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sábado, 12 de maio de 2018

30K Vale dos Barris - Bailado na lama!

A Arrábida é o meu local de eleição. Seja para treinar ou simplesmente para passear com família e amigos, a minha 1ª opção é sempre a mesma: Serra da Arrábida, local onde passo grande parte das manhãs dos domingos. Apesar disso, nunca tinha participado nos 30k de Vale dos Barris...


Não sei explicar o porquê, sempre que pensava nesta prova via uma prova muito rolante, sem grande dificuldade e realizada pelos estradões da Serra do Louro e Vale dos Barris. Nada mais errado, pelo menos este ano!!

A partida estava marcada para as 9h, cheguei ao local onde era a partida pelas 8h30'! Levantar o dorsal e ficar por ali na conversa com o pessoal da equipa até à hora de arrancar. Depois de uma pequena contagem, deu-se início a mais uma edição dos 30k de Vale dos Barris.

Arranque rápido, mas mantive-me perto do grupo da frente. Contudo, assim que passei a 1ª zona com mais lama, percebi que ia ser uma manhã "engraçada"!! Até cerca do km 4 mantive o ritmo que levava, mas depois decidi abrandar um pouco. Os ténis - a dúvida era entre estrear os Sense Ultra 2 ou levar os Wings 8, e optei pelos últimos - não estavam com aderência nenhuma, e sempre que apanhava um pouco mais de lama parecia que estava num escorrega!!

Assim num ritmo um pouco mais calmo e menos perigoso fui seguindo por trilhos bem conhecidos até chegar à Aldeia Grande e atravessar a N10. 

Depois um pouco à frente, cerca do km8 até ao k 10,5 entrámos em trilhos que eu não conhecia e com alguma tecnicidade, e onde os meus ténis hoje não estavam a ajudar nada e fazia aumentar o receio de alguma entorse. Aí fui com mais cautela, até chegar ao estradão no sopé da Vigia, zona já muito familiar! Foi com satisfação que cheguei à casa do Javali, local tão bem conhecido e onde começa a subida pela pedreira até à Vigia. Aí ainda pensei que fôssemos subir ao posto da vigia; apesar de no gráfico de altimetria só ir até cerca dos 200m, ao chegar ali já não batia certo o perfil do gráfico com o que estávamos a fazer, portanto..... Mas não, ao chegar a meio da subida virámos à esquerda e começámos a descer, e a meio dessa descida nova virada à direita, por um trilho aberto propositadamente para a prova e que, sinceramente não gostei de o fazer: preferia que nos tivessem deixado aproveitar a descida até ao fim!! Neste momento começou também a chover quase torrencialmente, e o impermeável... tinha ficado no carro pois claro!! O que vale é que foi chuva de pouca dura, a roupa seca rapidamente, mas deu para encharcar os trilhos e fazer um pouco mais de lama ainda! Houve subidas, pequenas rampas que se fazem facilmente, que era um passo para a frente e dois para trás! Estava a ser uma aventura nalguns locais!

E com isto, atravessamos Vale dos Barris e entramos na zona do Alcube. Aqui já com roupa seca, tempo seco, trilho largo e a descer, entro com demasiada confiança e não reparo que havia uma zona com pedra. Pois, está-se mesmo a ver o que aconteceu! Escorreguei e pumba, um bom par de trambolhões que me puseram a sangrar e cheio de dores no joelho direito e mão direita... ah, e uma valente capa de lama por cima do local onde sangrava!!Aquilo que temia quase desde o início acabou por acontecer, e segui a passo até chegar mais à frente a um atravessamento de um curso de água, onde aproveitei para lavar a pernas e mãos! A água não parecia muito limpa, mas sempre ouvi dizer que água corrente não faz mal!!
Depois desta pequena pausa lá segui, com alguma dificuldade em caminhar ainda, e a perna direita mais fraca dificultava a progressão num terreno já de si complicado. Aguentei-me assim um par de km até que fui voltando a conseguir correr. Com muito cuidado segui, mas sem conseguir evitar mais umas quantas quedas. Bem tentava nas descidas fugir à zona mais escorregadia, ir pelas ervas, mas havia zonas onde era quase impossível!!

E foi depois de mais umas quedas que entrei no estradão do Alcube, e um par de km depois cheguei ao abastecimento, onde parei e comi que já ia com fome!

Depois lá segui para os 9km finais, atravessar novamente a N10, Aldeia Grande e seguir em direcção à Comenda. No parque de merendas aproveitei para lavar novamente o joelho, aqui já com água limpa! Aqui estava a cerca de 3km do final, faltava apenas a subida final para cortar a meta.

3h55' depois da partida acabei a prova. Não fiquei satisfeito com o tempo final pois esperava fazer no máximo cerca de 3h30', mas depois da queda que dei não havia mesmo maneira de arriscar e os últimos 14k foram feitos a um ritmo muito calmo! O EGT é já daqui a dias e é mais importante. Fiquei no entanto satisfeito porque não senti nenhuma quebra física, o corpo transmitiu sempre boas sensações.

Em relação à organização, há vários pontos que devem melhorar para próximas edições: o perfil disponibilizado não correspondeu com o que fizemos, os abastecimentos não estavam nos locais indicados e as marcações houve vários locais onde ficámos na dúvida para onde seguir.





sexta-feira, 30 de março de 2018

IV Trail De Almeirim - Na Rota do Vinho e da Sopa da Pedra


O trail de Almeirim já começa a ser tradição. Mas não é só para mim, é também para a família que vai acompanhar a prova e comer a sopa da pedra. Este ano seria igual, pelo 3º ano, não fosse a ameaça da tempestade Hugo ter estragado os planos….


Foi no almoço de ano novo que ficou uma vez mais combinado que a 18 de Março nos iriamos reunir novamente todos em Almeirim – no ano passado se não tínhamos a maior mesa no almoço, andámos la perto! Decisão tomada, inscrição efectuada para os 30k, que afinal iriam ser 35.

Não gosto, nem tenho de arranjar justificações para os resultados melhores ou piores que consiga obter, mas a realidade é que para esta prova a preparação foi claramente insuficiente. Estes primeiros meses do ano não têm sido muito favoráveis; 1º foi a recuperação da lesão que fiz nos 100k de Abrantes, e depois quando estava a voltar a treinar bem em Fevereiro fui atacado por uma constipação que não esta ainda totalmente curada…
Foi então com uma preparação “assim-assim” que me apresentei em Almeirim. Entretanto, e por culpa das ameaças de tempestade, tomamos a decisão de a equipa de apoio ficar por casa; caso se confirmassem as previsões era complicado ir para Almeirim com as 3 crianças…

Aparentemente as previsões assustaram também vários atletas, porque eramos apenas cerca de uns 100 na linha de partida.
Antes da partida, com a Ana e o Paulo.
Foto do  outro Paulo!


Contrariamente aos anos anteriores este ano o percurso sofreu algumas alterações; em vez de começar e acabar no mesmo local (a prova dos 30k, porque a L.U.T.A. começava e acabava no pavilhão) era um percurso em linha. Desta forma fomos de autocarro ate Marianos, e depois de ver passar os 1º classificados da LUTA (grande Rovisco em 1º lugar!!) teve inicio a nossa prova.

Tinha claramente a noção que não estava bem, pelo que arranquei sem forçar grandes ritmos­ no inicio, puxando apenas um pouco pelo 3º km para evitar um possível engarrafamento numa subida. E rapidamente entramos no sobe e desce, no parte pernas autentico que caracteriza esta prova. 

Pequenas rampas a subir e descer e que lhes vemos o fim, mas que assim que acabam viramos para o lado e temos outra rampa igual, no sentido inverso, em constantes ‘S’.
E foi com este parte pernas que cheguei ao 1º abastecimento, cerca do 11º km. 


A poucos metros do 1º abastecimento, fotos do Paulo!

Não me demorei, peguei apenas num pedaço de banana e segui. Os flasks iam cheios ainda, pelo que não senti necessidade de mais nada.
E se até aqui tinha vindo quase sempre acompanhado, a partir deste ponto segui já mais sozinho.
Apesar de não estar na minha melhor forma estava a aguentar-me bem, até ao 16ºkm onde tive um ataque de tosse que parecia que saltava tudo para fora…. Estive uns minutos parado, ate conseguir recuperar um pouco, e decidi abrandar o ritmo, de forma a baixar os BPM e a respiração.
Com este baixar de ritmo comecei a ser ultrapassado por vários atletas, mas isso seria o menos importante. Fui também apanhado, cerca do km 20, pelo meu amigo Paulo Sousa. Contei-lhe o que se tinha passado e disse-lhe que ia seguir nas calmas, para ele seguir que no final la nos encontrávamos, mas ele decidiu ficar e seguirmos juntos. Km 23 e abastecimento, neste parei, enchi os flasks e aproveitei para comer alguma coisa. Estivemos parados aí uns 5 minutos e seguimos, em ritmo de passeio e na conversa.

Se as previsões para este dia eram de tempestade, neste segmento tive calor que parecia verão! Ate ao abastecimento seguinte, 30º km seguimos nas calmas alternando corrida com passo rápido, e depois de mais uma pausa para reabastecer no ultimo abastecimento decidimos correr um pouco. 
No último abastecimento

Pouco depois do último abastecimento, 4km para a meta

Faltavam cerca de 4km, já cheirava a sopa da pedra e à caralhota!!

Quase 5h depois do inicio cortámos a meta. Foi, de longe, a pior prestação que tive nas 3 participações do Trail de Almeirim, mas dadas as circunstancias fazer melhor era difícil.


Quanto à organização, já sabia com o que contar e uma vez mais não desiludiram. Gostei da alteração do percurso, embora ache um pouco chatos aqueles ‘S’ nos km iniciais, onde descemos e subimos por vezes lado a lado, mas percebo, pois sem grande altitude de serra tem de se criar altimetria; quanto ao resto tudo excepcional desde as marcações a abastecimentos, a massagem no final e os banhos com água quente, e o almoço.
A famosa caralhota! :P 


Até para o ano!!!!


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Trail Abrantes 100


Sexta-feira, meio da manhã; acordei com as vias respiratórias completamente entupidas, cheio de dores de cabeça e a vomitar...  Andei a semana toda a escapar à vaga de constipações que andava lá por casa, e no dia em que tinha de estar mesmo bem, levei com ela toda em cima. Mal me conseguia mexer, mal me aguentava em pé, comer nem pensar... 12h antes do início da prova o meu pensamento era não ir. A Ana Bela envia uma mensagem ao Paulo, com quem eu tinha tudo combinado para ir, a avisar que não estava bem e a pensar em não ir, mas ficamos de dizer alguma coisa mais tarde. Entretanto, tanto ela como os miúdos, principalmente o Tomás, vão dando força e incentivando para animar e ir. Vou tomar um banho, visto-me e aos poucos começo-me a sentir melhor, e mando esta mensagem ao Paulo:
A muito custo consegui comer um bocado de arroz e um pedaço pequeno de carne, fui à farmácia comprar Antigripine, coloquei as coisas no carro e arranquei em direcção a casa do Paulo. O espírito já era outro neste momento
A viagem até Azeitão foi rápida e calma, coloquei tudo no carro do Paulo e arrancámos: os Paulos e as Anas, as dele que a minha ficou por cá :)

Viagem até Abrantes nas calmas e na conversa, com muito nevoeiro e uma paragem em Ponte de Sor para jantar bem. 9 e tal da noite chegámos a Abrantes, fomos levantar dorsais e assistir à tertúlia; conversa interessante durante pouco mais de hora e meia.



De seguida aproveitar as boas instalações disponíveis para equipar abrigado do frio e da chuva molha tolos que caía, e por fim concentrar para a grande jornada que teria pela frente.


Bem dispostos, nada nos assustava!!







Concentrado enquanto ouvia o briefing, momentos antes da partida
Pela 01h da manhã é dada a partida.


Caía um orvalho, nem sei se chegava a poder ser considerado molha tolos! A temperatura, contrariamente ao que temia, estava bestial para correr. 
Arrancámos nas calmas.
O Paulo vinha de lesão e tinha poucos treinos para esta prova, pelo que o combinado era irmos sempre juntos, mas ele comandava; se se sentisse bem corríamos e se sentisse algum tipo de dor/cansaço abrandávamos; não forçar a subir e correr no plano e descidas. Plano simples portanto!!

E a verdade é que fomos indo sem grande dificuldade sempre num ritmo confortável para os dois em que nos permitia ir a conversar. Rapidamente passámos pelo 1º abastecimento ao km9 mas não parámos e seguimos directos para o abastecimento aos 16k. Por esta altura já nos tínhamos apercebido que a maior dificuldade que iríamos ter era o nevoeiro nalgumas zonas: com o foco do frontal chegávamos a ver pouco mais de um par de metros por vezes. Nalguns locais, principalmente bifurcações (e esta acho que é a única crítica que faço à organização) as marcações estavam fracas, com poucos refletores e as fitas brancas não se viam.
Chegámos ao 2º abastecimento na aldeia de Sentieras, e a animação no local do abastecimento era brutal. Brutal era também a mesa que ali tínhamos à nossa disposição, cheia de comida, e a simpatia das muitas pessoas que ali estavam que prontamente se ofereceram para nos ajudar e tirar fotos connosco!!! Depois de reabastecidos lá seguimos, e à saída do abastecimento, tal como nos seguintes, era brutal o choque térmico que levávamos: à saída ficávamos gelados levando alguns minutos até recuperar a temperatura.

O próximo abastecimento era em Casais Revelhos ao km25 e lá fomos nós sempre a manter o plano. Uma vez mais ao chegar ao abastecimento, a animação era enorme, e a comida nas mesas também!! Tratámos de abastecer e comer com calma, e arrancámos para mais um segmento, este de apenas 6km até Casal das Mansas. Neste segmento senti algumas dificuldades: não me apetecia correr, só queria poder encostar-me e dormir!! Ia cheio de sono e o Paulo só perguntava se me podia bater para ver se acordava!!! Lá me fui arrastando até ao abastecimento e aqui chegado perguntei à simpática senhora que lá estava se havia café. A resposta foi negativa, já tinha acabado, mas rapidamente fizeram mais e me deu uma caneca de café, acabadinho de fazer, nham nham :P O Paulo estava a apressar-me, mas eu só queria beber o meu cafezinho!! Lá lhe fiz a vontade e me despachei o possível, e seguimos para as Mouriscas, dali a 6k apenas. 

Entre abastecimentos não há muito que contar, o percurso era agradável, pouco técnico e muito corrível, e a noite estava bestial para correr, ninguém diria que estávamos em Dezembro!!

Quando chegámos ao abastecimento estava cheio de fome. Sentei-me e enchi-me de batata frita e 2 sandes de presunto. Fiquei satisfeito, abasteci os flasks e arrancámos. Este seria o último abastecimento de noite, o próximo era aos 50k na Concavada, a base de vida. 
E chegámos lá, contrariamente a todas as previsões do Paulo que falava em estarmos lá entre as 9 e as 12h, eram cerca das 8.10 da manhã!! Estávamos bem, muito bem. Eu ia a sentir-me espectacular, já tinha falado para casa com a Bela e os miúdos, estava tudo a correr às mil maravilhas que até parecia mentira!! 
Neste abastecimento tínhamos planeado fazer uma paragem prolongada, e arrancar por volta das 9 da manhã. Aproveitámos para mudar de roupa e comer. Comi bastante mesmo, cheguei aqui esfomeado e aproveitei para comer descansado e recuperar energias. Aqui tivemos também pela 1ª vez a companhia das Anas do Paulo, que nos ajudaram a trazer comida, a encher flasks, a relembrar-me para tomar o antigripine... um sem fim de coisas mas que numa prova destas por mais pequenina que seja a ajuda faz imensa diferença.

Saímos retemperados e cheios de confiança. Metade estava feito, a metade que considerávamos mais difícil por ser de noite, por causa do nevoeiro, do sono, erc.

Com o passar dos km e a perspectiva de fazer um bom tempo, nesta altura apontávamos para algo à volta das 15h, a confiança ia em altas e seguíamos bastante animados. 
Rapidamente chegámos ao abastecimento seguinte, aos 58k na Central do Pego, comemos qualquer coisa e seguimos. O próximo era aos 67e lá chegados contámos novamente com a ajuda das Anas, e só tivemos de comer e descansar. Uma das pessoas que lá estava também nos diz que estamos muito bem classificados, pelo 30º lugar, e saímos cheios de ânimo para mais um segmento de 8k, até às Arreciadas.

Ao chegar ao abastecimento, foto da Ana Ribeiro Alves
Cheguei a este abastecimento novamente cheio de fome!! Comi novamente bastante, quando não havia sandes de presunto as senhoras iam fazer mais!! 
Saímos novamente cheios de confiança e com um até já, pois o próximo abastecimento era dali a apenas 5k.

E foi depois deste abastecimento dos 80k, não sei ao certo quanto km depois, que deixei de conseguir correr. A dor já vinha a aparecer há alguns km, mas com 80k nas pernas é normal ter dores!! Pensei que fossem cãimbras, e fui seguindo, mas as dificuldades para correr foram aumentando. 
E aqui toda a prova foi por água abaixo.... As perspectivas de lutar por ganhar mais alguns lugares na classificação, fazer um bom tempo, terminaram por aqui. Ainda disse ao Paulo para ele seguir, eu não ia desistir mas já não conseguia correr... Ele não me abandonou, e assim fomos em modo caminhada até ao Tramagal, aos 93k.

À chegada ao Tramagal, foto da Ana Ribeiro Alves

Chegada ao Tramagal, adoro esta foto!
Neste abastecimento ainda tinha alguma esperança que fossem câimbras o que sentia, e tomei uns comprimidos de magnésio e comi banana, mas nunca chegou a fazer efeito, o mal era outro....
E lá seguimos resignados, eu a lutar contra as dores e o Paulo sem nunca me abandonar. 
Estes últimos km, não até aos 100 como "prometido" mas 104.5 que marcou no meu relógio (estreei aqui o meu novo Suunto Spartan Ultra, espectacular!!), foram uma guerra enorme, mas já tinha decidido que iria terminar custasse o que custasse...
O percurso junto ao rio até era capaz de ser agradável, mas eu não tinha vontade nenhuma de olhar pro lado... só queria chegar à ponte para atravessar para a outra margem, mas a porra da ponte nunca mais chegava... Quando por fim chegou, já de noite, faltava "só" mais um bocadinho, que era voltar para trás um par de km num trilho junto ao rio, mas com bastante pedra solta e alguns declives. Louvo a paciência que o Paulo aqui teve comigo, obrigado amigo...
Por fim, apanhamos a última rampa, e chegados lá acima o Paulo avança e diz estas palavras que não esqueço: "Este momento é teu, lutaste para o conseguir, espero por ti ali na meta. Não chores!!".
Mas chorei. Liguei para casa a dizer que estava feito, que estava a chegar ao estádio; desliguei o telefone, olhei para o céu e ofereci esta prova a Ela que nunca me abandona, a minha Mãe. Chorei, gritei, descarreguei tudo enquanto percorria os metros iniciais no tartan da pista. 
Na meta já via o Paulo, as Anas e alguns elementos do staff a puxar por mim e a bater palmas. Sem conseguir, tentei fazer alguma coisa parecida com corrida nos últimos metros, e terminar a prova com alguma dignidade!!









Não tenho ainda palavras para agradecer ao Paulo, à Ana e à Ana por tudo... Toda a atenção, a ajuda, o carinho e paciência que tiveram para comigo, sem vocês acho que não tinha terminado a prova. Mais uma vez, obrigado :)

Quanto à prova/organização, já mencionei acima a questão das marcações que, nomeadamente nalgumas bifurcações deveria ser reforçada. Quanto ao resto, e enquanto pude desfrutar, adorei o percurso, estava a ser a prova perfeita. E os abastecimentos.... bem, estes abastecimentos foram simplesmente os melhores que já apanhei. E a simpatia dos voluntários, sempre prontos a ajudar, sempre a apoiar, TOP TOP

Um ponto negativo, para mim: a medalha finisher não gostei. Admiro o atleta que está retratado na medalha, mas um bocado de plástico com uma fotografia de um atleta penso que não seja a melhor opção. Porque não com o castelo de Abrantes???

Como disse, gostei da prova, e conto voltar para melhorar este tempo ;)

terça-feira, 28 de novembro de 2017

5º Trail do Zêzere 70k


Esta era uma daquelas provas que estão na lista de provas a fazer, por isso quando estive a fazer o planeamento de provas para a 2ª metade do ano, esta entrou no 1º momento. Seria o maior objectivo do 2º semestre, seria… se o ano terminasse em Novembro, mas essa é outra história!!
Para esta prova inovei, fiz o que nunca tinha feito e resolvi ir no dia antes e ficar no solo duro. Seria uma novidade dormir num espaço com mais umas dezenas de atletas, mas andava curioso para experimentar e esta foi a oportunidade ideal.
Assim, na 6ª após o trabalho, encontrei-me com o Elvino em Lisboa e seguimos os 2 até Ferreira do Zêzere. Viagem nas calmas e sem percalços, a conversar sobre os assuntos do momento e planos para a próxima época. Chegados a FZZ, ainda pouco movimento junto ao pavilhão, fomos logo levantar os dorsais e depois preparar o lugar para dormir no solo duro. Após um jantar descansado num restaurante ali perto, voltámos para acabar de preparar o material e foi hora de descansar…

 
Despertador tocou pelas 5.30, mas já estava meio acordado. A verdade é que, se a noite até decorreu sem muito barulho, ao acordar houve pessoal que se esqueceu que havia ali mais gente a querer descansar. A mim acabou por não incomodar, mas havia gente que ia para as outras provas e acabou por acordar àquela hora… adiante

Trouxa arrumada no carro e pequeno-almoço tomado, lá seguimos para a partida, com um frio do caraças!! As luvas deixei-as no saco no carro, mas bem que me arrependi… 

Passavam alguns minutos das 7, apos umas breve palavras do Luís Graça, foi dada a partida. Optei por arrancar rápido para tentar aquecer, e depois iria abrandar, e assim foi. Primeiros km em alcatrão a rolar bem, e depois quando entrámos nos trilhos baixei então para o meu ritmo.


O plano para a prova passava por ir com calma a gerir o esforço, sem nunca forçar demasiado; o objectivo era terminar, e o 2º objectivo era terminar!

A paisagem, o mais marcante nesta prova, era à nossa volta desoladora… tudo preto, tudo queimado. Se afastássemos um pouco o olhar, ao largo tínhamos o rio e as nuvens baixas que davam outro ar ao ambiente, mas quando voltávamos a olhar à volta, triste muito triste…

Segui bem até ao 1º abastecimento por volta do k8, onde mesmo ao chegar toca o telefone J eram a Bela e os miúdos a dar o bom dia e a saber como estava! Segui um pouco a caminhar à conversa com eles e depois voltei a correr. Ainda estávamos no início, e ia a sentir-me bem. O percurso era bom, um sobe e desce constante mas dava para manter um bom ritmo. 

Ate que por volta do k20, quando já levávamos vários km a correr pelo meio do queimado, comecei a ter algumas dificuldades a respirar. O cheiro ainda a queimado, o ar saturado estava a causar-me dificuldade em respirar, e com uma sensação de secura constante na garganta, mas por mais que bebesse, e bebi muito, a secura não passava. Pois não, a garganta estava irritada e doía.

Estas dificuldades obrigaram-me a abrandar um pouco. Se tinha de beber mais água entre abastecimentos tinha de me resguardar mais e lá fui seguindo, pelo autêntico serrote castanho que nos ofereceram. 
Paisagens brutais, mas tudo queimado...
Outra das novidades que levei para esta prova, mas que até à última hora esteve em dúvida, foram os bastões; e que escolha acertada que se revelou. Ajudaram a subir, e ajudaram tanto ou mais a descer, servindo de apoio ou travão. 


Por volta do km 43 juntei-me a mais dois companheiros. Isto do trail é fantástico porque nos permite ir a locais fantásticos, mas dá-nos igualmente a oportunidade de conhecer pessoas com quem a sintonia é imediata. Foi assim com o José e o Mário. 
Aqui ainda ia sozinho!
Já tínhamos andado ali no ora avanças tu ora avanço eu, mas a partir deste momento juntámo-nos e foi ate final. Conversa agradável sobre muita coisa, lá fomos progredindo. Chegados ao abastecimento do k50, íamos na expectativa se teríamos algo diferente dos restantes abastecimentos para comer.

E aqui vai a principal crítica (1 de 2) que faço à organização. Se tiveram um trabalho de louvar a erguer uma prova destas numa zona totalmente destruída pelos incêndios, critico o facto de, após 50k a única coisa que disponibilizam diferente no abastecimento é uma taça de canja. Isto é polémico e já houve grandes discussões noutros locais por causa disto, mas porra… nem metade de um pão com qualquer coisa lá no meio??? Andamos há 7 ou 8 horas a meter laranja banana e batata frita misturada com água e isotónico, se calhar era bom ingerir algo mais solido, não??

A outra critica (2 de 2) é, a seguir a este abastecimento, meterem-nos a fazer 7km serra acima, com uma parede brutal a subir e a descer, para voltarmos… adivinhem: ao mesmo abastecimento pois!!! Para quê meus senhores??? Para colocar mais altimetria? Fazer uma prova de 70k em vez de 60? O chamado encher chouriço.

Depois desta 2ª passagem neste abastecimento, já de noite e com o tempo a arrefecer, iniciámos então o regresso a FZZ. Regresso feito nas calmas. O terreno ardido apresentava algumas armadilhas, com buracos e troncos queimados, e aqui já ninguém queria arriscar alguma lesão. A prova estava feita e era só terminá-la, e este regresso foi feito nas calmas, com muita subida e a trotear quando possível. 
Obrigado Mário e José pela companhia
13h02 depois de partir chegámos ao pavilhão, objectivo conseguido J prova terminada sem mazelas. A nível muscular senti-me sempre capaz - trabalho de ginásio a dar frutos - e no dia a seguir fui mesmo para a Serra da Arrábida limpar os pulmões com uma caminhada de cerca de 10k!