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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Trail Abrantes 100


Sexta-feira, meio da manhã; acordei com as vias respiratórias completamente entupidas, cheio de dores de cabeça e a vomitar...  Andei a semana toda a escapar à vaga de constipações que andava lá por casa, e no dia em que tinha de estar mesmo bem, levei com ela toda em cima. Mal me conseguia mexer, mal me aguentava em pé, comer nem pensar... 12h antes do início da prova o meu pensamento era não ir. A Ana Bela envia uma mensagem ao Paulo, com quem eu tinha tudo combinado para ir, a avisar que não estava bem e a pensar em não ir, mas ficamos de dizer alguma coisa mais tarde. Entretanto, tanto ela como os miúdos, principalmente o Tomás, vão dando força e incentivando para animar e ir. Vou tomar um banho, visto-me e aos poucos começo-me a sentir melhor, e mando esta mensagem ao Paulo:
A muito custo consegui comer um bocado de arroz e um pedaço pequeno de carne, fui à farmácia comprar Antigripine, coloquei as coisas no carro e arranquei em direcção a casa do Paulo. O espírito já era outro neste momento
A viagem até Azeitão foi rápida e calma, coloquei tudo no carro do Paulo e arrancámos: os Paulos e as Anas, as dele que a minha ficou por cá :)

Viagem até Abrantes nas calmas e na conversa, com muito nevoeiro e uma paragem em Ponte de Sor para jantar bem. 9 e tal da noite chegámos a Abrantes, fomos levantar dorsais e assistir à tertúlia; conversa interessante durante pouco mais de hora e meia.



De seguida aproveitar as boas instalações disponíveis para equipar abrigado do frio e da chuva molha tolos que caía, e por fim concentrar para a grande jornada que teria pela frente.


Bem dispostos, nada nos assustava!!







Concentrado enquanto ouvia o briefing, momentos antes da partida
Pela 01h da manhã é dada a partida.


Caía um orvalho, nem sei se chegava a poder ser considerado molha tolos! A temperatura, contrariamente ao que temia, estava bestial para correr. 
Arrancámos nas calmas.
O Paulo vinha de lesão e tinha poucos treinos para esta prova, pelo que o combinado era irmos sempre juntos, mas ele comandava; se se sentisse bem corríamos e se sentisse algum tipo de dor/cansaço abrandávamos; não forçar a subir e correr no plano e descidas. Plano simples portanto!!

E a verdade é que fomos indo sem grande dificuldade sempre num ritmo confortável para os dois em que nos permitia ir a conversar. Rapidamente passámos pelo 1º abastecimento ao km9 mas não parámos e seguimos directos para o abastecimento aos 16k. Por esta altura já nos tínhamos apercebido que a maior dificuldade que iríamos ter era o nevoeiro nalgumas zonas: com o foco do frontal chegávamos a ver pouco mais de um par de metros por vezes. Nalguns locais, principalmente bifurcações (e esta acho que é a única crítica que faço à organização) as marcações estavam fracas, com poucos refletores e as fitas brancas não se viam.
Chegámos ao 2º abastecimento na aldeia de Sentieras, e a animação no local do abastecimento era brutal. Brutal era também a mesa que ali tínhamos à nossa disposição, cheia de comida, e a simpatia das muitas pessoas que ali estavam que prontamente se ofereceram para nos ajudar e tirar fotos connosco!!! Depois de reabastecidos lá seguimos, e à saída do abastecimento, tal como nos seguintes, era brutal o choque térmico que levávamos: à saída ficávamos gelados levando alguns minutos até recuperar a temperatura.

O próximo abastecimento era em Casais Revelhos ao km25 e lá fomos nós sempre a manter o plano. Uma vez mais ao chegar ao abastecimento, a animação era enorme, e a comida nas mesas também!! Tratámos de abastecer e comer com calma, e arrancámos para mais um segmento, este de apenas 6km até Casal das Mansas. Neste segmento senti algumas dificuldades: não me apetecia correr, só queria poder encostar-me e dormir!! Ia cheio de sono e o Paulo só perguntava se me podia bater para ver se acordava!!! Lá me fui arrastando até ao abastecimento e aqui chegado perguntei à simpática senhora que lá estava se havia café. A resposta foi negativa, já tinha acabado, mas rapidamente fizeram mais e me deu uma caneca de café, acabadinho de fazer, nham nham :P O Paulo estava a apressar-me, mas eu só queria beber o meu cafezinho!! Lá lhe fiz a vontade e me despachei o possível, e seguimos para as Mouriscas, dali a 6k apenas. 

Entre abastecimentos não há muito que contar, o percurso era agradável, pouco técnico e muito corrível, e a noite estava bestial para correr, ninguém diria que estávamos em Dezembro!!

Quando chegámos ao abastecimento estava cheio de fome. Sentei-me e enchi-me de batata frita e 2 sandes de presunto. Fiquei satisfeito, abasteci os flasks e arrancámos. Este seria o último abastecimento de noite, o próximo era aos 50k na Concavada, a base de vida. 
E chegámos lá, contrariamente a todas as previsões do Paulo que falava em estarmos lá entre as 9 e as 12h, eram cerca das 8.10 da manhã!! Estávamos bem, muito bem. Eu ia a sentir-me espectacular, já tinha falado para casa com a Bela e os miúdos, estava tudo a correr às mil maravilhas que até parecia mentira!! 
Neste abastecimento tínhamos planeado fazer uma paragem prolongada, e arrancar por volta das 9 da manhã. Aproveitámos para mudar de roupa e comer. Comi bastante mesmo, cheguei aqui esfomeado e aproveitei para comer descansado e recuperar energias. Aqui tivemos também pela 1ª vez a companhia das Anas do Paulo, que nos ajudaram a trazer comida, a encher flasks, a relembrar-me para tomar o antigripine... um sem fim de coisas mas que numa prova destas por mais pequenina que seja a ajuda faz imensa diferença.

Saímos retemperados e cheios de confiança. Metade estava feito, a metade que considerávamos mais difícil por ser de noite, por causa do nevoeiro, do sono, erc.

Com o passar dos km e a perspectiva de fazer um bom tempo, nesta altura apontávamos para algo à volta das 15h, a confiança ia em altas e seguíamos bastante animados. 
Rapidamente chegámos ao abastecimento seguinte, aos 58k na Central do Pego, comemos qualquer coisa e seguimos. O próximo era aos 67e lá chegados contámos novamente com a ajuda das Anas, e só tivemos de comer e descansar. Uma das pessoas que lá estava também nos diz que estamos muito bem classificados, pelo 30º lugar, e saímos cheios de ânimo para mais um segmento de 8k, até às Arreciadas.

Ao chegar ao abastecimento, foto da Ana Ribeiro Alves
Cheguei a este abastecimento novamente cheio de fome!! Comi novamente bastante, quando não havia sandes de presunto as senhoras iam fazer mais!! 
Saímos novamente cheios de confiança e com um até já, pois o próximo abastecimento era dali a apenas 5k.

E foi depois deste abastecimento dos 80k, não sei ao certo quanto km depois, que deixei de conseguir correr. A dor já vinha a aparecer há alguns km, mas com 80k nas pernas é normal ter dores!! Pensei que fossem cãimbras, e fui seguindo, mas as dificuldades para correr foram aumentando. 
E aqui toda a prova foi por água abaixo.... As perspectivas de lutar por ganhar mais alguns lugares na classificação, fazer um bom tempo, terminaram por aqui. Ainda disse ao Paulo para ele seguir, eu não ia desistir mas já não conseguia correr... Ele não me abandonou, e assim fomos em modo caminhada até ao Tramagal, aos 93k.

À chegada ao Tramagal, foto da Ana Ribeiro Alves

Chegada ao Tramagal, adoro esta foto!
Neste abastecimento ainda tinha alguma esperança que fossem câimbras o que sentia, e tomei uns comprimidos de magnésio e comi banana, mas nunca chegou a fazer efeito, o mal era outro....
E lá seguimos resignados, eu a lutar contra as dores e o Paulo sem nunca me abandonar. 
Estes últimos km, não até aos 100 como "prometido" mas 104.5 que marcou no meu relógio (estreei aqui o meu novo Suunto Spartan Ultra, espectacular!!), foram uma guerra enorme, mas já tinha decidido que iria terminar custasse o que custasse...
O percurso junto ao rio até era capaz de ser agradável, mas eu não tinha vontade nenhuma de olhar pro lado... só queria chegar à ponte para atravessar para a outra margem, mas a porra da ponte nunca mais chegava... Quando por fim chegou, já de noite, faltava "só" mais um bocadinho, que era voltar para trás um par de km num trilho junto ao rio, mas com bastante pedra solta e alguns declives. Louvo a paciência que o Paulo aqui teve comigo, obrigado amigo...
Por fim, apanhamos a última rampa, e chegados lá acima o Paulo avança e diz estas palavras que não esqueço: "Este momento é teu, lutaste para o conseguir, espero por ti ali na meta. Não chores!!".
Mas chorei. Liguei para casa a dizer que estava feito, que estava a chegar ao estádio; desliguei o telefone, olhei para o céu e ofereci esta prova a Ela que nunca me abandona, a minha Mãe. Chorei, gritei, descarreguei tudo enquanto percorria os metros iniciais no tartan da pista. 
Na meta já via o Paulo, as Anas e alguns elementos do staff a puxar por mim e a bater palmas. Sem conseguir, tentei fazer alguma coisa parecida com corrida nos últimos metros, e terminar a prova com alguma dignidade!!









Não tenho ainda palavras para agradecer ao Paulo, à Ana e à Ana por tudo... Toda a atenção, a ajuda, o carinho e paciência que tiveram para comigo, sem vocês acho que não tinha terminado a prova. Mais uma vez, obrigado :)

Quanto à prova/organização, já mencionei acima a questão das marcações que, nomeadamente nalgumas bifurcações deveria ser reforçada. Quanto ao resto, e enquanto pude desfrutar, adorei o percurso, estava a ser a prova perfeita. E os abastecimentos.... bem, estes abastecimentos foram simplesmente os melhores que já apanhei. E a simpatia dos voluntários, sempre prontos a ajudar, sempre a apoiar, TOP TOP

Um ponto negativo, para mim: a medalha finisher não gostei. Admiro o atleta que está retratado na medalha, mas um bocado de plástico com uma fotografia de um atleta penso que não seja a melhor opção. Porque não com o castelo de Abrantes???

Como disse, gostei da prova, e conto voltar para melhorar este tempo ;)

terça-feira, 28 de novembro de 2017

5º Trail do Zêzere 70k


Esta era uma daquelas provas que estão na lista de provas a fazer, por isso quando estive a fazer o planeamento de provas para a 2ª metade do ano, esta entrou no 1º momento. Seria o maior objectivo do 2º semestre, seria… se o ano terminasse em Novembro, mas essa é outra história!!
Para esta prova inovei, fiz o que nunca tinha feito e resolvi ir no dia antes e ficar no solo duro. Seria uma novidade dormir num espaço com mais umas dezenas de atletas, mas andava curioso para experimentar e esta foi a oportunidade ideal.
Assim, na 6ª após o trabalho, encontrei-me com o Elvino em Lisboa e seguimos os 2 até Ferreira do Zêzere. Viagem nas calmas e sem percalços, a conversar sobre os assuntos do momento e planos para a próxima época. Chegados a FZZ, ainda pouco movimento junto ao pavilhão, fomos logo levantar os dorsais e depois preparar o lugar para dormir no solo duro. Após um jantar descansado num restaurante ali perto, voltámos para acabar de preparar o material e foi hora de descansar…

 
Despertador tocou pelas 5.30, mas já estava meio acordado. A verdade é que, se a noite até decorreu sem muito barulho, ao acordar houve pessoal que se esqueceu que havia ali mais gente a querer descansar. A mim acabou por não incomodar, mas havia gente que ia para as outras provas e acabou por acordar àquela hora… adiante

Trouxa arrumada no carro e pequeno-almoço tomado, lá seguimos para a partida, com um frio do caraças!! As luvas deixei-as no saco no carro, mas bem que me arrependi… 

Passavam alguns minutos das 7, apos umas breve palavras do Luís Graça, foi dada a partida. Optei por arrancar rápido para tentar aquecer, e depois iria abrandar, e assim foi. Primeiros km em alcatrão a rolar bem, e depois quando entrámos nos trilhos baixei então para o meu ritmo.


O plano para a prova passava por ir com calma a gerir o esforço, sem nunca forçar demasiado; o objectivo era terminar, e o 2º objectivo era terminar!

A paisagem, o mais marcante nesta prova, era à nossa volta desoladora… tudo preto, tudo queimado. Se afastássemos um pouco o olhar, ao largo tínhamos o rio e as nuvens baixas que davam outro ar ao ambiente, mas quando voltávamos a olhar à volta, triste muito triste…

Segui bem até ao 1º abastecimento por volta do k8, onde mesmo ao chegar toca o telefone J eram a Bela e os miúdos a dar o bom dia e a saber como estava! Segui um pouco a caminhar à conversa com eles e depois voltei a correr. Ainda estávamos no início, e ia a sentir-me bem. O percurso era bom, um sobe e desce constante mas dava para manter um bom ritmo. 

Ate que por volta do k20, quando já levávamos vários km a correr pelo meio do queimado, comecei a ter algumas dificuldades a respirar. O cheiro ainda a queimado, o ar saturado estava a causar-me dificuldade em respirar, e com uma sensação de secura constante na garganta, mas por mais que bebesse, e bebi muito, a secura não passava. Pois não, a garganta estava irritada e doía.

Estas dificuldades obrigaram-me a abrandar um pouco. Se tinha de beber mais água entre abastecimentos tinha de me resguardar mais e lá fui seguindo, pelo autêntico serrote castanho que nos ofereceram. 
Paisagens brutais, mas tudo queimado...
Outra das novidades que levei para esta prova, mas que até à última hora esteve em dúvida, foram os bastões; e que escolha acertada que se revelou. Ajudaram a subir, e ajudaram tanto ou mais a descer, servindo de apoio ou travão. 


Por volta do km 43 juntei-me a mais dois companheiros. Isto do trail é fantástico porque nos permite ir a locais fantásticos, mas dá-nos igualmente a oportunidade de conhecer pessoas com quem a sintonia é imediata. Foi assim com o José e o Mário. 
Aqui ainda ia sozinho!
Já tínhamos andado ali no ora avanças tu ora avanço eu, mas a partir deste momento juntámo-nos e foi ate final. Conversa agradável sobre muita coisa, lá fomos progredindo. Chegados ao abastecimento do k50, íamos na expectativa se teríamos algo diferente dos restantes abastecimentos para comer.

E aqui vai a principal crítica (1 de 2) que faço à organização. Se tiveram um trabalho de louvar a erguer uma prova destas numa zona totalmente destruída pelos incêndios, critico o facto de, após 50k a única coisa que disponibilizam diferente no abastecimento é uma taça de canja. Isto é polémico e já houve grandes discussões noutros locais por causa disto, mas porra… nem metade de um pão com qualquer coisa lá no meio??? Andamos há 7 ou 8 horas a meter laranja banana e batata frita misturada com água e isotónico, se calhar era bom ingerir algo mais solido, não??

A outra critica (2 de 2) é, a seguir a este abastecimento, meterem-nos a fazer 7km serra acima, com uma parede brutal a subir e a descer, para voltarmos… adivinhem: ao mesmo abastecimento pois!!! Para quê meus senhores??? Para colocar mais altimetria? Fazer uma prova de 70k em vez de 60? O chamado encher chouriço.

Depois desta 2ª passagem neste abastecimento, já de noite e com o tempo a arrefecer, iniciámos então o regresso a FZZ. Regresso feito nas calmas. O terreno ardido apresentava algumas armadilhas, com buracos e troncos queimados, e aqui já ninguém queria arriscar alguma lesão. A prova estava feita e era só terminá-la, e este regresso foi feito nas calmas, com muita subida e a trotear quando possível. 
Obrigado Mário e José pela companhia
13h02 depois de partir chegámos ao pavilhão, objectivo conseguido J prova terminada sem mazelas. A nível muscular senti-me sempre capaz - trabalho de ginásio a dar frutos - e no dia a seguir fui mesmo para a Serra da Arrábida limpar os pulmões com uma caminhada de cerca de 10k!

quinta-feira, 22 de junho de 2017

VII Ultra Trail de Sesimbra

Gosto de fazer as provas organizadas pel' O Mundo da Corrida, mas esta edição da prova realizada em Sesimbra desiludiu-me um pouco....


Depois da desistência no UTSM desmoralizei um pouco; os treinos diminuíram, a vontade era pouca, e os treinos que fiz só 1 ou 2 foram de se aproveitar, os outros andei a arrastar. Mas estava decidido a ir fazer esta prova. Terceira participação, 1ª vez na ultra, já que as outras 2 participações foram na prova mais pequena.

Tinha decidido como estratégia para a prova, ir com calma, nunca forçar e não ter pressa em nenhum abastecimento. Evitar olhar para o relógio e preocupar-me com tempos. Tinha mesmo comentado em casa que iam ser 60k para reflectir, tentar aprender a ouvir melhor o meu corpo e se possível, perceber melhor o que tinha acontecido em Portalegre.

Para evitar stresses no dia da prova, no dia anterior fui levantar o dorsal, processo que demorou menos de 5 minutos, e voltei para casa acabar de preparar a mochila!!
No dia 4 levantei-me com tempo, preparei-me e fiz a viagem de cerca de 25 minutos de casa até Sesimbra. Troquei de ténis ( não gosto de conduzir com os ténis de correr!! ) e fui para a zona da partida.

Depois de uns últimos ajustes e trocar umas palavras com algum pessoal conhecido, coloquei-me na zona de partida.

É dada ordem de partida e arranco tal como tinha planeado, sem pressas! Uns metros à frente apanho o Rui Nascimento e seguimos juntos na conversa.
Prova longa, a ser feia com calor e num local que conheço bem, onde tenho a vantagem de saber o que está a frente, seguimos num ritmo calmo. Passamos o Clube Naval, subida da pedreira a alternar trote ligeiro com caminhada, e entramos no trilho para a Ribeira do Cavalo.
Depois da entorse que sofri nos Montes Saloios, em trilhos mais técnicos vou sempre mais retraído e aqui, apesar de conhecer bem o trilho, não foi excepção, pelo que fiquei um pouco para trás do grupo com quem ia. Perdi esse grupo, mas a malta já se começa a conhecer e ainda mais numa prova "em casa", pelo que colei imediatamente ao Luisito Manguinhas e outro pessoal, e assim fizemos a subida do outro lado da Ribeira do Cavalo e até ao 2º abastecimento. No 1º não parei, porque era ainda só ao km4 e apenas de água, e ainda tinha os flasks cheios.
Aí, tal como havia planeado, fiquei com calma a trincar um pedaço de banana, laranja e beber água, enquanto a malta seguiu.
Entretanto chega o Rui e seguimos.

Nesta parte o percurso foi diferente este ano. Entre o 1º e 2º abastecimentos, devíamos seguir pelos trilhos mais abaixo tal como noutros anos, mas o ICNF não permitiu, pelo que me disseram num abastecimento quando falávamos disto. Sinceramente não percebo e não faz para mim qualquer sentido estes entraves que ano após ano colocam à realização de eventos na Serra. A Serra é de todos e todos nós que gostamos dela não devíamos ser privados do seu usufruto. Até porque, pessoas na serra é prevenção gratuita, mas há aqui algo que não entendo....
Como não fomos pelos trilhos, seguimos praticamente por estradões até à Azóia, à entrada do trilho da Chã dos Navegantes, que desce até ao forte da Baralha.
Este trilho tem significado para mim, pois foi das 1ªs caminhadas aqui na serra que fiz com a Ana Bela, numa das nossa aventuras de geocaching.
Forte da Baralha
 Como bom trilho técnico que é, aqui abrandei o ritmo e fui com mais cuidado, ficando sozinho, não faz mal, SIGA!!

Chegado ao forte, voltei a correr pelo trilho, agora era um instante até ao Cabo Espichel. Uns km à frente, depois de falar com a base aqui em casa, onde todos deram os Bons Dias e queriam saber se estava bem, apanho novamente o Rui, na companhia do Luisito. Só que as notícias não eram animadoras... Numa zona fácil, uma queda e ombro deslocado... Bombeiros chamados e a prova estava terminada para o Rui, a poucos dias da grande aventura em Andorra - boa recuperação, estás uma máquina e em Andorra vai correr bem ;).

Sigo com o Luisito até ao abastecimento, onde fiquei a tratar da alimentação e hidratação!! Passados uns 5' segui, sozinho, para a 1ª parte muito chata do percurso. Este segmento até ao próximo abastecimento foi uma seca, muitos trilhos de areia em direcção à praia do Meco e pior de tudo, muito mal marcado. Foram vários os pontos onde houve dúvidas no caminho a seguir, e inclusive no Meco junto ao café seguimos em frente e andámos desorientados à procura do caminho a seguir, quando deveríamos ter virado à direita mais atrás. Isto pessoalmente desanima-me um bocado, mas lá segui até ao abastecimento.
Aqui cheirava bem, havia bifanas quentinhas a sair e minis frescas para quem bebe!! Ora eu não bebo logo fquei-me pela água e isotónico, e as bifanas também não comi porque me lembrei do que tinha acontecido em Portalegre.... Comi do resto que lá havia!!!

Depois de uns minutos por lá, a comer e a conversar, segui caminho. O sol já começava a ficar quente, e aqui praticamente não há sombra... Vou gerindo a água dos flasks, e a que levo na mochila vou despejando sobre a cabeça, e vai resultando!!
Sigo sozinho, entretanto já falei novamente para casa, o que dá ainda mais ânimo! Este segmento até ao abastecimento da pedreira passou rápido, aquela descida ao chegar ao abastecimento é brutal, mas desta vez fi-la com calma, não por ir retraído por causa da entorse, mas porque ia com uma ligeira dor na perna que não me dava muita confiança para arriscar. Uma queda nesta descida, cheia de pedras pontiagudas pode ter consequências...

Depois de mais uma pausa neste abastecimento, segui pedreira acima. Chegado ao topo, é hora de soltar os cavalos estrada abaixo, até começar a subir para o castelo. E que desafio que é esta subida... Aqui começo a apanhar pessoal da caminhada e do trail curto que se vão desvando, e faço curtas pausas nalgumas zonas de sombra e onde correr uma aragem menos quente!! A subida é íngreme e há zonas que subo de mãos no chão, e rapidamente estou lá em cima. Ao lado do abastecimento há uma torneira, e é para lá que me dirijo!! Molho-me todo, cabeça cara braços pernas, encharco o chapéu e só depois me dirijo para a banca do abastecimento!!! Encho os flasks de agua, como e bebo e sigo.
Descer o castelo é fácil, mas depois de atravessar a estrada apanho ali uma zona chata, onde acabo por ter a impressão que vou enganado. Mas não, ia bem e sigo para o abastecimento. Ia com fome, pelo que assim que chegei agarrei-me a umas fatias de presunto, bolos, laranja, banana e coca-cola, qual banquete!!! Estive uns 10 minutos aqui, mas era necessário. Faltavam 15km apenas, mas a 2ª parte muito chata do percurso, pelos estradões do vale do risco. Aqui nesta parte foi onde fui um bocado mais abaixo, e fui alternando a corrida com caminhada. Dava a sensação que a distância para a meta não diminuía, e foi com alguma alegria que cheguei à subida da pedreira. Conheço muito bem esta subida, já a fiz imensas vezes mas a caminhar, nalgumas das mais interessantes aventuras de geocaching ue tive aqui na Serra. Do outro lado da encosta há trilhos fenomenais e praias fantásticas e isoladas, mas a prova não ia por aí. Chegados ao topo seguimos, já começa a cheirar a meta lá em baixo. Viramos em direcção ao triângulo - nunca percebi para que serve aquilo!! - e o abastecimento surge mais à frente. Entretanto já um voluntário tinha vindo ao nosso encontro com garrafas de água, e que bem que souberam!!
Mais uma vez no abastecimento comi e bebi, e só depois segui caminho. Agora ia ser sempre a descer até à meta, e assim foi. Rapidamente cheguei ao alcatrão e acelerei por ali abaixo, passando junto ao parque de estacionamento da prova, descer a escadaria quase a voar e chegar à meta a correr, bem e feliz. Feliz não porque tenha alcançado algum resultado extraordinário, mas porque a estratégia que defini para a prova funcionou a 100%. Acabei bem, sem ter tido qualquer tipo de problemas, e praticamente sem dores. Terminei com 7:31', mas segundo o Strava estive em movimento 6:44', o que dá cerca de 47' parado em abastecimentos!!!



E acabo tal como comecei o artigo: gosto das provas feitas por esta organização, mas este ano o problemas de marcações foi enorme. Arrancar alguém 1 ou 2 horas antes dos atletas pode ser uma solução para verificar e colocar fitas em falta, mas deveriam também rever a localização das mesmas nas mudanças de direcção e considerar colocar marcações ou no chão - fita balizadora - ou placas à altura dos olhos a informar a direcção a tomar. Estou certo que vão fazer por melhorar na próxima edição, e eu estarei lá para confirmar ;)
Outra coisa, que não tem impacto com a prova, mas os atletas gostam, este ano da Ultra, não vi fotos....  Posso ter visto mal, mas nem da chegada encontrei.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Grande Trail Serra D'Arga

A propósito de um post que fiz no Facebook, dizia o meu primo Henrique: "Estás em casa." 
E era verdade, estava em casa.
O Grande Trail da Serra D’Arga não era apenas uma prova organizada pelo Carlos Sá, mas sim um regresso às origens. A minha avó materna é de um concelho vizinho, e a minha Mãe também. Esta não era apenas mais uma prova de superação, mas sim uma prova com uma enorme carga emocional. Enquanto percorria os trilhos da serra, não tao bela como outrora devido ao flagelo dos incêndios, passava pelo meio das aldeias com o seu cheiro característico, sentia o cheiro dos animais, as ruas empedradas estreitas e com a marca da passagem do gado, os pequenos muros a demarcar os terrenos, tudo isto me transportava para os meus tempos de menino, em que no Verão, no Natal ou na Pascoa íamos passar as ferias, como dizia na altura, ao Minho. Alturas houveram em que me revia a caminhar por ali com os meus pais, a saltitar de pedra em pedra, enquanto íamos a caminho da casa de algum familiar. Lembro-me que na altura não gostava do chão estar tão sujo, desta vez adorei reviver essa memoria.
As ruas que percorria em menino não eram aquelas de Dem, de Arga de São João ou da Montaria, mas eram iguais, numa aldeia ali ao lado…


São 6:50 da manhã, tenho tudo arrumado e sento-me a comer o pequeno-almoço a que estou habituado: umas sandes mistas (2 porque o pão era pequenino e um sumo natural).  E aqui tenho o 1º sinal que as coisas poderiam não vir a correr como eu esperava; o pequeno-almoço não me caiu bem, comi a custo uma sandes, e a outra nem lhe toquei… tentei ignorar, e seguimos para Dem.
Viagem rápida, e aqui respira-se trail por todo o lado. O tempo está encoberto, à nossa frente a serra que havemos de seguir logo ao início. 


Dirijo-me para a zona de partida, com passagem rápida pelo controle zero. Cumprimento umas caras conhecidas, e ouvimos o sino a dar as badaladas. Tenho ainda um historial de grandes corridas pequeno e esta será a mais mítica de todas em que participei. A atmosfera é brutal, o nervoso miudinho apodera-se e arrancamos. Ao passar o pórtico ligo o cronómetro. Começou o tão aguardado Grande Trail Serra D’Arga!!


A prova começa com a já conhecida volta a Dem, para esticar o pelotão, e dai segue para a serra. Tento não me entusiasmar e gerir o ritmo, pois a prova é longa. Correr a descer e a direito, trote sempre que possível a subir, e quando não conseguir ir a caminhar mas tentar manter um ritmo constante. 
Ao km4
Consigo ir a seguir o planeado e a prova vai a correr muito bem. Á passagem da 1ª hora tomo um gel, no 1º abastecimento bebo um copo de água para poupar a que levo, e sigo.


Vou-me a sentir bem até chegar ao abastecimento no km21. Tentei comer banana, laranja ou batatas fritas, mas não me sabia bem. Bebi um pouco de isotónico e segui, mas a pensar nesta questão, a juntar ao pequeno-almoço e que me abalou a confiança.
Daqui para a frente, e até chegar ao Alto da Srª do Minho, fui a muito custo. 
A última foto que tirei com a GoPro. Os cavalos soltos na serra
A maior parte do tempo a caminhar, com ataques de tosse e vómito. A certa altura passou-me pela cabeça desistir logo ali, ou seguir no máximo até aos 33, onde seria classificado nessa distância. Ao chegar ao alto, bebi água fresca de umas torneiras que lá havia, e descansei um pouco. 
Era esta a minha cara de ânimo ao chegar à Srª do Minho

Não muito, mas o suficiente. Falar com o meu Pai e a Lena que estavam lá à minha espera devolveu-me algum ânimo. Deixei-lhes a GoPro, já não a ia a usar e só me pesava! Disse-lhes que ia seguir pelo menos até à Montaria, que ia avaliar como me sentia até lá e decidiria se ficava por ali ou continuava. Esta era a parte racional a falar, porque a outra, a irracional e mais competitiva, já tinha decidido que ia até ao fim! Estava ali, a cumprir um desejo, e não ia deitar a toalha ao chão tão facilmente!
Saído do alto, voltei a conseguir correr no planalto que se segue, e depois na descida para a Montaria. Apesar de técnica, ser preciso andar a saltar de pedra em pedra e a massacrar mais as pernas, gosto bastante destas descidas, e voltei a ganhar alguma força amímica nesta descida.
Cheguei à Montaria, e encostei à esquerda no abastecimento. A meta dos 33k era mesmo ali, tentador ainda! Aqui encontro o Joel Ginga e pergunto como ele está, digo que vou descansar um bocado e que depois sigo. Ele arranca, porque amigo não empata amigo e há que aproveitar o momento.
Não consegui mais uma vez comer nada, sentei-me no chão durante uns 5’. Tinha perdido imenso tempo desde o último abastecimento, cheguei ali com 4h53’ e decidido a recuperar de alguma forma forças para seguir. Ponderei, alonguei, e ao fazer 5h de prova, levantei-me e dirigi-me para o lado direito da passadeira vermelha, para prosseguir a prova.
Ainda caminhei durante uns metros, e depois comecei a correr. Primeiro devagar, um trote lento, e depois fui aumentando o ritmo.
A sentir alguma fraqueza porque há muitas horas que não conseguia comer nada de jeito, cheguei ao abastecimento seguinte. Aí voltei a encontrar o Joel, comentei que não conseguia comer nada, e ele sugere para pelo menos tentar a melancia. Assim fiz, e que bem que soube! Comi uns bocados de melancia e seguimos juntos. Dentro do possível íamos correndo, até porque estávamos agora na zona junto ao rio e era uma zona mais técnica, e já não estando bem, era mais complicado correr.

Fazia em muito lembrar a 1ª prova que fiz este ano, o Trail Centro Vicentino da Serra em Portalegre, e onde me lesionei, por isso foi com algum cuidado redobrado que transpus alguns obstáculos. Sempre a subir, chegámos ao último abastecimento. Já ia novamente a sentir fraqueza, nalgumas partes em piloto automático e a seguir o Joel, que ia sempre a dizer que devia comer algo com açúcar. Pois, os géis até iam na mochila, mas só de pensar nisso….
Aqui consegui finalmente comer. Bebi um copo de Coca-Cola, que penso que ajudou bastante, comi banana, laranja, batatas fritas, e chocolate, muito chocolate!! Fomos ainda informados que a prova não seriam apenas 53k, mas sim 53 + 3 ou 4. OK, siga!!

Ainda subimos mais um bocado até às eólicas, onde já sentia bastante frio. Ainda pensei vestir o casaco, mas não adiantava porque íamos começar a descer e ficar protegidos pela encosta.
E começámos a descer, aquilo que penso que foi uma estrada romana. E ia a sentir-me bem. E a descida era tal como eu gosto, e fui!! Fui por ali abaixo a correr, abrandando só no final. Aí voltei a ser apanhado pelo Joel, mas ele só dizia: “o motor voltou a trabalhar, não pares!!”. E Dem já se via ali ao fundo, o motor continuava a trabalhar, e eu fui novamente! Obrigado Joel pelo apoio, foi importantíssimo.
Num instante cheguei à aldeia, e estava a virar à esquerda para meta. As dores e a fraqueza desapareceram! Ao chegar à passadeira vermelha, vejo o meu Pai e a Lena. Estão também contentes, e o meu Pai segue a correr comigo a cortar a meta!!
Estava feito, não tão bem como tinha planeado, mas o principal objectivo estava cumprido.


Um trail por variadas razoes especial, numa região especial. Não consegui ainda perceber o que se passou, já várias pessoas me disseram que pode ter sido dos nervos, de todas as emoções sentidas no fim-de-semana. Talvez, não sei….

Esta foi sem dúvida a melhor prova em que participei. Desde o levantamento dos dorsais em Caminha, à partida em Dem, marcações do percurso que nunca deram margem para duvidas, abastecimentos e simpatia dos voluntários. TOP. É claramente uma prova a repetir, e esperar que dessa vez consiga gerir melhor tudo.