terça-feira, 14 de maio de 2019

24 a Correr Mem Martins (12h)


Este é um tipo de prova, um desafio físico e psicológico que há muito tempo tinha debaixo de olho. Na edição passada das 24h de Mem Martins ainda preenchi o formulário de inscrição, mas não a terminei. Para esta edição já tinha decidido participar, mas o facto de ter ganho um dorsal terminou com qualquer dúvida que ainda pudesse ter!


O treino não foi talvez o mais indicado; para uma prova destas se calhar devia ter rolado mais em plano e abdicado um bocado da serra, mas isso era impossível, até pelos desafios que se seguem.... A logística para a prova também não foi simples de decidir, mas com calma lá acabei por organizar tudo.
O descanso... bem, o descanso é que nem por isso!!! No sábado acordei pouco depois das 7h da manhã, fui para a piscina com os miúdos, depois afazeres em casa, almoço, acabar de arrumar as coisas e quando pensava em descansar um bocado, tive de ajudar o empreiteiro que veio cá a casa arranjar uma situação.... Pois, a expectativa muito diferente da realidade....
Depois de jantar em casa em família, lá arranquei em direcção a Mem Martins nas calmas. Cheguei e assim que saí do carro, uma diferença de temperatura brutal para quando saí de casa!! Uma pequena amostra do que aí vinha de noite!!!

Fui levantar dorsal, processo que decorreu sem problemas, e ao carro buscar as minhas coisas para preparar a minha mesa de apoio!

Pouco depois das 23h uma pequena caminhada por parte do percurso, acabar de equipar e dirigi-me para a zona de partida.



Um bocado de conversa com alguns dos outros participantes, e às 00h é dada a partida.


Arranquei bem, rápido a ver o ritmo que o resto dos atletas ia colocar. Segui atrás do Jaime Cardoso e fazemos as primeiras 2 voltas muito rápido. Sinto que, apesar de ainda ir bem naquele momento, tenho de abrandar senão de certeza que vou rebentar. Abrando e sou passado por outro atleta, e fico na 3ª posição.
Assim se mantém até cerca das 2h de prova, altura em que começo a sentir imenso sono. Mas mesmo muito!! A correr e os olhos a querer fechar mesmo!! Acabo essa volta e paro na minha mesa de apoio (passava ao lado dela em todas as voltas), e coloco os phones e o Spotify a bombar música barulhenta!! Sigo para mais umas voltas, mas não aguento: tenho mesmo de parar e dormir um pouco... Assim foi, sento-me e com a cabeça sobre as pernas, fecho os olhos durante uns 15 minutos. Acordo, bebo um bocado de Tailwind e sigo. Tava um frio brutal!! É certo que arrefeci estando parado, mas mesmo assim, andava toda a gente cheia de roupa! Visto um casaco meio polar por cima do impermeavel que já tinha vestido, gorro e luvas e continuo.
Mas quem pensa que este é um desafio fácil, desengane-se. Nem é tanto o facto de ser às voltas em circuito, mas como é uma corrida constante, sem grandes inclinações para descansar, o cansaço começa a fazer-se sentir.
Por volta das 4 da manhã paro na tenda da comida, e encontro lá o Jorge Paulino. Peço uma Coca-Cola, e uma sandes, e por ali ficamos um bocado à conversa. Depois de um café lá se volta para o circuito.
Muito frio, algum cansaço e as paragens que fiz, começo a sentir a virilha direita a doer. Tento não dar muita importância à dor, e continuar, mas começa a aumentar e eu a deixar de conseguir correr. Andei assim até perto das 6 da manhã, altura em que decidi ir à massagista de serviço!! Estive na massagem perto de 50 minutos, levei com agulhas!!, mas saí com menos dores e a conseguir correr!!
Entretanto o dia já tinha nascido, os atletas das 6h já tinham arrancado e estava um nevoeiro brutal! Mas havia mais animação!!


Na prova das 6h, a lutar pela vitória e que acabou por a conseguir, estava o Tiago Rovisco, que no seu registo habitual sempre que nos cruzávamos ia dando um certo incentivo!!
E fui ganhando ânimo, aumentando a contagem de km e recuperando algum do tempo perdido durante a noite!!






O dia começou a aquecer, e com a entrada do pessoal da prova das 3h, a animação e o apoio no circuito era constante. E com isso as dores foram desaparecendo de vez e comecei a conseguir colocar ritmos mais fortes, mais dentro daquilo que queria.

Fiz a última hora e meia de prova +/- a um bom ritmo e acabei mesmo a acompanhar o Tiago. Quando já toda a gente estava de rastos, consegui renascer e voltar a correr!!!

Acabei com 36 voltas, 72km feitos, muito abaixo daquilo que pensava, mas a verdade é que não fazia ideia como gerir uma prova deste tipo, e não contava mesmo ter tanto sono durante a noite. Em nenhuma das outras provas nocturnas que fiz, apesar de sentir algum sono, senti tanto sono ao ponto de ter mesmo de parar...




OCS Power!!
Gostei do evento! Muito bem organizado, um staff impecável sempre com atenção aos atletas. Uma palavra às senhoras da tenda da comida: vocês são bestiais, sempre animadas e a dar apoio e a oferecer comida!!!
Vou voltar, isso é certo! Gosto de desafios, e este é um diferente. Físico, mas muito muito mental também.




quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Regresso...




Meio ano sem escrever aqui... é demasiado, mas a verdade é que depois do Louzan Trail perdi um bocado a motivação de escrever aqui. Não parei de correr, continuei a fazer provas, mas a sensação de que ninguém lê o que aqui escrevo levou-me a adiar escrever sobre o Sintra Trail Xtreme, os 15km de Barrelas, o Ultra Trail de Grândola ou a última prova do ano, a 1ª edição da São Silvestre Baía do Seixal e onde bati o meu PBT aos 10km, conseguindo baixar dos 40'.

Tal como terminei 2018, comecei 2019, e entretanto já fiz o Trilho dos Reis a meio de Janeiro. Mas decidi que, mais do que ser para os outros lerem, será para mais tarde eu poder recordar os momentos que vivi.

Posto isto.....
Como referi atrás, a meio de Janeiro fui fazer os Trilhos dos Reis.
Já tinha feito a prova em 2016, quando ainda se chamava Trail Centro Vice tino da Serra e já na altura adorei, apesar de não ter corrido nada bem e ter contraído uma lesão que me obrigou a parar durante 2 meses. Desta vez não me lesionei na prova, mas já fui meio empenado!! (num treino na serra antes do Natal escorreguei e pumba... esticão no músculo e umas semanas a mal conseguir treinar...)

Mas pronto, Trilhos dos Reis são uma prova mágica, uma organização espectacular e a não ser que fosse mesmo impossível, nada me iria impedir de ir! E fui, num ritmo sempre muito controlado, e fiz a prova sempre nas calmas, a divertir-me quando dava, e a apreciar a paisagem!

Terminada esta prova, e lambidas todas as feridas, é hora de olhar em frente!
Este ano não devo fazer muitas provas, mas antes apostar em bons treinos e escolher bem as provas. Assim, no dia 31 de Março - dia dos meus anos! - vou a Coruche fazer o Cork Trail; prova perto, dá para levar a família em dia de aniversário e tem uma prova Kids, em que o Tomás também está inscrito!

No final de Abril, vou participar numa prova com um conceito diferente: 24h a correr em Mem Martins; vou fazer apenas as 12h, dada a proximidade para a prova seguinte e o pouco tempo que irei ter para recuperar.
E o desafio seguinte, em Maio, é voltar ao UTSM; desta vez tem de ser mesmo para terminar!!!

No resto do ano haverão mais desafios, em Outubro quero voltar ao Abrantes 100 :)

Como novidade para este ano, conto com o apoio da Tailwind! Este ano serei um dos Tailwind Trailblazers :)

E por agora é isto! Vou fazer os possíveis por este ano manter este espaço mais dinâmico e interessante 😊