sábado, 16 de janeiro de 2016

Trail Centro Vicentino da Serra/Delta Cafés 2016 - Vicentino Abútrico! Violento, Brutal, Épico



Há 1 ano, numa tarde caseira, estava a ver o Desporto 2 e vi uma reportagem acerca do Trail Centro Vicentino da Serra.
Gostei do que vi, e assim que as inscrições para esta edição abriram, tratei de reservar um dorsal para mim. Nos meses que se seguiram, a organização foi aguçando o apetite no Facebook, e a vontade que chegasse o dia crescia a cada post. As previsões de chuva, que se confirmaram na semana antes, também aumentaram a expectativa em relação a esta prova.

Foi portanto com grande entusiasmo que acordei no domingo, pouco depois das 4h da manhã! À hora marcada, estava no local combinado, onde ia ser apanhado pela minha boleia, combinado no dia antes através do Facebook!! Viagem que correu sem sobressaltos, e chegados a Portalegre fomos levantar os dorsais. No ar, a chuva e a humidade, e olhando para a zona envolvente da cidade, mais alta, coberta de nevoeiro, deixava antever que a prova ia ser molhada!

Após o briefing em que fomos avisados do estado da serra e dos perigos que íamos encontrar, deu-se a partida simbólica dentro do pavilhão, em clima de grande festa.



Minutos depois, a partida oficial, e arrancámos em direcção à serra. Arranquei calmo, sem entrar em grandes acelerações; como sempre, nos 1ºs quilómetros tratei de estabilizar a respiração, e segui sempre ao meu ritmo, sem forçar nada.





Ia a divertir-me bastante, por trilhos espectaculares e exemplarmente bem marcados, com lama, muita lama, água, travessias de riachos, mais lama, subidas de gatas e descidas em sku... quando por volta do k17 comecei a sentir uma dor na zona superior do gémeo, na perna esquerda... BOLAAASSSS Pensei que eram câimbras, parei, massajei um pouco e continuei. Mas a dor não passou, e salvo raros momentos em que abrandou, acompanhou-me até ao fim...

No abastecimento do k30 ainda pensei em desistir. Não estava a correr bem, a dor na perna não dava tréguas, e com as várias paragens que ia fazendo para massajar, tinha arrefecido bastante. Estávamos no topo da serra, com chuva e muito frio, estava gelado... Sentei-me um pouco, não consegui comer quase nada - estava um bocado mal disposto de um gel que tinha tentado tomar - e esperei uns minutos a ponderar o que ia fazer...


Na mochila tinha um buff seco, e os manguitos, que normalmente uso, mas desta vez tinham sido substituídos por uma camisola. Coloquei o buff na cabeça, os manguitos por baixo das mangas da camisola, senti-me a aquecer um pouco, e decidi continuar.

Continuei com dificuldades, e a um ritmo muito baixo lá fui avançando, tentando abstrair-me das dores, e divertir-me nos fantásticos trilhos com que éramos brindados. Já disse que estavam espectacularmente bem marcados? E que eram brutais? E que havia lama? E água??

No abastecimento do k37 comi apenas umas batatas fritas, e segui. Aqui começa a única coisa que aponto à organização... Naquela fase da prova, e esta é opinião partilhada também por outros atletas, acho que foram um pouco desnecessárias toas aquelas travessias do rio, com a corrente forte, e sem qualquer tipo de segurança. E havendo, entre algumas dessas travessias de um lado para o outro, trilhos bem definidos ao lado do rio...

Estes últimos km passaram rápido, e foi com algum alívio que cheguei ao pavilhão, onde se encontrava a meta. Objectivo de terminar estava conseguido, se bem que muito depois daquilo que tinha planeado.

Depois de um banho retemperador, finalmente consegui comer alguma coisa, e que bem que soube!


Não tenho ainda muitas provas realizadas, mas de todas em que já participei, esta foi sem dúvida a melhor, em todos os níveis. Trilhos brutais, marcações que não deixavam dúvidas, abastecimentos nos locais exactos, membros do staff ao longo do percurso, meios de socorro, e o mais fantástico, membros da organização "plantados" no meio do rio para auxiliar na passagem. Em todos os locais, extrema simpatia e sempre prontos a ajudar. Excelente mesmo, um exemplo de organização.

Contem comigo, novamente, em 2017!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2015 – O ano da confirmação

2015 termina e é hora de fazer balanço. Considero que foi um ano bastante positivo, uma vez que todos os objectivos a que me propus, com maior ou menor dificuldade, foram cumpridos.

O ano até nem começou bem. Logo em Janeiro, na 1ª prova do Troféu de Atletismo do Seixal, ainda no aquecimento senti uma dor no joelho esquerdo. Ainda fiz a prova, consegui terminá-la mas em mau estado. Depois de muito gelo, Voltaren e descanso, cheguei a 1 de Fevereiro sem grandes dores, e fui fazer os 15k do Trail de Bucelas.

Chega Março, e decido inscrever-me para a Maratona de Lisboa, a realizar a 18 de Outubro. Havia muito tempo, dava para treinar, e ia tentar fazer a prova rainha. Entretanto, vou sendo desafiado para em Julho ir fazer o Ultra trail do Monteda Lua. Como não sou de virar a cara a um bom desafio, aceitei e a 18 de Julho concluo a 1ª Ultra, 52k em 9h!! Estava feita, e o foco voltou a ser a maratona, ainda que com algumas provas de trail pelo meio. Os meses passam, vão-se somando treinos e quilómetros, e chega o dia M!

Objectivo que foi concluído com grande sucesso, orgulho e emoção. A partir daí, o foco voltou a ser o Trail, e entretanto conclui mais 2 ultras. Se em Grândola não correu tão bem como queria, na Ericeira sofri, estive prestes a desistir, mas consegui.

2015, o ano da confirmação. Confirmação que descobri um desporto que me apaixonou, um desporto que me faz sentir bem, feliz.

2016 está a chegar, e é hora de traçar novos objectivos.
A Maratona não sei se a volto a fazer este ano, mas é claramente uma prova que quero voltar a fazer, tudo é diferente de todas as outras provas em que já participei.

Há alguns Trails que quero fazer, pelo local da sua realização, pelos relatos que vou lendo e deixam a boca a salivar. Dia 10 de Janeiro, há já o Trail Centro Vicentino da Serra, que desde que vi no ano passado a reportagem da prova na rtp2 decidi que a queria fazer;  em Março a versão nocturna dos Trilhos do Javali, na “minha” Arrábida,  em Setembro haverá o Grande Taril da Serra D’Arga, do fantástico Carlos Sá; em Outubro, o DuraTrail também na Arrábida.

E em Maio… em Maio será, para já, o grande objectivo do ano: os 100k do Ultra Trail da Serra de São Mamede. Será um desafio como nunca tive nenhum, mas acredito que com dedicação, perseverança, determinação, e muito treino, conseguirei alcançar a meta. Tudo farei para que isso aconteça ;)


Aproveito ainda para desejar a todos que lêem este cantinho, um feliz 2016, e que todos os vossos desejos se realizem.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Ericeira Trail Run 2015 - Será que alguma coisa podia correr pior??




Nos últimos dias não treinei tanto quanto queria.
Nos últimos com os 2 miúdos adoentados, não descansei o que devia.
Apanhei uma constipação na passada 5ª feira..
Na 6ª feira à noite ainda estava na dúvida se preparava as coisas para sábado ou não... mas lá acabei por preparar a mochila, dormir meia dúzia de horas e à hora marcada estar no local combinado com o Paulo para seguirmos para a Ericeira.

A viagem correu sem sobressaltos, e com os dorsais já levantados na Pro Runner, e depois de chegar, fomos para o edifício do secretariado para nos abrigarmos do frio.
Depois de nos equiparmos, voltámos para este edifício, para ouvir o briefing. Ouvir, ou tentar ouvir, porque as pessoas a falar não deixavam ouvir em condições as indicações que nos eram dadas...
O controlo zero, que era suposto haver, não houve.

Perto da hora da partida, que segundo o regulamento seria impreterivelmente às 8, fomos encaminhados para a zona de partida, ladeados por umas barreiras de plástico. No sistema de som só se ouvia o responsável repetir que nos primeiros metros o iríamos acompanhar, e que não o podíamos passar. Após várias repetições desta indicação, só dei conta de começar tudo a correr, sem ouvir qualquer tiro de partida. Sinceramente, não percebi esta partida, e não gostei.

Logo nos primeiros km comecei a sentir algumas dificuldades. O vento que se fazia sentir era bastante, e com o nariz tapado, tinha bastantes dificuldades em respirar. Com o corta-vento vestido sentia calor, e sem ele não conseguia ir, com o frio... Aos 7/8 km lá consegui aguentar sem ele e assim seguir. Nesta altura já me sentia melhor, e cheguei bem ao 2º abastecimento, apesar de cheio de fome. Aqui demorei-me sem me preocupar com o tempo, comi o que achei necessário para ficar sem fome, e depois lá segui.

Passados uns km voltei a sentir dificuldades, e desta vez, por volta do km 30/31, bati no fundo. Senti-me sem forças para continuar, e estava decidido a desistir no abastecimento seguinte, no km 35. Caminhei durante alguns km, sozinho, e a decisão parecia estar tomada, até que tentei voltar a correr, o que consegui, apesar de alguma dificuldade. Adiei a decisão para o abastecimento, e aí descansei comi e bebi, e decidi que ia tentar chegar ao próximo, 8 ou 9 km depois...

Neste segmento consegui correr mais que antes, e chegado ao último abastecimento, a cerca de 8km da meta, não havia motivos para não seguir até ao fim!! Este segmento foi fácil, sempre estradão e a descer até à Ericeira.

7h14m depois da partida, cortei a meta. Custou bastante nalguns momentos, levei em cheio com a marreta, mas consegui terminar. Terminar foi mesmo o mais positivo, porque de resto quase tudo correu mal, Nem o relógio gravou o percurso da prova....

Em relação à prova/organização, sinceramente não gostei. Como já referi, não percebi a partida, acho que durante o percurso poderiam haver mais elementos do staff, não vi nenhum meio de assistência em todo o percurso, e apenas num cruzamento um elemento da GNR, quando passámos vários cruzamentos com trânsito. Falhas muito graves, na minha opinião. Na parte final, a passagem pela praia dos pescadores, também nada vem acrescentar à prova, bem pelo contrário, não percebi a necessidade de nos enviarem pela praia, o que apenas serviu para massacrar na areia e na subida final..

sábado, 14 de novembro de 2015

"Mini" I Ultra Trail Serra de Grândola

"...para os 50k apenas 32 atletas se inscreveram. E desses, 4 não compareceram na linha de partida, pelo que era um pelotão super pequeno que ia enfrentar a Serra de Grândola. Uma "mini" Ultra, portanto!!"


4.30 toca o despertador. Deixo tocar uma segunda vez, passados 5 minutos, e levanto-me. Acordo bem, sem sono, e não quero acordar ninguém em casa. Vou tomar um banho rápido, e visto-me. Toda a roupa, bem como tudo que é para levar, está preparado de véspera no "quarto das visitas". Não há motivos para perder tempo, ou para esquecer alguma coisa. As coisas para o pequeno-almoço também estão preparadas na mesa da cozinha, pelo que é sem sobressaltos que me preparo para sair. Saio de casa satisfeito, tudo está a correr bem, tal como a viagem até Grândola, de cerca de 100km feitos em 45 minutos.
Viagem calminha
Chegado a Grândola, estaciono no parque junto ao Parque de Feiras e Exposições, local onde estava situada a tenda para levantamento de dorsais. Processo decorreu sem problemas, e recebo um saco com dorsal, chip, uma t-shirt e algumas lembranças alusivas ao concelho de Grândola. E uma entrada para a Feira do Chocolate, a decorrer naquele espaço por aqueles dias!!
Volto ao carro e preparo-me. Faltavam cerca de 20 minutos para a hora de partida e dirijo-me para o local, a cerca de 200m, para efectuar aquecimento e o controlo zero.

Quando tive conhecimento desta prova, na altura que foi lançada, confesso que fiquei de pé atrás. 1ª edição, o regulamento apresentava, a meu ver, algumas falhas graves, como por exemplo a indicação de que haveriam apenas 3 abastecimentos, não ter a indicação de haver um prémio para quem terminasse - sim, eu gosto de ficar com uma lembrança! - e o valor pedido pela inscrição, fizeram com que demorasse a me convencer a fazer a inscrição - coisa que fiz apenas no último dia da fase mais barata. Não sei se terá sido por isso, mas para os 50k apenas 32 atletas se inscreveram. E desses, 4 não compareceram na linha de partida, pelo que era um pelotão super pequeno que ia enfrentar a Serra de Grândola. Uma "mini" Ultra, portanto!!

É dada a partida e arrancamos. Até  ao km2 vamos seguir atrás de uma viatura da GNR, altura em que entraremos em terra.
 

Esses 2 km foram feitos a um ritmo a rondar os 4.50, mas depois de entrar na serra, decidi seguir o plano que traço sempre para estas provas, que passa essencialmente por não me entusiasmar demasiado no início, caminhar a passo rápido nas subidas e correr quando é plano e a descer.
E assim foi, depois de estabilizar o ritmo e a respiração, segui descontraído. 

Um dos motivos que ajudava a ir sem preocupações eram as marcações. Nesta prova, estiveram irrepreensíveis, do melhor que já vi. 




A nível de percurso, era quase sempre estradão, Quando não estávamos nos topos dos montes, era bastante agradável correr, pois a tecnicidade era mínima e a envolvência era muito boa, com vegetação verde à nossa volta e um ambiente fresco que sabia bastante bem. 
Como sugestão para a próxima edição, gostava de referir que se calhar houveram demasiadas subidas "forçadas", fora de trilhos e pelo meio da vegetação, apenas a seguir fitas, e nada de single tracks e trilhos técnicos. Um aspecto muito importante na minha opinião, a rever.

Nos últimos tempos, mais precisamente após a Maratona de Lisboa, que não tenho treinado tanto e como devia. Não voltei à serra, porque os fins-de-semana têm sido ocupados; durante a semana e depois de sair do trabalho há coisas para fazer, pelo que tenho saído para treinar pelas 11 da noite.. à vezes sem vontade nenhuma, e com o corpo já só a pedir descanso e uma cama... Por tudo isto, foi sem grande surpresa que entre o km 25 e o 28 comecei a sentir algumas dificuldades. A subir já me custava bastante a avançar, e mesmo em terrenos mais planos ou a descer sentia algumas dores...
Fui seguindo nas calmas, ora sozinho, ora na companhia do amigo Hugo Caldeira, e mais tarde do Luís Matos, que se juntou a nós e assim seguimos até final-
Quase a chegar!!!
Acabámos juntos (quando houver foto adiciono!), porque se nos fomos a apoiar uns aos outros quando já não haviam forças, então não nos íamos separar quando estivéssemos a chegar à meta. São estas pequenas diferenças que fazem a grande diferença entre as provas de estrada e o trail. O cronómetro marcava 7:02:01.

Acabei a prova em piores condições que o Ultra Trail do Monte da Lua ou a maratona, o que serve como um alerta, porque se quero colocar em prática aquilo que trago na cabeça para os próximos tempos, não pode haver tanto relaxamento e os treinos têm de começar a ser mais duros...

Em relação a esta prova, para o ano volto! Depois do cepticismo inicial, tudo me surpreendeu pela positiva. É óbvio que há pontos a melhorar, tais como o percurso ter zonas mais técnicas e menos subidas pelo meio de nada, ou os abastecimentos, que foram os suficientes em qualidade e quantidade, mas, e tal como disse a membros da organização ou na página do evento no Facebook, não faz sentido ter abastecimentos aos 16k e depois só aos 32k, com o seguinte aos 44,5. e a prova a acabar 3km depois!! 
No final, estando a prova integrada na Feira do Chocolate, não dava para colocar a meta junto à entrada ou  mesmo no interior do recinto? Era uma forma de, pelo menos na chegada, haver mais apoio para os atletas.
Estes são pontos que serão de fácil resolução, e a prova terá tudo para se tornar uma referência.
E todo o pessoal da organização, desde o levantamento do dorsal, abastecimentos e no final, super simpático e prestável, 5***** mesmo.

Agora, segue-se dia 19 de Dezembro o Ericeira Trail Run, pelo que se quero que corra melhor, tenho de até lá treinar melhor também...


terça-feira, 20 de outubro de 2015

E agora, o que se segue?

Para já, descansar e recuperar! Ontem tive uma sessão de massagem no Jing, Atelier de Saúde e Bem Estar, que me fez extraordinariamente bem, e nos próximos dias o objectivo passa por recuperar totalmente. Vou amanhã fazer um curto e lento treino junto à baía do Seixal, para ajudar na recuperação ;)

Então e a seguir?
Bem, se até aqui o foco foi a Maratona com incursões pelo Trail, a partir de agora pretendo focar no Trail, fazendo algumas incursões, não muitas, por provas de estrada.

Para já tenho apenas confirmada participação nos 50k+ do Ericeira Trail Run, dia 19 de Dezembro. Estou ainda a ponderar se em Novembro vou ao I Ultra Trail da Serra de Grândola.

Para 2016, nada ainda está confirmado, apesar de estar com algumas ideias para uns desafios. 53k de Arga são um deles!
 Em tempo oportuno darei informações ;)

Rock'n'Roll Maratona de Lisboa 2015

As lágrimas começaram a cair, o objectivo estava prestes a ser cumprido. Na mão a fotografia que me acompanhou em toda a prova, que me fez acreditar que eu conseguia, que me deu forças quando elas acabaram. Olho para o céu e a linha final é transposta. 03:58 depois de ter começado, estava feito, eu estava feliz e tenho a certeza que Ela, onde quer que esteja, estava também feliz por eu ter alcançado o objectivo.
Obrigado por toda a força Mãe…


Pré Maratona

Se à 2 anos me dissessem que um dia ia correr uma maratona – ou uma meia até!! – iria chamar essa pessoa de maluca! Quando à 1 ano participei na mini-maratona e disse que minis nunca mais, não pensava sequer em correr a maratona 1 ano depois. O objectivo seria a meia-maratona, dizia eu…
Contudo, a vida é feita de desafios, e 21k seriam sempre um desafio muito pequeno e fácil de alcançar, por isso decidi no início de Março que iria correr a Maratona de Lisboa! Na altura não foi uma decisão que tomei de ânimo leve, ponderei vários dias, a maratona não é uma prova qualquer, mas acabei por me inscrever. Criei um plano de treinos no site MyAsics, e o foco maior desde essa altura passou a ser a preparação para a maratona, o grande objectivo do ano.
Pelo meio houveram muitas provas, algumas de estrada e outras de trail, a grande paixão, tendo feito inclusive um ultra-trail de 52k em Sintra em Julho - Ultra Trail Monte da Lua (52km) - a Ultra estreia!!
Foram muitas horas de treino e de corrida, focado no objectivo principal. Muitas horas em que se abdica de estar com a família, com os amigos, no sofá em casa a ver televisão ou a dormir. Mas todas essas horas valeram a pena.
O plano de treinos foi sendo cumprido, não à risca, foi sofrendo algumas adaptações pelo meio, consoante as provas que iam surgindo, mas no geral cumpriu-se, com excepção do mês de Agosto, onde os treinos foram mais raros – afinal, férias são férias!!!
E assim aproximou-se a grande velocidade o grande dia.
1 semana antes fiz a 18ª Meia Maratona da Moita, em 01:40:37, que considerei um excelente tempo tendo em conta algumas dificuldades que passei no decorrer da prova, e que me deixou com bastante confiança para o grande dia, confiança a mais!!!


Dia M

As previsões meteorológicas faziam antever um dia de diluvio. O temporal que se abateu sobre a zona de Lisboa no dia antes fechou várias zonas da estrada marginal, com zonas alagadas e arvores caídas. A expectativa era elevada: iriamos correr a maratona ou fazer um duatlo?!


Domingo, 5 da manhã toca o despertador. Não sei precisar se já estava acordado, se acordei com o despertador ou com a chuva a bater na janela e a trovoada…, levantei-me sem problemas – porque não é assim para ir trabalhar??! – tomei pequeno-almoço e um banho para ter a certeza de estava acordado! As coisas estavam todas preparadas de véspera, pelo que não demorei nada a estar pronto a sair.

À hora marcada o Nuno manda um sms, a avisar que estava a minha porta!
Tínhamos combinado ir juntos, tínhamos feito muitos treinos e provas juntos, pelo que o grande dia também ia ser vivido em conjunto!
Havíamos decidido ir de carro até Algés, e apanhar lá o comboio para Cascais, o local da partida. Tudo correu conforme planeado, estacionámos sem problemas junto à estação, apanhámos o 1º comboio, que já ia cheio, e chegámos com bastante tempo a Cascais. Seguimos juntamente com várias centenas de atletas para a zona de partida, onde deu para ainda estarmos à conversa alguns momentos a descomprimir, acabar de preparar, entregar o saco com a muda de roupa nos camiões e ir ao wc!

Cerca das 8.15 dirigimo-nos para a zona de partida, bloco das 3:30 – ambição quanta baste!!!
8:20 e acho que toda a gente entrou em pânico,  pois começou a chover torrencialmente. A sorte foi que durou apenas um par de minutos, pelo que depois do susto pudemos concentrar-nos no que realmente importava – a corrida!
A estratégia era seguirmos num ritmo a rondar os 5km/min, e ir analisando a nossa condição. Abrandar se necessário, acelerar se possível!

Arrancámos eram 8:35, e tentámos seguir ao ritmo planeado. Nem sempre era fácil abrandar para manter os 5km/min, ainda estávamos plenos de energia e excitação, e vários foram os km que fizemos abaixo desse ritmo.
Os km foram passando sem dificuldades, 1º abastecimento ao km5, outro ao 7.5, e outro aos 10km, este o 1º com isotónico.
E aqui… bem, aqui aconteceu mais uma situação que me faz cada vez mais gostar do trail em detrimento da estrada.

Um individuo – chamemos-lhe assim agora, porque na hora chamei-o de todos os nomes possíveis e imaginários – daqueles que quando correm devem ir a olhar apenas para os pés deles próprios, ao aperceber-se que havia abastecimento de isotónico do lado direito, corta a estrada dum lado ao outro, atravessando-se à frente de quem vinha.
Estava eu a aproximar-me da mesa para pegar num copo, quando sou abalroado por ele. Estrada molhada da chuva e do isotónico derramado no chão, escorregadia quando baste, fui ao chão… cotovelo, anca e joelho do lado esquerdo tudo esfolado e em sangue…
Então e ele não parou, podem perguntar vocês! Não, nem ele, nem ninguém, quem vinha atrás, desviavam-se apenas o suficiente para não me pisarem e seguiam apenas, sem mostrar qualquer sinal de preocupação em saber se estava bem ou mal, se seria precisa ajuda!!! Incrível a quantidade de “atletas” que iam a lutar pelo pódio, é só o que posso supor…
Aqui já foi no final, parece menos mal!


Esta situação e as dores inerentes causaram-me desconforto durante os próximos km, sendo que apesar de abrandar, segui até ao final com dores no braço e na anca…
Chateado, bastante irritado lá segui a fazer a minha prova, e passei na meia-maratona com 01:47. Nada mau, é só manter o ritmo até final, pensei eu!!
Só que o pior estava para vir. Depois de passar Belém, uma monotonia abateu-se sobre mim e fui abaixo. Abrandei várias vezes, e houve períodos que os km’s pareciam não passar. Aqui ia sozinho, porque o Nuno tinha ficado mais para trás, vinha com uma dor no pé e fez força para que eu seguisse. E eu segui, ate que fui apanhado por ele no Cais do Sodré, e que bem soube ter novamente companhia!

O Muro… o muro, o martelo, a marreta, bateram-me com força por volta do km 33. Ai tive de ir um bocado a caminhar, não conseguir correr, mas se já tinha ali chegado, depois de tanto esforço, não ia desistir.

Lá seguimos, ora puxando um, ora o outro, dando apoio mutuo, e assim foi até final, onde acabámos com poucos segundos de diferença.

Os metros que antecedem a linha final, quando já nada nos pode impedir de acabar, é um turbilhão de emoções que nunca pensei que pudessem existir.

As lágrimas começaram a cair, o objectivo estava prestes a ser cumprido. Na mão a fotografia que me acompanhou em toda a prova, que me fez acreditar que eu conseguia, que me deu forças quando elas acabaram. Olho para o céu e a linha final é transposta. 03:58 depois de ter começado, estava feito, eu estava feliz e tenho a certeza que Ela, onde quer que esteja, estava também feliz por eu ter alcançado o objectivo. Obrigado por toda a força Mãe…


Tive ainda uma surpresa que não estava à espera, sei que não é fácil cuidar dos 2 miúdos ali no meio de tantas pessoas e com o risco de chover, mas ali estavam eles os 3 a gritar por mim. A Bela, a Madalena e o Tomás. Felizes porque eu estava bem e tinha acabado.
Obrigado por tudo, por todo o apoio durante todos estes meses, toda a força e motivação que me transmitiram. A medalha que recebi também é vossa, Amo-vos mais que tudo.

Obrigado também ao Nuno, companheiro de muitos treinos e de maratona, por todo o apoio durante a prova e por me colocar travão ao início quando a minha vontade era acelerar!! Grande prova mano, esforço e determinação.
Temos de ir buscar a de Sevilha!!

Acabei com 03:58. Os dois objectivos mínimos foram cumpridos, que eram acabar, e fazer menos de 4h. percebo agora que subestimei a maratona, pensei que ia ser mais fácil, mas como diz e bem o Filipe, a maratona é a prova justa, não perdoa ninguém e aqui não dá para descansar nos abastecimentos ou nas descidas.

Hei-de voltar a fazer esta prova, e da próxima terei mais atenção a estes pormenores ;) Ouvi dizer que Sevilha é um bom local para se correr uma Maratona!

É Linda!!!!


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

18ª Meia Maratona da Moita


Esta prova não estava nos planos. Para ser sincero, e apesar de ser aqui perto de casa, tinha passado completamente ao lado, talvez em muito devido ao facto de cada vez mais estas provas de estrada populares me seduzirem menos.
Contudo, o repto lançado pelo CCRAM, o clube pelo qual eu corro, fez com que me inscrevesse na prova. Acabou também por servir como último treino longo, o último teste antes do desafio do próximo domingo, a Maratona de Lisboa.



Deste modo, no domingo pelas 9h e pouco cheguei à Moita. Tinha muito tempo ainda, o suficiente para ir buscar o dorsal que estava com o staff da equipa, e fazer o aquecimento convenientemente. O tempo é que não estava a ajudar nada... Céu escuro, com períodos de chuva forte e vento, e bastante abafado. Estava no carro a preparar as coisas, já decidido a correr apenas com a camisola do clube, quando começou a chover muito e vento forte. Mau... lá decidi a vestir uma camisola de mangas por baixo, escolha que se revelou errada...

Perto das 10.30 dirigi-me para a zona de partida, e logo aqui comecei a arrepender-me de ter vestido a camisola... Ambiente abafado, ainda antes de começar já começava a ter calor. Mais uma vez também o porquê de cada vez menos aderir a estas corridas: os minutos que antecedem a partida são de encontrões e com toda a gente a empurrar para estar o mais à frente possível, mesmo que dado o tiro de partida, arranquem praticamente a caminhar....

Ultrapassada a confusão inicial, avancei em bom ritmo. Esta era a minha 1ª meia-maratona, e apesar de não querer forçar por estar a apenas 1 semana da maratona, tinha o objectivo de fazer menos de 1h45m. 
Os km's foram passando, e a camisola que levava vestida começava a causar problemas. Estava a ficar super abafado, cheio de calor e bastante desconfortável. Houve mesmo uma altura em que pensei que se não fizesse alguma coisa, não conseguia acabar a prova.. Mas tinha também a esperança de quando estivesse a passar na Moita, sensivelmente a meio da prova, que já lá estivesse a Ana Bela e pudesse deixar com ela a camisola.
E assim foi!!! Ao passar na zona da meta, vejo que aquilo que desejava se ia concretizar!! Faço sinal, paro rapidamente junto ao gradeamento que estava a separar o público dos atletas, e tiro as camisolas, para deixar a que tanto desconforto me estava a causar! E a partir daqui parece que começou uma nova prova. 

Anda cá!! Preciso de tirar isto!!!
Mais leve, mais solto, menos abafado, segui muito mais confiante e comecei mesmo a passar alguns atletas que me tinham passado mais atrás! Ia bem agora, e sem abusar mantive sempre um bom ritmo. E assim foi, até ao km 18, onde começou uma não muito inclinada mas extensa subida, que fez o ritmo baixar para os cerca de 5.10km/min. Era a minha fase mais lenta, mas também não valia a pena abusar. O objectivo da 1h45 ia ser alcançado sem problemas, por isso segui calmo, até ao último km, onde começou a descida final até à meta e que permitiu aumentar novamente o ritmo.

Chegada à meta e lá estavam, a Ana Bela, o Tomás e a Madalena, o meu Pai e a Lena. 
Prémios? Mas há melhor que este??

Cortei a meta com o tempo oficial de 01:40:37, na 217ª posição. Objectivo totalmente alcançado, e a prova terminada sem lesões, o que é  mais importante.

Recarregar energias

Agora é descansar, acumular energias, que domingo está à porta e tenho uma maratona para terminar!!!