidamente cheguei ao abastecimento de S. Julião. Assim que lá chego recebo um telefonema do meu pai, a dizer que estava no Marvão. Digo-lhe que estou atrasado em relação ao que tinha estimado, e para ir ter comigo a Porto da Espada.
Saio do abastecimento e sigo, decidido a recuperar algum tempo que tinha perdido. Por volta do k45 apanhamos 2 autenticas paredes brutais, onde a ascensão é bastante lenta. Com o sol a bater em cima, é necessário parar diversas vezes, mas nem isso deita o animo abaixo. Assim que chego la acima, em solo espanhol, volto a correr com o foco bem definido: chegar rapidamente ao abastecimento.
Devia ser por volta das 10.30 quando cheguei, não sei bem que horas eram… ver lá o meu Pai e a Lena deu ânimo, e o cheio a bifanas acabadinhas de fazer ajudou!! 
Agarrei-me a uma, se calhar com demasiada pressa! A juntar à bifana foi um pouco de Coca-cola fresca, que soube muito bem mas não deve ter feito muito bem. Comecei  sentir o estômago pesado, sentei-me e voltei a vomitar..
A preocupação instalou-se, equipa de bombeiros veio ver o que se passava. Glicemia estava OK, mas a tensão baixa. Diarreia, vómitos e tensão baixa são sintomas de desidratação. Aconselham a ficar por ali; o meu pai também… ligo para casa, tinha de ouvir a Bela e os miúdos, eles iam ajudar a tomar a melhor decisão. De lágrimas nos olhos, depois de muito pensar, comunico a decisão: vou ficar por ali…

Voltei para Portalegre, almocei e fiquei bem. Depois jantei, e nos dias seguintes também, e não voltei a ter problemas de estômago. Dizem que provavelmente foi ansiedade, nervos, não sei… mas foram muitos meses a treinar para estar bem nesta prova, muitos noites a adormecer a pensar como tudo ia acontecer. Terá sido? É capaz, é algo que tenho de perceber e evitar que volte a acontecer…

Quanto à prova, do que fiz, adorei. O ambiente na arena era brutal, o apoio nos primeiros km idem. Os abastecimentos tinham tudo que poderíamos querer, e as marcações estavam impecáveis, de um ponto viam-se meia dúzia de reflectores, espectacular.

Tenho imensa pensa de não ter terminado, mas analisando agora a frio sei que tomei a melhor opção. Se calhar era mesmo assim que era suposto acontecer…
De uma coisa tenho a certeza: em 2018 voltarei a estar na arena às 00:00 para o arranque do UTSM 😉



segunda-feira, 24 de abril de 2017

Montejunto Trail 2017 - uma desistência com sabor salgado

Saber quando desistir é difícil, uma decisão que nunca é tomada de ânimo leve e raramente à primeira. 
A expectativa estava elevada. Não que fosse com pretensões de ganhar a prova, mas o corpo andava a responder bem ao treino e, sendo esta a última prova antes do UTSM, queria ver como se portava neste último teste.


Tudo preparado de véspera, no domingo saí de casa cedinho para ir encontrar com o resto da malta, o Cláudio e o Carlos. Viagem tranquila até Montejunto, fomos doa 1º a chegar e ir levantar o dorsal. Depois com o tempo que ainda tínhamos, ficámos por ali na conversa, tratar das questões logísticas e perto das 9 ir para a zona de partida.



Pouco depois das 9h e de um ligeiro briefing, é feita a contagem de 3 a 0 e dada a partida.
Arranco bem, sem sentir que ia a forçar, mas ainda assim num ritmo mais elevado que o que esperava. Segui durante uns 2k no grupo da frente de 4 elementos, liderado pelo Daniel Rodrigues - estás em grande forma, sempre em crescendo, parabéns!. Depois decidi que era hora de seguir ao meu ritmo mais constante, e com mais cautela nas descidas, pelo que fui ultrapassado por  alguns atletas. Em conversa nos dias anteriores com o Daniel, que conhece bem a serra de Montejunto, tinha-me avisado que a serra tinha trilhos com muita pedra solta e propícios a entorses, o que fez soar o alarme!!

Deixo-me ir ao meu ritmo, cuidadoso nas descidas e nas subidas sempre que possível a trote, e sinto o corpo sempre a responder bem. O calor ia apertando, pelo que fui sempre a hidratar e em todos os abastecimentos - 7 no total, para 36k!! - despejava 1 ou 2 copos de água por cima de mim.

Quando passei no posto de controlo aos 25k disse a menina: vai em 18! Vou?? 
Fixe!! Dali a 100m era o abastecimento. Cheguei lá, água por cima da cabeça, tomate, batata frita e sal, um pedaço de banana e segui. 
Logo a seguir entramos no Trilho da Senhora, trilho bastante técnico a descer. Ia bem, com cuidado por causa das entorses, até que comecei a ficar mal disposto e a sentir o corpo a fraquejar, perder força. 
Sentei-me a sombra, e despejei água por cima da cabeça, braços e pernas. Depois de uns minutos a descansar lá segui com calma. O estômago não estava bem, e na próxima sombra que apanhei voltei a encostar. Aqui a vontade de vomitar já era grande, mas nada saía. Tonturas obrigaram a sentar, mais uns 15 minutos. Voltei a arranjar forças para seguir, trilho a subir, até encontrar nova árvore, a única que fazia sombra. 
Aquela árvore era um oásis no deserto!! Reparei depois enquanto estava junto à carrinha da Cruz Vermelha que quase todos lá paravam a descansar por uns momentos!!

Mais 5 minutos. Mais acima está uma carrinha da Cruz Vermelha, é o próximo objetivo.. e o último. Chego, sento-me, bebo água, e começo a pensar...
Ainda faltam mais 500m a subir até ao abastecimento, 1k a descer, e a última subida com sensivelmente 5k. 

Ir ou não ir, eis a questão. 

Saber quando desistir é difícil, uma decisão que nunca é tomada de ânimo leve e raramente à primeira. 
A sensatez diz que não adianta arriscar, mas outra coisa diz para seguir...  já me sinto melhor, ainda me levanto para seguir, mas não...
Ia arriscar, sofrer por mais 6k para apenas dizer que terminei..  Valia a pena? Acho que não... há mais corridas, corpo há só um... 

Depois de mais de 1h de espera, lá veio um carro da organização buscar-nos. Falo no plural, porque depois de eu chegar mais uns 7 ou 8 atletas decidiram ficar também por ali.

sábado, 1 de abril de 2017

III Trail de Almeirim - Na Rota do Vinho e da Sopa da Pedra

Não gosto de vinho nem aprecio sopa da pedra, mas apesar disso decidi inscrever-me no III Trail de Almeirim.


De manhã quando acordei, por volta das 6.00 estava longe de imaginar o dia que ia ter. 
Ainda a recuperar da entorse que fiz nos Montes Saloios, o dia anterior à prova foi tudo menos o que deve ser!! Depois de ir para a piscina com a Madalena na parte da manha, comecei a ficar bastante mal disposto. não consegui almoçar ou beber o que quer que fosse, passei a tarde na cama e a vomitar, e apenas consegui comer um pão com manteiga já pelas 10 da noite... Preparei as coisas, mas sem a certeza se ia para Almeirim no domingo de manhã.

Pelas 6 o despertador tocou e levantei-me. Não estava a 100%, mas era o suficiente para ir fazer a prova. Preparei-me silenciosamente, pois a última coisa que queria era acordar algum dos 3 miúdos, mas estava a pegar nas chaves do carro para sair, aparece o Tomás no corredor a correr, a desejar um feliz dia do Pai! De seguida foi buscar a prendinha que tinha feito para mim, digam lá que não é gira??! 
A escova, para limpar os ténis!!!
De coração mais aconchegado, saí de casa e pus-me a caminho. Viagem de 1h, feita nas calmas porque o nevoeiro intenso também não permitia grandes excessos, eram 8:15 quando estacionei o carro junto à escola em Fazendas de Almeirim. Dirijo-me para o secretariado para levantar o dorsal, e tenho o 2º momento do dia: à minha espera, de surpresa o meu Pai e a Helena, tinham ido a Fazendas de Almeirim para me apoiar e passar o dia do pai comigo.
Levantamento de dorsal super rápido, sem algum problema, e voltei ao carro para acabar de equipar, e depois ir para a zona de partida.

Aquecimento feito, com muita atenção dada ao tornozelo, e coloco-me na zona de partida.

Após um breve briefing do Omar, é dada finalmente a partida.

No ano passado fiz a prova dos 18k e adorei os trilhos. Este ano sabia que iam haver muitos trilhos novos, e a expectativa era enorme. Depois de cerca de 1k de alcatrão, entramos finalmente nos trilhos. Sem grandes desníveis que ofereçam grandes paredes, entramos num autêntico carrossel, um sobe e desce constante que, como se costuma dizer, não mata mas mói!!  Apesar de ter abrandado um pouco o ritmo de treinos nos últimos tempos devido à entorse, e estar mais fraco por causa do dia antes, ia a sentir-me bem e rápido!


Até ao 1º abastecimento, não sei em que posição ia, mas ia bem à frente, até que pus a mão na consciência, pois se assim continuasse não ia aguentar até final. E assim aproveitei o 1º abastecimento, onde inicialmente não fazia intenção de parar, para beber um pouco de água, comer qualquer coisa, e abrandar o ritmo!!

E assim segui, mais calmo, a fazer a prova com a única preocupação de não torcer o pé novamente nalguma descida! Nas descidas acabava para abrandar um pouco para evitar alguma entorse, mas a subir recuperava - o trabalho no ginásio está a ter efeito!!



E foi  neste sobe e desce constante, trilhos novos abertos propositadamente para este evento, que os km's foram passando sem dar por eles. Passou o abastecimento aos 11k, e o dos 17, após uma pequena escalada pela corda e onde aproveitei para voltar a hidratar bem e despejar 2 copos de água pela cabeça abaixo.



A prova ia-se aproximando do final, e nesta altura tínhamos por alguns km a companhia dos participantes na caminhada, o que dava outra alegria e sempre um apoio extra à nossa passagem! E assim rapidamente cheguei ao abastecimento dos 21k, numa altura em que o calor já apertava e onde soube bem a água fresca, pela garganta e cabeça abaixo!!


Nos últimos km quebrei. A mistura do estradão com os trilhos em que andávamos aos Esses, ora a afastar ora a aproximar do final foram bastante maçadores. Aqui ia num grupo com mais 3 companheiros, e onde a companhia foi determinante para ultrapassar estes últimos km com menos dificuldades.

Finalmente chegamos ao pavilhão. Tínhamos combinado que íamos juntos, acabávamos juntos, e assim foi, camaradagem até final, o Espírito do Trail!!


E ao chegar à linha de meta, uma surpresa mais! Eu estava a olhar e a não acreditar naquilo que via! Alem do meu Pai e da Helena, estavam lá a Ana Bela com os miúdos, a 1ª prova que a Oriana viu o pai terminar; a Lurdes, o Hélder e a Lara! Melhor que qualquer registo de tempo, medalha ou pódio que pudesse alcançar, foi esta surpresa, ver ali na meta aqueles que me são mais importantes.

Em relação à prova, acho que esteve tudo quase imaculado, excepto por volta do km 8.5, em que íamos a descer e tínhamos de virar a direita. Aí segui em frente durante uns metros, acho que uma fita atravessada tinha dissipado qualquer dúvida, e comparando com o ano passado, pareceu-me ter mais estradão e trilhos mais chatos. No ano passado na prova mais curta, antes de chegar ao último abastecimento passámos por um trilho formidável, que tive pena de este ano não passar por lá.
Para o ano espero voltar, e não estar a recuperar de nenhuma lesão!!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

VI Trail Montes Saloios




A confiança estava em alta. Depois do Natal comecei a treinar bem, de uma forma mais organizada com a inclusão de ginásio e treino de séries em pista e fui aumentando a carga, terminado o mês de Janeiro bastante satisfeito. 
O mês de Fevereiro não começou tão bem, com uma dor no pé a causar algum desconforto, mas que entretanto passou, não sem antes impedir de treinar nalguns dias como gostaria. 

Na semana antes desta prova participei num corta-mato de 5km, que faz parte do troféu de atletismo do Seixal, por onde corro pelo CCR Alto do Moinho, e onde por equipas conquistámos o 1º lugar!!! Individualmente não correu muito bem, fiz um 14º lugar no escalão, mas numa prova tão curta e com um ritmo tão alto, sofri um bocadinho. No entanto, não abalou em nada a confiança, e esta última semana foi sobretudo de recuperação.

Desde 2015 que trazia esta prova debaixo de olho, pois os comentários que ia ouvindo eram favoráveis em relação à organização e aos trilhos. No ano passado não foi possível ir devido a lesão, pelo que para este ano quando comecei a idealizar o calendário de provas, esta foi logo incluída.
Ao longo da semana o entusiasmo foi aumentando, com a expectativa em relação à meteorologia a aumentar, devido às elevadas previsões de chuva e o consequente aumento de lama!!

No domingo levantei-me cedo, preparei-me e saí de casa com tempo. O caminho foi todo feito debaixo de chuva, por vezes forte. Não tinha bem a noção onde ficava Covas do Ferro, mas quando lá cheguei reconheci o largo: afinal já lá tinha estado há alguns anos, quando andava mais pelas lides geocachianas!

O levantamento do dorsal decorreu sem problemas e sem grande fila, mas para receber o chip já não se pode dizer o mesmo, pois a fila era enorme. Faz-me um pouco de confusão porque não usam dorsais com o chip, e dorsais de melhor qualidade, porque este pouco depois de o ter prendido aos calções, já dava sinais de estar a perder tinta!! 
Depois de ter voltado ao carro para equipar, dirigi-me para ao pé do pavilhão, embora houvesse alguma contra-informação em relação ao local da partida: havia quem dissesse que era lá dentro, e quem dissesse que era cá fora. Aguardei um pouco cá fora, até que alguém disse que efectivamente era lá dentro!! Lá fui, passei pelo controlo zero e aguardei. Aguardei pelo já atrasado aquecimento coordenado por uma menina que dançava no cimo das bancadas, e por um briefing que não se percebia nada do que diziam devido ao eco que fazia.

10 minutos depois das 9h, é finalmente dada a partida!

Arranco com calma, sem nunca forçar o ritmo.
Apesar de estar com confiança e me sentir bem, o terreno enlameado faz-me ir com cuidados redobrados nas zonas mais técnicas; a lesão que sofri no ano passado ainda está presente na memória e não quero voltar a parar pelo mesmo motivo.


Arranquei com o impermeável vestido por cima da mochila, mas o céu começou a apresentar um ar mais amigável e a temperatura estava também bastante agradável, pelo que por volta do 3º km tirei-o e coloquei na mochila. 



E foi assim que rapidamente cheguei ao 1º abastecimento, onde fiz uma paragem rápida para comer um bocado de banana e marmelada! Sem demoras arranquei e continuei a seguir o planeado: divertir-me e nunca forçar ou arriscar demasiado.

Os trilhos estavam bastante pesados, com muita lama e água, o que fazia nas subidas dar um passo atrás sempre que se davam dois à frente, e a descer dava para ir a escorregar!!




Ia a sentir-me bastante bem e a ganhar bastantes posições, até que.... por volta do k12, após uma descida com algumas zonas que requeriam mais concentração, entramos numa zona mais plana, facilitei e desconcentrei-me, e o mal aconteceu!... Pé mal colocado, senti logo um pico de dor, e a entorse feita. 
Comecei imediatamente a sentir dores fortes, sentei-me e massajei um pouco, aguardei uns minutos e tentei seguir. Ao colocar o pé no chão doía bastante, e foi então que sem aceitar de imediato tomei a decisão de desistir... Ainda segui a caminhar, tomei um Voltaren para ver se a dor diminuía, mas sem sucesso. Pela 1ª vez ia desistir numa prova... Sempre ouvi dizer que para desistir também é preciso coragem, mas não sabia que era preciso tanta... Custa bastante deitar a toalha ao chão, pegar no telefone e ligar para a organização a dizer para nos virem buscar, mas também não fazia sentido colocar os próximos meses em causa por causa de uma teimosia. Após a lesão do ano passado prometi a mim mesmo que em caso de sentir dores, parava imediatamente, fosse em treino ou prova, mas dizer é muito mais simples que fazer. E foi assim que após tirar e arrumar o telefone várias vezes na mochila, liguei para a organização. Perguntaram se conseguia chegar até ao posto de controlo,ao que respondi que pensava que sim, caminhando devagarinho e parando imensas vezes! E assim quando cheguei ao posto de controlo, em vez de validar o chip e prosseguir, segui directo para uma cadeira que lá estava, onde aguardei que me viessem buscar....


Dizer também que a "operação de resgate" foi uma aventura, porque com a lama que enchia os caminhos, a carrinha onde ia por várias vezes andou de lado e a patinar!

Depois de uma pequena paragem para uma 1ª assistência numa ambulância que estava no caminho para Covas do Ferro, lá chegado voltei a ser assistido. Ligadura, muito gelo, anti inflamatório e descanso foi a receita para os próximos dias. Felizmente, à hora que escrevo isto, já consigo caminhar sem as muletas e sem dores, e espero daqui a uns dias poder voltar aos treinos :)


Em relação à prova, e aos 12k que fiz, só posso dizer que gostei. O abastecimento estava óptimo, os trilhos brutais e as marcações irrepreensíveis. Como aspecto menos positivo o facto de o briefing antes da prova ter sido praticamente imperceptível. 
Para o ano volto para me vingar!!