segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Ericeira Trail Run 2015 - Será que alguma coisa podia correr pior??




Nos últimos dias não treinei tanto quanto queria.
Nos últimos com os 2 miúdos adoentados, não descansei o que devia.
Apanhei uma constipação na passada 5ª feira..
Na 6ª feira à noite ainda estava na dúvida se preparava as coisas para sábado ou não... mas lá acabei por preparar a mochila, dormir meia dúzia de horas e à hora marcada estar no local combinado com o Paulo para seguirmos para a Ericeira.

A viagem correu sem sobressaltos, e com os dorsais já levantados na Pro Runner, e depois de chegar, fomos para o edifício do secretariado para nos abrigarmos do frio.
Depois de nos equiparmos, voltámos para este edifício, para ouvir o briefing. Ouvir, ou tentar ouvir, porque as pessoas a falar não deixavam ouvir em condições as indicações que nos eram dadas...
O controlo zero, que era suposto haver, não houve.

Perto da hora da partida, que segundo o regulamento seria impreterivelmente às 8, fomos encaminhados para a zona de partida, ladeados por umas barreiras de plástico. No sistema de som só se ouvia o responsável repetir que nos primeiros metros o iríamos acompanhar, e que não o podíamos passar. Após várias repetições desta indicação, só dei conta de começar tudo a correr, sem ouvir qualquer tiro de partida. Sinceramente, não percebi esta partida, e não gostei.

Logo nos primeiros km comecei a sentir algumas dificuldades. O vento que se fazia sentir era bastante, e com o nariz tapado, tinha bastantes dificuldades em respirar. Com o corta-vento vestido sentia calor, e sem ele não conseguia ir, com o frio... Aos 7/8 km lá consegui aguentar sem ele e assim seguir. Nesta altura já me sentia melhor, e cheguei bem ao 2º abastecimento, apesar de cheio de fome. Aqui demorei-me sem me preocupar com o tempo, comi o que achei necessário para ficar sem fome, e depois lá segui.

Passados uns km voltei a sentir dificuldades, e desta vez, por volta do km 30/31, bati no fundo. Senti-me sem forças para continuar, e estava decidido a desistir no abastecimento seguinte, no km 35. Caminhei durante alguns km, sozinho, e a decisão parecia estar tomada, até que tentei voltar a correr, o que consegui, apesar de alguma dificuldade. Adiei a decisão para o abastecimento, e aí descansei comi e bebi, e decidi que ia tentar chegar ao próximo, 8 ou 9 km depois...

Neste segmento consegui correr mais que antes, e chegado ao último abastecimento, a cerca de 8km da meta, não havia motivos para não seguir até ao fim!! Este segmento foi fácil, sempre estradão e a descer até à Ericeira.

7h14m depois da partida, cortei a meta. Custou bastante nalguns momentos, levei em cheio com a marreta, mas consegui terminar. Terminar foi mesmo o mais positivo, porque de resto quase tudo correu mal, Nem o relógio gravou o percurso da prova....

Em relação à prova/organização, sinceramente não gostei. Como já referi, não percebi a partida, acho que durante o percurso poderiam haver mais elementos do staff, não vi nenhum meio de assistência em todo o percurso, e apenas num cruzamento um elemento da GNR, quando passámos vários cruzamentos com trânsito. Falhas muito graves, na minha opinião. Na parte final, a passagem pela praia dos pescadores, também nada vem acrescentar à prova, bem pelo contrário, não percebi a necessidade de nos enviarem pela praia, o que apenas serviu para massacrar na areia e na subida final..

sábado, 14 de novembro de 2015

"Mini" I Ultra Trail Serra de Grândola

"...para os 50k apenas 32 atletas se inscreveram. E desses, 4 não compareceram na linha de partida, pelo que era um pelotão super pequeno que ia enfrentar a Serra de Grândola. Uma "mini" Ultra, portanto!!"


4.30 toca o despertador. Deixo tocar uma segunda vez, passados 5 minutos, e levanto-me. Acordo bem, sem sono, e não quero acordar ninguém em casa. Vou tomar um banho rápido, e visto-me. Toda a roupa, bem como tudo que é para levar, está preparado de véspera no "quarto das visitas". Não há motivos para perder tempo, ou para esquecer alguma coisa. As coisas para o pequeno-almoço também estão preparadas na mesa da cozinha, pelo que é sem sobressaltos que me preparo para sair. Saio de casa satisfeito, tudo está a correr bem, tal como a viagem até Grândola, de cerca de 100km feitos em 45 minutos.
Viagem calminha
Chegado a Grândola, estaciono no parque junto ao Parque de Feiras e Exposições, local onde estava situada a tenda para levantamento de dorsais. Processo decorreu sem problemas, e recebo um saco com dorsal, chip, uma t-shirt e algumas lembranças alusivas ao concelho de Grândola. E uma entrada para a Feira do Chocolate, a decorrer naquele espaço por aqueles dias!!
Volto ao carro e preparo-me. Faltavam cerca de 20 minutos para a hora de partida e dirijo-me para o local, a cerca de 200m, para efectuar aquecimento e o controlo zero.

Quando tive conhecimento desta prova, na altura que foi lançada, confesso que fiquei de pé atrás. 1ª edição, o regulamento apresentava, a meu ver, algumas falhas graves, como por exemplo a indicação de que haveriam apenas 3 abastecimentos, não ter a indicação de haver um prémio para quem terminasse - sim, eu gosto de ficar com uma lembrança! - e o valor pedido pela inscrição, fizeram com que demorasse a me convencer a fazer a inscrição - coisa que fiz apenas no último dia da fase mais barata. Não sei se terá sido por isso, mas para os 50k apenas 32 atletas se inscreveram. E desses, 4 não compareceram na linha de partida, pelo que era um pelotão super pequeno que ia enfrentar a Serra de Grândola. Uma "mini" Ultra, portanto!!

É dada a partida e arrancamos. Até  ao km2 vamos seguir atrás de uma viatura da GNR, altura em que entraremos em terra.
 

Esses 2 km foram feitos a um ritmo a rondar os 4.50, mas depois de entrar na serra, decidi seguir o plano que traço sempre para estas provas, que passa essencialmente por não me entusiasmar demasiado no início, caminhar a passo rápido nas subidas e correr quando é plano e a descer.
E assim foi, depois de estabilizar o ritmo e a respiração, segui descontraído. 

Um dos motivos que ajudava a ir sem preocupações eram as marcações. Nesta prova, estiveram irrepreensíveis, do melhor que já vi. 




A nível de percurso, era quase sempre estradão, Quando não estávamos nos topos dos montes, era bastante agradável correr, pois a tecnicidade era mínima e a envolvência era muito boa, com vegetação verde à nossa volta e um ambiente fresco que sabia bastante bem. 
Como sugestão para a próxima edição, gostava de referir que se calhar houveram demasiadas subidas "forçadas", fora de trilhos e pelo meio da vegetação, apenas a seguir fitas, e nada de single tracks e trilhos técnicos. Um aspecto muito importante na minha opinião, a rever.

Nos últimos tempos, mais precisamente após a Maratona de Lisboa, que não tenho treinado tanto e como devia. Não voltei à serra, porque os fins-de-semana têm sido ocupados; durante a semana e depois de sair do trabalho há coisas para fazer, pelo que tenho saído para treinar pelas 11 da noite.. à vezes sem vontade nenhuma, e com o corpo já só a pedir descanso e uma cama... Por tudo isto, foi sem grande surpresa que entre o km 25 e o 28 comecei a sentir algumas dificuldades. A subir já me custava bastante a avançar, e mesmo em terrenos mais planos ou a descer sentia algumas dores...
Fui seguindo nas calmas, ora sozinho, ora na companhia do amigo Hugo Caldeira, e mais tarde do Luís Matos, que se juntou a nós e assim seguimos até final-
Quase a chegar!!!
Acabámos juntos (quando houver foto adiciono!), porque se nos fomos a apoiar uns aos outros quando já não haviam forças, então não nos íamos separar quando estivéssemos a chegar à meta. São estas pequenas diferenças que fazem a grande diferença entre as provas de estrada e o trail. O cronómetro marcava 7:02:01.

Acabei a prova em piores condições que o Ultra Trail do Monte da Lua ou a maratona, o que serve como um alerta, porque se quero colocar em prática aquilo que trago na cabeça para os próximos tempos, não pode haver tanto relaxamento e os treinos têm de começar a ser mais duros...

Em relação a esta prova, para o ano volto! Depois do cepticismo inicial, tudo me surpreendeu pela positiva. É óbvio que há pontos a melhorar, tais como o percurso ter zonas mais técnicas e menos subidas pelo meio de nada, ou os abastecimentos, que foram os suficientes em qualidade e quantidade, mas, e tal como disse a membros da organização ou na página do evento no Facebook, não faz sentido ter abastecimentos aos 16k e depois só aos 32k, com o seguinte aos 44,5. e a prova a acabar 3km depois!! 
No final, estando a prova integrada na Feira do Chocolate, não dava para colocar a meta junto à entrada ou  mesmo no interior do recinto? Era uma forma de, pelo menos na chegada, haver mais apoio para os atletas.
Estes são pontos que serão de fácil resolução, e a prova terá tudo para se tornar uma referência.
E todo o pessoal da organização, desde o levantamento do dorsal, abastecimentos e no final, super simpático e prestável, 5***** mesmo.

Agora, segue-se dia 19 de Dezembro o Ericeira Trail Run, pelo que se quero que corra melhor, tenho de até lá treinar melhor também...


terça-feira, 20 de outubro de 2015

E agora, o que se segue?

Para já, descansar e recuperar! Ontem tive uma sessão de massagem no Jing, Atelier de Saúde e Bem Estar, que me fez extraordinariamente bem, e nos próximos dias o objectivo passa por recuperar totalmente. Vou amanhã fazer um curto e lento treino junto à baía do Seixal, para ajudar na recuperação ;)

Então e a seguir?
Bem, se até aqui o foco foi a Maratona com incursões pelo Trail, a partir de agora pretendo focar no Trail, fazendo algumas incursões, não muitas, por provas de estrada.

Para já tenho apenas confirmada participação nos 50k+ do Ericeira Trail Run, dia 19 de Dezembro. Estou ainda a ponderar se em Novembro vou ao I Ultra Trail da Serra de Grândola.

Para 2016, nada ainda está confirmado, apesar de estar com algumas ideias para uns desafios. 53k de Arga são um deles!
 Em tempo oportuno darei informações ;)

Rock'n'Roll Maratona de Lisboa 2015

As lágrimas começaram a cair, o objectivo estava prestes a ser cumprido. Na mão a fotografia que me acompanhou em toda a prova, que me fez acreditar que eu conseguia, que me deu forças quando elas acabaram. Olho para o céu e a linha final é transposta. 03:58 depois de ter começado, estava feito, eu estava feliz e tenho a certeza que Ela, onde quer que esteja, estava também feliz por eu ter alcançado o objectivo.
Obrigado por toda a força Mãe…


Pré Maratona

Se à 2 anos me dissessem que um dia ia correr uma maratona – ou uma meia até!! – iria chamar essa pessoa de maluca! Quando à 1 ano participei na mini-maratona e disse que minis nunca mais, não pensava sequer em correr a maratona 1 ano depois. O objectivo seria a meia-maratona, dizia eu…
Contudo, a vida é feita de desafios, e 21k seriam sempre um desafio muito pequeno e fácil de alcançar, por isso decidi no início de Março que iria correr a Maratona de Lisboa! Na altura não foi uma decisão que tomei de ânimo leve, ponderei vários dias, a maratona não é uma prova qualquer, mas acabei por me inscrever. Criei um plano de treinos no site MyAsics, e o foco maior desde essa altura passou a ser a preparação para a maratona, o grande objectivo do ano.
Pelo meio houveram muitas provas, algumas de estrada e outras de trail, a grande paixão, tendo feito inclusive um ultra-trail de 52k em Sintra em Julho - Ultra Trail Monte da Lua (52km) - a Ultra estreia!!
Foram muitas horas de treino e de corrida, focado no objectivo principal. Muitas horas em que se abdica de estar com a família, com os amigos, no sofá em casa a ver televisão ou a dormir. Mas todas essas horas valeram a pena.
O plano de treinos foi sendo cumprido, não à risca, foi sofrendo algumas adaptações pelo meio, consoante as provas que iam surgindo, mas no geral cumpriu-se, com excepção do mês de Agosto, onde os treinos foram mais raros – afinal, férias são férias!!!
E assim aproximou-se a grande velocidade o grande dia.
1 semana antes fiz a 18ª Meia Maratona da Moita, em 01:40:37, que considerei um excelente tempo tendo em conta algumas dificuldades que passei no decorrer da prova, e que me deixou com bastante confiança para o grande dia, confiança a mais!!!


Dia M

As previsões meteorológicas faziam antever um dia de diluvio. O temporal que se abateu sobre a zona de Lisboa no dia antes fechou várias zonas da estrada marginal, com zonas alagadas e arvores caídas. A expectativa era elevada: iriamos correr a maratona ou fazer um duatlo?!


Domingo, 5 da manhã toca o despertador. Não sei precisar se já estava acordado, se acordei com o despertador ou com a chuva a bater na janela e a trovoada…, levantei-me sem problemas – porque não é assim para ir trabalhar??! – tomei pequeno-almoço e um banho para ter a certeza de estava acordado! As coisas estavam todas preparadas de véspera, pelo que não demorei nada a estar pronto a sair.

À hora marcada o Nuno manda um sms, a avisar que estava a minha porta!
Tínhamos combinado ir juntos, tínhamos feito muitos treinos e provas juntos, pelo que o grande dia também ia ser vivido em conjunto!
Havíamos decidido ir de carro até Algés, e apanhar lá o comboio para Cascais, o local da partida. Tudo correu conforme planeado, estacionámos sem problemas junto à estação, apanhámos o 1º comboio, que já ia cheio, e chegámos com bastante tempo a Cascais. Seguimos juntamente com várias centenas de atletas para a zona de partida, onde deu para ainda estarmos à conversa alguns momentos a descomprimir, acabar de preparar, entregar o saco com a muda de roupa nos camiões e ir ao wc!

Cerca das 8.15 dirigimo-nos para a zona de partida, bloco das 3:30 – ambição quanta baste!!!
8:20 e acho que toda a gente entrou em pânico,  pois começou a chover torrencialmente. A sorte foi que durou apenas um par de minutos, pelo que depois do susto pudemos concentrar-nos no que realmente importava – a corrida!
A estratégia era seguirmos num ritmo a rondar os 5km/min, e ir analisando a nossa condição. Abrandar se necessário, acelerar se possível!

Arrancámos eram 8:35, e tentámos seguir ao ritmo planeado. Nem sempre era fácil abrandar para manter os 5km/min, ainda estávamos plenos de energia e excitação, e vários foram os km que fizemos abaixo desse ritmo.
Os km foram passando sem dificuldades, 1º abastecimento ao km5, outro ao 7.5, e outro aos 10km, este o 1º com isotónico.
E aqui… bem, aqui aconteceu mais uma situação que me faz cada vez mais gostar do trail em detrimento da estrada.

Um individuo – chamemos-lhe assim agora, porque na hora chamei-o de todos os nomes possíveis e imaginários – daqueles que quando correm devem ir a olhar apenas para os pés deles próprios, ao aperceber-se que havia abastecimento de isotónico do lado direito, corta a estrada dum lado ao outro, atravessando-se à frente de quem vinha.
Estava eu a aproximar-me da mesa para pegar num copo, quando sou abalroado por ele. Estrada molhada da chuva e do isotónico derramado no chão, escorregadia quando baste, fui ao chão… cotovelo, anca e joelho do lado esquerdo tudo esfolado e em sangue…
Então e ele não parou, podem perguntar vocês! Não, nem ele, nem ninguém, quem vinha atrás, desviavam-se apenas o suficiente para não me pisarem e seguiam apenas, sem mostrar qualquer sinal de preocupação em saber se estava bem ou mal, se seria precisa ajuda!!! Incrível a quantidade de “atletas” que iam a lutar pelo pódio, é só o que posso supor…
Aqui já foi no final, parece menos mal!


Esta situação e as dores inerentes causaram-me desconforto durante os próximos km, sendo que apesar de abrandar, segui até ao final com dores no braço e na anca…
Chateado, bastante irritado lá segui a fazer a minha prova, e passei na meia-maratona com 01:47. Nada mau, é só manter o ritmo até final, pensei eu!!
Só que o pior estava para vir. Depois de passar Belém, uma monotonia abateu-se sobre mim e fui abaixo. Abrandei várias vezes, e houve períodos que os km’s pareciam não passar. Aqui ia sozinho, porque o Nuno tinha ficado mais para trás, vinha com uma dor no pé e fez força para que eu seguisse. E eu segui, ate que fui apanhado por ele no Cais do Sodré, e que bem soube ter novamente companhia!

O Muro… o muro, o martelo, a marreta, bateram-me com força por volta do km 33. Ai tive de ir um bocado a caminhar, não conseguir correr, mas se já tinha ali chegado, depois de tanto esforço, não ia desistir.

Lá seguimos, ora puxando um, ora o outro, dando apoio mutuo, e assim foi até final, onde acabámos com poucos segundos de diferença.

Os metros que antecedem a linha final, quando já nada nos pode impedir de acabar, é um turbilhão de emoções que nunca pensei que pudessem existir.

As lágrimas começaram a cair, o objectivo estava prestes a ser cumprido. Na mão a fotografia que me acompanhou em toda a prova, que me fez acreditar que eu conseguia, que me deu forças quando elas acabaram. Olho para o céu e a linha final é transposta. 03:58 depois de ter começado, estava feito, eu estava feliz e tenho a certeza que Ela, onde quer que esteja, estava também feliz por eu ter alcançado o objectivo. Obrigado por toda a força Mãe…


Tive ainda uma surpresa que não estava à espera, sei que não é fácil cuidar dos 2 miúdos ali no meio de tantas pessoas e com o risco de chover, mas ali estavam eles os 3 a gritar por mim. A Bela, a Madalena e o Tomás. Felizes porque eu estava bem e tinha acabado.
Obrigado por tudo, por todo o apoio durante todos estes meses, toda a força e motivação que me transmitiram. A medalha que recebi também é vossa, Amo-vos mais que tudo.

Obrigado também ao Nuno, companheiro de muitos treinos e de maratona, por todo o apoio durante a prova e por me colocar travão ao início quando a minha vontade era acelerar!! Grande prova mano, esforço e determinação.
Temos de ir buscar a de Sevilha!!

Acabei com 03:58. Os dois objectivos mínimos foram cumpridos, que eram acabar, e fazer menos de 4h. percebo agora que subestimei a maratona, pensei que ia ser mais fácil, mas como diz e bem o Filipe, a maratona é a prova justa, não perdoa ninguém e aqui não dá para descansar nos abastecimentos ou nas descidas.

Hei-de voltar a fazer esta prova, e da próxima terei mais atenção a estes pormenores ;) Ouvi dizer que Sevilha é um bom local para se correr uma Maratona!

É Linda!!!!


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

18ª Meia Maratona da Moita


Esta prova não estava nos planos. Para ser sincero, e apesar de ser aqui perto de casa, tinha passado completamente ao lado, talvez em muito devido ao facto de cada vez mais estas provas de estrada populares me seduzirem menos.
Contudo, o repto lançado pelo CCRAM, o clube pelo qual eu corro, fez com que me inscrevesse na prova. Acabou também por servir como último treino longo, o último teste antes do desafio do próximo domingo, a Maratona de Lisboa.



Deste modo, no domingo pelas 9h e pouco cheguei à Moita. Tinha muito tempo ainda, o suficiente para ir buscar o dorsal que estava com o staff da equipa, e fazer o aquecimento convenientemente. O tempo é que não estava a ajudar nada... Céu escuro, com períodos de chuva forte e vento, e bastante abafado. Estava no carro a preparar as coisas, já decidido a correr apenas com a camisola do clube, quando começou a chover muito e vento forte. Mau... lá decidi a vestir uma camisola de mangas por baixo, escolha que se revelou errada...

Perto das 10.30 dirigi-me para a zona de partida, e logo aqui comecei a arrepender-me de ter vestido a camisola... Ambiente abafado, ainda antes de começar já começava a ter calor. Mais uma vez também o porquê de cada vez menos aderir a estas corridas: os minutos que antecedem a partida são de encontrões e com toda a gente a empurrar para estar o mais à frente possível, mesmo que dado o tiro de partida, arranquem praticamente a caminhar....

Ultrapassada a confusão inicial, avancei em bom ritmo. Esta era a minha 1ª meia-maratona, e apesar de não querer forçar por estar a apenas 1 semana da maratona, tinha o objectivo de fazer menos de 1h45m. 
Os km's foram passando, e a camisola que levava vestida começava a causar problemas. Estava a ficar super abafado, cheio de calor e bastante desconfortável. Houve mesmo uma altura em que pensei que se não fizesse alguma coisa, não conseguia acabar a prova.. Mas tinha também a esperança de quando estivesse a passar na Moita, sensivelmente a meio da prova, que já lá estivesse a Ana Bela e pudesse deixar com ela a camisola.
E assim foi!!! Ao passar na zona da meta, vejo que aquilo que desejava se ia concretizar!! Faço sinal, paro rapidamente junto ao gradeamento que estava a separar o público dos atletas, e tiro as camisolas, para deixar a que tanto desconforto me estava a causar! E a partir daqui parece que começou uma nova prova. 

Anda cá!! Preciso de tirar isto!!!
Mais leve, mais solto, menos abafado, segui muito mais confiante e comecei mesmo a passar alguns atletas que me tinham passado mais atrás! Ia bem agora, e sem abusar mantive sempre um bom ritmo. E assim foi, até ao km 18, onde começou uma não muito inclinada mas extensa subida, que fez o ritmo baixar para os cerca de 5.10km/min. Era a minha fase mais lenta, mas também não valia a pena abusar. O objectivo da 1h45 ia ser alcançado sem problemas, por isso segui calmo, até ao último km, onde começou a descida final até à meta e que permitiu aumentar novamente o ritmo.

Chegada à meta e lá estavam, a Ana Bela, o Tomás e a Madalena, o meu Pai e a Lena. 
Prémios? Mas há melhor que este??

Cortei a meta com o tempo oficial de 01:40:37, na 217ª posição. Objectivo totalmente alcançado, e a prova terminada sem lesões, o que é  mais importante.

Recarregar energias

Agora é descansar, acumular energias, que domingo está à porta e tenho uma maratona para terminar!!!

terça-feira, 29 de setembro de 2015

I Trail da Quinta do Pinhão



...Todas as dores passaram, uma alegria imensa invadiu-me por tê-los ali à minha espera, e foi num estado de euforia que fiz os últimos metros com o Tomás ao meu lado, e cortámos juntos a linha de chegada. Foi uma sensação espectacular, melhor que receber qualquer medalha ou subir ao pódio...


Há mais de 2 meses, desde 19 de Julho no Monte da Lua, que não participava numa prova. Pelo meio, esteve o mês de Agosto, mês de férias e menos treinos. 
No início de Setembro voltei à carga, aos treinos regulares e aos fins-de-semana treinos na Arrábida. Tudo corria bem na preparação deste Trail, englobada na preparação para a Maratona de Lisboa, até que na semana passada fui atingido por uma constipação. Fiz um treino no domingo, na 2ª levei em força com ela, na 4ª feira ainda tentei correr um pouco, mas o melhor que consegui foram 4km e pouco, e na 6ª feira lá me forcei a conseguir fazer um treino maior, e com mais intensidade... Foi por isso ainda a recuperar e sem grandes expectativas que iniciei esta prova.

Sendo perto, saí de casa apenas 1 hora antes da partida. Tempo mais que suficiente para chegar à Quinta do Pinhão, estacionar, ir levantar o dorsal, voltar ao carro para mudar de calçado e colocar a mochila, e fazer um pequeno aquecimento. Tudo decorreu sem problemas, e ainda deu para estar um pouco à conversa com o grande Nelson Diogo!

Dada a partida, entusiasmei-me e ainda acompanhei o grupo da frente no 1º km, mas depois decidi acalmar, estabilizar a respiração e o ritmo, pois haviam ainda muitos km pela frente, e muita areia...

A areia... Apesar de morar ali perto, nunca fui correr para a Apostiça (local por onde passou a prova), não fazendo por isso ideia que ali já havia tanta areia... As arribas da praia eu conhecia e sabia o que me esperava, não contava era com o antes, e o depois!!

Os km's foram passando a um ritmo aceitável, e quando passei no abastecimento dos 16km, fiquei confiante que conseguiria fazer um bom tempo no que restava da prova e acabar com menos de 3h30m!! Que parvinho... A partir daí é que veio o sofrimento. Primeiro as arribas, onde fui correndo, mas sentindo cada vez mais dificuldades na areia fina, mas onde estourei foi na chegada à Lagoa de Albufeira, onde os caminhos eram só areia e mais areia, e por mais que tentasse não conseguia muito mais que caminhar... O sol começava a aquecer, e durante cerca de 4km segui a caminhar, a pensar que iria ser assim até final...

Mais à frente o caminho volta a ser terra dura, e volto a correr. Corria a um ritmo devagar, mas corria!! Seguia-se agora por uns estradões, sem grande interesse, monótonos, onde o que apenas distraía era fugir da areia mais mole...

Aos 30km, um telefonema da Ana Bela, a perguntar como eu estava e a dizer que estava com os miúdos à minha espera na meta. Este foi o tónico que precisava e durante 1 ou 2 km a motivação superou o cansaço e a areia, mas depois voltei a ser vencido. Cada metro em areia mais fina custava bastante a avançar, olhava para o relógio e a distância para a meta não diminuía... 

Com um enorme alívio, cheguei finalmente à Quinta do Pinhão. Um pouco antes de chegar liguei à Ana Bela a dizer que estava perto, e ao chegar estavam os 3 à minha espera, o Tomás a vir ter ao meu encontro. 
Todas as dores passaram, uma alegria imensa invadiu-me por tê-los ali à minha espera, e foi num estado de euforia que fiz os últimos metros com o Tomás ao meu lado, e cortámos juntos a linha de chegada. Foi uma sensação espectacular, melhor que receber qualquer medalha ou subir ao pódio...

Cortada a meta, uma garrafa de água e um pequeno abastecimento à nossa espera...

Já li muitas críticas à organização. Devo dizer que para 1ª edição, não se podia pedir muito mais. Os abastecimentos foram qb, as marcações estavam irrepreensíveis, apenas num ponto onde ia mais distraído tive dúvidas no caminho a seguir. 




terça-feira, 21 de julho de 2015

Ultra Trail Monte da Lua (52km) - a Ultra estreia!!


O planeado era fazer a 1ª Ultra apenas em 2016, mas aqui e ali fui sendo desafiado, sentia-me bem nos treinos e nas provas, e não resisti!!!


Ao longo dos últimos meses os treinos e as provas foram correndo bem, mas no entanto ia tentando manter-me fiel ao inicialmente planeado. Em 2015 a Maratona de Lisboa, e em 2016 fazia a minha 1ª Ultra. Só que... Aqui e ali fui sendo desafiado, sentia-me bem, e inscrevi-me; na prova dos K20+!!!  
Só que o bichinho continuou, e a 3 minutos da data limite para alterar, enviei o email!:


Estava feito! Já não havia volta a dar, agora era enfrentar o desafio e aguentar o empeno!!!


Cheguei à Praia das Maçãs cedo, mas talvez pela ansiedade, tive de ir por 2 vezes à casa-de-banho!! Eram 8.15 quando finalmente consegui ir ter com o Filipe e o Eduardo.
A tentar estar calmo, momentos antes da partida
Passavam uns minutos das 8.30 quando foi dada a partida, começava a aventura!! Algum engarrafamento inicial para passar o ribeiro sem ir pela água, e depois arrancar trilho acima, mas sempre com o pessoal muito junto.
Depois de passar o "ribeiro"

Km's iniciais por trilhos bastante corríveis, mas nalgumas zonas com falhas de marcações - ao que parece terão sido roubadas as fitas. É de lamentar haver quem tenha prazer em estragar o trabalho dos outros... 
Graças ao microclima característico de Sintra, ao km 5 já levava a camisola encharcada em suor... Contudo, tal não era incomodo de maior, e diverti-me imenso a correr pelos trilhos e estradões até chegar ao 1º abastecimento de sólidos, antes de entrar na Quinta da Regaleira. Este abastecimento apareceu mesmo na hora certa, pois já estava esfomeado, e demorei-me um pouco a comer de tudo!!
Estava a sentir-me mesmo muito bem, não tinha sentido qualquer dificuldade, e em 2 horas e meia tinha feito 20km. Nada mau, e pensava mesmo que ia conseguir manter o mesmo ritmo!!
Na excelente companhia do Filipe
AHHHHHH, menino ingénuo!!! 
A prova estava agora a começar! Depois do parque das merendas, a 1ª grande subida até ao castelo, com muitas escadas (cheirinho a MIUT!!), rochas húmidas e um nevoeiro baixo que dava um ar fantástico. Apesar da dificuldade, estava a adorar, a desfrutar de cada momento da minha 1ª Ultra! 
Chegado lá acima, iniciou-se a descida para a Lagoa Azul. Sem apresentar grandes dificuldades, trilhos muito bons para correr e estradões, dava para correr bem.

Só que... o pior estava para vir!! Neste abastecimento perguntei a quantos km's era o próximo, e disseram-me que seria a 7 ou 8 km. Pois, a verdade é que esses km foram afinal cerca de 12, e os mais duros de toda a prova. Foi neste segmento, com as subidas do Monge e à Peninha, que me fartei de praguejar, chamar de nomes aos trilhos, ao sol, perguntar o que andava ali a fazer... Senti imensas dificuldades, a subir era complicado avançar, a descer custava a correr porque os pés batiam à frente nos ténis... O sol apertava, os líquidos começavam a escassear, e o abastecimento que nunca mais aparecia... Se até ao 1º abastecimento de sólidos se viam sorrisos na cara dos atletas, neste momento já toda a gente ia a protestar!
Na subida para a Peninha, qual oásis no deserto, uma fonte com água super fresquinha, que soube mesmo muito bem!! Deu para encher os bidons, refrescar os braços, as pernas e deitar um bocado de água pela cabeça abaixo!!

Uns metros acima o abastecimento, onde estive uns bons minutos a repor energias. Estava com fome, esgotado e precisava mesmo de descansar um pouco.
A seguir arranquei por uns trilhos agradáveis para correr, dentro do possível porque já não conseguia correr muito, até chegar às arribas, as famosas!
Já as conhecia bem, de várias caminhadas que já por ali fiz, pelo que sabia bem o que me esperava. Iniciei a 1ª descida com confiança, e cheguei bem lá abaixo, mas depois ao subir... já não tinha força nas pernas! Tive de parar umas quantas vezes para descansar, e no 2º par de descida/subida, o cenário repetiu-se: descer sem dificuldade, subir com a língua de fora!!

Depois do Cabo da Roca, não sabia bem o que me esperava, e foi já em bastante sofrimento que fiz esta parte. Já praticamente não conseguia correr, levava as pernas super massacradas, e só suspirava pela meta. Os km's finais foram um sacrifício enorme, e a subida na praia da Adraga, em areia só veio complicar ainda mais... 

Ainda tivemos direito a correr pela Praia Grande - como se fosse coisa boa!! - cheia de gente, mas onde aproveitei para refrescar os pés na água do mar!!
Foi com um alívio enorme que, ao fim de 9:07:00 vi a meta! Aqui ganhei finalmente novo animo, e consegui correr os metros finais!

52,6km depois cortava a meta, e tornava real o grande objectivo de completar a 1ª Ultra!!
Finisher!!
Sou ULTRA!!!
9:08:18, 73º lugar, tendo em conta que era a 1ª Ultra, e que pelo que foram dizendo este ano era mais difícil que no ano passado, considero que tive uma boa prestação, apesar de inicialmente ter a expectativa de fazer a prova em menos tempo.

Adorei, recomendo e para o ano lá estarei novamente!!

Agora é recuperar deste empeno, e começar a procurar no mercado uma alternativa aos Kalenji XT4 que, com apenas 220km feitos, já apresentam buraco na parte superior...