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quinta-feira, 3 de março de 2016

Lesão.....



Quando sentirem uma dor, não forcem, parem logo. Não justifica acabar aquele treino/prova, e colocar em causa os próximos meses. Consultem um especialista que vos recomende o tratamento, e não se fiquem pela "sabedoria popular" e tratamento caseiro... 

Lesionei-me no dia 10 de Janeiro, no Trail Centro Vicentino da Serra, em Portalegre, sensivelmente ao km17. Senti uma dor na perna, na zona superior do gémeo, que associei a cãibras. 
Devia ter ficado por ali, ou pelo ponto de abastecimento mais próximo, mas quis ser guloso, armar-me em forte e segui. 
Terminei a prova, mas com um tempo muito acima das minhas expectativas, e cheio de dores. 

Depois, em vez de ir imediatamente pedir um diagnóstico a um especialista, fiquei pelo tratamento caseiro, e pela conversa do "isto não é nada, vai passar"... 
Os dias foram passando, mas as dores não. Ainda houveram umas sessões de fisioterapia, poucas e muito espaçadas entre si.. 

Hoje finalmente fui a uma consulta. O diagnóstico é uma tendinite, e a receita é parar completamente mais 3 semanas, no mínimo, e fazer sessões intensivas de fisioterapia.

Os planos que eu tinha começam a ser postos em causa. 

Sábado haviam os Trilhos do Javali Noturno, mas vou ficar pelo sofá...

Dia 3 de Abril há os Trilhos Do Almourol, pondero se mesmo que já esteja recuperado irei ou nao.

E em Maio... os 100k do UTSM - Ultra-Trail de São Mamede, o grande objectivo do ano....

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Ericeira Trail Run 2015 - Será que alguma coisa podia correr pior??




Nos últimos dias não treinei tanto quanto queria.
Nos últimos com os 2 miúdos adoentados, não descansei o que devia.
Apanhei uma constipação na passada 5ª feira..
Na 6ª feira à noite ainda estava na dúvida se preparava as coisas para sábado ou não... mas lá acabei por preparar a mochila, dormir meia dúzia de horas e à hora marcada estar no local combinado com o Paulo para seguirmos para a Ericeira.

A viagem correu sem sobressaltos, e com os dorsais já levantados na Pro Runner, e depois de chegar, fomos para o edifício do secretariado para nos abrigarmos do frio.
Depois de nos equiparmos, voltámos para este edifício, para ouvir o briefing. Ouvir, ou tentar ouvir, porque as pessoas a falar não deixavam ouvir em condições as indicações que nos eram dadas...
O controlo zero, que era suposto haver, não houve.

Perto da hora da partida, que segundo o regulamento seria impreterivelmente às 8, fomos encaminhados para a zona de partida, ladeados por umas barreiras de plástico. No sistema de som só se ouvia o responsável repetir que nos primeiros metros o iríamos acompanhar, e que não o podíamos passar. Após várias repetições desta indicação, só dei conta de começar tudo a correr, sem ouvir qualquer tiro de partida. Sinceramente, não percebi esta partida, e não gostei.

Logo nos primeiros km comecei a sentir algumas dificuldades. O vento que se fazia sentir era bastante, e com o nariz tapado, tinha bastantes dificuldades em respirar. Com o corta-vento vestido sentia calor, e sem ele não conseguia ir, com o frio... Aos 7/8 km lá consegui aguentar sem ele e assim seguir. Nesta altura já me sentia melhor, e cheguei bem ao 2º abastecimento, apesar de cheio de fome. Aqui demorei-me sem me preocupar com o tempo, comi o que achei necessário para ficar sem fome, e depois lá segui.

Passados uns km voltei a sentir dificuldades, e desta vez, por volta do km 30/31, bati no fundo. Senti-me sem forças para continuar, e estava decidido a desistir no abastecimento seguinte, no km 35. Caminhei durante alguns km, sozinho, e a decisão parecia estar tomada, até que tentei voltar a correr, o que consegui, apesar de alguma dificuldade. Adiei a decisão para o abastecimento, e aí descansei comi e bebi, e decidi que ia tentar chegar ao próximo, 8 ou 9 km depois...

Neste segmento consegui correr mais que antes, e chegado ao último abastecimento, a cerca de 8km da meta, não havia motivos para não seguir até ao fim!! Este segmento foi fácil, sempre estradão e a descer até à Ericeira.

7h14m depois da partida, cortei a meta. Custou bastante nalguns momentos, levei em cheio com a marreta, mas consegui terminar. Terminar foi mesmo o mais positivo, porque de resto quase tudo correu mal, Nem o relógio gravou o percurso da prova....

Em relação à prova/organização, sinceramente não gostei. Como já referi, não percebi a partida, acho que durante o percurso poderiam haver mais elementos do staff, não vi nenhum meio de assistência em todo o percurso, e apenas num cruzamento um elemento da GNR, quando passámos vários cruzamentos com trânsito. Falhas muito graves, na minha opinião. Na parte final, a passagem pela praia dos pescadores, também nada vem acrescentar à prova, bem pelo contrário, não percebi a necessidade de nos enviarem pela praia, o que apenas serviu para massacrar na areia e na subida final..

sábado, 14 de novembro de 2015

"Mini" I Ultra Trail Serra de Grândola

"...para os 50k apenas 32 atletas se inscreveram. E desses, 4 não compareceram na linha de partida, pelo que era um pelotão super pequeno que ia enfrentar a Serra de Grândola. Uma "mini" Ultra, portanto!!"


4.30 toca o despertador. Deixo tocar uma segunda vez, passados 5 minutos, e levanto-me. Acordo bem, sem sono, e não quero acordar ninguém em casa. Vou tomar um banho rápido, e visto-me. Toda a roupa, bem como tudo que é para levar, está preparado de véspera no "quarto das visitas". Não há motivos para perder tempo, ou para esquecer alguma coisa. As coisas para o pequeno-almoço também estão preparadas na mesa da cozinha, pelo que é sem sobressaltos que me preparo para sair. Saio de casa satisfeito, tudo está a correr bem, tal como a viagem até Grândola, de cerca de 100km feitos em 45 minutos.
Viagem calminha
Chegado a Grândola, estaciono no parque junto ao Parque de Feiras e Exposições, local onde estava situada a tenda para levantamento de dorsais. Processo decorreu sem problemas, e recebo um saco com dorsal, chip, uma t-shirt e algumas lembranças alusivas ao concelho de Grândola. E uma entrada para a Feira do Chocolate, a decorrer naquele espaço por aqueles dias!!
Volto ao carro e preparo-me. Faltavam cerca de 20 minutos para a hora de partida e dirijo-me para o local, a cerca de 200m, para efectuar aquecimento e o controlo zero.

Quando tive conhecimento desta prova, na altura que foi lançada, confesso que fiquei de pé atrás. 1ª edição, o regulamento apresentava, a meu ver, algumas falhas graves, como por exemplo a indicação de que haveriam apenas 3 abastecimentos, não ter a indicação de haver um prémio para quem terminasse - sim, eu gosto de ficar com uma lembrança! - e o valor pedido pela inscrição, fizeram com que demorasse a me convencer a fazer a inscrição - coisa que fiz apenas no último dia da fase mais barata. Não sei se terá sido por isso, mas para os 50k apenas 32 atletas se inscreveram. E desses, 4 não compareceram na linha de partida, pelo que era um pelotão super pequeno que ia enfrentar a Serra de Grândola. Uma "mini" Ultra, portanto!!

É dada a partida e arrancamos. Até  ao km2 vamos seguir atrás de uma viatura da GNR, altura em que entraremos em terra.
 

Esses 2 km foram feitos a um ritmo a rondar os 4.50, mas depois de entrar na serra, decidi seguir o plano que traço sempre para estas provas, que passa essencialmente por não me entusiasmar demasiado no início, caminhar a passo rápido nas subidas e correr quando é plano e a descer.
E assim foi, depois de estabilizar o ritmo e a respiração, segui descontraído. 

Um dos motivos que ajudava a ir sem preocupações eram as marcações. Nesta prova, estiveram irrepreensíveis, do melhor que já vi. 




A nível de percurso, era quase sempre estradão, Quando não estávamos nos topos dos montes, era bastante agradável correr, pois a tecnicidade era mínima e a envolvência era muito boa, com vegetação verde à nossa volta e um ambiente fresco que sabia bastante bem. 
Como sugestão para a próxima edição, gostava de referir que se calhar houveram demasiadas subidas "forçadas", fora de trilhos e pelo meio da vegetação, apenas a seguir fitas, e nada de single tracks e trilhos técnicos. Um aspecto muito importante na minha opinião, a rever.

Nos últimos tempos, mais precisamente após a Maratona de Lisboa, que não tenho treinado tanto e como devia. Não voltei à serra, porque os fins-de-semana têm sido ocupados; durante a semana e depois de sair do trabalho há coisas para fazer, pelo que tenho saído para treinar pelas 11 da noite.. à vezes sem vontade nenhuma, e com o corpo já só a pedir descanso e uma cama... Por tudo isto, foi sem grande surpresa que entre o km 25 e o 28 comecei a sentir algumas dificuldades. A subir já me custava bastante a avançar, e mesmo em terrenos mais planos ou a descer sentia algumas dores...
Fui seguindo nas calmas, ora sozinho, ora na companhia do amigo Hugo Caldeira, e mais tarde do Luís Matos, que se juntou a nós e assim seguimos até final-
Quase a chegar!!!
Acabámos juntos (quando houver foto adiciono!), porque se nos fomos a apoiar uns aos outros quando já não haviam forças, então não nos íamos separar quando estivéssemos a chegar à meta. São estas pequenas diferenças que fazem a grande diferença entre as provas de estrada e o trail. O cronómetro marcava 7:02:01.

Acabei a prova em piores condições que o Ultra Trail do Monte da Lua ou a maratona, o que serve como um alerta, porque se quero colocar em prática aquilo que trago na cabeça para os próximos tempos, não pode haver tanto relaxamento e os treinos têm de começar a ser mais duros...

Em relação a esta prova, para o ano volto! Depois do cepticismo inicial, tudo me surpreendeu pela positiva. É óbvio que há pontos a melhorar, tais como o percurso ter zonas mais técnicas e menos subidas pelo meio de nada, ou os abastecimentos, que foram os suficientes em qualidade e quantidade, mas, e tal como disse a membros da organização ou na página do evento no Facebook, não faz sentido ter abastecimentos aos 16k e depois só aos 32k, com o seguinte aos 44,5. e a prova a acabar 3km depois!! 
No final, estando a prova integrada na Feira do Chocolate, não dava para colocar a meta junto à entrada ou  mesmo no interior do recinto? Era uma forma de, pelo menos na chegada, haver mais apoio para os atletas.
Estes são pontos que serão de fácil resolução, e a prova terá tudo para se tornar uma referência.
E todo o pessoal da organização, desde o levantamento do dorsal, abastecimentos e no final, super simpático e prestável, 5***** mesmo.

Agora, segue-se dia 19 de Dezembro o Ericeira Trail Run, pelo que se quero que corra melhor, tenho de até lá treinar melhor também...


terça-feira, 21 de julho de 2015

Ultra Trail Monte da Lua (52km) - a Ultra estreia!!


O planeado era fazer a 1ª Ultra apenas em 2016, mas aqui e ali fui sendo desafiado, sentia-me bem nos treinos e nas provas, e não resisti!!!


Ao longo dos últimos meses os treinos e as provas foram correndo bem, mas no entanto ia tentando manter-me fiel ao inicialmente planeado. Em 2015 a Maratona de Lisboa, e em 2016 fazia a minha 1ª Ultra. Só que... Aqui e ali fui sendo desafiado, sentia-me bem, e inscrevi-me; na prova dos K20+!!!  
Só que o bichinho continuou, e a 3 minutos da data limite para alterar, enviei o email!:


Estava feito! Já não havia volta a dar, agora era enfrentar o desafio e aguentar o empeno!!!


Cheguei à Praia das Maçãs cedo, mas talvez pela ansiedade, tive de ir por 2 vezes à casa-de-banho!! Eram 8.15 quando finalmente consegui ir ter com o Filipe e o Eduardo.
A tentar estar calmo, momentos antes da partida
Passavam uns minutos das 8.30 quando foi dada a partida, começava a aventura!! Algum engarrafamento inicial para passar o ribeiro sem ir pela água, e depois arrancar trilho acima, mas sempre com o pessoal muito junto.
Depois de passar o "ribeiro"

Km's iniciais por trilhos bastante corríveis, mas nalgumas zonas com falhas de marcações - ao que parece terão sido roubadas as fitas. É de lamentar haver quem tenha prazer em estragar o trabalho dos outros... 
Graças ao microclima característico de Sintra, ao km 5 já levava a camisola encharcada em suor... Contudo, tal não era incomodo de maior, e diverti-me imenso a correr pelos trilhos e estradões até chegar ao 1º abastecimento de sólidos, antes de entrar na Quinta da Regaleira. Este abastecimento apareceu mesmo na hora certa, pois já estava esfomeado, e demorei-me um pouco a comer de tudo!!
Estava a sentir-me mesmo muito bem, não tinha sentido qualquer dificuldade, e em 2 horas e meia tinha feito 20km. Nada mau, e pensava mesmo que ia conseguir manter o mesmo ritmo!!
Na excelente companhia do Filipe
AHHHHHH, menino ingénuo!!! 
A prova estava agora a começar! Depois do parque das merendas, a 1ª grande subida até ao castelo, com muitas escadas (cheirinho a MIUT!!), rochas húmidas e um nevoeiro baixo que dava um ar fantástico. Apesar da dificuldade, estava a adorar, a desfrutar de cada momento da minha 1ª Ultra! 
Chegado lá acima, iniciou-se a descida para a Lagoa Azul. Sem apresentar grandes dificuldades, trilhos muito bons para correr e estradões, dava para correr bem.

Só que... o pior estava para vir!! Neste abastecimento perguntei a quantos km's era o próximo, e disseram-me que seria a 7 ou 8 km. Pois, a verdade é que esses km foram afinal cerca de 12, e os mais duros de toda a prova. Foi neste segmento, com as subidas do Monge e à Peninha, que me fartei de praguejar, chamar de nomes aos trilhos, ao sol, perguntar o que andava ali a fazer... Senti imensas dificuldades, a subir era complicado avançar, a descer custava a correr porque os pés batiam à frente nos ténis... O sol apertava, os líquidos começavam a escassear, e o abastecimento que nunca mais aparecia... Se até ao 1º abastecimento de sólidos se viam sorrisos na cara dos atletas, neste momento já toda a gente ia a protestar!
Na subida para a Peninha, qual oásis no deserto, uma fonte com água super fresquinha, que soube mesmo muito bem!! Deu para encher os bidons, refrescar os braços, as pernas e deitar um bocado de água pela cabeça abaixo!!

Uns metros acima o abastecimento, onde estive uns bons minutos a repor energias. Estava com fome, esgotado e precisava mesmo de descansar um pouco.
A seguir arranquei por uns trilhos agradáveis para correr, dentro do possível porque já não conseguia correr muito, até chegar às arribas, as famosas!
Já as conhecia bem, de várias caminhadas que já por ali fiz, pelo que sabia bem o que me esperava. Iniciei a 1ª descida com confiança, e cheguei bem lá abaixo, mas depois ao subir... já não tinha força nas pernas! Tive de parar umas quantas vezes para descansar, e no 2º par de descida/subida, o cenário repetiu-se: descer sem dificuldade, subir com a língua de fora!!

Depois do Cabo da Roca, não sabia bem o que me esperava, e foi já em bastante sofrimento que fiz esta parte. Já praticamente não conseguia correr, levava as pernas super massacradas, e só suspirava pela meta. Os km's finais foram um sacrifício enorme, e a subida na praia da Adraga, em areia só veio complicar ainda mais... 

Ainda tivemos direito a correr pela Praia Grande - como se fosse coisa boa!! - cheia de gente, mas onde aproveitei para refrescar os pés na água do mar!!
Foi com um alívio enorme que, ao fim de 9:07:00 vi a meta! Aqui ganhei finalmente novo animo, e consegui correr os metros finais!

52,6km depois cortava a meta, e tornava real o grande objectivo de completar a 1ª Ultra!!
Finisher!!
Sou ULTRA!!!
9:08:18, 73º lugar, tendo em conta que era a 1ª Ultra, e que pelo que foram dizendo este ano era mais difícil que no ano passado, considero que tive uma boa prestação, apesar de inicialmente ter a expectativa de fazer a prova em menos tempo.

Adorei, recomendo e para o ano lá estarei novamente!!

Agora é recuperar deste empeno, e começar a procurar no mercado uma alternativa aos Kalenji XT4 que, com apenas 220km feitos, já apresentam buraco na parte superior...