terça-feira, 28 de novembro de 2017

5º Trail do Zêzere 70k


Esta era uma daquelas provas que estão na lista de provas a fazer, por isso quando estive a fazer o planeamento de provas para a 2ª metade do ano, esta entrou no 1º momento. Seria o maior objectivo do 2º semestre, seria… se o ano terminasse em Novembro, mas essa é outra história!!
Para esta prova inovei, fiz o que nunca tinha feito e resolvi ir no dia antes e ficar no solo duro. Seria uma novidade dormir num espaço com mais umas dezenas de atletas, mas andava curioso para experimentar e esta foi a oportunidade ideal.
Assim, na 6ª após o trabalho, encontrei-me com o Elvino em Lisboa e seguimos os 2 até Ferreira do Zêzere. Viagem nas calmas e sem percalços, a conversar sobre os assuntos do momento e planos para a próxima época. Chegados a FZZ, ainda pouco movimento junto ao pavilhão, fomos logo levantar os dorsais e depois preparar o lugar para dormir no solo duro. Após um jantar descansado num restaurante ali perto, voltámos para acabar de preparar o material e foi hora de descansar…

 
Despertador tocou pelas 5.30, mas já estava meio acordado. A verdade é que, se a noite até decorreu sem muito barulho, ao acordar houve pessoal que se esqueceu que havia ali mais gente a querer descansar. A mim acabou por não incomodar, mas havia gente que ia para as outras provas e acabou por acordar àquela hora… adiante

Trouxa arrumada no carro e pequeno-almoço tomado, lá seguimos para a partida, com um frio do caraças!! As luvas deixei-as no saco no carro, mas bem que me arrependi… 

Passavam alguns minutos das 7, apos umas breve palavras do Luís Graça, foi dada a partida. Optei por arrancar rápido para tentar aquecer, e depois iria abrandar, e assim foi. Primeiros km em alcatrão a rolar bem, e depois quando entrámos nos trilhos baixei então para o meu ritmo.


O plano para a prova passava por ir com calma a gerir o esforço, sem nunca forçar demasiado; o objectivo era terminar, e o 2º objectivo era terminar!

A paisagem, o mais marcante nesta prova, era à nossa volta desoladora… tudo preto, tudo queimado. Se afastássemos um pouco o olhar, ao largo tínhamos o rio e as nuvens baixas que davam outro ar ao ambiente, mas quando voltávamos a olhar à volta, triste muito triste…

Segui bem até ao 1º abastecimento por volta do k8, onde mesmo ao chegar toca o telefone J eram a Bela e os miúdos a dar o bom dia e a saber como estava! Segui um pouco a caminhar à conversa com eles e depois voltei a correr. Ainda estávamos no início, e ia a sentir-me bem. O percurso era bom, um sobe e desce constante mas dava para manter um bom ritmo. 

Ate que por volta do k20, quando já levávamos vários km a correr pelo meio do queimado, comecei a ter algumas dificuldades a respirar. O cheiro ainda a queimado, o ar saturado estava a causar-me dificuldade em respirar, e com uma sensação de secura constante na garganta, mas por mais que bebesse, e bebi muito, a secura não passava. Pois não, a garganta estava irritada e doía.

Estas dificuldades obrigaram-me a abrandar um pouco. Se tinha de beber mais água entre abastecimentos tinha de me resguardar mais e lá fui seguindo, pelo autêntico serrote castanho que nos ofereceram. 
Paisagens brutais, mas tudo queimado...
Outra das novidades que levei para esta prova, mas que até à última hora esteve em dúvida, foram os bastões; e que escolha acertada que se revelou. Ajudaram a subir, e ajudaram tanto ou mais a descer, servindo de apoio ou travão. 


Por volta do km 43 juntei-me a mais dois companheiros. Isto do trail é fantástico porque nos permite ir a locais fantásticos, mas dá-nos igualmente a oportunidade de conhecer pessoas com quem a sintonia é imediata. Foi assim com o José e o Mário. 
Aqui ainda ia sozinho!
Já tínhamos andado ali no ora avanças tu ora avanço eu, mas a partir deste momento juntámo-nos e foi ate final. Conversa agradável sobre muita coisa, lá fomos progredindo. Chegados ao abastecimento do k50, íamos na expectativa se teríamos algo diferente dos restantes abastecimentos para comer.

E aqui vai a principal crítica (1 de 2) que faço à organização. Se tiveram um trabalho de louvar a erguer uma prova destas numa zona totalmente destruída pelos incêndios, critico o facto de, após 50k a única coisa que disponibilizam diferente no abastecimento é uma taça de canja. Isto é polémico e já houve grandes discussões noutros locais por causa disto, mas porra… nem metade de um pão com qualquer coisa lá no meio??? Andamos há 7 ou 8 horas a meter laranja banana e batata frita misturada com água e isotónico, se calhar era bom ingerir algo mais solido, não??

A outra critica (2 de 2) é, a seguir a este abastecimento, meterem-nos a fazer 7km serra acima, com uma parede brutal a subir e a descer, para voltarmos… adivinhem: ao mesmo abastecimento pois!!! Para quê meus senhores??? Para colocar mais altimetria? Fazer uma prova de 70k em vez de 60? O chamado encher chouriço.

Depois desta 2ª passagem neste abastecimento, já de noite e com o tempo a arrefecer, iniciámos então o regresso a FZZ. Regresso feito nas calmas. O terreno ardido apresentava algumas armadilhas, com buracos e troncos queimados, e aqui já ninguém queria arriscar alguma lesão. A prova estava feita e era só terminá-la, e este regresso foi feito nas calmas, com muita subida e a trotear quando possível. 
Obrigado Mário e José pela companhia
13h02 depois de partir chegámos ao pavilhão, objectivo conseguido J prova terminada sem mazelas. A nível muscular senti-me sempre capaz - trabalho de ginásio a dar frutos - e no dia a seguir fui mesmo para a Serra da Arrábida limpar os pulmões com uma caminhada de cerca de 10k!

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Ultra Trail Costa Vicentina

Esta prova não estava nos planos, mas como ganhei um dorsal onde era possível escolher a distância que queria fazer, lá fui!!

Como podia escolher a distância, e como a prova não estava nos planos, o que iria afectar o planeamento familiar também, só fui depois de falar com a Ana Bela decidi mesmo ir, ou melhor, irmos todos; escolhi a prova de 26k que iria ser feita rapidamente, e o resto do dia ia ser passado em passeio num local que tanto adoramos.

E assim domingo cedinho lá se deu a alvorada aqui em casa. O meu receio era as 3 crianças não acordarem bem dispostas por ser tão cedo, mas felizmente acordaram contentes e tudo correu às mil maravilhas. Pouco antes das 8h saímos de casa e arrancámos em direcção ao Cercal com tempo. O levantamento dos dorsais era feito em Porto Covo, mas pedi à Maria José para me fazer esse favor e assim pude seguir directo para o local da partida.
E assim, depois de uma viagem tranquila em que as meninas aproveitaram para fechar os olhos e o Tomás foi sempre a fazer-me companhia a conversarmos sobre as estradas, os carros, os ninhos de cegonhas que se vêem na nacional e as vaquinhas, e o inevitável assunto, as árvores queimadas; interessante conversa durante a viagem com uma criança de 5 anos :) chegámos ao Cercal cerca das 9:20. 
Depois dos preparativos finais, hora de reunir a equipa OCS ProAventuras presente para a foto da praxe

Pouco faltava para as 10h quando nos dirigimos para a caixa de partida. Posicionei-me na zona da frente, e aguardei calmamente os último minutos antes de soar a buzina com a ordem de partida.

Sendo esta uma prova que se desenrola em estradões e sem dificuldade técnica, eram inúmeros os atletas de estrada presentes, pelo que o ritmo inicial foi logo muito rápido. 
Arranquei e não me entusiasmei a ir atrás de ninguém, e segui ao meu ritmo, ainda assim alto, mas o objectivo que trazia para a prova era mesmo esse: seguir num ritmo alto mas que me mantivesse confortável. Depois do fracasso que foi a Maratona de Lisboa queria ver em que estado estava! 

O percurso em si não tem grande história, é a rota vicentina e praticamente sempre estradão, sem dificuldade técnica alguma. A novidade nesta prova era a presença da Ana Bela e dos miúdos, que fizeram uma festa enorme quando passei de volta no Cercal já com 7k e sabe tão bem tê-los ali tão perto, e novamente ao chegar à Ilha do Pessegueiro os 4 à minha espera <3

E foi daqui até chegar a Porto Covo a maior dificuldade da prova e que, na minha opinião, era evitável: cerca de 3km pela praia e depois pelas falésias e onde era impossível correr. Depois de 22km a correr abaixo de 5'/km aqui o ritmo baixou imenso e "estragou" os tempos finais. Mais do que isso, penso que não acrescentou interesse ao percurso, porque tal como eu, havia mais atletas a reclamar e insatisfeitos com esta opção da organização.

Houve uma altura (enquanto não soube que acabaríamos pela praia!) que tinha a certeza que acabaria a prova com menos de 2h, o que seria brutalíssimo! Ainda assim, acabei com 2h05' o que é brutal na mesma. Admito que fiquei um pouco frustado por, apesar de ter feito uma boa prova, ter ficado apenas em 30º da Geral, mas contente por ter acabado muito bem; um mix de sentimentos!!

Em relação à organização / prova, houve certos pontos do percurso em que a marcação era insuficiente, e os abastecimentos ( eram 2 nos 26k mas não parei em nenhum ) ouvi dizer que eram bons para quem queria manter a linha. Como referi atrás, aquela parte da praia era evitável, e no final os banhos no pavilhão minucipal, numa prova com apoio de vários municípios, foi com água fria; por sorte apanhámos um dia de Verão em finais de Outubro!!

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Rock'n'Roll Maratona de Lisboa 2017

A vida é como um livro feito de capítulos, e em que no final de cada um há um ensinamento a aprender. Neste capítulo da maratona, e apesar de já não ser a 1ª, há várias coisas que tenho que retirar para não se repetirem no futuro...

Tal como no ano passado, andei quase até às últimas a decidir se ia ou não à maratona. Sensivelmente a um mês da prova, comprei um dorsal a uma pessoa que não poderia ir, e vendi-o um par de dias depois (pelo mesmo valor!!) porque soube que a minha empresa ia pagar a inscrição a quem quisesse ir :)

No referente à preparação, no último mês dediquei-me exclusivamente a preparar esta prova: deixei de ir pra serra, e substituí esses treinos por outros longos de estrada. Com o aproximar da data a confiança aumentava, estava a sentir-me bem nos treinos, e com isto estabeleci o objectivo de baixar o tempo do ano passado, das 3.35 para um tempo a rondar as 3.20 / 3.25. Para conseguir isso, a estratégia passava por juntar-me ao grupo da banedira das 3:30 até à zona de Algés e depois, se as pernas o permitissem, descolar para tentar então baixar o tempo.

No domingo, a rotina pré-prova correu sem sobressaltos. Fui com o amigo Gil Caldeira, companheiro de equipa do OCS PROAVENTURAS, deixámos o carro, tal como nos outros anos, na estação de Algés e lá apanhámos o comboio. Chegados a Cascais a caminhada até ao largo do Hipódromo, últimos preparativos e ir para a caixa de partida. Tudo OK e sem sobressantos, a confiança estava em altas!

Dada a partida, este anos 30 minutos mais cedo, arrancámos no meio da multidão inicial juntamente com o grupo das 3:30.

Depois dos metros iniciais o pelotão começou a esticar e a haver espaço, e deu para estabilizar ritmos. E esta é a grande questão e foi, a meu ver, o meu grande problema... Para fazer 3.30, o ritmo deveria ir a rondar os 5'/km; acontece que o pacer ia a colocar ritmos mais elevados entre os 4'40" e 4'50", apenas com alguns abrandamentos esporádicos...

Eu dei conta disto, olhei várias vezes para o relógio e pensei que íamos rápido...
É óbvio que a culpa não foi dele; a estratégia que eu tinha definido poderia (e deveria) tê-la mantido, e continuar eu a rolar a 5' só que... naquele momento, com a adrenalina da prova e a frescura ainda dos km iniciais, deixei-me ir...

Deixei-me ir, ora à frente do grupo ora atrás, devido às várias paragens que tive de fazer para aliviar a bexiga!! E assim foi, até por volta do k30, onde basicamente fez PUM!!
Comecei a ter mais dificuldade em correr, senti os gémeos como nunca os tinha sentido, mesmo em distâncias muito superiores. E a partir daí, resignei-me e vi-me obrigado a baixar o ritmo, e na zona de Algés houve um pedaço onde fui mesmo a alternar a corrida com caminhada. 

Nos kms finais, com o aproximar da meta ganhei algum ânimo e as forças parece que reapareceram, e voltei a correr.só parando quando cortei a meta!





Esta foi das 3, claramente a maratona onde sofri mais para acabar. Identifico alguns erros que cometi e não deveria até porque já não sou inexperiente nestas andanças... O descanso é fundamental, mas nas noites que antecederam a prova, em vez de me deitar cedo arranjava qualquer coisa para fazer e ir pro sofá; no dia anterior, que se requer de repouso, passei a manhã em Monsanto (aqui não me cansei, pelo contrário foi relaxante!) mas depois de sair de lá e um almoço no McDonald's, passei 1:30' na fila para levantar dorsal, em pé e sem hidratar; na prova em si, deixei-me levar pela adrenalina e fui a ritmos superiores áqueles que era suposto para fazer o tempo que ambicionava e para os quais estava preparado...

É com os erros que aprendemos, e vou tentar não esquecer esta experiência para não voltar a cometer os mesmos erros.

Quanto à organização da prova e a todas as críticas que já foram feitas, espera-se mais de uma organização com os anos de experiência como esta. O processo de levantamento de dorsais foi vergonhoso, com filas de horas e tudo apertado nos balcões, sem capacidade de dar resposta a tanta gente. A feira... bem é caso para perguntar: que feita??? Meia dúzia de stands num espaço apertado e meio escuro, enfim.... Eu não tive esse problema, mas não haver camisolas para toda a gente??? Inadmissível sr Móia!! Pelo menos, e no que à maratona diz respeito, não identifiquei falhas graves na organização: bastantes abastecimentos e sem faltar água, e o local da meta excelente; para mim tiraram o que mais detestava nesta prova, que era a junção com a meia-maratona.

Uma nota final para o público: em Cascais havia muita gente na rua, quem apoiava eram os estrangeiros, com destaque para os espanhóis; ao longo da marginal havia algum público: quem apoiava eram os estrangeiros, com destaque para os espanhóis; à chegada ao Cais do Sodré e até à meta, havia muito público: quem apoiava eram os estrangeiros, com destaque para os espanhóis. Há aqui um padrão, não há?? Os portugueses, com excepção daquele pessoal que corre e foi apoiar ou de quem tinha lá familiares/amigos, parece quase que estão num velório. Já que estavam ali, apoiassem quem para quem já vai em esforço ouvir um incentivo dá sempre um ânimo extra.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Seixal Night Run 2017

Não gosto de provas de estrada, o Trail é a "minha praia", mas a Seixal Night Run é diferente!

Foi na Seixal Night Run em 2014 que fiz a minha 1ª prova, é na baía que faço os meus treinos durante a semana, e a baía do Seixal é a mais bela de Portugal :)

Na 6ª feira ao final da tarde fui à Quinta da Fidalga no Seixal - local fantástico, quem não conhece aconselho a visitar - buscar o dorsal. Ia fazer esta prova pela equipa do ginásio, o LH Ginásio que frequento desde o início do ano e me tem ajudado a preparar melhor para as provas, e assim o meu dorsal já estava com o Pedro. Foi chegar e pegar ;)
No sábado depois de jantar lá fui para o Seixal. Carro estacionado, muita animação e fresquinho! Estava a temperatura ideal para correr!
Fui até à banca do ginásio, onde estava a equipa a reunir e por ai ficámos na conversa e a fazer o aquecimento

Equipa LH
Faltavam cerca de 2 minutos para a partida quando fui para o meu lugar. 22.30 soa a partida e arranca-se a todo o gás.

Nos últimos dias andava a sentir cansaço no corpo, e na 5ª feira o treino no ginásio fez mossa, porque na 6ª e mesmo no sábado andava com os músculos um bocado doridos. Mas depois do aquecimento e com a adrenalina da hora da partida a aproximar deixei de sentir qualquer dor!!
Sabia que ia ser difícil, mas ia dar tudo para pelo menos melhorar o meu PBT, e quem sabe, fazer menos de 40´.

Arrancámos em direcção ao Seixal e tentei ir sempre o mais próximo possível do grupo da frente.
Ganhei algumas posições a alguns atletas que arrancaram à frente, e depois segui praticamente sozinho até à subida do centro de saúde e descida para a zona da partida / meta, onde íamos passar para seguir então pela baía.

Aí fui apanhado pela Inês e outro atleta, e assim seguimos até cerca do km 5, onde tive noção que não iria conseguir aguentar aquele ritmo abaixo de 4'/km e deixei a Inês seguir...

Parciais dos primeiros 4 km
A Inês seguiu, e o outro atleta que nos acompanhava ficou um pouco para trás, e assim segui sozinho o resto da prova, algo estranho numa corrida com tantos participantes, tentando manter um ritmo constante e que me permitisse não perder posições.
Parciais depois de ficar sozinho
Junto ao coreto da Amora passa em sentido contrário a frente da corrida, e atrás os restantes, não muitos, atletas. 
Damos a volta na Amora, com o abastecimento de água que estava anunciado ao km4 a ser ao 6 ( ! ) e quando volto à marginal já vem o pelotão em sentido contrário. Como seguia sozinho, sempre dava um ânimo extra o cruzamento com outros atletas e o apoio que alguns davam.
Depois de passar a rotunda a seguir à ponte da fraternidade, tive a noção que fazer menos de 40´ia ser impossível. A baía estava a ser baía, e o vento frontal que tantas vezes apanho nos treinos fazia-se sentir também.. Não interessa, SIGA e vou lutar pelo melhor tempo poss+ivel.

Ao chegar à zona da Quinta da Fidalga, a cerca de 700/800m da meta, sinto outro atleta a aproximar-se. Cerrei dentes e tentei acelerar, o que era mais dificultado pelo vento, mas ia fazer o possível por não ser ultrapassado naqueles metros finais.


E o esforço valeu a pena, e 41'59'' depois estava a cortar a meta, o que me valeu um 18º lugar da Geral :)




Melhorei o tempo aos 10k, um dos objectivos que tinha estabelecido. Fazer menos de 40´é muito complicado, tendo em conta o tipo de treinos que tenho feito e os objectivos que tenho.


Foi um serão muito bem passado, e para o ano estarei novamente presente nesta que é a minha prova de estrada favorita, com a boa novidade de este ano ter sido de 10 km, ao contrário de anos anteriores.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

STE - Sintra Trail X'treme

Sintra não fica longe de minha casa, são cerca de 40k, mas esta foi apenas a 3ª vez que lá corri. A 1ª foi quando fiz a 1ª Ultra, a 2ª em meados de Maio num treino de cerca de 1h pelo trilho das pontes  depois de sair do trabalho, e esta agora, no Sintra Trail X'treme. No entanto fazia uma ideia das dificuldades que íamos apanhar na prova.


Saí de casa cedo, por volta das 6.20. A viagem seria rápida e sem trânsito estacionei perto do secretariado por volta das 6.45. Fui buscar o dorsal, e sem pressas acabei de me preparar para a prova.
Cerca das 7.30 começo a dirigir-me para a zona de partida, que distava cerca de 400m do secretariado, com muita conversa pelo caminho; as caras conhecidas eram mais que muitas, quase toda a gente se conhecia e o ambiente era de amena cavaqueira!

Depois de um breve briefing dado pela organização arrancamos.
Os primeiros 3k seriam a subir em direcção a St Eufemia, pelo que arranquei sem grandes entusiasmos. Calmo e a gerir o ritmo. Aliás era essa a minha estratégia para toda a prova, pois ando a sentir o corpo a pedir algum descanso e o objectivo seria apenas desfrutar destes trilhos.

Foi no entanto num instante que se chegou ao 1º abastecimento, localizado na Quinta Vale Flor. Aí bebi um copo de água, acabei de encher um dos flasks, que agora só iria haver novo abastecimento nos Capuchos, ao k16, e segui. 


Depois deste abastecimento ia ser sempre a descer até à Lagoa Azul, com o percurso a alternar entre estradões e alguns trilhos mais técnicos. Mesmo sendo a descer, tentei sempre não entusiasmar demasiado para não rebentar com as pernas, mas foi rapidamente que cheguei à lagoa. 

Daqui até à Barragem do Rio da Mula foi relativamente fácil, e a partir daqui começou  a1ª grande dificuldade da prova, com a subida ao Monge. Cerca de 300D+ em 3k, que me demoraram 30´a fazer! Fui sempre com uma passada firme a ultrapassei aqui entre 10 a 15 atletas! Chegado lá acima, nova descida técnica, onde perdi algumas posições. Nas subidas e descidas ia alternando de posição com alguns atletas: a subir passava-os eu, a descer passavam por mim parecia que iam a voar!! Continuo com receio nas descidas, demasiado nalgumas situações em que tenho medo de arriscar e fazer nova entorse. Tenho de trabalhar claramente este aspecto, porque condiciona bastante o meu desempenho e resultados em provas. Sugestões aceitam-se!! Pelo contrário a subir sinto-me bastante forte, desde o início do ano que comecei a frequentar o LH Ginásio que sinto imensas melhorias.
E foi assim que cheguei ao k16, abastecimento dos Capuchos. Aqui parei uns minutos para comer e beber, beber muito que estava a apertar o calor. 

Com as energias restabelecias segui, apresentava-se novo segmento de 12k até ao próximo abastecimento aos 28k. 
Mais umas descidas, onde perco algumas posições, depois o estradão paralelo ao trilho das pontes e nova subida, Trilho dos morangos que não conhecia e onde ganhei novamente algumas posições!!

Neste segmento depois da subida do trilho dos morangos segui durante muitos km sem ver atletas, e foi das zonas onde mais me diverti, no Trilho da Pedra Branca. Ligeiramente a descer gostei bastante desta parte :)

E eis que chego novamente à Lagoa azul, e aqui começou a parte mais difícil da prova. A temperatura deveria rondar os 35º, um calor arrasador, e a gestão de líquidos aqui tornou-se importantíssima mas difícil de fazer. Até estava a fazer um tempo simpático até aos 25k, mas depois nesta subida rebentei. A pouca água que tinha fui gerindo entre despejar na nuca e beber. Era difícil correr, e o abastecimento que estava anunciado ser aos 27k nunca mais chegava - chegou aos 28k, e esta é, na minha opinião a única falha que aponto à organização. 1k não é muito em condições normais, mas naquelas condições é bastante...

Quando finalmente cheguei ao abastecimento ia estoirado e seco, e bebi enorme quantidade de água e isotónico e fartei-me de comer também, ia esfomeado! 

Depois de comer e beber bem, fui a uma torneira que lá havia molhar-me. Molhei-me todo autêntico banho tomado, e já com energias repostas e fresco segui caminho. 
Daqui até à meta era um salto, 2 ligeiras subidas e depois sempre a descer até à meta.
Terminei com 4h39', aquela última subida até ao abastecimento estragou por completo qualquer tempo mais simpático que fosse fazer.

Foi uma manhã excelente com trilhos brutais. Tenho claramente que ir para Sintra treinar mais vezes, e treinar a parte psicológica nas descidas.

A organização está claramente de parabéns: trilhos fantásticos, marcações excelentes - enganei-me uma vez mas a culpa foi minha, era a descer e distraí-me!! - e imensos elementos do staff em muitos pontos do percurso. A única coisa que aponto é, como já disse, o facto do último abastecimento distar 1k do anunciado. Sendo a organização constituída por atletas sabem bem que esta situação, principalmente com o calor que se fazia sentir, faz uma enorme diferença.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Trail dos Besouros



Esta prova apareceu sem estar planeada, após um "desafio" feito no Facebook pela Paula, que é de Sepins e nossa grande amiga, praticamente família, para lá ir. Depois de alguma indecisão por causa do planeamento das actividades familiares, lá decidimos que íamos :)



Sabia que ali não há grandes desníveis, e quando a organização colocou a informação no evento do Facebook confirmou a desconfiança que já tinha: iria ser uma prova rápida, com apenas cerca de 400D+ em 21,5k, num traçado sem grande dificuldade técnica.

Chegámos no sábado durante a tarde, e fomos levantar o dorsal ao secretariado, que estava localizado num sítio bastante "peculiar", bem no largo onde se realizavam as festas de São João da aldeia neste fim-de-semana!

Local do secretariado, a Adega!!
Há festa!!!
Levantamento de dorsal sem problemas, e depois foi tempo de aproveitar a festa em família.

Domingo de manhã acordei, preparei-me e saí de casa cerca de 10 minutos antes da hora de partida, pois a distância que me separava era de apenas cerca de 300m. O tempo ameaçava chuva, mas estava quente. 
A caixa de partida estava separada, a parte da frente para a corrida, e atrás para a caminhada. Entrei e posicione-me à frente, pelo menos quando saíssemos não iria ter ninguém à frente, pensava eu....

Depois de um breve briefing por parte da organização é feita uma pequena contagem decrescente e arrancamos. Desconfiava que uma prova com estas características (pouco desnível e sem dificuldade técnica acrescida) fosse propícia a ter atletas mais de estrada e a ritmos elevados, e tal verificou-se. 
Depois de cerca de 2k em que segui no grupo dos primeiros, decidi abrandar antes que a coisa desse para o torto...
Na última semana tinha andado com problemas num ouvido ( pressão negativa, ) e praticamente nem tinha treinado, e ainda não estava a 100%, fazendo ainda alguma confusão ao correr. Outro motivo foi, e este mais grave, ser abalroado e empurrado diversas vezes por elementos de uma equipa que estava a competir com bastantes elementos, claramente mais habituados a provas e ao espírito das provas de estrada, e estavam claramente a fazer trabalho de equipa, a afastar possíveis adversários. O cúmulo, eu ia fazer os 21k, eles os 11!! Não é que eu fosse lutar por qualquer pódio, mas enfim.... as acções ficam com quem as pratica.

E assim decidi seguir num ritmo ao qual estou mais habituado, terminando a prova com uma média de 6'/km. Acabei por fazer o percurso quase todo sempre sozinho, e tendo parado apenas num abastecimento aos 13k para encher os flasks e comer banana e laranja, e despejar um copo de água por cima de mim!!


Aqui levava companhia durante algum tempo!

Estas provas mais pequenas por vezes têm coisas que as provas de outra dimensão não oferecem, ou devido à dimensão das mesmas, ou simplesmente porque estas organizações têm mais brio naquilo que fazem do que certas organizações que procuram mais o proveito financeiro. 
Desde o momento do levantamento de dorsais, como em todos os abastecimentos, e eram muitos!!!, como nos vários pontos onde tínhamos de cruzar estradas e havia sempre alguém da organização foram de uma simpatia e atenção extrema. Mas o mais importante, as marcações: IRREPREENSÍVEIS. Placas, fitas de 5 em 5 metros, e cal no chão com setas ou a balizar, nunca deixaram dúvidas a ninguém durante o percurso. Excelente!!



No final terminei os 21,4k em 2h16', o que me colocou no 16º lugar da Geral, 9º no escalão. 
Foi uma manhã bem passada ;)

Agora é descansar um pouco que no próximo domingo será mais a doer, no Sintra Trail Extreme, 31k com 1600D+

quinta-feira, 22 de junho de 2017

VII Ultra Trail de Sesimbra

Gosto de fazer as provas organizadas pel' O Mundo da Corrida, mas esta edição da prova realizada em Sesimbra desiludiu-me um pouco....


Depois da desistência no UTSM desmoralizei um pouco; os treinos diminuíram, a vontade era pouca, e os treinos que fiz só 1 ou 2 foram de se aproveitar, os outros andei a arrastar. Mas estava decidido a ir fazer esta prova. Terceira participação, 1ª vez na ultra, já que as outras 2 participações foram na prova mais pequena.

Tinha decidido como estratégia para a prova, ir com calma, nunca forçar e não ter pressa em nenhum abastecimento. Evitar olhar para o relógio e preocupar-me com tempos. Tinha mesmo comentado em casa que iam ser 60k para reflectir, tentar aprender a ouvir melhor o meu corpo e se possível, perceber melhor o que tinha acontecido em Portalegre.

Para evitar stresses no dia da prova, no dia anterior fui levantar o dorsal, processo que demorou menos de 5 minutos, e voltei para casa acabar de preparar a mochila!!
No dia 4 levantei-me com tempo, preparei-me e fiz a viagem de cerca de 25 minutos de casa até Sesimbra. Troquei de ténis ( não gosto de conduzir com os ténis de correr!! ) e fui para a zona da partida.

Depois de uns últimos ajustes e trocar umas palavras com algum pessoal conhecido, coloquei-me na zona de partida.

É dada ordem de partida e arranco tal como tinha planeado, sem pressas! Uns metros à frente apanho o Rui Nascimento e seguimos juntos na conversa.
Prova longa, a ser feia com calor e num local que conheço bem, onde tenho a vantagem de saber o que está a frente, seguimos num ritmo calmo. Passamos o Clube Naval, subida da pedreira a alternar trote ligeiro com caminhada, e entramos no trilho para a Ribeira do Cavalo.
Depois da entorse que sofri nos Montes Saloios, em trilhos mais técnicos vou sempre mais retraído e aqui, apesar de conhecer bem o trilho, não foi excepção, pelo que fiquei um pouco para trás do grupo com quem ia. Perdi esse grupo, mas a malta já se começa a conhecer e ainda mais numa prova "em casa", pelo que colei imediatamente ao Luisito Manguinhas e outro pessoal, e assim fizemos a subida do outro lado da Ribeira do Cavalo e até ao 2º abastecimento. No 1º não parei, porque era ainda só ao km4 e apenas de água, e ainda tinha os flasks cheios.
Aí, tal como havia planeado, fiquei com calma a trincar um pedaço de banana, laranja e beber água, enquanto a malta seguiu.
Entretanto chega o Rui e seguimos.

Nesta parte o percurso foi diferente este ano. Entre o 1º e 2º abastecimentos, devíamos seguir pelos trilhos mais abaixo tal como noutros anos, mas o ICNF não permitiu, pelo que me disseram num abastecimento quando falávamos disto. Sinceramente não percebo e não faz para mim qualquer sentido estes entraves que ano após ano colocam à realização de eventos na Serra. A Serra é de todos e todos nós que gostamos dela não devíamos ser privados do seu usufruto. Até porque, pessoas na serra é prevenção gratuita, mas há aqui algo que não entendo....
Como não fomos pelos trilhos, seguimos praticamente por estradões até à Azóia, à entrada do trilho da Chã dos Navegantes, que desce até ao forte da Baralha.
Este trilho tem significado para mim, pois foi das 1ªs caminhadas aqui na serra que fiz com a Ana Bela, numa das nossa aventuras de geocaching.
Forte da Baralha
 Como bom trilho técnico que é, aqui abrandei o ritmo e fui com mais cuidado, ficando sozinho, não faz mal, SIGA!!

Chegado ao forte, voltei a correr pelo trilho, agora era um instante até ao Cabo Espichel. Uns km à frente, depois de falar com a base aqui em casa, onde todos deram os Bons Dias e queriam saber se estava bem, apanho novamente o Rui, na companhia do Luisito. Só que as notícias não eram animadoras... Numa zona fácil, uma queda e ombro deslocado... Bombeiros chamados e a prova estava terminada para o Rui, a poucos dias da grande aventura em Andorra - boa recuperação, estás uma máquina e em Andorra vai correr bem ;).

Sigo com o Luisito até ao abastecimento, onde fiquei a tratar da alimentação e hidratação!! Passados uns 5' segui, sozinho, para a 1ª parte muito chata do percurso. Este segmento até ao próximo abastecimento foi uma seca, muitos trilhos de areia em direcção à praia do Meco e pior de tudo, muito mal marcado. Foram vários os pontos onde houve dúvidas no caminho a seguir, e inclusive no Meco junto ao café seguimos em frente e andámos desorientados à procura do caminho a seguir, quando deveríamos ter virado à direita mais atrás. Isto pessoalmente desanima-me um bocado, mas lá segui até ao abastecimento.
Aqui cheirava bem, havia bifanas quentinhas a sair e minis frescas para quem bebe!! Ora eu não bebo logo fquei-me pela água e isotónico, e as bifanas também não comi porque me lembrei do que tinha acontecido em Portalegre.... Comi do resto que lá havia!!!

Depois de uns minutos por lá, a comer e a conversar, segui caminho. O sol já começava a ficar quente, e aqui praticamente não há sombra... Vou gerindo a água dos flasks, e a que levo na mochila vou despejando sobre a cabeça, e vai resultando!!
Sigo sozinho, entretanto já falei novamente para casa, o que dá ainda mais ânimo! Este segmento até ao abastecimento da pedreira passou rápido, aquela descida ao chegar ao abastecimento é brutal, mas desta vez fi-la com calma, não por ir retraído por causa da entorse, mas porque ia com uma ligeira dor na perna que não me dava muita confiança para arriscar. Uma queda nesta descida, cheia de pedras pontiagudas pode ter consequências...

Depois de mais uma pausa neste abastecimento, segui pedreira acima. Chegado ao topo, é hora de soltar os cavalos estrada abaixo, até começar a subir para o castelo. E que desafio que é esta subida... Aqui começo a apanhar pessoal da caminhada e do trail curto que se vão desvando, e faço curtas pausas nalgumas zonas de sombra e onde correr uma aragem menos quente!! A subida é íngreme e há zonas que subo de mãos no chão, e rapidamente estou lá em cima. Ao lado do abastecimento há uma torneira, e é para lá que me dirijo!! Molho-me todo, cabeça cara braços pernas, encharco o chapéu e só depois me dirijo para a banca do abastecimento!!! Encho os flasks de agua, como e bebo e sigo.
Descer o castelo é fácil, mas depois de atravessar a estrada apanho ali uma zona chata, onde acabo por ter a impressão que vou enganado. Mas não, ia bem e sigo para o abastecimento. Ia com fome, pelo que assim que chegei agarrei-me a umas fatias de presunto, bolos, laranja, banana e coca-cola, qual banquete!!! Estive uns 10 minutos aqui, mas era necessário. Faltavam 15km apenas, mas a 2ª parte muito chata do percurso, pelos estradões do vale do risco. Aqui nesta parte foi onde fui um bocado mais abaixo, e fui alternando a corrida com caminhada. Dava a sensação que a distância para a meta não diminuía, e foi com alguma alegria que cheguei à subida da pedreira. Conheço muito bem esta subida, já a fiz imensas vezes mas a caminhar, nalgumas das mais interessantes aventuras de geocaching ue tive aqui na Serra. Do outro lado da encosta há trilhos fenomenais e praias fantásticas e isoladas, mas a prova não ia por aí. Chegados ao topo seguimos, já começa a cheirar a meta lá em baixo. Viramos em direcção ao triângulo - nunca percebi para que serve aquilo!! - e o abastecimento surge mais à frente. Entretanto já um voluntário tinha vindo ao nosso encontro com garrafas de água, e que bem que souberam!!
Mais uma vez no abastecimento comi e bebi, e só depois segui caminho. Agora ia ser sempre a descer até à meta, e assim foi. Rapidamente cheguei ao alcatrão e acelerei por ali abaixo, passando junto ao parque de estacionamento da prova, descer a escadaria quase a voar e chegar à meta a correr, bem e feliz. Feliz não porque tenha alcançado algum resultado extraordinário, mas porque a estratégia que defini para a prova funcionou a 100%. Acabei bem, sem ter tido qualquer tipo de problemas, e praticamente sem dores. Terminei com 7:31', mas segundo o Strava estive em movimento 6:44', o que dá cerca de 47' parado em abastecimentos!!!



E acabo tal como comecei o artigo: gosto das provas feitas por esta organização, mas este ano o problemas de marcações foi enorme. Arrancar alguém 1 ou 2 horas antes dos atletas pode ser uma solução para verificar e colocar fitas em falta, mas deveriam também rever a localização das mesmas nas mudanças de direcção e considerar colocar marcações ou no chão - fita balizadora - ou placas à altura dos olhos a informar a direcção a tomar. Estou certo que vão fazer por melhorar na próxima edição, e eu estarei lá para confirmar ;)
Outra coisa, que não tem impacto com a prova, mas os atletas gostam, este ano da Ultra, não vi fotos....  Posso ter visto mal, mas nem da chegada encontrei.