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quinta-feira, 4 de julho de 2019

Ultra Sesimbra 2019



Pelo 5º ano seguido marquei presença nesta prova. Nas 2 primeiras participações na distância mais curta, e nos seguintes na distância Ultra.
De todas, acho que esta foi a mais difícil não devido à elevada dificuldade do percurso, que basicamente é a mesma dos anos anteriores, mas devido ao calor extremo que se fazia sentir este ano.

Ao final da tarde já no conforto do sofá em casa, escrevi o seguinte no Facebook:
"Agora que o Ultra Trilhos Rocha da Pena - UTRP vai ser feito de noite, o Ultra Sesimbra está bem lançado para ganhar o prémio de prova mais quente do ano 🔥
Prova duríssima, o percurso de sempre mas debaixo de um braseiro
Ah, e não devia ter ido fazê-la 2 semanas apenas depois do UTSM - Ultra-Trail de São Mamede..."

Pois.... aliado ao calor que se fazia sentir, passavam somente 2 semanas depois do UTSM e quer se queira quer não, não é tempo suficiente para recuperar convenientemente. Mas era difícil ter esta prova à porta de casa e não ir...

Assim sendo, no dia da prova o ritual foi o de sempre: quando faltava cerca de 1h para a prova saí de casa, passados 20 minutos estava a estacionar em Sesimbra e de seguida a levantar o dorsal. De todos os lados, pessoal amigo e conhecido a cumprimentar, trocar 2 dedos de conversa e a desejar boa sorte para a prova.

Perto das 8h estou na zona de partida, como sempre na Praça da Califórnia. 
A partida é dada à hora certa e, este ano ao contrário dos anos anteriores, uma boa novidade: não noa vão meter logo de início pela praia; para mim isso não fazia sentido nenhum e finalmente este ano parece que a organização percebeu isso!!

Conhecendo bem o percurso da prova, arranco com calma, sem me entusiasmar com os primeiros km de alcatrão! Passado o par de km a subida para a pedreira para depois entrarmos no trilho de acesso à Ribeira do Cavalo, e com o bafo que se fazia sentir já começava a sentir o calor a apertar!!
Este trilho para a Ribeira do Cavalo não é de uma tecnicidade elevada, mas aqui apercebi-me que fiz a escolha de ténis errada!! Para esta prova levei os já "velhos" Salomon S-Lab Sense 6 que contam já com cerca de 600 km, como tal a sola já apresenta algum desgaste e não agarram como dantes. Pois, pois não, e numa curva do trilho lá me esbardalhei!!! Nada de grave, levantei-me e segui trilho abaixo, para logo de seguida dar início à subida cascalheira acima.
Aqui em fila, sem espaço para grandes acelerações, cheguei ao topo e suava em bica, o suor escorria que parecia que me tinham despejado um balde de água em cima!!! Cheguei ao 1º abastecimento da prova e parei: desconfio que terei sido dos pouco a fazê-lo, mas com o calor que estava era essencial hidratar muito e bem!

Segui caminho, agora um segmento mais rolante até ao Cabo Espichel. Pensei que aqui não iria sentir muitas dificuldades, mas com o calor que começava a fazer-se sentir cada vez mais o cansaço ainda do UTSM começou a aparecer... 
Decidi abrandar um pouco o ritmo, e fiz uns bocados a caminhar... Chegue ao Cabo e enchi flasks, comi banana, laranja e melancia e arranquei.

Este bocado é uma seca... Seguir pelos trilhos junto à orla costeira, sem sombra alguma e com o calor cada vez mais forte... Os kms parece que não passavam, e o terreno com areia fina não ajuda em anda...

Na praia da Foz há um abastecimento, e aproveito para comer e refrescar. Estavam mais de 30º, um dia bastante quente, e este percurso quase não tem sombra; esta prova feita em Fevereiro/Março era uma coisa, mas num dia destes....
Prossigo caminho, cada vez mais farto do percurso... Agora seriam cerca de 8km a subir, não muito acentuado mas como se costuma dizer "não mata mas mói"...
A meio caminho um abastecimento extra, mesmo em boa hora para voltar e encher flasks... 
No abastecimento da pedreira demorei muito tempo. Chegou a passar-me pela cabeça a ideia de desistir; já fiz esta prova imensas vezes, treino nesta zona quando quero e estava a ser um sacrifício fazê-la, não estava a tirar nenhum prazer... Comi, bebi, andei para trás e para a frente, e decidi seguir, a correr ou a caminhar, ia indo e ia vendo!!

Saio da pedreira e sigo a caminhar, mas num passo rápido. Chegado ao topo da pedreira, entro no estradão a descer e inicío um trote. Vou cansado, está imenso calor e começo a alternar trote e caminhada até chegar ao trilho que sobe ao castelo, pois aqui já seria impossível pensar em algo mais que fosse caminhar!!!!

No castelo junto ao abastecimento tem uma torneira, e quando lá chego completamente esgotado, tomei quase um banho completo! Depois dirigi-me para o abastecimento, e sou recebido pela Mena que tinha feit comigo muitos kms no UTSM!! Sempre bem disposta, mandou-me logo sentar à sombra e tratou de me arranjar uma sandes, e coca-cola fresca!!! Soube pela vida!! Ainda comi também umas bolachas, e já recomposto arranquei para os últimos 10km.
Continuei a alternar trote e caminhada, já não dava mais! A caminhar tentava manter um ritmo vivo, mas era o possível! O percurso continuava a não oferecer qualquer sombra, e o corpo já não dava mais... Agora era gerir e chegar ao fim....

Acho que foi também neste segmento que decidi que nos próximos anos não volto a fazer a Ultra distância nesta prova; o percurso é basicamente o mesmo todos os anos, sem grande interesse (as paisagens são bonitas na sua grande parte, mas torna-se desinteressante) e cansativo psicologicamente... Provavelmente volto, mas para fazer a distância de 21km...

7h depois do início cheguei à meta. É um resultado péssimo, apenas justificado pelo cansaço ainda do UTSM conjugado com o elevado calor que se fez sentir, mas ainda assim muito muito mau....
Família LH Ginásio




terça-feira, 26 de junho de 2018

Louzan Trail 2018

A expectativa era enorme. Nunca tinha corrido na serra da Lousã, sabia que era recheada de excelentes trilhos, belos e muito técnicos e, que a prova ia ser duríssima! Como publiquei na página uns dias antes, o gráfico com o perfil da prova e a tabela com a localização dos abastecimentos (muito importante esta tabela!!) e desníveis parciais e acumulado, metiam respeito, punham-me em sentido!


Foi então com expectativa, algum medo, respeito e alguma confiança que arranquei no sábado para a Lousã na companhia do Rui Nascimento e do Eduardo. 
Viagem de pouco mais de 2h e chegámos à Lousã. À chegada só olhava à volta, a olhar para os grandes montes que teríamos de subir no dia seguinte!!! 

Depois de levantar o dorsal no secretariado, jantámos por ali mesmo, num jardim situado mesmo ao lado da zona da prova. Tínhamos levado comida de casa, pelo que foi em modo pique-nique que comemos o jantar!!

Depois do belo repasto fomos preparar o "quarto" no solo duro; havia 2 locais disponíveis, mas apenas 1 estava publicado no guia do atleta, talvez por isso quase ninguém tenha ido para os bombeiros, que eram ali ao lado e ofereciam condições muito boas! À chegada reparamos logo num monte de colchões disponíveis, que maravilha!! Depois de tudo preparado, ainda fomos dar uma pequena caminhada e ouvir um bocado do briefing, e por fim fomos descansar.

Alarme do relógio toca às 4.30', mas já estava acordado. Acordado foi um estado em que estive muitas vezes durante a noite! Não é que houvesse barulho pois era pouquinha gente ali a dormir, mas não gosto de dormir em saco cama...
Levantar, vestir e arrumar tudo no carro e tomar o pequeno-almoço que trouxe preparado de casa :) Eram 6 menos 15' estava pronto e fui pra zona da partida. Ao chegar lá aparecem-me de surpresa o meu Pai e a Helena! Não sei quem é mais maluco, se eu ou eles que acordaram às 3.30 para estar ali àquela hora!!!



Cumprimentar o pessoal, concentrar para o que aí vem e é dado o sinal de partida!

O início dentro das ruas da Lousã tende a ser um pouco rápido e deixo-me ir, mas sempre sem nunca forçar, até que ao 1,5k da prova entramos em trilho. Como só podia ser, a subir pois claro!! 
Daqui até ao 1º abastecimento foi praticamente sempre a subir! Subir subir subir, daquelas que se olha para a frente e não se vê o fim!


No 1º abastecimento comi uns pedaços de laranja, banana, enchi os flasks e segui. Este abastecimento estava colocado aos 8k, olhei para o reógio e já marava mais de 1000D+!!! QUE BRUTALIDADE!!
Se as subidas pareciam intermináveis, as descidas, algumas bastante técnicas metiam-me em sentido. Se calhar até demais, se calhar um dos erros que cometi nesta prova que me fizeram perder tanto tempo foi o excesso de respeito pelas subidas, medo das descidas e de fazer alguma entorse novamente... 

O 2º abastecimento estava antes dos anunciados 17k, e a partir daqui percebi que provavelmente se iria repetir com a localização dos abastecimento a mesma coisa que já tinha acontecido noutros lados....
Prossegui a minha prova, o calor a aumentar brutalmente e aproveitava cada fonte que apanhava para refrescar, de cima a baixo! 

Com o amigo Nuno Santiago a descansar por uns segundos!!!
Aos 18,5 chego ao Talasnal, novo abastecimento e muito gente por ali, incluindo o meu Pai e a Helena. 

Eles estão a curtir o evento, eu tou a aperceber-me que a prova não está a correr nada de feição mas se bem me lembro dos tempos de corte terei tempo para seguir. Saio daqui acompanhado por outro atleta, o João, e colocamos um ritmo calmo mas constante, vamos correndo quando é mais a direito e poupamo-nos nas subidas. Um pouco à frente somos apanhados pela Isabel e a Su e seguimos todos juntos uns quantos km, até que ele nos deixa numa das muitas passagens pelo rio, onde eu parei para refrescar-me. 
De subidas a pique e intermináveis passávamos a decidas muito técnicas e que apenas acabavam quando chegávamos ao rio, para depois andar por ali a passar de uma margem para a outra até se seguir nova subida!
Com o calor a apertar cada vez mais, começamos a andar em troços mais abertos e expostos; as ondas de calor a bater nas pedras de xisto sentiam-se a vir contra nós..A passagem pela água era um alívio, pois servia para refrescar. 




Aos 30,9k chego ao Candal, supostamente seria aos 29,5k! Como uma sandes de panado e uns pedaços de banana e laranja, e enquanto isso o meu Pai e a Helena, sempre a curtirem!!!, enchem-me os flasks de água e com o Tailwind. O voluntário que lá estava diz que o próximo abastecimento era dali a 5k mas que era perfeitamente fazível numa hora e meia!! Era era...

Saio do abastecimento decidido a recuperar algum tempo, apanhei algum do pessoal que tinha estado menos tempo no abastecimento - a Isabel, a Su e o Adelino, e juntos seguimos com o objectivo de chegar ao km 34,3 antes da barreira horária.
À saída do Candal seguimos por um estradão, inicialmente a subir ligeiramente e que depois começa a descer, atravessamos a estrada (onde aparece uma vez mais o meu Pai e a Helena a apoiar, incansáveis!!!) e seguimos para nova descida em direcção ao rio; nesta fase já cansado e com calor brutal, a descoordenação motora era por demais evidente!! Chegados ao rio aproveitámos para refrescar, sentar na água, saímos dali todos molhados mas o calor era tanto que rapidamente secou tudo! Daí para a frente (estávamos com 33,3km) , esperava-nos uma subida que parecia interminável, exposta ao sol e sem trilho mas que, olhando para o gráfico no dorsal e que confirmava o que constava do regulamento, seria "apenas" 1km de subida até ao abastecimento e posto de controlo.
Só que não..... Passamos o 34,3, o 35, 35,5 e começamos a descer em direcção à Cerdeira. Há uns minutos que eu já tinha percebido que o PC estava mal, e tinha-me adiantado ao resto do grupo numa tentativa de chegar a tempo.
Era ali que devia estar o PC da Cerdeira

36k e nada ainda do PC, resta-me pouco mais de 1 minuto para as 9h e a barreira horária... 
Aos 36,4k chego ao abastecimento / Posto de Controlo. 

O relógio marcava 9h01'. O responsável do abastecimento avisa-me logo que já não posso seguir, já fechou.
Como?? 
Esta informação foi fornecida pela organização.
Estava no regulamento, no guia do atleta e no dorsal

Ok, tenho perfeita noção que estava a fazer uma prova de m****, mas porra! Cheguei a um Posto de Controlo que estava colocado 2km à frente do indicado em tudo quanto era sítio, apenas 1 minuto após a hora de fecho. Estavam condições de calor extremo que levaram a organização a ter bom senso de colocar alguns abastecimentos de água extra, mas não há o bom senso para permiti que siga???
Podia não conseguir terminar mesmo assim, mas não é isso que está em causa aqui. 

Regras são regras e são para cumprir seja em que caso for, mas se assim é tem de ser para ambas as partes! 
A juntar a isso, de realçar também a arrogância, prepotência e falta de bom senso do responsável do PC. 
Entretanto chegaram mais atletas, seríamos ao todo uns 15 a mostrar nos relógios que o PC estava cerca de 2k à frente do indicado, mas ele teimosamente afirmava que nós é que estávamos mal e que o PC estava no máximo aos 35!!! Engraçado que já depois da prova falei com mais atletas e todos confirmam que aquele PC estava muito à frente do indicado! Não faço ideia se ele algum dia irá ler estas linhas, mas para o caso de as ler, admitir que estamos errados é uma qualidade muito valiosa, chama-se humildade e isso faltou em demasia às 15h do dia 17 de Junho de 2018. 

Pela 1ª vez fui barrado numa prova, há sempre uma 1ª vez para tudo e a minha foi agora. 
Sei que fiz uma prova miserável, mas não posso aceitar que uma prova que faz parte dos circuitos nacionais, com mais de 1000 atletas a competir, continue a cometer erros destes em todas as edições (basta procurar por relatos do Louzan Trail das edições passadas e verifica-se que são recorrentes os erros na localização dos abastecimentos / PC ). Não vou afirmar que nuca mais voltarei a esta prova, até porque tenho a certeza que numa próxima ida à Lousã as coisas irão correr melhor, mas vai ser difícil lá voltar sem ter a certeza que estes erros básicos foram corrigidos e deixaram de acontecer...