quarta-feira, 24 de julho de 2019

Seixal Night Run

A Seixal Night Run é especial para mim, pois foi a minha 1ª prova em 2014. Falhei apenas uma edição, no ano passado porque estava na Lousã para participar no Louzan Trail no dia a seguir. Custou não participar, mas aí nada havia a fazer...

Este ano e estando livre na data da prova, prontamente aceitei o desafio do Pedro para participar na prova em representação do LH Ginásio. Havia também o desafio de tentar melhorar o tempo que fiz na São Silvestre do Seixal em Dezembro, 39'40". Só que, e depois de participar no Ultra Trail de Sesimbra, dediquei  mais tempo a descansar que a treinar para esta prova!!


Chegado o dia, depois de jantar lá me dirigi para o Seixal. Reunir com a malta, aquecer e garantir um lugar bom para sair bem na partida.

Dada a partida, arranquei rápido como esperado e ultrapassei alguns atletas que estavam à frente e segui no meu lugar. 1º km feito em 3'41", 2º km em 3´59"... 

Ia rápido, de faca nos dentes e a dar tudo o que tinha. 3º e 4º km's a 4'00" ia com tudo.
O percurso era todo na marginal do Seixal, o que acabava por concentrar mais o público e garantir um maior apoio aos atletas.
Até que a meio do 5º km tive de parar por uns segundos.... uma "dor de burro" que não conseguia aguentar mais obrigou-me mesmo a parar e acalmar a respiração. Este foi o km mais lento feito em 4'40". 
Ainda consegui aumentar o ritmo nos km seguintes, mas sem conseguir chegar ao nível dos primeiros km, o que me fez perceber que o tempo da São Silvestre não ia ser batido...
LH Running Team
Acabei a prova em 41'23", muito aquém do que esperava mas sem conseguir dar mais que fosse...

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Ultra Sesimbra 2019



Pelo 5º ano seguido marquei presença nesta prova. Nas 2 primeiras participações na distância mais curta, e nos seguintes na distância Ultra.
De todas, acho que esta foi a mais difícil não devido à elevada dificuldade do percurso, que basicamente é a mesma dos anos anteriores, mas devido ao calor extremo que se fazia sentir este ano.

Ao final da tarde já no conforto do sofá em casa, escrevi o seguinte no Facebook:
"Agora que o Ultra Trilhos Rocha da Pena - UTRP vai ser feito de noite, o Ultra Sesimbra está bem lançado para ganhar o prémio de prova mais quente do ano 🔥
Prova duríssima, o percurso de sempre mas debaixo de um braseiro
Ah, e não devia ter ido fazê-la 2 semanas apenas depois do UTSM - Ultra-Trail de São Mamede..."

Pois.... aliado ao calor que se fazia sentir, passavam somente 2 semanas depois do UTSM e quer se queira quer não, não é tempo suficiente para recuperar convenientemente. Mas era difícil ter esta prova à porta de casa e não ir...

Assim sendo, no dia da prova o ritual foi o de sempre: quando faltava cerca de 1h para a prova saí de casa, passados 20 minutos estava a estacionar em Sesimbra e de seguida a levantar o dorsal. De todos os lados, pessoal amigo e conhecido a cumprimentar, trocar 2 dedos de conversa e a desejar boa sorte para a prova.

Perto das 8h estou na zona de partida, como sempre na Praça da Califórnia. 
A partida é dada à hora certa e, este ano ao contrário dos anos anteriores, uma boa novidade: não noa vão meter logo de início pela praia; para mim isso não fazia sentido nenhum e finalmente este ano parece que a organização percebeu isso!!

Conhecendo bem o percurso da prova, arranco com calma, sem me entusiasmar com os primeiros km de alcatrão! Passado o par de km a subida para a pedreira para depois entrarmos no trilho de acesso à Ribeira do Cavalo, e com o bafo que se fazia sentir já começava a sentir o calor a apertar!!
Este trilho para a Ribeira do Cavalo não é de uma tecnicidade elevada, mas aqui apercebi-me que fiz a escolha de ténis errada!! Para esta prova levei os já "velhos" Salomon S-Lab Sense 6 que contam já com cerca de 600 km, como tal a sola já apresenta algum desgaste e não agarram como dantes. Pois, pois não, e numa curva do trilho lá me esbardalhei!!! Nada de grave, levantei-me e segui trilho abaixo, para logo de seguida dar início à subida cascalheira acima.
Aqui em fila, sem espaço para grandes acelerações, cheguei ao topo e suava em bica, o suor escorria que parecia que me tinham despejado um balde de água em cima!!! Cheguei ao 1º abastecimento da prova e parei: desconfio que terei sido dos pouco a fazê-lo, mas com o calor que estava era essencial hidratar muito e bem!

Segui caminho, agora um segmento mais rolante até ao Cabo Espichel. Pensei que aqui não iria sentir muitas dificuldades, mas com o calor que começava a fazer-se sentir cada vez mais o cansaço ainda do UTSM começou a aparecer... 
Decidi abrandar um pouco o ritmo, e fiz uns bocados a caminhar... Chegue ao Cabo e enchi flasks, comi banana, laranja e melancia e arranquei.

Este bocado é uma seca... Seguir pelos trilhos junto à orla costeira, sem sombra alguma e com o calor cada vez mais forte... Os kms parece que não passavam, e o terreno com areia fina não ajuda em anda...

Na praia da Foz há um abastecimento, e aproveito para comer e refrescar. Estavam mais de 30º, um dia bastante quente, e este percurso quase não tem sombra; esta prova feita em Fevereiro/Março era uma coisa, mas num dia destes....
Prossigo caminho, cada vez mais farto do percurso... Agora seriam cerca de 8km a subir, não muito acentuado mas como se costuma dizer "não mata mas mói"...
A meio caminho um abastecimento extra, mesmo em boa hora para voltar e encher flasks... 
No abastecimento da pedreira demorei muito tempo. Chegou a passar-me pela cabeça a ideia de desistir; já fiz esta prova imensas vezes, treino nesta zona quando quero e estava a ser um sacrifício fazê-la, não estava a tirar nenhum prazer... Comi, bebi, andei para trás e para a frente, e decidi seguir, a correr ou a caminhar, ia indo e ia vendo!!

Saio da pedreira e sigo a caminhar, mas num passo rápido. Chegado ao topo da pedreira, entro no estradão a descer e inicío um trote. Vou cansado, está imenso calor e começo a alternar trote e caminhada até chegar ao trilho que sobe ao castelo, pois aqui já seria impossível pensar em algo mais que fosse caminhar!!!!

No castelo junto ao abastecimento tem uma torneira, e quando lá chego completamente esgotado, tomei quase um banho completo! Depois dirigi-me para o abastecimento, e sou recebido pela Mena que tinha feit comigo muitos kms no UTSM!! Sempre bem disposta, mandou-me logo sentar à sombra e tratou de me arranjar uma sandes, e coca-cola fresca!!! Soube pela vida!! Ainda comi também umas bolachas, e já recomposto arranquei para os últimos 10km.
Continuei a alternar trote e caminhada, já não dava mais! A caminhar tentava manter um ritmo vivo, mas era o possível! O percurso continuava a não oferecer qualquer sombra, e o corpo já não dava mais... Agora era gerir e chegar ao fim....

Acho que foi também neste segmento que decidi que nos próximos anos não volto a fazer a Ultra distância nesta prova; o percurso é basicamente o mesmo todos os anos, sem grande interesse (as paisagens são bonitas na sua grande parte, mas torna-se desinteressante) e cansativo psicologicamente... Provavelmente volto, mas para fazer a distância de 21km...

7h depois do início cheguei à meta. É um resultado péssimo, apenas justificado pelo cansaço ainda do UTSM conjugado com o elevado calor que se fez sentir, mas ainda assim muito muito mau....
Família LH Ginásio




quinta-feira, 30 de maio de 2019

UTSM - Ultra Trail de São Mamede 2019



2 anos depois voltei ao UTSM, mas desta vez tudo foi diferente!

2 anos fui ao UTSM, naquela que seria a minha primeira prova de 3 dígitos, mas tive de desistir aos 50km em Porto de Espada.
Este ano tudo foi diferente. 

Apesar de a preparação não ter sido tão boa como há 2 anos, a experiência entretanto adquirida também me deixava muito mais calmo e confiante.
Os últimos meses foram focados nesta prova, todo o treino feito foi com um único objectivo: desta vez terminar o UTSM.
Cheguei ao dia da prova a sentir-me bem. Dia de férias, tudo preparado de véspera, de manhã foi só acordar e fazer uma última verificação, almoçar e ir apanhar o autocarro!!
Fui para Portalegre de autocarro mais o Heitor; o Paulo já tinha ido mais cedo, e íamo-nos encontrar quando lá chegássemos. Os últimos meses foram passados a treinar juntos, praticamente toda a preparação foi feita juntos, e pelo menos íamos começar a prova juntos, depois logo se via!!

Chegados a Portalegre fomos levantar dorsais e depois descansar para o quartel general, a casa alugada do Paulo!!

Aqui tenho de deixar um agradecimento especial à Andreia porque nos preparou um super jantar, e praticamente apenas tivemos de descansar, jantar e equipar!
No quartel general

Perto das 21 arrancámos em direcção ao estádio dos Assentos; estava a chegar o grande momento!
Ao chegar já se via uma enorme azáfama, carros por todo o lado e atletas a chegar de todos os cantos.
Fomos deixar o saco da base de vida e para a pista: já lá estávamos!!!!
Últimas fotos, últimos cumprimentos, concentração. Alguém da organização está a falar, mas não se ouve, na pista estão cerca de 400 atletas entusiasmados que já só pensam em partir.
Brothers in Arms


Às 22h é feita a contagem decrescente e dada a partida! Arrancamos juntos, o plano é ir calmo e gerir o esforço porque os avisos para a dificuldade vêm de todos os quadrantes.

A prova este anos sofreu muitas alterações: começou às 22h ao invés das 00h, inventaram muitos trilhos nem todos bem conseguidos na minha opinião, mas a melhor novidade foi sem dúvida a prova ir pelo meio da cidade de Portalegre, onde havia muita animação e pessoas a apoiar os atletas na rua.

Seguimos calmos e rapidamente chegámos ao 1º abastecimento, no Centro Vicentino da Serra. Paragem rápida e seguimos em direcção às Carreiras. A seguir a este abastecimento o Paulo e o Bruno (irmão do Heitor) seguiram mais rápidos e fiquei com o Heitor, no nosso ritmo de gestão.
Convento da Provença

A Castelo de Vide já cheguei com alguma fome, e lá comi e reabasteci o depósito!

A seguir a este abastecimento veio aquela que para mim foi talvez a parte mais complicada da prova, e perigosa: um single laeado de pinheiros e cheio de pedras de vários tamanhos e feitios, muitas soltas, tapadas e algumas afiadas, um perigo este trilho de noite e onde sei que houveram algumas baixas.

Aqui demoramos muito tempo. Não queria arriscar nenhuma lesão, eu que tenho tendência a entorses...
Chegar à Portagem foi um alívio, e a subida a Marvão pela calçada foi feita a bom ritmo. Chegámos ao abastecimento e parecia um cenário de guerra... Comemos alguma coisa, encher flasks, e tomei um café... café que me fez correr para a casa-de-banho!!!!

Depois de tudo tratado, estamos para sair e começam a avisar que já lá vem o vassoura. Já??? Como é possível?! Pois, parece que já há muitas desistências lá para trás...
Arrancamos e começamos a descer de Marvão, mas distraídos na conversa com o nascer do dia enganamo-nos e quando demos conta já tínhamos descido uns 500m. Ora toca a subir 500m para trás e tomar o rumo certo.
Seguimos a um ritmo confortável, mas um pouco antes de chegar a Porta de Espada estava um bombom: uma subida aos socalcos, boa para dar cabo de quem já não viesse muito bem!!
Aqui ia-me a sentir muito bem, solto e sem cansaço, mas o Heitor já não ia tão bem, e como tal subia um bocado e esperava por ele. Chegados ao topo seguimos juntos, está a nascer um belo dia! O telefone toca, é a Bela e os miúdos; sabe tão bem falar com eles <3 digo que vou bem, Ela também reconhece na minha voz que estou bem, falo um pouco com o Tomás que vai ter jogo dali a pouco e desligamos.
Apesar de ir a bebericar sempre Tailwind, começo a sentir necessidade de trincar alguma coisa mais sólida, e isso mesmo comentamos os 2. Pois bem, chegados ao abastecimento, e depois de trocar de roupa - roupa que não troquei tudo que devia... aqui cometi um erro que teve uma importância enorme no desfecho final: devia ter trocado de meias mas na hora achei que não era necessário..... - fomos para a parte do banquete!!! Havia bifanas, ui!!! Pedimos uma para cada 1, depois mais 2, e depois mais 2!!!! Saímos dali cheios, mas com um tempo enorme de paragem...
Tanto tempo parados fez mossa, e o Heitor que vinha-se queixando da virilha estava com dificuldades em correr... Seguimos com calma, mas passados uns km ele percebeu que eu estava (naquele momento) muito mais solto e mandou-me ir à minha vida!! Com a garantia dele que estava bem, segui. Aqui estávamos a descer para El Pino em Espanha, e havia uns trilhos engraçados onde me diverti a descer!!
Cheguei ao abastecimento e, quando perceberam que tinha o dorsal 1, fizeram uma festa enorme!!!
Dorsal "uno"!

Entretanto chega o Heitor que já vinha melhor, mas como eu já estava despachado arranquei.
Saída de El Pino e apanhamos um corta-fogo numa subida interminável, cerca de 3km...
Opinião pessoal: esta ida a El Pino não tem interesse nenhum, serve apenas para encher chouriços, dar mais uns kms à prova e desnível....
Um bocadinho da subida!

Chegados lá acima, toca a descer para São Julião... Há 2 anos tinha feito estas 2 descidas inclinadíssimas em sentido contrário, a subir, já fazia ideia do que me esperava.
Lembram-se de não ter trocado de meias na base de vida??? Pois, aqui a descer comecei a sentir umas dores enormes nos pés, por baixo...
Só queria chegar ao abastecimento para trocar finalmente de meias, porque, estava eu convencido, tinha colocado umas extra na mochila...
Entretanto vem o Heitor, passa-me e segue a bom ritmo!! Nunca mais o apanhei até ao abastecimento.

Cheguei e fui directo sentar-me numa cadeira, tirei a mochila e fui ao saco que lá trazia, para trocar as meias. SÓ QUE NÃO.... F0#@§§€ ESTA MERDA.....
Tentei limpar os pés o melhor que pude, e deu para verificar que estavam com umas espécie de cortes... Ia ser bonito até final ia........

O Heitor estava à minha espera, e lá seguimos os 2.
Íamos agora enfrentar mais uma subida, a mais dura ao ponto mais alto da prova, alto de São Mamede. Mas... antes de começar a subir ainda nos puseram a brincar aos salta pocinhas... DETESTO ISTO... andar a passar riachos de um lado para o outro, e uns metros à frente voltar a passar, e repetir por mais uma dúzia de vezes... enfim, não vejo qualquer interesse nisto.... Depois desta brincadeira lá iniciámos a subida, com segmentos por vezes bastante inclinados e complicados para subir... Mas, a mais dificuldade já não ia em subir, era mesmo descer, umas descidas inclinadíssimas com que a organização nos brindou e onde os bastões deram um jeitaço: pregar bastões no chão, apoiar e descer....
Chegamos FINALMENTE a São Mamede, e paramos no abastecimento. Mal aguento os pés, mas temos de seguir...
Seguimos em grupo de 4 em direcção a Alegrete: eu o Heitor, a Filomena e a Mafalda. Vamos tentando alternar caminhada com alguma corrida, este segmento é relativamente fácil, é praticamente só estradão, e queremos tentar ganhar algum tempo para o troço entre Alegrete e Reguengo, sobre o qual há imensos avisos relativos à dificuldade...
Chegados ao abastecimento só quero sentar-me. Peço, quase imploro para me deixarem estar uns minutinhos para levantar os pés do chão... Depois de alguma negociação,  lá me deram 3 minutos para estar sentado!!!
SIGAAAA

Saímos do abastecimento, dispostos a enfrentar este último troço que tantos alertas mereceu....
Continuamos a tentar alternar corrida e caminhada, e depois de alguns km quase a direito apanhamos então uma primeira subida, depois uma descida onde havia uma corda e finalmente a tão falada besta...
Nesta altura pairava, ainda que algo distante, o fantasma do limite horário no Reguengo. Disse ao Heitor que "tínhamos de dar ao chinelo" e arrancamos pela Besta acima em bom ritmo. A sério que mal dei pela subida, tão difícil que diziam que era e não custou nada!!! Virada a subida, começamos a descer e aqui dava para correr.
À saída de Alegrete tomei um Ben-u-ron para acalmar as dores e agora ia bem. Conseguia correr e arranquei a bom ritmo serra abaixo... Aqui já tinha a certeza que a prova tava feito, era só chegar à meta!! Desde São Mamede separei-me do Heitor, mas sabia que ele estava bem, também só tinha de rolar ara acabar, e deixei-me ir!
No abastecimento do Reguengo parei, enchi os flasks e segui! Nos 2/3 km seguintes ainda corri, mas depois decidi abrandar... Os pés voltavam a doer um pouco, já estava de noite e não queria arriscar nada....
Fiz os últimos km a corrinhar, e os últimos 2/3 a chamar todos os nomes (uma vez mais) porque íamos paralelos ao estádio, viam-se as luzes e ouvia-se o speaker, mas não havia meio de lá chegar....




24H 42' depois cortei a meta!
Não, não foi 24h depois, mas sim 2 anos depois, porque aquele DNF de há 2 anos ainda me custa a aceitar....
FINALMENTE é minha!!

A prova não correu de todo como esperava... Os avisos para o acréscimo de dificuldade vinham de vários sítios, e devido a isso fui durante a noite a gerir e poupar demasiado, tanto que por exemplo as 8 da manhã não sentia ponta de cansaço nas pernas... Cometi 2 ou 3 erros de principiante que já não os devia ter cometido.... Nalguns abastecimentos também estive demasiado tempo. São situações que tenho de rever porque tenho a noção que tinha tirado umas horas ao tempo final.

Quanto às alterações da prova, a mais positiva é sem dúvida o arranque pelas ruas de Portalegre às 10 da noite, hora em que há muita gente na rua a apoiar e, se mantiverem assim nos próximos anos, só tenderá a aumentar o apoio. Entre Castelo de Vide e Portagem, este ano colocaram um trilho quanto a mim perigoso; perigoso porque feito de noite, tem muitas pedras soltas e pontiagudas, nalguns locais mal dá para colocar os pés e sei que aqui houve muitas baixas. A ida a El Pino como já disse atrás é encher chouriços; não tem nada de interesse, é ir lá abaixo e voltar a subir por um corta-fogo poucas centenas de metros ao lado.... O declive de algumas descidas, claramente exageradas quando já vamos com 70/80/90 km nas pernas mas colocados para dar algum interesse às outras provas do evento é, quanto a mim, alguma desconsideração para com os atletas dos 110km; não é pelo desnível que esse é anunciado previamente, mas sim o exagero de alguns troços.... Sei que houve muitos atletas a reclamar, inclusive o meu Pai ouviu bastantes na zona da meta a queixar-se, e tenho a certeza que para a próxima edição a organização terá isso em conta.

Quanto a mim... bem, costuma dizer-se que não há 2 sem 3, certo?! 

terça-feira, 14 de maio de 2019

24 a Correr Mem Martins (12h)


Este é um tipo de prova, um desafio físico e psicológico que há muito tempo tinha debaixo de olho. Na edição passada das 24h de Mem Martins ainda preenchi o formulário de inscrição, mas não a terminei. Para esta edição já tinha decidido participar, mas o facto de ter ganho um dorsal terminou com qualquer dúvida que ainda pudesse ter!


O treino não foi talvez o mais indicado; para uma prova destas se calhar devia ter rolado mais em plano e abdicado um bocado da serra, mas isso era impossível, até pelos desafios que se seguem.... A logística para a prova também não foi simples de decidir, mas com calma lá acabei por organizar tudo.
O descanso... bem, o descanso é que nem por isso!!! No sábado acordei pouco depois das 7h da manhã, fui para a piscina com os miúdos, depois afazeres em casa, almoço, acabar de arrumar as coisas e quando pensava em descansar um bocado, tive de ajudar o empreiteiro que veio cá a casa arranjar uma situação.... Pois, a expectativa muito diferente da realidade....
Depois de jantar em casa em família, lá arranquei em direcção a Mem Martins nas calmas. Cheguei e assim que saí do carro, uma diferença de temperatura brutal para quando saí de casa!! Uma pequena amostra do que aí vinha de noite!!!

Fui levantar dorsal, processo que decorreu sem problemas, e ao carro buscar as minhas coisas para preparar a minha mesa de apoio!

Pouco depois das 23h uma pequena caminhada por parte do percurso, acabar de equipar e dirigi-me para a zona de partida.



Um bocado de conversa com alguns dos outros participantes, e às 00h é dada a partida.


Arranquei bem, rápido a ver o ritmo que o resto dos atletas ia colocar. Segui atrás do Jaime Cardoso e fazemos as primeiras 2 voltas muito rápido. Sinto que, apesar de ainda ir bem naquele momento, tenho de abrandar senão de certeza que vou rebentar. Abrando e sou passado por outro atleta, e fico na 3ª posição.
Assim se mantém até cerca das 2h de prova, altura em que começo a sentir imenso sono. Mas mesmo muito!! A correr e os olhos a querer fechar mesmo!! Acabo essa volta e paro na minha mesa de apoio (passava ao lado dela em todas as voltas), e coloco os phones e o Spotify a bombar música barulhenta!! Sigo para mais umas voltas, mas não aguento: tenho mesmo de parar e dormir um pouco... Assim foi, sento-me e com a cabeça sobre as pernas, fecho os olhos durante uns 15 minutos. Acordo, bebo um bocado de Tailwind e sigo. Tava um frio brutal!! É certo que arrefeci estando parado, mas mesmo assim, andava toda a gente cheia de roupa! Visto um casaco meio polar por cima do impermeavel que já tinha vestido, gorro e luvas e continuo.
Mas quem pensa que este é um desafio fácil, desengane-se. Nem é tanto o facto de ser às voltas em circuito, mas como é uma corrida constante, sem grandes inclinações para descansar, o cansaço começa a fazer-se sentir.
Por volta das 4 da manhã paro na tenda da comida, e encontro lá o Jorge Paulino. Peço uma Coca-Cola, e uma sandes, e por ali ficamos um bocado à conversa. Depois de um café lá se volta para o circuito.
Muito frio, algum cansaço e as paragens que fiz, começo a sentir a virilha direita a doer. Tento não dar muita importância à dor, e continuar, mas começa a aumentar e eu a deixar de conseguir correr. Andei assim até perto das 6 da manhã, altura em que decidi ir à massagista de serviço!! Estive na massagem perto de 50 minutos, levei com agulhas!!, mas saí com menos dores e a conseguir correr!!
Entretanto o dia já tinha nascido, os atletas das 6h já tinham arrancado e estava um nevoeiro brutal! Mas havia mais animação!!


Na prova das 6h, a lutar pela vitória e que acabou por a conseguir, estava o Tiago Rovisco, que no seu registo habitual sempre que nos cruzávamos ia dando um certo incentivo!!
E fui ganhando ânimo, aumentando a contagem de km e recuperando algum do tempo perdido durante a noite!!






O dia começou a aquecer, e com a entrada do pessoal da prova das 3h, a animação e o apoio no circuito era constante. E com isso as dores foram desaparecendo de vez e comecei a conseguir colocar ritmos mais fortes, mais dentro daquilo que queria.

Fiz a última hora e meia de prova +/- a um bom ritmo e acabei mesmo a acompanhar o Tiago. Quando já toda a gente estava de rastos, consegui renascer e voltar a correr!!!

Acabei com 36 voltas, 72km feitos, muito abaixo daquilo que pensava, mas a verdade é que não fazia ideia como gerir uma prova deste tipo, e não contava mesmo ter tanto sono durante a noite. Em nenhuma das outras provas nocturnas que fiz, apesar de sentir algum sono, senti tanto sono ao ponto de ter mesmo de parar...




OCS Power!!
Gostei do evento! Muito bem organizado, um staff impecável sempre com atenção aos atletas. Uma palavra às senhoras da tenda da comida: vocês são bestiais, sempre animadas e a dar apoio e a oferecer comida!!!
Vou voltar, isso é certo! Gosto de desafios, e este é um diferente. Físico, mas muito muito mental também.




quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Regresso...




Meio ano sem escrever aqui... é demasiado, mas a verdade é que depois do Louzan Trail perdi um bocado a motivação de escrever aqui. Não parei de correr, continuei a fazer provas, mas a sensação de que ninguém lê o que aqui escrevo levou-me a adiar escrever sobre o Sintra Trail Xtreme, os 15km de Barrelas, o Ultra Trail de Grândola ou a última prova do ano, a 1ª edição da São Silvestre Baía do Seixal e onde bati o meu PBT aos 10km, conseguindo baixar dos 40'.

Tal como terminei 2018, comecei 2019, e entretanto já fiz o Trilho dos Reis a meio de Janeiro. Mas decidi que, mais do que ser para os outros lerem, será para mais tarde eu poder recordar os momentos que vivi.

Posto isto.....
Como referi atrás, a meio de Janeiro fui fazer os Trilhos dos Reis.
Já tinha feito a prova em 2016, quando ainda se chamava Trail Centro Vice tino da Serra e já na altura adorei, apesar de não ter corrido nada bem e ter contraído uma lesão que me obrigou a parar durante 2 meses. Desta vez não me lesionei na prova, mas já fui meio empenado!! (num treino na serra antes do Natal escorreguei e pumba... esticão no músculo e umas semanas a mal conseguir treinar...)

Mas pronto, Trilhos dos Reis são uma prova mágica, uma organização espectacular e a não ser que fosse mesmo impossível, nada me iria impedir de ir! E fui, num ritmo sempre muito controlado, e fiz a prova sempre nas calmas, a divertir-me quando dava, e a apreciar a paisagem!

Terminada esta prova, e lambidas todas as feridas, é hora de olhar em frente!
Este ano não devo fazer muitas provas, mas antes apostar em bons treinos e escolher bem as provas. Assim, no dia 31 de Março - dia dos meus anos! - vou a Coruche fazer o Cork Trail; prova perto, dá para levar a família em dia de aniversário e tem uma prova Kids, em que o Tomás também está inscrito!

No final de Abril, vou participar numa prova com um conceito diferente: 24h a correr em Mem Martins; vou fazer apenas as 12h, dada a proximidade para a prova seguinte e o pouco tempo que irei ter para recuperar.
E o desafio seguinte, em Maio, é voltar ao UTSM; desta vez tem de ser mesmo para terminar!!!

No resto do ano haverão mais desafios, em Outubro quero voltar ao Abrantes 100 :)

Como novidade para este ano, conto com o apoio da Tailwind! Este ano serei um dos Tailwind Trailblazers :)

E por agora é isto! Vou fazer os possíveis por este ano manter este espaço mais dinâmico e interessante 😊