quinta-feira, 30 de maio de 2019

UTSM - Ultra Trail de São Mamede 2019



2 anos depois voltei ao UTSM, mas desta vez tudo foi diferente!

2 anos fui ao UTSM, naquela que seria a minha primeira prova de 3 dígitos, mas tive de desistir aos 50km em Porto de Espada.
Este ano tudo foi diferente. 

Apesar de a preparação não ter sido tão boa como há 2 anos, a experiência entretanto adquirida também me deixava muito mais calmo e confiante.
Os últimos meses foram focados nesta prova, todo o treino feito foi com um único objectivo: desta vez terminar o UTSM.
Cheguei ao dia da prova a sentir-me bem. Dia de férias, tudo preparado de véspera, de manhã foi só acordar e fazer uma última verificação, almoçar e ir apanhar o autocarro!!
Fui para Portalegre de autocarro mais o Heitor; o Paulo já tinha ido mais cedo, e íamo-nos encontrar quando lá chegássemos. Os últimos meses foram passados a treinar juntos, praticamente toda a preparação foi feita juntos, e pelo menos íamos começar a prova juntos, depois logo se via!!

Chegados a Portalegre fomos levantar dorsais e depois descansar para o quartel general, a casa alugada do Paulo!!

Aqui tenho de deixar um agradecimento especial à Andreia porque nos preparou um super jantar, e praticamente apenas tivemos de descansar, jantar e equipar!
No quartel general

Perto das 21 arrancámos em direcção ao estádio dos Assentos; estava a chegar o grande momento!
Ao chegar já se via uma enorme azáfama, carros por todo o lado e atletas a chegar de todos os cantos.
Fomos deixar o saco da base de vida e para a pista: já lá estávamos!!!!
Últimas fotos, últimos cumprimentos, concentração. Alguém da organização está a falar, mas não se ouve, na pista estão cerca de 400 atletas entusiasmados que já só pensam em partir.
Brothers in Arms


Às 22h é feita a contagem decrescente e dada a partida! Arrancamos juntos, o plano é ir calmo e gerir o esforço porque os avisos para a dificuldade vêm de todos os quadrantes.

A prova este anos sofreu muitas alterações: começou às 22h ao invés das 00h, inventaram muitos trilhos nem todos bem conseguidos na minha opinião, mas a melhor novidade foi sem dúvida a prova ir pelo meio da cidade de Portalegre, onde havia muita animação e pessoas a apoiar os atletas na rua.

Seguimos calmos e rapidamente chegámos ao 1º abastecimento, no Centro Vicentino da Serra. Paragem rápida e seguimos em direcção às Carreiras. A seguir a este abastecimento o Paulo e o Bruno (irmão do Heitor) seguiram mais rápidos e fiquei com o Heitor, no nosso ritmo de gestão.
Convento da Provença

A Castelo de Vide já cheguei com alguma fome, e lá comi e reabasteci o depósito!

A seguir a este abastecimento veio aquela que para mim foi talvez a parte mais complicada da prova, e perigosa: um single laeado de pinheiros e cheio de pedras de vários tamanhos e feitios, muitas soltas, tapadas e algumas afiadas, um perigo este trilho de noite e onde sei que houveram algumas baixas.

Aqui demoramos muito tempo. Não queria arriscar nenhuma lesão, eu que tenho tendência a entorses...
Chegar à Portagem foi um alívio, e a subida a Marvão pela calçada foi feita a bom ritmo. Chegámos ao abastecimento e parecia um cenário de guerra... Comemos alguma coisa, encher flasks, e tomei um café... café que me fez correr para a casa-de-banho!!!!

Depois de tudo tratado, estamos para sair e começam a avisar que já lá vem o vassoura. Já??? Como é possível?! Pois, parece que já há muitas desistências lá para trás...
Arrancamos e começamos a descer de Marvão, mas distraídos na conversa com o nascer do dia enganamo-nos e quando demos conta já tínhamos descido uns 500m. Ora toca a subir 500m para trás e tomar o rumo certo.
Seguimos a um ritmo confortável, mas um pouco antes de chegar a Porta de Espada estava um bombom: uma subida aos socalcos, boa para dar cabo de quem já não viesse muito bem!!
Aqui ia-me a sentir muito bem, solto e sem cansaço, mas o Heitor já não ia tão bem, e como tal subia um bocado e esperava por ele. Chegados ao topo seguimos juntos, está a nascer um belo dia! O telefone toca, é a Bela e os miúdos; sabe tão bem falar com eles <3 digo que vou bem, Ela também reconhece na minha voz que estou bem, falo um pouco com o Tomás que vai ter jogo dali a pouco e desligamos.
Apesar de ir a bebericar sempre Tailwind, começo a sentir necessidade de trincar alguma coisa mais sólida, e isso mesmo comentamos os 2. Pois bem, chegados ao abastecimento, e depois de trocar de roupa - roupa que não troquei tudo que devia... aqui cometi um erro que teve uma importância enorme no desfecho final: devia ter trocado de meias mas na hora achei que não era necessário..... - fomos para a parte do banquete!!! Havia bifanas, ui!!! Pedimos uma para cada 1, depois mais 2, e depois mais 2!!!! Saímos dali cheios, mas com um tempo enorme de paragem...
Tanto tempo parados fez mossa, e o Heitor que vinha-se queixando da virilha estava com dificuldades em correr... Seguimos com calma, mas passados uns km ele percebeu que eu estava (naquele momento) muito mais solto e mandou-me ir à minha vida!! Com a garantia dele que estava bem, segui. Aqui estávamos a descer para El Pino em Espanha, e havia uns trilhos engraçados onde me diverti a descer!!
Cheguei ao abastecimento e, quando perceberam que tinha o dorsal 1, fizeram uma festa enorme!!!
Dorsal "uno"!

Entretanto chega o Heitor que já vinha melhor, mas como eu já estava despachado arranquei.
Saída de El Pino e apanhamos um corta-fogo numa subida interminável, cerca de 3km...
Opinião pessoal: esta ida a El Pino não tem interesse nenhum, serve apenas para encher chouriços, dar mais uns kms à prova e desnível....
Um bocadinho da subida!

Chegados lá acima, toca a descer para São Julião... Há 2 anos tinha feito estas 2 descidas inclinadíssimas em sentido contrário, a subir, já fazia ideia do que me esperava.
Lembram-se de não ter trocado de meias na base de vida??? Pois, aqui a descer comecei a sentir umas dores enormes nos pés, por baixo...
Só queria chegar ao abastecimento para trocar finalmente de meias, porque, estava eu convencido, tinha colocado umas extra na mochila...
Entretanto vem o Heitor, passa-me e segue a bom ritmo!! Nunca mais o apanhei até ao abastecimento.

Cheguei e fui directo sentar-me numa cadeira, tirei a mochila e fui ao saco que lá trazia, para trocar as meias. SÓ QUE NÃO.... F0#@§§€ ESTA MERDA.....
Tentei limpar os pés o melhor que pude, e deu para verificar que estavam com umas espécie de cortes... Ia ser bonito até final ia........

O Heitor estava à minha espera, e lá seguimos os 2.
Íamos agora enfrentar mais uma subida, a mais dura ao ponto mais alto da prova, alto de São Mamede. Mas... antes de começar a subir ainda nos puseram a brincar aos salta pocinhas... DETESTO ISTO... andar a passar riachos de um lado para o outro, e uns metros à frente voltar a passar, e repetir por mais uma dúzia de vezes... enfim, não vejo qualquer interesse nisto.... Depois desta brincadeira lá iniciámos a subida, com segmentos por vezes bastante inclinados e complicados para subir... Mas, a mais dificuldade já não ia em subir, era mesmo descer, umas descidas inclinadíssimas com que a organização nos brindou e onde os bastões deram um jeitaço: pregar bastões no chão, apoiar e descer....
Chegamos FINALMENTE a São Mamede, e paramos no abastecimento. Mal aguento os pés, mas temos de seguir...
Seguimos em grupo de 4 em direcção a Alegrete: eu o Heitor, a Filomena e a Mafalda. Vamos tentando alternar caminhada com alguma corrida, este segmento é relativamente fácil, é praticamente só estradão, e queremos tentar ganhar algum tempo para o troço entre Alegrete e Reguengo, sobre o qual há imensos avisos relativos à dificuldade...
Chegados ao abastecimento só quero sentar-me. Peço, quase imploro para me deixarem estar uns minutinhos para levantar os pés do chão... Depois de alguma negociação,  lá me deram 3 minutos para estar sentado!!!
SIGAAAA

Saímos do abastecimento, dispostos a enfrentar este último troço que tantos alertas mereceu....
Continuamos a tentar alternar corrida e caminhada, e depois de alguns km quase a direito apanhamos então uma primeira subida, depois uma descida onde havia uma corda e finalmente a tão falada besta...
Nesta altura pairava, ainda que algo distante, o fantasma do limite horário no Reguengo. Disse ao Heitor que "tínhamos de dar ao chinelo" e arrancamos pela Besta acima em bom ritmo. A sério que mal dei pela subida, tão difícil que diziam que era e não custou nada!!! Virada a subida, começamos a descer e aqui dava para correr.
À saída de Alegrete tomei um Ben-u-ron para acalmar as dores e agora ia bem. Conseguia correr e arranquei a bom ritmo serra abaixo... Aqui já tinha a certeza que a prova tava feito, era só chegar à meta!! Desde São Mamede separei-me do Heitor, mas sabia que ele estava bem, também só tinha de rolar ara acabar, e deixei-me ir!
No abastecimento do Reguengo parei, enchi os flasks e segui! Nos 2/3 km seguintes ainda corri, mas depois decidi abrandar... Os pés voltavam a doer um pouco, já estava de noite e não queria arriscar nada....
Fiz os últimos km a corrinhar, e os últimos 2/3 a chamar todos os nomes (uma vez mais) porque íamos paralelos ao estádio, viam-se as luzes e ouvia-se o speaker, mas não havia meio de lá chegar....




24H 42' depois cortei a meta!
Não, não foi 24h depois, mas sim 2 anos depois, porque aquele DNF de há 2 anos ainda me custa a aceitar....
FINALMENTE é minha!!

A prova não correu de todo como esperava... Os avisos para o acréscimo de dificuldade vinham de vários sítios, e devido a isso fui durante a noite a gerir e poupar demasiado, tanto que por exemplo as 8 da manhã não sentia ponta de cansaço nas pernas... Cometi 2 ou 3 erros de principiante que já não os devia ter cometido.... Nalguns abastecimentos também estive demasiado tempo. São situações que tenho de rever porque tenho a noção que tinha tirado umas horas ao tempo final.

Quanto às alterações da prova, a mais positiva é sem dúvida o arranque pelas ruas de Portalegre às 10 da noite, hora em que há muita gente na rua a apoiar e, se mantiverem assim nos próximos anos, só tenderá a aumentar o apoio. Entre Castelo de Vide e Portagem, este ano colocaram um trilho quanto a mim perigoso; perigoso porque feito de noite, tem muitas pedras soltas e pontiagudas, nalguns locais mal dá para colocar os pés e sei que aqui houve muitas baixas. A ida a El Pino como já disse atrás é encher chouriços; não tem nada de interesse, é ir lá abaixo e voltar a subir por um corta-fogo poucas centenas de metros ao lado.... O declive de algumas descidas, claramente exageradas quando já vamos com 70/80/90 km nas pernas mas colocados para dar algum interesse às outras provas do evento é, quanto a mim, alguma desconsideração para com os atletas dos 110km; não é pelo desnível que esse é anunciado previamente, mas sim o exagero de alguns troços.... Sei que houve muitos atletas a reclamar, inclusive o meu Pai ouviu bastantes na zona da meta a queixar-se, e tenho a certeza que para a próxima edição a organização terá isso em conta.

Quanto a mim... bem, costuma dizer-se que não há 2 sem 3, certo?! 

terça-feira, 14 de maio de 2019

24 a Correr Mem Martins (12h)


Este é um tipo de prova, um desafio físico e psicológico que há muito tempo tinha debaixo de olho. Na edição passada das 24h de Mem Martins ainda preenchi o formulário de inscrição, mas não a terminei. Para esta edição já tinha decidido participar, mas o facto de ter ganho um dorsal terminou com qualquer dúvida que ainda pudesse ter!


O treino não foi talvez o mais indicado; para uma prova destas se calhar devia ter rolado mais em plano e abdicado um bocado da serra, mas isso era impossível, até pelos desafios que se seguem.... A logística para a prova também não foi simples de decidir, mas com calma lá acabei por organizar tudo.
O descanso... bem, o descanso é que nem por isso!!! No sábado acordei pouco depois das 7h da manhã, fui para a piscina com os miúdos, depois afazeres em casa, almoço, acabar de arrumar as coisas e quando pensava em descansar um bocado, tive de ajudar o empreiteiro que veio cá a casa arranjar uma situação.... Pois, a expectativa muito diferente da realidade....
Depois de jantar em casa em família, lá arranquei em direcção a Mem Martins nas calmas. Cheguei e assim que saí do carro, uma diferença de temperatura brutal para quando saí de casa!! Uma pequena amostra do que aí vinha de noite!!!

Fui levantar dorsal, processo que decorreu sem problemas, e ao carro buscar as minhas coisas para preparar a minha mesa de apoio!

Pouco depois das 23h uma pequena caminhada por parte do percurso, acabar de equipar e dirigi-me para a zona de partida.



Um bocado de conversa com alguns dos outros participantes, e às 00h é dada a partida.


Arranquei bem, rápido a ver o ritmo que o resto dos atletas ia colocar. Segui atrás do Jaime Cardoso e fazemos as primeiras 2 voltas muito rápido. Sinto que, apesar de ainda ir bem naquele momento, tenho de abrandar senão de certeza que vou rebentar. Abrando e sou passado por outro atleta, e fico na 3ª posição.
Assim se mantém até cerca das 2h de prova, altura em que começo a sentir imenso sono. Mas mesmo muito!! A correr e os olhos a querer fechar mesmo!! Acabo essa volta e paro na minha mesa de apoio (passava ao lado dela em todas as voltas), e coloco os phones e o Spotify a bombar música barulhenta!! Sigo para mais umas voltas, mas não aguento: tenho mesmo de parar e dormir um pouco... Assim foi, sento-me e com a cabeça sobre as pernas, fecho os olhos durante uns 15 minutos. Acordo, bebo um bocado de Tailwind e sigo. Tava um frio brutal!! É certo que arrefeci estando parado, mas mesmo assim, andava toda a gente cheia de roupa! Visto um casaco meio polar por cima do impermeavel que já tinha vestido, gorro e luvas e continuo.
Mas quem pensa que este é um desafio fácil, desengane-se. Nem é tanto o facto de ser às voltas em circuito, mas como é uma corrida constante, sem grandes inclinações para descansar, o cansaço começa a fazer-se sentir.
Por volta das 4 da manhã paro na tenda da comida, e encontro lá o Jorge Paulino. Peço uma Coca-Cola, e uma sandes, e por ali ficamos um bocado à conversa. Depois de um café lá se volta para o circuito.
Muito frio, algum cansaço e as paragens que fiz, começo a sentir a virilha direita a doer. Tento não dar muita importância à dor, e continuar, mas começa a aumentar e eu a deixar de conseguir correr. Andei assim até perto das 6 da manhã, altura em que decidi ir à massagista de serviço!! Estive na massagem perto de 50 minutos, levei com agulhas!!, mas saí com menos dores e a conseguir correr!!
Entretanto o dia já tinha nascido, os atletas das 6h já tinham arrancado e estava um nevoeiro brutal! Mas havia mais animação!!


Na prova das 6h, a lutar pela vitória e que acabou por a conseguir, estava o Tiago Rovisco, que no seu registo habitual sempre que nos cruzávamos ia dando um certo incentivo!!
E fui ganhando ânimo, aumentando a contagem de km e recuperando algum do tempo perdido durante a noite!!






O dia começou a aquecer, e com a entrada do pessoal da prova das 3h, a animação e o apoio no circuito era constante. E com isso as dores foram desaparecendo de vez e comecei a conseguir colocar ritmos mais fortes, mais dentro daquilo que queria.

Fiz a última hora e meia de prova +/- a um bom ritmo e acabei mesmo a acompanhar o Tiago. Quando já toda a gente estava de rastos, consegui renascer e voltar a correr!!!

Acabei com 36 voltas, 72km feitos, muito abaixo daquilo que pensava, mas a verdade é que não fazia ideia como gerir uma prova deste tipo, e não contava mesmo ter tanto sono durante a noite. Em nenhuma das outras provas nocturnas que fiz, apesar de sentir algum sono, senti tanto sono ao ponto de ter mesmo de parar...




OCS Power!!
Gostei do evento! Muito bem organizado, um staff impecável sempre com atenção aos atletas. Uma palavra às senhoras da tenda da comida: vocês são bestiais, sempre animadas e a dar apoio e a oferecer comida!!!
Vou voltar, isso é certo! Gosto de desafios, e este é um diferente. Físico, mas muito muito mental também.




quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Regresso...




Meio ano sem escrever aqui... é demasiado, mas a verdade é que depois do Louzan Trail perdi um bocado a motivação de escrever aqui. Não parei de correr, continuei a fazer provas, mas a sensação de que ninguém lê o que aqui escrevo levou-me a adiar escrever sobre o Sintra Trail Xtreme, os 15km de Barrelas, o Ultra Trail de Grândola ou a última prova do ano, a 1ª edição da São Silvestre Baía do Seixal e onde bati o meu PBT aos 10km, conseguindo baixar dos 40'.

Tal como terminei 2018, comecei 2019, e entretanto já fiz o Trilho dos Reis a meio de Janeiro. Mas decidi que, mais do que ser para os outros lerem, será para mais tarde eu poder recordar os momentos que vivi.

Posto isto.....
Como referi atrás, a meio de Janeiro fui fazer os Trilhos dos Reis.
Já tinha feito a prova em 2016, quando ainda se chamava Trail Centro Vice tino da Serra e já na altura adorei, apesar de não ter corrido nada bem e ter contraído uma lesão que me obrigou a parar durante 2 meses. Desta vez não me lesionei na prova, mas já fui meio empenado!! (num treino na serra antes do Natal escorreguei e pumba... esticão no músculo e umas semanas a mal conseguir treinar...)

Mas pronto, Trilhos dos Reis são uma prova mágica, uma organização espectacular e a não ser que fosse mesmo impossível, nada me iria impedir de ir! E fui, num ritmo sempre muito controlado, e fiz a prova sempre nas calmas, a divertir-me quando dava, e a apreciar a paisagem!

Terminada esta prova, e lambidas todas as feridas, é hora de olhar em frente!
Este ano não devo fazer muitas provas, mas antes apostar em bons treinos e escolher bem as provas. Assim, no dia 31 de Março - dia dos meus anos! - vou a Coruche fazer o Cork Trail; prova perto, dá para levar a família em dia de aniversário e tem uma prova Kids, em que o Tomás também está inscrito!

No final de Abril, vou participar numa prova com um conceito diferente: 24h a correr em Mem Martins; vou fazer apenas as 12h, dada a proximidade para a prova seguinte e o pouco tempo que irei ter para recuperar.
E o desafio seguinte, em Maio, é voltar ao UTSM; desta vez tem de ser mesmo para terminar!!!

No resto do ano haverão mais desafios, em Outubro quero voltar ao Abrantes 100 :)

Como novidade para este ano, conto com o apoio da Tailwind! Este ano serei um dos Tailwind Trailblazers :)

E por agora é isto! Vou fazer os possíveis por este ano manter este espaço mais dinâmico e interessante 😊


terça-feira, 26 de junho de 2018

Louzan Trail 2018

A expectativa era enorme. Nunca tinha corrido na serra da Lousã, sabia que era recheada de excelentes trilhos, belos e muito técnicos e, que a prova ia ser duríssima! Como publiquei na página uns dias antes, o gráfico com o perfil da prova e a tabela com a localização dos abastecimentos (muito importante esta tabela!!) e desníveis parciais e acumulado, metiam respeito, punham-me em sentido!


Foi então com expectativa, algum medo, respeito e alguma confiança que arranquei no sábado para a Lousã na companhia do Rui Nascimento e do Eduardo. 
Viagem de pouco mais de 2h e chegámos à Lousã. À chegada só olhava à volta, a olhar para os grandes montes que teríamos de subir no dia seguinte!!! 

Depois de levantar o dorsal no secretariado, jantámos por ali mesmo, num jardim situado mesmo ao lado da zona da prova. Tínhamos levado comida de casa, pelo que foi em modo pique-nique que comemos o jantar!!

Depois do belo repasto fomos preparar o "quarto" no solo duro; havia 2 locais disponíveis, mas apenas 1 estava publicado no guia do atleta, talvez por isso quase ninguém tenha ido para os bombeiros, que eram ali ao lado e ofereciam condições muito boas! À chegada reparamos logo num monte de colchões disponíveis, que maravilha!! Depois de tudo preparado, ainda fomos dar uma pequena caminhada e ouvir um bocado do briefing, e por fim fomos descansar.

Alarme do relógio toca às 4.30', mas já estava acordado. Acordado foi um estado em que estive muitas vezes durante a noite! Não é que houvesse barulho pois era pouquinha gente ali a dormir, mas não gosto de dormir em saco cama...
Levantar, vestir e arrumar tudo no carro e tomar o pequeno-almoço que trouxe preparado de casa :) Eram 6 menos 15' estava pronto e fui pra zona da partida. Ao chegar lá aparecem-me de surpresa o meu Pai e a Helena! Não sei quem é mais maluco, se eu ou eles que acordaram às 3.30 para estar ali àquela hora!!!



Cumprimentar o pessoal, concentrar para o que aí vem e é dado o sinal de partida!

O início dentro das ruas da Lousã tende a ser um pouco rápido e deixo-me ir, mas sempre sem nunca forçar, até que ao 1,5k da prova entramos em trilho. Como só podia ser, a subir pois claro!! 
Daqui até ao 1º abastecimento foi praticamente sempre a subir! Subir subir subir, daquelas que se olha para a frente e não se vê o fim!


No 1º abastecimento comi uns pedaços de laranja, banana, enchi os flasks e segui. Este abastecimento estava colocado aos 8k, olhei para o reógio e já marava mais de 1000D+!!! QUE BRUTALIDADE!!
Se as subidas pareciam intermináveis, as descidas, algumas bastante técnicas metiam-me em sentido. Se calhar até demais, se calhar um dos erros que cometi nesta prova que me fizeram perder tanto tempo foi o excesso de respeito pelas subidas, medo das descidas e de fazer alguma entorse novamente... 

O 2º abastecimento estava antes dos anunciados 17k, e a partir daqui percebi que provavelmente se iria repetir com a localização dos abastecimento a mesma coisa que já tinha acontecido noutros lados....
Prossegui a minha prova, o calor a aumentar brutalmente e aproveitava cada fonte que apanhava para refrescar, de cima a baixo! 

Com o amigo Nuno Santiago a descansar por uns segundos!!!
Aos 18,5 chego ao Talasnal, novo abastecimento e muito gente por ali, incluindo o meu Pai e a Helena. 

Eles estão a curtir o evento, eu tou a aperceber-me que a prova não está a correr nada de feição mas se bem me lembro dos tempos de corte terei tempo para seguir. Saio daqui acompanhado por outro atleta, o João, e colocamos um ritmo calmo mas constante, vamos correndo quando é mais a direito e poupamo-nos nas subidas. Um pouco à frente somos apanhados pela Isabel e a Su e seguimos todos juntos uns quantos km, até que ele nos deixa numa das muitas passagens pelo rio, onde eu parei para refrescar-me. 
De subidas a pique e intermináveis passávamos a decidas muito técnicas e que apenas acabavam quando chegávamos ao rio, para depois andar por ali a passar de uma margem para a outra até se seguir nova subida!
Com o calor a apertar cada vez mais, começamos a andar em troços mais abertos e expostos; as ondas de calor a bater nas pedras de xisto sentiam-se a vir contra nós..A passagem pela água era um alívio, pois servia para refrescar. 




Aos 30,9k chego ao Candal, supostamente seria aos 29,5k! Como uma sandes de panado e uns pedaços de banana e laranja, e enquanto isso o meu Pai e a Helena, sempre a curtirem!!!, enchem-me os flasks de água e com o Tailwind. O voluntário que lá estava diz que o próximo abastecimento era dali a 5k mas que era perfeitamente fazível numa hora e meia!! Era era...

Saio do abastecimento decidido a recuperar algum tempo, apanhei algum do pessoal que tinha estado menos tempo no abastecimento - a Isabel, a Su e o Adelino, e juntos seguimos com o objectivo de chegar ao km 34,3 antes da barreira horária.
À saída do Candal seguimos por um estradão, inicialmente a subir ligeiramente e que depois começa a descer, atravessamos a estrada (onde aparece uma vez mais o meu Pai e a Helena a apoiar, incansáveis!!!) e seguimos para nova descida em direcção ao rio; nesta fase já cansado e com calor brutal, a descoordenação motora era por demais evidente!! Chegados ao rio aproveitámos para refrescar, sentar na água, saímos dali todos molhados mas o calor era tanto que rapidamente secou tudo! Daí para a frente (estávamos com 33,3km) , esperava-nos uma subida que parecia interminável, exposta ao sol e sem trilho mas que, olhando para o gráfico no dorsal e que confirmava o que constava do regulamento, seria "apenas" 1km de subida até ao abastecimento e posto de controlo.
Só que não..... Passamos o 34,3, o 35, 35,5 e começamos a descer em direcção à Cerdeira. Há uns minutos que eu já tinha percebido que o PC estava mal, e tinha-me adiantado ao resto do grupo numa tentativa de chegar a tempo.
Era ali que devia estar o PC da Cerdeira

36k e nada ainda do PC, resta-me pouco mais de 1 minuto para as 9h e a barreira horária... 
Aos 36,4k chego ao abastecimento / Posto de Controlo. 

O relógio marcava 9h01'. O responsável do abastecimento avisa-me logo que já não posso seguir, já fechou.
Como?? 
Esta informação foi fornecida pela organização.
Estava no regulamento, no guia do atleta e no dorsal

Ok, tenho perfeita noção que estava a fazer uma prova de m****, mas porra! Cheguei a um Posto de Controlo que estava colocado 2km à frente do indicado em tudo quanto era sítio, apenas 1 minuto após a hora de fecho. Estavam condições de calor extremo que levaram a organização a ter bom senso de colocar alguns abastecimentos de água extra, mas não há o bom senso para permiti que siga???
Podia não conseguir terminar mesmo assim, mas não é isso que está em causa aqui. 

Regras são regras e são para cumprir seja em que caso for, mas se assim é tem de ser para ambas as partes! 
A juntar a isso, de realçar também a arrogância, prepotência e falta de bom senso do responsável do PC. 
Entretanto chegaram mais atletas, seríamos ao todo uns 15 a mostrar nos relógios que o PC estava cerca de 2k à frente do indicado, mas ele teimosamente afirmava que nós é que estávamos mal e que o PC estava no máximo aos 35!!! Engraçado que já depois da prova falei com mais atletas e todos confirmam que aquele PC estava muito à frente do indicado! Não faço ideia se ele algum dia irá ler estas linhas, mas para o caso de as ler, admitir que estamos errados é uma qualidade muito valiosa, chama-se humildade e isso faltou em demasia às 15h do dia 17 de Junho de 2018. 

Pela 1ª vez fui barrado numa prova, há sempre uma 1ª vez para tudo e a minha foi agora. 
Sei que fiz uma prova miserável, mas não posso aceitar que uma prova que faz parte dos circuitos nacionais, com mais de 1000 atletas a competir, continue a cometer erros destes em todas as edições (basta procurar por relatos do Louzan Trail das edições passadas e verifica-se que são recorrentes os erros na localização dos abastecimentos / PC ). Não vou afirmar que nuca mais voltarei a esta prova, até porque tenho a certeza que numa próxima ida à Lousã as coisas irão correr melhor, mas vai ser difícil lá voltar sem ter a certeza que estes erros básicos foram corrigidos e deixaram de acontecer...

terça-feira, 12 de junho de 2018

VIII Ultra de Sesimbra

Pelo 4º ano consecutivo rumei a Sesimbra para participar nesta prova; nos 2 primeiros anos participei na versão mais curta, no ano passado e este ano na versão Ultra.


Dia da prova, saí de casa pouco mais de 1h antes da prova começar. Fui buscar o meu camarada Paulo Sousa que se ia estrear nas Ultras e seguimos viagem nas calmas. Cerca de uns 25 minutos depois estávamos a estacionar o carro. Colocar mochila e seguir para a partida nas calmas, ainda havia muito tempo!
Euipa OCS Proaventuras presente!

Na partida muitas caras conhecidas lembram que aqui corre-se em casa! Muitos elementos da equipa, muitos amigos, muitos conhecidos levam a que se esteja ali na conversa, a tirar fotos sem pensar muito no que está para vir! 

Pouco depois das 9h é dado o sinal de partida. Uma partida sempre rápida com a saída da praça da Califórnia e a entrada na marginal a descer, mas rapidamente o ritmo acalma quando derivamos da marginal para a areia. Na minha opinião esta derivação era completamente desnecessária, penso que não acrescenta nada e chateia logo ao início termos de ir pela areia da praia... adiante! Voltamos à estrada mais à frente e seguimos em direcção ao clube naval e a 1ª subida, para entrar no acesso para a praia da Ribeira do Cavalo. 


Nesta subida o ritmo abranda, meto a passo assim como a maioria do pessoal. Ainda vamos todos perto uns dos outros, o Paulo Alves um pouco à frente, depois eu e uns metros atrás vêm o Paulo Sousa e o Eurico. Entramos no acesso à praia da Ribeira do Cavalo e aqui abrando um pouco nas zonas que podem ser mais escorregadias; as solas dos Wings 8 já apresentam algum desgaste e a entorse que fiz no ESTRELA GRANDE TRAIL ainda não está completamente sarada, ainda sinto uma ligeira dor nalgumas situações. Sou passado por alguns atletas, mas não é importante, sigo no meu ritmo e assim que entramos na subida imediatamente a seguir tento aumentar um pouco a passada e passar alguns. 

Alcançado o topo aumento o ritmo e passo grande parte dos atletas que me passaram na descida, incluindo o Paulo e o Eurico. Queria aproveitar aqui para rolar, pois sabia que cerca do k10 havia nova descida muito técnica, para o Forte da Baralha e iria ter que abrandar bastante o ritmo aí.
Assim fiz, nessa descida abrandei bastante, e assim que cheguei lá abaixo sabia que a parte mais técnica da prova estava feita, depois era só rolar!! 
Segui em direcção ao Cabo Espichel onde estava o 3º abastecimento, e onde apanhei o Paulo e o Eurico. 
Seguimos juntos aqui pelas arribas em direcção à Praia da Foz na zona do Meco. Ritmo sereno e conversa animada, rapidamente chegámos ao 4º abastecimento. Encher flasks e comer um bocado de melancia e toca a andar!! 

Aqui a prova seguia por estradões e estava a tornar-se um pouco monótona... 
Cerca do k27 para ajudar a acabar com essa monotonia a ligadura que levava no pé esquerdo saiu um pouco do sítio e começou a magoar-me, cada passada era uma dor imensa. Assim que cheguei ao abastecimento ao k30 sentei-me imediatamente e saquei a ligadura fora. Problema resolvido, passei ao seguinte que foi hidratar e comer. A hidratação consistiu em quase uma garrafa de 1l despejada em cima de mim e encher os flasks! Aqui disse ao Paulo para seguir, ee está em grande forma, treinou imenso e era a 1ª Ultra dele. Cada 1 com os seus demónios, amigo não empata amigo e vemo-nos no final!! Eu já começava a antecipar o que aí vinha, começava a sentir os gémeos a acusar o cansaço acumulado das últimas semanas entre treinos puxados e provas, nomeadamente o EGT.
Segui com o Eurico pedreira acima, e depois a descida para Sesimbra onde se nos juntou também o Miguel Marques que estava também a fazer a sua estreia em Ultras,  que nos leva à entrada do trilho que vai para o castelo. Já fiz este trilho várias vezes, mas nunca me custou tanto como desta vez... Cada 1 a seu ritmo lá fomos como podíamos por ali acima, a meio ainda encontrámos o Francisco Monte que estava do lado da organização que vinha em sentido contrário a dar água a quem precisava. Finalmente atingimos o castelo, dirigi-me à pequena fonte que lá está e molhei-me todo. Aproveitei ainda para descansar um pouco, massajar os gémeos, e esticar as pernas. Depois ainda fui abastecer e comer qualquer coisa e segui. Faltavam cerca de 9k para o final, queria era acabar o mais rápido possível. Descida do castelo, atravessamento da estrada nacional e passamos para o lado de lá. Se no ano passado não gostei desta parte da prova, este ano muito menos, talvez tenha de ir ali treinar mais vezes mas não gosto daquele trilho! 
Chegado ao último abastecimento colocado no k38, enchi os flasks e segui rápido. Aqui já ia com muitas dificuldades em correr e mesmo a caminha não estava fácil, as dores nos gémeos estavam insuportáveis... 
Prossegui como consegui, o tempo passava e nunca mais chegava ao topo, ponto de viragem onde iria iniciar a última descida até à meta. Mas quando aí cheguei as coisas pouco mudaram, pois a descer também sentia dificuldades.. Não estava fácil, entrei na última descida em trilho e aqui, já com a meta ali ao fundo voltei a correr apesar das dores. Entro no alcatrão e olho para o relógio: falavam 7 minutos para as 6h de prova. Pensei, caraças tenho de lá chegar abaixo antes das 6h!! Disparei por ali abaixo e 4 minutos depois estava a cortar a meta lol


Já lá estavam o Eurico e o Paulo. Trocámos comprimentos, um grande abraço ao meu amigo Paulo que concluiu a sua 1ª Ultra com muita qualidade, Grande prova amigo!!



Pernas completamente "desfeitas", atirei-me para o chão e assim fiquei durante um bocado. Depois fui tentar comer alguma coisa, mas o abastecimento ali na meta, aquele que teria melhores condições para ser o melhor abastecimento não tinha praticamente NADA para comer.... inadmissível....