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terça-feira, 7 de junho de 2016

VI Ultra Sesimbra - 21k


Quando, no ano passado, terminei os 21k, ficou praticamente ali decidido que este ano iria fazer a distância maior. No entanto, estava longe de imaginar o calvário que ia passar com a lesão, e no dia da prova, como tudo ia correr mal desde o acordar....


Esta prova tinha tudo para correr bem. Da lesão já não há sinais, o local é sobejamente conhecido, andava a treinar bem, e era a 1ª prova enquanto membro dos "Madruga Runners"! Só que....

As coisas ficaram preparadas desde o dia anterior, não me deitei muito tarde, mas de manhã não ouvi o despertador tocar. E ele toca várias vezes!!! Nunca me tinha acontecido, adormecer para uma prova. Normalmente, acordo até antes do despertador tocar. Mas não desta vez. Tínhamos combinado às 7.20, para irmos com tempo, sem stress. Acordei às 7.40, com o pessoal a ligar-me a perguntar onde estava...Sigam, eu vou lá ter!!

Levantei-me à pressa, equipei e comi qualquer coisa, quase sem mastigar. Esta pressa veio a ter resultados depois, já durante a prova, onde houve uma fase em que não ia muito bem.
Arranquei para Sesimbra, estacionei sem problemas - abençoado sejas Smart, que com o parque cheio consigo sempre um lugar!!! -  e corri para a secretaria levantar o dorsal.
Pronto. Ainda tive tempo de voltar ao carro e acabar de preparar, mas sempre em stress e sem nunca conseguir acalmar.

Fomos para a partida, onde já estava tudo concentrado, e apertado. Talvez pudessem repensar em como colocar os atletas antes da partida, porque grande maioria estava na lateral do pórtico, o que originou alguns empurrões quando foi dado o sinal.

Este ano havia uma novidade, que era em vez de ir logo pela marginal, irmos pela areia da praia e depois pelo passadiço de madeira. 


Não contava com esta incursão à areia, e deu ainda mais cabo de mim. Quando voltámos à marginal tentei estabilizar a pulsação, e o ritmo até chegar à 1ª subida e entrada no estradão, mas sem muito sucesso. Começava a ter a noção que não estava bem e que não ia ser fácil. 
Fiz a subida a caminhar, em passo acelerado, e voltei a correr quando entrámos no trilho que vai dar à Ribeira do Cavalo. Aqui ainda consegui ir sem alguns problemas, sempre em corrida até lá abaixo, mas depois na Subida do cascalho não consegui. Limitei-me a seguir atrás de outros atletas, sempre sem conseguir forçar uma ultrapassagem ou um passo mais acelerado. O tempo começava a abafar, e já transpirava muito. 
Chegado lá acima, voltei a correr, mas sempre sem conseguir aumentar o ritmo. Transpirava e sentia frio, e deixei-me ir a um ritmo lento ou simplesmente a caminhar quando não conseguia mais. 
Confesso que pensei em desistir. Não estava a desfrutar nada, em trilhos onde adoro correr...


Assim segui até ao 2º abastecimento. Parei, comi, despejei uma garrafa de água por cima de mim, e parece que teve efeito quase imediato. Senti-me melhor, os pensamentos mais negativos desapareceram e arranquei. 


Já conseguia imprimir um ritmo um pouco mais elevado, e segui, ainda que, na descida antes do 3º abastecimento,  onde ainda há semana e meia me diverti imenso a descer a um ritmo a que não estou muito habituado, tenha abrandado devido a umas tonturas que voltei a sentir. Cheguei ao 3º abastecimento, aquele onde já li várias críticas a dizer que foi negada comida aos atletas dos 21k. Aqui comi, bebi e despejei água em cima de mim, e ninguém negou nem a mim nem aos atletas que ali estavam naquele momento o que quer que fosse. Aliás, em todos os abastecimentos os voluntários foram de extrema simpatia, o que me leva a crer que não terá passado de um mal entendido.

Depois da pausa, segui pedreira acima, e em direcção ao castelo.Não há muito a dizer, não voltei a sentir tonturas e daqui até final foi a parte em que me senti melhor.


No final uma nota à organização, porque não se percebia bem se tínhamos de seguir pela praia ou pela marginal. Pelo que falei com outros atletas, vários foram os que foram pela areia até ao fim, quando o pretendido, acho que era ir pelo alcatrão - foi o que entendi pelas fitas.

Cortei a meta 2:23:00 depois, com um sentimento de enorme desilusão. Nunca me tinha sentido tão mal numa prova, ainda mais numa de apenas 21k.

Valeu a camaradagem da equipa, e ver os colegas Madrugas a terminarem o 1º Trail. 


quinta-feira, 3 de março de 2016

Lesão.....



Quando sentirem uma dor, não forcem, parem logo. Não justifica acabar aquele treino/prova, e colocar em causa os próximos meses. Consultem um especialista que vos recomende o tratamento, e não se fiquem pela "sabedoria popular" e tratamento caseiro... 

Lesionei-me no dia 10 de Janeiro, no Trail Centro Vicentino da Serra, em Portalegre, sensivelmente ao km17. Senti uma dor na perna, na zona superior do gémeo, que associei a cãibras. 
Devia ter ficado por ali, ou pelo ponto de abastecimento mais próximo, mas quis ser guloso, armar-me em forte e segui. 
Terminei a prova, mas com um tempo muito acima das minhas expectativas, e cheio de dores. 

Depois, em vez de ir imediatamente pedir um diagnóstico a um especialista, fiquei pelo tratamento caseiro, e pela conversa do "isto não é nada, vai passar"... 
Os dias foram passando, mas as dores não. Ainda houveram umas sessões de fisioterapia, poucas e muito espaçadas entre si.. 

Hoje finalmente fui a uma consulta. O diagnóstico é uma tendinite, e a receita é parar completamente mais 3 semanas, no mínimo, e fazer sessões intensivas de fisioterapia.

Os planos que eu tinha começam a ser postos em causa. 

Sábado haviam os Trilhos do Javali Noturno, mas vou ficar pelo sofá...

Dia 3 de Abril há os Trilhos Do Almourol, pondero se mesmo que já esteja recuperado irei ou nao.

E em Maio... os 100k do UTSM - Ultra-Trail de São Mamede, o grande objectivo do ano....

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Ericeira Trail Run 2015 - Será que alguma coisa podia correr pior??




Nos últimos dias não treinei tanto quanto queria.
Nos últimos com os 2 miúdos adoentados, não descansei o que devia.
Apanhei uma constipação na passada 5ª feira..
Na 6ª feira à noite ainda estava na dúvida se preparava as coisas para sábado ou não... mas lá acabei por preparar a mochila, dormir meia dúzia de horas e à hora marcada estar no local combinado com o Paulo para seguirmos para a Ericeira.

A viagem correu sem sobressaltos, e com os dorsais já levantados na Pro Runner, e depois de chegar, fomos para o edifício do secretariado para nos abrigarmos do frio.
Depois de nos equiparmos, voltámos para este edifício, para ouvir o briefing. Ouvir, ou tentar ouvir, porque as pessoas a falar não deixavam ouvir em condições as indicações que nos eram dadas...
O controlo zero, que era suposto haver, não houve.

Perto da hora da partida, que segundo o regulamento seria impreterivelmente às 8, fomos encaminhados para a zona de partida, ladeados por umas barreiras de plástico. No sistema de som só se ouvia o responsável repetir que nos primeiros metros o iríamos acompanhar, e que não o podíamos passar. Após várias repetições desta indicação, só dei conta de começar tudo a correr, sem ouvir qualquer tiro de partida. Sinceramente, não percebi esta partida, e não gostei.

Logo nos primeiros km comecei a sentir algumas dificuldades. O vento que se fazia sentir era bastante, e com o nariz tapado, tinha bastantes dificuldades em respirar. Com o corta-vento vestido sentia calor, e sem ele não conseguia ir, com o frio... Aos 7/8 km lá consegui aguentar sem ele e assim seguir. Nesta altura já me sentia melhor, e cheguei bem ao 2º abastecimento, apesar de cheio de fome. Aqui demorei-me sem me preocupar com o tempo, comi o que achei necessário para ficar sem fome, e depois lá segui.

Passados uns km voltei a sentir dificuldades, e desta vez, por volta do km 30/31, bati no fundo. Senti-me sem forças para continuar, e estava decidido a desistir no abastecimento seguinte, no km 35. Caminhei durante alguns km, sozinho, e a decisão parecia estar tomada, até que tentei voltar a correr, o que consegui, apesar de alguma dificuldade. Adiei a decisão para o abastecimento, e aí descansei comi e bebi, e decidi que ia tentar chegar ao próximo, 8 ou 9 km depois...

Neste segmento consegui correr mais que antes, e chegado ao último abastecimento, a cerca de 8km da meta, não havia motivos para não seguir até ao fim!! Este segmento foi fácil, sempre estradão e a descer até à Ericeira.

7h14m depois da partida, cortei a meta. Custou bastante nalguns momentos, levei em cheio com a marreta, mas consegui terminar. Terminar foi mesmo o mais positivo, porque de resto quase tudo correu mal, Nem o relógio gravou o percurso da prova....

Em relação à prova/organização, sinceramente não gostei. Como já referi, não percebi a partida, acho que durante o percurso poderiam haver mais elementos do staff, não vi nenhum meio de assistência em todo o percurso, e apenas num cruzamento um elemento da GNR, quando passámos vários cruzamentos com trânsito. Falhas muito graves, na minha opinião. Na parte final, a passagem pela praia dos pescadores, também nada vem acrescentar à prova, bem pelo contrário, não percebi a necessidade de nos enviarem pela praia, o que apenas serviu para massacrar na areia e na subida final..

sábado, 14 de novembro de 2015

"Mini" I Ultra Trail Serra de Grândola

"...para os 50k apenas 32 atletas se inscreveram. E desses, 4 não compareceram na linha de partida, pelo que era um pelotão super pequeno que ia enfrentar a Serra de Grândola. Uma "mini" Ultra, portanto!!"


4.30 toca o despertador. Deixo tocar uma segunda vez, passados 5 minutos, e levanto-me. Acordo bem, sem sono, e não quero acordar ninguém em casa. Vou tomar um banho rápido, e visto-me. Toda a roupa, bem como tudo que é para levar, está preparado de véspera no "quarto das visitas". Não há motivos para perder tempo, ou para esquecer alguma coisa. As coisas para o pequeno-almoço também estão preparadas na mesa da cozinha, pelo que é sem sobressaltos que me preparo para sair. Saio de casa satisfeito, tudo está a correr bem, tal como a viagem até Grândola, de cerca de 100km feitos em 45 minutos.
Viagem calminha
Chegado a Grândola, estaciono no parque junto ao Parque de Feiras e Exposições, local onde estava situada a tenda para levantamento de dorsais. Processo decorreu sem problemas, e recebo um saco com dorsal, chip, uma t-shirt e algumas lembranças alusivas ao concelho de Grândola. E uma entrada para a Feira do Chocolate, a decorrer naquele espaço por aqueles dias!!
Volto ao carro e preparo-me. Faltavam cerca de 20 minutos para a hora de partida e dirijo-me para o local, a cerca de 200m, para efectuar aquecimento e o controlo zero.

Quando tive conhecimento desta prova, na altura que foi lançada, confesso que fiquei de pé atrás. 1ª edição, o regulamento apresentava, a meu ver, algumas falhas graves, como por exemplo a indicação de que haveriam apenas 3 abastecimentos, não ter a indicação de haver um prémio para quem terminasse - sim, eu gosto de ficar com uma lembrança! - e o valor pedido pela inscrição, fizeram com que demorasse a me convencer a fazer a inscrição - coisa que fiz apenas no último dia da fase mais barata. Não sei se terá sido por isso, mas para os 50k apenas 32 atletas se inscreveram. E desses, 4 não compareceram na linha de partida, pelo que era um pelotão super pequeno que ia enfrentar a Serra de Grândola. Uma "mini" Ultra, portanto!!

É dada a partida e arrancamos. Até  ao km2 vamos seguir atrás de uma viatura da GNR, altura em que entraremos em terra.
 

Esses 2 km foram feitos a um ritmo a rondar os 4.50, mas depois de entrar na serra, decidi seguir o plano que traço sempre para estas provas, que passa essencialmente por não me entusiasmar demasiado no início, caminhar a passo rápido nas subidas e correr quando é plano e a descer.
E assim foi, depois de estabilizar o ritmo e a respiração, segui descontraído. 

Um dos motivos que ajudava a ir sem preocupações eram as marcações. Nesta prova, estiveram irrepreensíveis, do melhor que já vi. 




A nível de percurso, era quase sempre estradão, Quando não estávamos nos topos dos montes, era bastante agradável correr, pois a tecnicidade era mínima e a envolvência era muito boa, com vegetação verde à nossa volta e um ambiente fresco que sabia bastante bem. 
Como sugestão para a próxima edição, gostava de referir que se calhar houveram demasiadas subidas "forçadas", fora de trilhos e pelo meio da vegetação, apenas a seguir fitas, e nada de single tracks e trilhos técnicos. Um aspecto muito importante na minha opinião, a rever.

Nos últimos tempos, mais precisamente após a Maratona de Lisboa, que não tenho treinado tanto e como devia. Não voltei à serra, porque os fins-de-semana têm sido ocupados; durante a semana e depois de sair do trabalho há coisas para fazer, pelo que tenho saído para treinar pelas 11 da noite.. à vezes sem vontade nenhuma, e com o corpo já só a pedir descanso e uma cama... Por tudo isto, foi sem grande surpresa que entre o km 25 e o 28 comecei a sentir algumas dificuldades. A subir já me custava bastante a avançar, e mesmo em terrenos mais planos ou a descer sentia algumas dores...
Fui seguindo nas calmas, ora sozinho, ora na companhia do amigo Hugo Caldeira, e mais tarde do Luís Matos, que se juntou a nós e assim seguimos até final-
Quase a chegar!!!
Acabámos juntos (quando houver foto adiciono!), porque se nos fomos a apoiar uns aos outros quando já não haviam forças, então não nos íamos separar quando estivéssemos a chegar à meta. São estas pequenas diferenças que fazem a grande diferença entre as provas de estrada e o trail. O cronómetro marcava 7:02:01.

Acabei a prova em piores condições que o Ultra Trail do Monte da Lua ou a maratona, o que serve como um alerta, porque se quero colocar em prática aquilo que trago na cabeça para os próximos tempos, não pode haver tanto relaxamento e os treinos têm de começar a ser mais duros...

Em relação a esta prova, para o ano volto! Depois do cepticismo inicial, tudo me surpreendeu pela positiva. É óbvio que há pontos a melhorar, tais como o percurso ter zonas mais técnicas e menos subidas pelo meio de nada, ou os abastecimentos, que foram os suficientes em qualidade e quantidade, mas, e tal como disse a membros da organização ou na página do evento no Facebook, não faz sentido ter abastecimentos aos 16k e depois só aos 32k, com o seguinte aos 44,5. e a prova a acabar 3km depois!! 
No final, estando a prova integrada na Feira do Chocolate, não dava para colocar a meta junto à entrada ou  mesmo no interior do recinto? Era uma forma de, pelo menos na chegada, haver mais apoio para os atletas.
Estes são pontos que serão de fácil resolução, e a prova terá tudo para se tornar uma referência.
E todo o pessoal da organização, desde o levantamento do dorsal, abastecimentos e no final, super simpático e prestável, 5***** mesmo.

Agora, segue-se dia 19 de Dezembro o Ericeira Trail Run, pelo que se quero que corra melhor, tenho de até lá treinar melhor também...


terça-feira, 21 de julho de 2015

Ultra Trail Monte da Lua (52km) - a Ultra estreia!!


O planeado era fazer a 1ª Ultra apenas em 2016, mas aqui e ali fui sendo desafiado, sentia-me bem nos treinos e nas provas, e não resisti!!!


Ao longo dos últimos meses os treinos e as provas foram correndo bem, mas no entanto ia tentando manter-me fiel ao inicialmente planeado. Em 2015 a Maratona de Lisboa, e em 2016 fazia a minha 1ª Ultra. Só que... Aqui e ali fui sendo desafiado, sentia-me bem, e inscrevi-me; na prova dos K20+!!!  
Só que o bichinho continuou, e a 3 minutos da data limite para alterar, enviei o email!:


Estava feito! Já não havia volta a dar, agora era enfrentar o desafio e aguentar o empeno!!!


Cheguei à Praia das Maçãs cedo, mas talvez pela ansiedade, tive de ir por 2 vezes à casa-de-banho!! Eram 8.15 quando finalmente consegui ir ter com o Filipe e o Eduardo.
A tentar estar calmo, momentos antes da partida
Passavam uns minutos das 8.30 quando foi dada a partida, começava a aventura!! Algum engarrafamento inicial para passar o ribeiro sem ir pela água, e depois arrancar trilho acima, mas sempre com o pessoal muito junto.
Depois de passar o "ribeiro"

Km's iniciais por trilhos bastante corríveis, mas nalgumas zonas com falhas de marcações - ao que parece terão sido roubadas as fitas. É de lamentar haver quem tenha prazer em estragar o trabalho dos outros... 
Graças ao microclima característico de Sintra, ao km 5 já levava a camisola encharcada em suor... Contudo, tal não era incomodo de maior, e diverti-me imenso a correr pelos trilhos e estradões até chegar ao 1º abastecimento de sólidos, antes de entrar na Quinta da Regaleira. Este abastecimento apareceu mesmo na hora certa, pois já estava esfomeado, e demorei-me um pouco a comer de tudo!!
Estava a sentir-me mesmo muito bem, não tinha sentido qualquer dificuldade, e em 2 horas e meia tinha feito 20km. Nada mau, e pensava mesmo que ia conseguir manter o mesmo ritmo!!
Na excelente companhia do Filipe
AHHHHHH, menino ingénuo!!! 
A prova estava agora a começar! Depois do parque das merendas, a 1ª grande subida até ao castelo, com muitas escadas (cheirinho a MIUT!!), rochas húmidas e um nevoeiro baixo que dava um ar fantástico. Apesar da dificuldade, estava a adorar, a desfrutar de cada momento da minha 1ª Ultra! 
Chegado lá acima, iniciou-se a descida para a Lagoa Azul. Sem apresentar grandes dificuldades, trilhos muito bons para correr e estradões, dava para correr bem.

Só que... o pior estava para vir!! Neste abastecimento perguntei a quantos km's era o próximo, e disseram-me que seria a 7 ou 8 km. Pois, a verdade é que esses km foram afinal cerca de 12, e os mais duros de toda a prova. Foi neste segmento, com as subidas do Monge e à Peninha, que me fartei de praguejar, chamar de nomes aos trilhos, ao sol, perguntar o que andava ali a fazer... Senti imensas dificuldades, a subir era complicado avançar, a descer custava a correr porque os pés batiam à frente nos ténis... O sol apertava, os líquidos começavam a escassear, e o abastecimento que nunca mais aparecia... Se até ao 1º abastecimento de sólidos se viam sorrisos na cara dos atletas, neste momento já toda a gente ia a protestar!
Na subida para a Peninha, qual oásis no deserto, uma fonte com água super fresquinha, que soube mesmo muito bem!! Deu para encher os bidons, refrescar os braços, as pernas e deitar um bocado de água pela cabeça abaixo!!

Uns metros acima o abastecimento, onde estive uns bons minutos a repor energias. Estava com fome, esgotado e precisava mesmo de descansar um pouco.
A seguir arranquei por uns trilhos agradáveis para correr, dentro do possível porque já não conseguia correr muito, até chegar às arribas, as famosas!
Já as conhecia bem, de várias caminhadas que já por ali fiz, pelo que sabia bem o que me esperava. Iniciei a 1ª descida com confiança, e cheguei bem lá abaixo, mas depois ao subir... já não tinha força nas pernas! Tive de parar umas quantas vezes para descansar, e no 2º par de descida/subida, o cenário repetiu-se: descer sem dificuldade, subir com a língua de fora!!

Depois do Cabo da Roca, não sabia bem o que me esperava, e foi já em bastante sofrimento que fiz esta parte. Já praticamente não conseguia correr, levava as pernas super massacradas, e só suspirava pela meta. Os km's finais foram um sacrifício enorme, e a subida na praia da Adraga, em areia só veio complicar ainda mais... 

Ainda tivemos direito a correr pela Praia Grande - como se fosse coisa boa!! - cheia de gente, mas onde aproveitei para refrescar os pés na água do mar!!
Foi com um alívio enorme que, ao fim de 9:07:00 vi a meta! Aqui ganhei finalmente novo animo, e consegui correr os metros finais!

52,6km depois cortava a meta, e tornava real o grande objectivo de completar a 1ª Ultra!!
Finisher!!
Sou ULTRA!!!
9:08:18, 73º lugar, tendo em conta que era a 1ª Ultra, e que pelo que foram dizendo este ano era mais difícil que no ano passado, considero que tive uma boa prestação, apesar de inicialmente ter a expectativa de fazer a prova em menos tempo.

Adorei, recomendo e para o ano lá estarei novamente!!

Agora é recuperar deste empeno, e começar a procurar no mercado uma alternativa aos Kalenji XT4 que, com apenas 220km feitos, já apresentam buraco na parte superior...



sexta-feira, 8 de maio de 2015

V Ultra Trail de Sesimbra - 21k



O Trail de Bucelas em Fevereiro tinha sido o meu último, e dadas as circunstâncias na altura, correu bastante bem, pelo que era com muita ansiedade que aguardava pela data desta prova.

Aproveitando um passeio por aqueles lados no sábado, fui levantar o saco com o dorsal. Processo simples, que decorreu sem problemas. À noite, chegado a casa, preparei tudo com calma, para que nada faltasse no dia seguinte.


Domingo, acordei cedo, bem disposto, e com o tempo a ameaçar chuva. Banho, pequeno-almoço e pus-me a caminho, numa viagem que não durou mais que 25 minutos. Chegado a Sesimbra, estacionei no parque indicado pela organização sem problemas - aqui o facto de ter um Smart ajudou bastante!!!

Depois de equipado, dirigi-me calmamente para a zona de partida. Ainda tinha tempo, não havia razões para ter pressa e fui fazer o meu aquecimento. Faltavam pouco mais de 5 minutos para a hora da partida quando me dirigi para junto do pórtico. Últimos ajustes na mochila, fazer reset ao relógio um par de vezes, e aguardar com ansiedade pelo sinal de partida!!

Soa a ordem de partida, e arranca tudo pela marginal fora, num ritmo digno de corrida de estrada, mas ali era propício a isso. Vou bem, é um ritmo a que estou habituado, e sigo sem problemas até passar a zona da marina, onde começa a subir. 
Aqui decidi não forçar, e fazer o que tinha planeado para esta prova: correr lentamente ou caminhar a subir, e correr quando fosse mais a direito e a descer. 
Tudo ia dentro do suposto até entrar no trilho que nos ia levar até perto da praia da Ribeira do Cavalo.
 Aqui entrei com confiança. Já conhecia o trilho, já o tinha feito com o meu filhote Tomás às costas, sentado na mochila/cadeira das caminhadas, mas assim que pus os pés na rocha, apanhei o 1º susto... Os ténis parecia que tinham umas rodinhas por baixo! Outra rocha, outa tentativa, e mais rodinhas... Mau, isto assim não é nada bom.. E lá me vi obrigado a abrandar o passo, encostar para deixar passar os mais rápidos, e seguir o meu caminho a tentar não perder demasiado tempo, mas também a não esbardalhar ali todo...
E lá fui, até aparecer a grande parede... Bem, pensei que fosse custar mais, fi-la sem grandes dificuldades, e ao chegar ao topo, um trilho corrível, onde era possível esticar os músculos! Esta foi a 1ª parte divertida da prova!
A passar o 1º abastecimento, a fazer sinal que não queria água!!

Mais à frente, outro trilho conhecido das muitas caminhadas que já fiz por estas zonas, uma vez mais feito com muito cuidado, mas.... Não sei o que aconteceu, como aconteceu, quando dei por mim estava no chão, parecia que alguém me tinha passado uma rasteira! Terá sido algum "Espírito do Trail"??? 
Aqui o que mais me chateou não foi ter caído. É normal numa prova destas, e a queda, apesar de uns arranhões e os joelhos um pouco esfolados, não foi nada de especial. O que me deixou bastante chateado foi o "tipo" que vinha atrás de mim, com a pressa de passar, não sei se ainda tinha esperanças de ir ganhar a corrida, nem sequer se ter dignado a perguntar se eu estava bem, e quase me ter pisado para passar... Enfim, como alguém referiu num post no Facebook, "uma ovelha não faz o rebanho", e os companheiros que vinham atrás mostraram o verdadeiro Espírito do Trail, preocupados a saber se estava bem.

Depois de lavar os joelhos com água, lá prossegui. Ao início não conseguia ir muito rápido, mas fui recuperando e rapidamente voltei ao meu ritmo.
Segui sem problemas, a abrandar onde havia mais rochas, os ténis continuavam a escorregar muito, e a acelerar sempre que podia.
Não perdi muito tempo nos abastecimentos, também porque não senti necessidade disso. 
Depois de subir ao castelo, veio a parte da corrida onde me diverti imenso, ao descer de volta à vila. Aquele trilho era espectacular, e sem pedras no chão, pude descer à vontade, sem medos. BRUTAL!!!

De volta à marginal, foi num ápice que cheguei à meta. 2:39:58, acima daquilo que eu queria, mas dado que levava uns ténis com rodinhas, acabou por não ser mau! 
Medalha ao pescoço, uns alongamentos e comer um pouco do que havia à nossa espera, fui para a fila das merecidas, mas dolorosas massagens!


Fui desafiado para na próxima edição fazer os 60km's. Talvez os faça, a Arrábida será um bom local para me estrear numa Ultra, vamos ver!! Mas primeiro tenho de resolver a questão dos ténis!!!