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terça-feira, 12 de junho de 2018

VIII Ultra de Sesimbra

Pelo 4º ano consecutivo rumei a Sesimbra para participar nesta prova; nos 2 primeiros anos participei na versão mais curta, no ano passado e este ano na versão Ultra.


Dia da prova, saí de casa pouco mais de 1h antes da prova começar. Fui buscar o meu camarada Paulo Sousa que se ia estrear nas Ultras e seguimos viagem nas calmas. Cerca de uns 25 minutos depois estávamos a estacionar o carro. Colocar mochila e seguir para a partida nas calmas, ainda havia muito tempo!
Euipa OCS Proaventuras presente!

Na partida muitas caras conhecidas lembram que aqui corre-se em casa! Muitos elementos da equipa, muitos amigos, muitos conhecidos levam a que se esteja ali na conversa, a tirar fotos sem pensar muito no que está para vir! 

Pouco depois das 9h é dado o sinal de partida. Uma partida sempre rápida com a saída da praça da Califórnia e a entrada na marginal a descer, mas rapidamente o ritmo acalma quando derivamos da marginal para a areia. Na minha opinião esta derivação era completamente desnecessária, penso que não acrescenta nada e chateia logo ao início termos de ir pela areia da praia... adiante! Voltamos à estrada mais à frente e seguimos em direcção ao clube naval e a 1ª subida, para entrar no acesso para a praia da Ribeira do Cavalo. 


Nesta subida o ritmo abranda, meto a passo assim como a maioria do pessoal. Ainda vamos todos perto uns dos outros, o Paulo Alves um pouco à frente, depois eu e uns metros atrás vêm o Paulo Sousa e o Eurico. Entramos no acesso à praia da Ribeira do Cavalo e aqui abrando um pouco nas zonas que podem ser mais escorregadias; as solas dos Wings 8 já apresentam algum desgaste e a entorse que fiz no ESTRELA GRANDE TRAIL ainda não está completamente sarada, ainda sinto uma ligeira dor nalgumas situações. Sou passado por alguns atletas, mas não é importante, sigo no meu ritmo e assim que entramos na subida imediatamente a seguir tento aumentar um pouco a passada e passar alguns. 

Alcançado o topo aumento o ritmo e passo grande parte dos atletas que me passaram na descida, incluindo o Paulo e o Eurico. Queria aproveitar aqui para rolar, pois sabia que cerca do k10 havia nova descida muito técnica, para o Forte da Baralha e iria ter que abrandar bastante o ritmo aí.
Assim fiz, nessa descida abrandei bastante, e assim que cheguei lá abaixo sabia que a parte mais técnica da prova estava feita, depois era só rolar!! 
Segui em direcção ao Cabo Espichel onde estava o 3º abastecimento, e onde apanhei o Paulo e o Eurico. 
Seguimos juntos aqui pelas arribas em direcção à Praia da Foz na zona do Meco. Ritmo sereno e conversa animada, rapidamente chegámos ao 4º abastecimento. Encher flasks e comer um bocado de melancia e toca a andar!! 

Aqui a prova seguia por estradões e estava a tornar-se um pouco monótona... 
Cerca do k27 para ajudar a acabar com essa monotonia a ligadura que levava no pé esquerdo saiu um pouco do sítio e começou a magoar-me, cada passada era uma dor imensa. Assim que cheguei ao abastecimento ao k30 sentei-me imediatamente e saquei a ligadura fora. Problema resolvido, passei ao seguinte que foi hidratar e comer. A hidratação consistiu em quase uma garrafa de 1l despejada em cima de mim e encher os flasks! Aqui disse ao Paulo para seguir, ee está em grande forma, treinou imenso e era a 1ª Ultra dele. Cada 1 com os seus demónios, amigo não empata amigo e vemo-nos no final!! Eu já começava a antecipar o que aí vinha, começava a sentir os gémeos a acusar o cansaço acumulado das últimas semanas entre treinos puxados e provas, nomeadamente o EGT.
Segui com o Eurico pedreira acima, e depois a descida para Sesimbra onde se nos juntou também o Miguel Marques que estava também a fazer a sua estreia em Ultras,  que nos leva à entrada do trilho que vai para o castelo. Já fiz este trilho várias vezes, mas nunca me custou tanto como desta vez... Cada 1 a seu ritmo lá fomos como podíamos por ali acima, a meio ainda encontrámos o Francisco Monte que estava do lado da organização que vinha em sentido contrário a dar água a quem precisava. Finalmente atingimos o castelo, dirigi-me à pequena fonte que lá está e molhei-me todo. Aproveitei ainda para descansar um pouco, massajar os gémeos, e esticar as pernas. Depois ainda fui abastecer e comer qualquer coisa e segui. Faltavam cerca de 9k para o final, queria era acabar o mais rápido possível. Descida do castelo, atravessamento da estrada nacional e passamos para o lado de lá. Se no ano passado não gostei desta parte da prova, este ano muito menos, talvez tenha de ir ali treinar mais vezes mas não gosto daquele trilho! 
Chegado ao último abastecimento colocado no k38, enchi os flasks e segui rápido. Aqui já ia com muitas dificuldades em correr e mesmo a caminha não estava fácil, as dores nos gémeos estavam insuportáveis... 
Prossegui como consegui, o tempo passava e nunca mais chegava ao topo, ponto de viragem onde iria iniciar a última descida até à meta. Mas quando aí cheguei as coisas pouco mudaram, pois a descer também sentia dificuldades.. Não estava fácil, entrei na última descida em trilho e aqui, já com a meta ali ao fundo voltei a correr apesar das dores. Entro no alcatrão e olho para o relógio: falavam 7 minutos para as 6h de prova. Pensei, caraças tenho de lá chegar abaixo antes das 6h!! Disparei por ali abaixo e 4 minutos depois estava a cortar a meta lol


Já lá estavam o Eurico e o Paulo. Trocámos comprimentos, um grande abraço ao meu amigo Paulo que concluiu a sua 1ª Ultra com muita qualidade, Grande prova amigo!!



Pernas completamente "desfeitas", atirei-me para o chão e assim fiquei durante um bocado. Depois fui tentar comer alguma coisa, mas o abastecimento ali na meta, aquele que teria melhores condições para ser o melhor abastecimento não tinha praticamente NADA para comer.... inadmissível....

quinta-feira, 31 de maio de 2018

ESTRELA GRANDE TRAIL

Cresci a ver a Serra da Estrela num horizonte não muito distante. Cerca de 50k distavam dos meus lugares de brincadeira para o ponto mais alto de Portugal continental. De onde quer que olhasse lá estava ela, imponente, vestida com o manto branco durante o inverno e o início da primavera, e despida mas ainda assim bela durante os meses de verão. Foram várias as vezes que fomos passear à serra: fazer sku na neve, ver as trutas em Manteigas e a etapa raínha da Volta a Portugal, com a subida à Torre! 
Lembro-me de olhar para aqueles ciclistas e pensar que eram uns heróis, subir assim à Torre!, que brutalidade. Nunca imaginei, naquela altura, que iria um dia também subir ao ponto mais alto da serra não de bicicleta, mas a correr!!!


O Estrela Grande Trail há muito que estava nos planos, só não sabia se era para este ano ou o próximo. A ideia inicial passava por ir a Portalegre ajustar umas contas que ficaram por terminar no ano passado, mas a hipótese de variar este ano também não me desagradava, e por isso acabei por decidir fazer esta prova; em 2019 volto a Portalegre!!

Aproveitando que ia fazer a prova, decidimos ir todos. Tirámos a 6ª feira de férias e fizemos uma viagem calma até Canas, com direito a paragem para almoço junto ao rio Mondego para um agradável e descontraído picnic e o jogo de atirar pedras para o rio, com o Tomás e a Madalena!!

A meio da tarde chegámos a Canas, e a partir daí foi só descansar, comer, hidratar e acabar de preparar as coisas para o dia seguinte.
A vista em Canas para a Serra da Estrela

Para o final da tarde chegaram também o Paulo e a Ana Alves. Iam ficar em Canas connosco e no dia seguinte iríamos todos juntos para Manteigas. Com o Paulo e a Ana há sempre boa disposição, e foi assim que decorreu o jantar e a pequena caminhada que fizemos antes de ir deitar.

4h30' da manhã e toca o alarme do telefone. 2 minutos depois começa a apitar o relógio! Estava na hora de sair da cama, equipar, tomar o pequeno-almoço e arrancar em direcção a Manteigas!

Viagem de cerca de 1h20' feita sem sobressaltos, a apreciar a magnífica paisagem com que fomos brindados assim que começámos a subir de Seia. A apreciar a paisagem, e a concentrar-me para o desafio que estava prestes a começar!!!

Chegados a Manteigas os carros foram estacionados bem perto da zona da partida, e fomos ao secretariado levantar os dorsais, processo que correu bastante rápido e sem sobressaltos. Depois foi tempo de ir tomar café, acabar de equipar e ir para a zona da partida. Estava prestes a começar!!!


Depois de ouvir as últimas indicações dadas pelo Armando Teixeira e a contagem até 0, arrancámos. E arrancámos, logo a subir! E assim seria pelos próximos 6km, até chegarmos às Penhas Douradas. Um trilho que sai de Manteigas serra acima aos "esses", e que nos colocou logo em sentido!! Os 8km que nos separavam do 1º abastecimento no Vale do Rossim não iam ser fáceis!! Apesar de ainda ser cedo, o sol já estava a aquecer e não tardou a estar a transpirar e cheio de calor! Este troço até às Penas Douradas foi feito maioritariamente a caminhar com pequenos bocados de corrida; não convinha forçar pois ainda faltava muito.

Chegados ao largo das Penhas Douradas entrámos num estradão onde já dava para correr e assim se fez. Um pouco à frente já se avistava o lago do Vale do Rossim, estávamos a chegar ao abastecimento. Corríamos agora por terrenos queimados, onde a terra fica mais mole e como que se desfaz à nossa passagem, onde há cotos de árvores queimadas, onde é preciso mais cuidado onde se colocam os pés, não vá fazer-se uma entorse....
C#$%$##"% para isto, foi isso mesmo que aconteceu.... Nessa zona coloquei mal o pé direito, e fui logo ao chão. As dores eram fortes, e à memória veio imediatamente a entorse que fiz no ano passado nos Montes Saloios que me fez desistir da prova e parar 1 mês... Levantei-me calmamente, tentei pousar o pé e avaliar se as dores eram semelhantes; não eram, pelo menos conseguia caminhar.
Comecei lentamente a caminhar e depois a correr, a dor abrandou um pouco, o abastecimento estava ali a 300m e chegado lá iria colocar ligadura. Depois, logo se via!!!
Chegada ao Vale do Rossim

Cheguei ao abastecimento, e já lá estava o Paulo. E a Ana, e o meu Pai e a Lena. Comi um bocado de laranja, banana, enchi os flasks e dirigi-me apressado a umas cadeiras que lá estavam. "Torci o pé ali atrás. Tenho de colocar a ligadura". Soou o alarme, acho que ficaram mais aflitos que eu lol

Ligadura colocada, um "até já" e lá seguimos que estava na hora.

O troço agora até à Garganta de Loriga era um "falso plano", sempre a ganhar altitude mas sem grandes inclinações, dava para ir correndo. Fomos seguindo, de vez em quando lá me dava uma pontada de dor no pé, mas nada demais.
Aqui com o meu amigo Rui

Rapidamente chegámos à Fenda da Nave Mestra, local emblemático da serra da Estrela. Com a minha elegância não tive grandes problemas em passar este obstáculo, apenas alguns cuidados por causa do pé, o receio de o colocar mal era grande. Atravessado este ponto continuamos em direcção à Garganta de Loriga e chegamos aos pontos onde ainda havia neve, ou gelo vá! Engraçado ao início, depois começou a fartar um pouco e a dificultar a progressão. E nisto estávamos no 2º abastecimento, onde só havia líquidos para reabastecer os flasks para a subida para a Torre.



O meu pai aflito pergunta como estava e repondo que estou bem, sem preocupações.



Enchemos e seguimos, mais um bocado de neve para atravessar e entramos na subida para a Torre. Neste ponto já começava a ficar com algumas dificuldades para subir, a fome começava a apertar, começava a sentir-me fraco....

Foi um alívio enorme quando vi a Torre ali à frente, mas os metros custavam a passar...

Chegada à Torre. Foto espectacular tirada pela Ana

Finalmente atingimos o ponto mais alto, muita gente a tirar fotos, a apoiar os atletas. Dirigi-me para o abastecimento, ia faminto e só pensava em comer!!! Peguei logo num bocado de laranja, banana, bolachas e pão, e por fim sentei-me a comer uma taça com bolonhesa. Finalmente estava a recompor o estômago e a acalmar um pouco, a recuperar forças. Esta subida tinha sido mais difícil que o esperado, aliado às ligeiras dores no tornozelo e à fome, sentia alguma dificuldade em respirar devido à altitude. Na verdade, já tinha comentado com o Paulo pouco depois do Vale do Rossim que estava a sentir dificuldades a respirar como nunca havia sentido.
Depois de recomposto o estômago, fui ao carro do meu pai que estava ali ao lado. Precisava de trocar a ligadura que tinha no pé, que estava apertada demais e trocar por um suporte para o tornozelo com compressão que tinha no saco. Aproveitei e troquei também as meias para umas secas, que se mantiveram secas apenas por escassos minutos!!

Aqui a tirar a ligadura e a trocar de meias
Troca feita, era hora de seguir. O Paulo estava bem e seguiu à frente, fez bem pois eu ia mais lento e como se costuma dizer, amigo não empata amigo! Ora depois de chegar ao ponto mais alto, a solução é descer. E assim que saímos da Torre o caminho era para baixo! 1º pelo meio da neve/gelo, e depois de andar uns quantos metros pela estrada, entrámos num trilho paralelo à estrada, com muita pedra e de difícil progressão no estado em que ia.
Esta foto faz jus ao lema da prova: "Enjoy being small"
Segui por ali abaixo com cuidados redobrados para não torcer novamente, até chegar ao cruzamento do trilho com a estrada, onde estavam novamente o meu Pai, a Lena e a Ana e entrar no trilho que guiava pelo Vale Glaciar.


Aqui já mais a direito, era mais fácil correr. Ali sentimo-nos mesmo pequenos entre os montes gigantes... Fui seguindo com calma até chegar a novo abastecimento. Aí havia um pequeno tanque com água fresquinha, onde mergulhei imediatamente as duas pernas; que bem que soube, e não fui o único a seguir esta táctica de refrescamento!! Após uns minutos de molho lá me abasteci e segui caminho. O próximo troço começava com uma subida com inclinações na casa dos 20 a 30% e cerca de 1,5k com 270D+, não foi fácil!!!

Chegado ao topo entrámos num estradão. Soube bem para poder esticar as pernas novamente e voltei a correr, devagar mas ia a correr! Começou também a ameaçar chover e de repente ficou frio, o que obrigou a vestir o impermeável. Um pouco à frente encontrei o Luís e a Goreti que estavam a fazer a prova dos 109k, e colei-me a eles! Soube bem ir com companhia e lá seguimos alegres e na conversa até ao abastecimento seguinte.
Ali aproveitámos para descansar, abastecer de líquidos e seguimos. Até ao Poço do Inferno iríamos juntos, depois as provas separavam-se. O ambiente ia agradável, o ritmo descontraído e o percurso também entrou num trilho bastante agradável, uma espécie de bosque onde dava uma vontade enorme de correr, o meu medo era mesmo o tornozelo....
Chegámos ao Poço do Inferno e separamo-nos, eles ainda tinham quase uma maratona pela frente, eu estava a pouco mais de meia dúzia de km da meta. Mas aqui tive uma surpresa inesperada: mais uma parede para subir, pensava mesmo que já não havia mais subidas daquelas...
Pois bem, se ela ai estava tinha de ser feita por isso lá cerrei os dentes e enfrentei-a. Já ia melhor do pé, no último abastecimento tinha tomado um Ben-U-Ron e as dores estavam a abrandar pelo que a confiança aumentava um pouco.

Chegado ao topo, agora sim era a descer ate Manteigas!! Sempre com cuidado para não torcer novamente mas a ganhar confiança, foi a parte da prova onde me senti melhor.
"Disparei" por ali abaixo a ritmos que ainda não tinha atingido nesta prova, foi o segmento onde me diverti mais.
Aos 43k passo novamente pelo meu Pai e a Lena. A Ana já tinha seguido para Manteigas para acompanhar o Paulo na chegada à meta :)

Incrível a alegria deles ao nos verem, a alegria e motivação que nos transmitem ali naqueles poucos segundos em que passamos por eles. Faltavam 5k, estava a sentir-me muito bem e só queria chegar!!

Continuei com tudo o que tinha e cheguei a Manteigas, uma última rampa a subir e entro na recta da meta, finalmente a passadeira amarela!


Lá ao fundo estavam eles à minha espera. Sigo em corrida pela passadeira amarela, é uma descarga enorme de toda a adrenalina acumulada ao longo de tantas horas de prova, de tanto sofrimento, mas neste momento a certeza que tudo vale a pena.
Corto por fim a meta, estou feliz, todos estamos felizes.
Adoro esta foto, acho que está fantástica!
Apesar de tudo tanto eu como o Paulo acabámos bem. Ficamos por ali a tirar fotos, estava terminada a prova! Demorei mais que o que tinha pensado, bem mais. Mas não esperava tantas dificuldades, nem torcer o pé logo aos 8k. Desistir só era opção se a entorse fosse mesmo grave, assim tive de ir sempre a proteger o pé com cuidados redobrados principalmente a descer.
Com o meu Pai e a Lena
Depois fui tomar banho e, se há algo que há a apontar à organização é aqui: sei que a crioterapia é uma boa terapia de recuperação, mas depois de tanto acho que merecíamos um banho de água quente!!

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Rock'n'Roll Maratona de Lisboa 2017

A vida é como um livro feito de capítulos, e em que no final de cada um há um ensinamento a aprender. Neste capítulo da maratona, e apesar de já não ser a 1ª, há várias coisas que tenho que retirar para não se repetirem no futuro...

Tal como no ano passado, andei quase até às últimas a decidir se ia ou não à maratona. Sensivelmente a um mês da prova, comprei um dorsal a uma pessoa que não poderia ir, e vendi-o um par de dias depois (pelo mesmo valor!!) porque soube que a minha empresa ia pagar a inscrição a quem quisesse ir :)

No referente à preparação, no último mês dediquei-me exclusivamente a preparar esta prova: deixei de ir pra serra, e substituí esses treinos por outros longos de estrada. Com o aproximar da data a confiança aumentava, estava a sentir-me bem nos treinos, e com isto estabeleci o objectivo de baixar o tempo do ano passado, das 3.35 para um tempo a rondar as 3.20 / 3.25. Para conseguir isso, a estratégia passava por juntar-me ao grupo da banedira das 3:30 até à zona de Algés e depois, se as pernas o permitissem, descolar para tentar então baixar o tempo.

No domingo, a rotina pré-prova correu sem sobressaltos. Fui com o amigo Gil Caldeira, companheiro de equipa do OCS PROAVENTURAS, deixámos o carro, tal como nos outros anos, na estação de Algés e lá apanhámos o comboio. Chegados a Cascais a caminhada até ao largo do Hipódromo, últimos preparativos e ir para a caixa de partida. Tudo OK e sem sobressantos, a confiança estava em altas!

Dada a partida, este anos 30 minutos mais cedo, arrancámos no meio da multidão inicial juntamente com o grupo das 3:30.

Depois dos metros iniciais o pelotão começou a esticar e a haver espaço, e deu para estabilizar ritmos. E esta é a grande questão e foi, a meu ver, o meu grande problema... Para fazer 3.30, o ritmo deveria ir a rondar os 5'/km; acontece que o pacer ia a colocar ritmos mais elevados entre os 4'40" e 4'50", apenas com alguns abrandamentos esporádicos...

Eu dei conta disto, olhei várias vezes para o relógio e pensei que íamos rápido...
É óbvio que a culpa não foi dele; a estratégia que eu tinha definido poderia (e deveria) tê-la mantido, e continuar eu a rolar a 5' só que... naquele momento, com a adrenalina da prova e a frescura ainda dos km iniciais, deixei-me ir...

Deixei-me ir, ora à frente do grupo ora atrás, devido às várias paragens que tive de fazer para aliviar a bexiga!! E assim foi, até por volta do k30, onde basicamente fez PUM!!
Comecei a ter mais dificuldade em correr, senti os gémeos como nunca os tinha sentido, mesmo em distâncias muito superiores. E a partir daí, resignei-me e vi-me obrigado a baixar o ritmo, e na zona de Algés houve um pedaço onde fui mesmo a alternar a corrida com caminhada. 

Nos kms finais, com o aproximar da meta ganhei algum ânimo e as forças parece que reapareceram, e voltei a correr.só parando quando cortei a meta!





Esta foi das 3, claramente a maratona onde sofri mais para acabar. Identifico alguns erros que cometi e não deveria até porque já não sou inexperiente nestas andanças... O descanso é fundamental, mas nas noites que antecederam a prova, em vez de me deitar cedo arranjava qualquer coisa para fazer e ir pro sofá; no dia anterior, que se requer de repouso, passei a manhã em Monsanto (aqui não me cansei, pelo contrário foi relaxante!) mas depois de sair de lá e um almoço no McDonald's, passei 1:30' na fila para levantar dorsal, em pé e sem hidratar; na prova em si, deixei-me levar pela adrenalina e fui a ritmos superiores áqueles que era suposto para fazer o tempo que ambicionava e para os quais estava preparado...

É com os erros que aprendemos, e vou tentar não esquecer esta experiência para não voltar a cometer os mesmos erros.

Quanto à organização da prova e a todas as críticas que já foram feitas, espera-se mais de uma organização com os anos de experiência como esta. O processo de levantamento de dorsais foi vergonhoso, com filas de horas e tudo apertado nos balcões, sem capacidade de dar resposta a tanta gente. A feira... bem é caso para perguntar: que feita??? Meia dúzia de stands num espaço apertado e meio escuro, enfim.... Eu não tive esse problema, mas não haver camisolas para toda a gente??? Inadmissível sr Móia!! Pelo menos, e no que à maratona diz respeito, não identifiquei falhas graves na organização: bastantes abastecimentos e sem faltar água, e o local da meta excelente; para mim tiraram o que mais detestava nesta prova, que era a junção com a meia-maratona.

Uma nota final para o público: em Cascais havia muita gente na rua, quem apoiava eram os estrangeiros, com destaque para os espanhóis; ao longo da marginal havia algum público: quem apoiava eram os estrangeiros, com destaque para os espanhóis; à chegada ao Cais do Sodré e até à meta, havia muito público: quem apoiava eram os estrangeiros, com destaque para os espanhóis. Há aqui um padrão, não há?? Os portugueses, com excepção daquele pessoal que corre e foi apoiar ou de quem tinha lá familiares/amigos, parece quase que estão num velório. Já que estavam ali, apoiassem quem para quem já vai em esforço ouvir um incentivo dá sempre um ânimo extra.