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terça-feira, 22 de novembro de 2016

II Trail Quinta do Pinhão



4ª e última etapa das 4 semanas non stop!

No ano passado participei no I Trail da Quita do Pinhão, e disse para mim que, apesar de ser aqui ao pé de casa, este ano não iria participar. Mas... há sempre um mas...! apesar de não estar muito interessado em participar, ser na semana seguinte ao Duratrail, depois da Maratona de Lisboa e do Grande Trail Serra D'Arga, ofereceram-me um dorsal!! E se era dado, não podia rejeitar, e como era perto, e das 4 provas era a mais pequena e dava para fazer nas calmas, sem desníveis... bem, a verdade é que arranjei uma data de razões para participar. No entanto, na 5ª feira antes da prova, não sei como, sofri uma contractura muscular no gémeo esquerdo, o que me fez andar com dores e ter de recorrer ao David na 6ª, que já me tinha tratado a tendinite que sofri no início do ano. Remedio santo, problema resolvido!!

E assim no dia 16 lá me dirigi para a Quinta do Pinhão, onde cheguei apenas 10 minutos antes da partida. Aquecimento feito a caminho da zona de partida, e lá me posicionei, ali pelo 1º terço do pelotão, a aguardar pela partida. Não ia com grandes objectivos definidos, apenas ir a gerir a prova, rolar num ritmo a rondar os 5'/km o que daria para fazer os 18k em 1h30'. E assim arranquei, a segurar-me para não entrar em loucuras na recta logo a seguir à partida.


A prova decorreu toda na mata de Belverde, onde o desnível é mínimo; nos 18k deu pouco mais de 100DA. As marcações também estavam impecáveis, e os abastecimentos pareceram-me ter o essencial para uma prova desta distância; pareceram, porque não parei, levava um soft flask comigo e chegou, apenas comi alguma coisa no abastecimento final. 
De resto, a prova correu sem grande história. 
Um corta-mato denominado de Trail, propício a ritmos elevados e para o pessoal da estrada deixar o alcatrão por uns momentos. Sinal disso, eram os muitos atletas com ténis de estrada, muitos deles caras conhecidas do troféu do Seixal.

Na recta final, nos últimos 700m olho para o relógio e verifico que o objectivo de terminar com 1h30' será atingido, pelo que acelero um pouco para terminar antes de chegar ao minuto 30. Consegui, acabei com 1h29'51'' e no 27º lugar da geral!!!

O ciclo das 4 provas tinha sido concluído. A que correu pior foi aquela que mais ansiava fazer, mas é mesmo assim, há dias menos bons e aquele 25 de Setembro foi um desses. Em 2017 há Serra D'Arga novamente, e quem sabe não volto para a desforra ;)

sábado, 22 de outubro de 2016

IV DuraTrail 2016



No ano passado queria ter participado nesta prova. Custou-me imenso não ir, uma prova na Arrábida, mas era apenas a 15 dias do grande objectivo do ano, a Maratona de Lisboa e não quis arriscar uma lesão que iria deitar tudo por terra.

Este ano, decidi que tinha de ir, mas havia um problema: era na semana a seguir à Maratona de Lisboa, 2 semanas apenas depois do Grande Trail Serra D'Arga....
Inscrevi-me para os 28k, mas até aos últimos dias andou sempre no pensamento ir fazer os 53k. Ganhou o bom senso.. Sei que os conseguiria fazer, mas depois das provas das 2 últimas semanas, não iria desfrutar da melhor maneira da Arrábida.

Dia da prova, cedo, lá vão os 3 madrugas, eu, o João "KJ" Carapinha e o Paulo Sousa :)
Levantamento de dorsais sem problemas, volta ao carro para acabar de equipar e toca de ir para a caixa de partida que a hora aproxima-se.

Tinha decidido fazer a prova com cabeça, MESMO!! Não me podia entusiasmar! Conhecia praticamente todos os trilhos por onde íamos passar, conhecia as grandes subidas que iríamos enfrentar, e sabia que se abusasse ao início ia sofrer desnecessariamente para o final.
Dada a partida simbólica, lá fomos em pelotão até à partida real, junto à Av Luísa Todi. Saí do PUA no último quarto do pelotão, mas consegui posicionar-me mais à frente para a partida que interessava.

Partida real dada, e arranquei calmo. Já se sabe que o 1º km é sempre rápido, mas rapidamente acalmei e segui ao meu ritmo. A táctica passava por ir a trote sempre que possível nas subidas, e foi isso que fiz logo aos 700m, na subida que nos levava para perto do forte de São Filipe. Entrada nos trilhos, e tive de me aguentar um pouco atrás de um grupo de atletas, que passei assim que me foi possível. Ia em trilhos que conheço bem, por isso sabia que logo à frente havia uma subida curta, mas com alguma inclinação, e depois do Moinho dos Campistas, um trilho a descer em que não queria apanhar atletas à minha frente. E assim foi, conhecendo bem o que tinha pela frente, fui passando atletas e divertindo-me bastante pelos fantásticos trilhos.

Ia tudo a correr maravilhosamente, quando ao quilómetro 9, um percurso que até então estava marcado de forma excelente, e no restante também não deixa queixas, tem ali uma falha enorme, que na minha opinião não pode acontecer: numa descida grande, em que vamos concentrados em descer rápido sem nos esbadalharmos por ali abaixo, sensivelmente a meio, tínhamos de virar à direita. Havia fitas no caminho à direita, mas não havia nada nem ninguém a bloquear o caminho em frente. Ia com outro atleta, e apenas dei conta que tínhamos de virar para a direita porque olhei ligeiramente para o lado.
Era para virar à direita, e não seguir em frente

Comentámos que muitos atletas ali iriam seguir em frente, e seria chato terem de voltar atrás e subir aquilo tudo.Pois, mas o que aconteceu foi que quem seguiu em frente, continuou, e quando chegámos ao abastecimento que era logo à frente, nós que até iríamos bem classificados e não com muitos atletas à nossa frente, encontrámos uma enorme multidão de volta das mesas, sem contar com os que, segundo o João da minha equipa, já teriam seguido ou nem parado no abastecimento.
Fiquei fulo, bastante. Mal lhe respondi, bebi um copo de água e segui.
Logo a seguir ao abastecimento havia talvez a pior subida da prova, a Durassaurus, mas da forma como ia chateado entrei na subida a correr, e segui a trote quase até ao fim. 

Rapidamente e bem cheguei ao 2º abastecimento, que foi onde me demorei mais. Comi, bebi e molhei a cabeça com água fresquinha, e segui. 
Ia com boas sensações, na serra que adoro, trilhos que conheço bem, a divertir-me bastante. 

Estava a cumprir com o planeado, com uma gestão de ritmo irrepreensível, e num salto estava na toca dos javalis, e dali à meta era sempre a descer :)

Apesar de ter feito 2 provas grandes nas semanas anteriores, senti-me sempre bem, sem nunca notar demasiado o cansaço, e com grande satisfação cumpri mais esta meta.

3h18', não sendo um tempo excepcional, considero que foi um bom tempo, o que valeu na classificação final um 56º lugar da geral.
Organização excepcional que, infelizmente, ficou manchada com aquele episódio. Felizmente sei que vão fazer os possíveis para que não se volte a repetir, pelo que para o ano lá estarei novamente, na Ultra!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Grande Trail Serra D'Arga

A propósito de um post que fiz no Facebook, dizia o meu primo Henrique: "Estás em casa." 
E era verdade, estava em casa.
O Grande Trail da Serra D’Arga não era apenas uma prova organizada pelo Carlos Sá, mas sim um regresso às origens. A minha avó materna é de um concelho vizinho, e a minha Mãe também. Esta não era apenas mais uma prova de superação, mas sim uma prova com uma enorme carga emocional. Enquanto percorria os trilhos da serra, não tao bela como outrora devido ao flagelo dos incêndios, passava pelo meio das aldeias com o seu cheiro característico, sentia o cheiro dos animais, as ruas empedradas estreitas e com a marca da passagem do gado, os pequenos muros a demarcar os terrenos, tudo isto me transportava para os meus tempos de menino, em que no Verão, no Natal ou na Pascoa íamos passar as ferias, como dizia na altura, ao Minho. Alturas houveram em que me revia a caminhar por ali com os meus pais, a saltitar de pedra em pedra, enquanto íamos a caminho da casa de algum familiar. Lembro-me que na altura não gostava do chão estar tão sujo, desta vez adorei reviver essa memoria.
As ruas que percorria em menino não eram aquelas de Dem, de Arga de São João ou da Montaria, mas eram iguais, numa aldeia ali ao lado…


São 6:50 da manhã, tenho tudo arrumado e sento-me a comer o pequeno-almoço a que estou habituado: umas sandes mistas (2 porque o pão era pequenino e um sumo natural).  E aqui tenho o 1º sinal que as coisas poderiam não vir a correr como eu esperava; o pequeno-almoço não me caiu bem, comi a custo uma sandes, e a outra nem lhe toquei… tentei ignorar, e seguimos para Dem.
Viagem rápida, e aqui respira-se trail por todo o lado. O tempo está encoberto, à nossa frente a serra que havemos de seguir logo ao início. 


Dirijo-me para a zona de partida, com passagem rápida pelo controle zero. Cumprimento umas caras conhecidas, e ouvimos o sino a dar as badaladas. Tenho ainda um historial de grandes corridas pequeno e esta será a mais mítica de todas em que participei. A atmosfera é brutal, o nervoso miudinho apodera-se e arrancamos. Ao passar o pórtico ligo o cronómetro. Começou o tão aguardado Grande Trail Serra D’Arga!!


A prova começa com a já conhecida volta a Dem, para esticar o pelotão, e dai segue para a serra. Tento não me entusiasmar e gerir o ritmo, pois a prova é longa. Correr a descer e a direito, trote sempre que possível a subir, e quando não conseguir ir a caminhar mas tentar manter um ritmo constante. 
Ao km4
Consigo ir a seguir o planeado e a prova vai a correr muito bem. Á passagem da 1ª hora tomo um gel, no 1º abastecimento bebo um copo de água para poupar a que levo, e sigo.


Vou-me a sentir bem até chegar ao abastecimento no km21. Tentei comer banana, laranja ou batatas fritas, mas não me sabia bem. Bebi um pouco de isotónico e segui, mas a pensar nesta questão, a juntar ao pequeno-almoço e que me abalou a confiança.
Daqui para a frente, e até chegar ao Alto da Srª do Minho, fui a muito custo. 
A última foto que tirei com a GoPro. Os cavalos soltos na serra
A maior parte do tempo a caminhar, com ataques de tosse e vómito. A certa altura passou-me pela cabeça desistir logo ali, ou seguir no máximo até aos 33, onde seria classificado nessa distância. Ao chegar ao alto, bebi água fresca de umas torneiras que lá havia, e descansei um pouco. 
Era esta a minha cara de ânimo ao chegar à Srª do Minho

Não muito, mas o suficiente. Falar com o meu Pai e a Lena que estavam lá à minha espera devolveu-me algum ânimo. Deixei-lhes a GoPro, já não a ia a usar e só me pesava! Disse-lhes que ia seguir pelo menos até à Montaria, que ia avaliar como me sentia até lá e decidiria se ficava por ali ou continuava. Esta era a parte racional a falar, porque a outra, a irracional e mais competitiva, já tinha decidido que ia até ao fim! Estava ali, a cumprir um desejo, e não ia deitar a toalha ao chão tão facilmente!
Saído do alto, voltei a conseguir correr no planalto que se segue, e depois na descida para a Montaria. Apesar de técnica, ser preciso andar a saltar de pedra em pedra e a massacrar mais as pernas, gosto bastante destas descidas, e voltei a ganhar alguma força amímica nesta descida.
Cheguei à Montaria, e encostei à esquerda no abastecimento. A meta dos 33k era mesmo ali, tentador ainda! Aqui encontro o Joel Ginga e pergunto como ele está, digo que vou descansar um bocado e que depois sigo. Ele arranca, porque amigo não empata amigo e há que aproveitar o momento.
Não consegui mais uma vez comer nada, sentei-me no chão durante uns 5’. Tinha perdido imenso tempo desde o último abastecimento, cheguei ali com 4h53’ e decidido a recuperar de alguma forma forças para seguir. Ponderei, alonguei, e ao fazer 5h de prova, levantei-me e dirigi-me para o lado direito da passadeira vermelha, para prosseguir a prova.
Ainda caminhei durante uns metros, e depois comecei a correr. Primeiro devagar, um trote lento, e depois fui aumentando o ritmo.
A sentir alguma fraqueza porque há muitas horas que não conseguia comer nada de jeito, cheguei ao abastecimento seguinte. Aí voltei a encontrar o Joel, comentei que não conseguia comer nada, e ele sugere para pelo menos tentar a melancia. Assim fiz, e que bem que soube! Comi uns bocados de melancia e seguimos juntos. Dentro do possível íamos correndo, até porque estávamos agora na zona junto ao rio e era uma zona mais técnica, e já não estando bem, era mais complicado correr.

Fazia em muito lembrar a 1ª prova que fiz este ano, o Trail Centro Vicentino da Serra em Portalegre, e onde me lesionei, por isso foi com algum cuidado redobrado que transpus alguns obstáculos. Sempre a subir, chegámos ao último abastecimento. Já ia novamente a sentir fraqueza, nalgumas partes em piloto automático e a seguir o Joel, que ia sempre a dizer que devia comer algo com açúcar. Pois, os géis até iam na mochila, mas só de pensar nisso….
Aqui consegui finalmente comer. Bebi um copo de Coca-Cola, que penso que ajudou bastante, comi banana, laranja, batatas fritas, e chocolate, muito chocolate!! Fomos ainda informados que a prova não seriam apenas 53k, mas sim 53 + 3 ou 4. OK, siga!!

Ainda subimos mais um bocado até às eólicas, onde já sentia bastante frio. Ainda pensei vestir o casaco, mas não adiantava porque íamos começar a descer e ficar protegidos pela encosta.
E começámos a descer, aquilo que penso que foi uma estrada romana. E ia a sentir-me bem. E a descida era tal como eu gosto, e fui!! Fui por ali abaixo a correr, abrandando só no final. Aí voltei a ser apanhado pelo Joel, mas ele só dizia: “o motor voltou a trabalhar, não pares!!”. E Dem já se via ali ao fundo, o motor continuava a trabalhar, e eu fui novamente! Obrigado Joel pelo apoio, foi importantíssimo.
Num instante cheguei à aldeia, e estava a virar à esquerda para meta. As dores e a fraqueza desapareceram! Ao chegar à passadeira vermelha, vejo o meu Pai e a Lena. Estão também contentes, e o meu Pai segue a correr comigo a cortar a meta!!
Estava feito, não tão bem como tinha planeado, mas o principal objectivo estava cumprido.


Um trail por variadas razoes especial, numa região especial. Não consegui ainda perceber o que se passou, já várias pessoas me disseram que pode ter sido dos nervos, de todas as emoções sentidas no fim-de-semana. Talvez, não sei….

Esta foi sem dúvida a melhor prova em que participei. Desde o levantamento dos dorsais em Caminha, à partida em Dem, marcações do percurso que nunca deram margem para duvidas, abastecimentos e simpatia dos voluntários. TOP. É claramente uma prova a repetir, e esperar que dessa vez consiga gerir melhor tudo.



sexta-feira, 29 de julho de 2016

VII Trail do Almonda

Ultimamente não tenho andado mito inspirado para escrever, daí só agora publicar o report desta prova.


Já tinha ouvido falar do Trail do Almonda como sendo uma prova rolante, sem grandes dificuldades técnicas, e de facto foi isso que se verificou. Não sei quais eram as diferenças a nível de percurso para os anos anteriores, mas este ano a prova era recheada de estradões, largos e corríveis apesar de muita pedra solta, e alguns single tracks, alguns técnicos, e outros em que era impossível correr devido à vegetação e silvas que dificultavam a progressão.

A prova não me correu nem bem, nem mal, antes pelo contrário, como disse em tempos o bem-humorado jornalista Gabriel Alves acerca de um jogo da selecção de futebol.
Esta prova inseria-se na minha planificação de preparação para o meu grande objectivo do ano, o Grande Trail Serra D'Arga. A ideia era meter km, fazer o melhor tempo possível, mas acima de tudo, não sofrer nenhuma lesão que pudesse, pela 2ª vez este ano, colocar em causa os objectivos do ano.

No dia anterior deitei-me cedo, não queria que se voltasse a repetir um episódio como quando foi o VI Ultra Sesimbra
4.30 da manhã toca o despertador, e levanto-me. Acho que já estava acordado antes do alarme tocar. Tomar banho, vestir e tomar pequeno-almoço, tudo previamente preparado no dia anterior, e saio de casa com tempo para ir buscar o outro Madruga que me ia acompanhar nesta aventura. Arrancamos em direcção a Pedrogão, e é sem sobressaltos que lá chegamos, cerca de hora e meia depois de sairmos da Margem Sul.

Procurámos o secretariado para levantar os dorsais, e tudo decorreu rapidamente e sem qualquer problema. Acabar de aprontar junto ao carro, fazer o aquecimento e esperar na zona de partida pela hora.

É altura de últimas afinações, reavivar a estratégia para a corrida, e é dado o tiro de partida. 


Aqui reside uma das situações que tenho de controlar melhor nas provas: arranco quase sempre muito rápido, e sabendo que demoro os 1ºs quilometros para estabilizar a respiração, estes arranques em sprint só aumentam as dificuldades... 



Contudo, depressa tomei noção da realidade, e passado um km abrandei o ritmo, para o meu ritmo, e deixei o grupo da frente seguir na sua vidinha!! Ainda assim, seguia bem, a boa velocidade, até que por volta do km5, na 1ª descida técnica da prova, apanhei um susto, com um tropeção que dei numa pedra e que me fez ir com as mãos ao chão, esfolando um bocado a mão direita. Aqui soou o alarme, e decidi que tinha de ir mais devagar, O objectivo para esta prova era meter km e desnível nas pernas, e não queria arriscar uma qualquer lesão que me fizesse voltar a parar. Também o calor que se começava a fazer sentir cada vez mais, a escassez de sombra e o episódio em Sesimbra, em que abafei completamente com o calor, fizeram soar o alarme, e dessa forma passei a fazer uma prova mais resguardada.

Também ia ouvindo por vários atletas que até cerca do k22 ia ser sempre a subir, o que se verificou, o que era mais uma razão para não abusar. E assim fui seguindo, sem dificuldades de maior, até à grande subida, uma parede autêntica que nos levava Às antenas. Aí admito que suspirei bastantes vezes e tratei mal a organização por não colocarem uma escada rolante....

Depois de atingido o topo, veio a parte mais divertida da prova, em que inicialmente por um estradão, mas depois por um trilho empedrado iamos descendo serra abaixo. Foi o segmento onde mais desfrutei da corrida e da paisagem, até chegar ao abastecimento do k24 ou 25, onde indicam que é para continuar a descer, mas afinal ao virar da curva o que estava era mais uma subidinha. E um trilho, apertado pela vegetação, que tal como noutros a organização não mostrou um pouco de trabalho a limpar os trilhos, e de onde saímos todos arranhados - braços e pernas - e mal dava para ver o chão onde colocar os pés. Esta foi, para mim, a maior falha da organização, pois vários foram os trilhos em que era impossível correr e mal se via onde colocar os pés. Daquilo que ouvi doutros atletas, o percurso também estaria pior que nos anos passados, mais estradões secantes, sem sombra e cheios de pedra solta.. Se eram piores não sei, mas a verdade é que o percurso apresentou poucos trilhos interessantes.

Depois deste segmento em que não se conseguia correr, entrou-se num que se chamava algo como "Sauna do Javali", e onde dava para voltar a correr, e com alguma sombra!! Mais a frente, aparece um jovem da organização, que me informa que agora no estradão onde me encontro, faltam uns 2 ou 3 km e é sempre a descer. Bem, não sei se os conceitos do descer são trocados em Pedrogão, porque logo a seguir há uma curva apertada para a direita - aqui poderia estar alguém da organização a indicar, porque sei que houve vários atletas que seguiram em frente enganados - e voltam as subidas. Aqui, mais que a dificuldade física, é a parte psicológica que sofre, pois após alguém da organização indicar que faltam 2k sempre a descer, já não ia de todo a contar com mais subidas. A correr devagar, ou a caminhar, lá se fez, e admito que com alívio cheguei à meta.

Acabei com 4:02:53, algo superior àquele que tinha imaginado fazer, mas contrariamente a outras provas, não fiquei nada desiludido com a minha prestação. Acima de tudo, cumpri os objectivos que tinha estabelecido, acabar bem e sem lesões.


Em relação à organização, quero realçar a simpatia e atenção demonstrados por todos os elementos, mas destacar também, como já referi, várias falhas ao nível do percurso. Não se notou em nenhum trilho que tivesse havido limpeza dos mesmos, e vários foram em que tivemos de passar pelo meio de tojos altos, porque o trilho era ali, as marcações estavam de facto lá; também o excesso de estradões e sem sombra alguma, para uma prova realizada em Julho, deveria merecer uma atenção extra; decisão acertadíssima terem antecipado a hora de partida para as 8, mas essa já deveria ser a hora inicialmente estabelecida.




terça-feira, 7 de junho de 2016

VI Ultra Sesimbra - 21k


Quando, no ano passado, terminei os 21k, ficou praticamente ali decidido que este ano iria fazer a distância maior. No entanto, estava longe de imaginar o calvário que ia passar com a lesão, e no dia da prova, como tudo ia correr mal desde o acordar....


Esta prova tinha tudo para correr bem. Da lesão já não há sinais, o local é sobejamente conhecido, andava a treinar bem, e era a 1ª prova enquanto membro dos "Madruga Runners"! Só que....

As coisas ficaram preparadas desde o dia anterior, não me deitei muito tarde, mas de manhã não ouvi o despertador tocar. E ele toca várias vezes!!! Nunca me tinha acontecido, adormecer para uma prova. Normalmente, acordo até antes do despertador tocar. Mas não desta vez. Tínhamos combinado às 7.20, para irmos com tempo, sem stress. Acordei às 7.40, com o pessoal a ligar-me a perguntar onde estava...Sigam, eu vou lá ter!!

Levantei-me à pressa, equipei e comi qualquer coisa, quase sem mastigar. Esta pressa veio a ter resultados depois, já durante a prova, onde houve uma fase em que não ia muito bem.
Arranquei para Sesimbra, estacionei sem problemas - abençoado sejas Smart, que com o parque cheio consigo sempre um lugar!!! -  e corri para a secretaria levantar o dorsal.
Pronto. Ainda tive tempo de voltar ao carro e acabar de preparar, mas sempre em stress e sem nunca conseguir acalmar.

Fomos para a partida, onde já estava tudo concentrado, e apertado. Talvez pudessem repensar em como colocar os atletas antes da partida, porque grande maioria estava na lateral do pórtico, o que originou alguns empurrões quando foi dado o sinal.

Este ano havia uma novidade, que era em vez de ir logo pela marginal, irmos pela areia da praia e depois pelo passadiço de madeira. 


Não contava com esta incursão à areia, e deu ainda mais cabo de mim. Quando voltámos à marginal tentei estabilizar a pulsação, e o ritmo até chegar à 1ª subida e entrada no estradão, mas sem muito sucesso. Começava a ter a noção que não estava bem e que não ia ser fácil. 
Fiz a subida a caminhar, em passo acelerado, e voltei a correr quando entrámos no trilho que vai dar à Ribeira do Cavalo. Aqui ainda consegui ir sem alguns problemas, sempre em corrida até lá abaixo, mas depois na Subida do cascalho não consegui. Limitei-me a seguir atrás de outros atletas, sempre sem conseguir forçar uma ultrapassagem ou um passo mais acelerado. O tempo começava a abafar, e já transpirava muito. 
Chegado lá acima, voltei a correr, mas sempre sem conseguir aumentar o ritmo. Transpirava e sentia frio, e deixei-me ir a um ritmo lento ou simplesmente a caminhar quando não conseguia mais. 
Confesso que pensei em desistir. Não estava a desfrutar nada, em trilhos onde adoro correr...


Assim segui até ao 2º abastecimento. Parei, comi, despejei uma garrafa de água por cima de mim, e parece que teve efeito quase imediato. Senti-me melhor, os pensamentos mais negativos desapareceram e arranquei. 


Já conseguia imprimir um ritmo um pouco mais elevado, e segui, ainda que, na descida antes do 3º abastecimento,  onde ainda há semana e meia me diverti imenso a descer a um ritmo a que não estou muito habituado, tenha abrandado devido a umas tonturas que voltei a sentir. Cheguei ao 3º abastecimento, aquele onde já li várias críticas a dizer que foi negada comida aos atletas dos 21k. Aqui comi, bebi e despejei água em cima de mim, e ninguém negou nem a mim nem aos atletas que ali estavam naquele momento o que quer que fosse. Aliás, em todos os abastecimentos os voluntários foram de extrema simpatia, o que me leva a crer que não terá passado de um mal entendido.

Depois da pausa, segui pedreira acima, e em direcção ao castelo.Não há muito a dizer, não voltei a sentir tonturas e daqui até final foi a parte em que me senti melhor.


No final uma nota à organização, porque não se percebia bem se tínhamos de seguir pela praia ou pela marginal. Pelo que falei com outros atletas, vários foram os que foram pela areia até ao fim, quando o pretendido, acho que era ir pelo alcatrão - foi o que entendi pelas fitas.

Cortei a meta 2:23:00 depois, com um sentimento de enorme desilusão. Nunca me tinha sentido tão mal numa prova, ainda mais numa de apenas 21k.

Valeu a camaradagem da equipa, e ver os colegas Madrugas a terminarem o 1º Trail. 


quinta-feira, 3 de março de 2016

Lesão.....



Quando sentirem uma dor, não forcem, parem logo. Não justifica acabar aquele treino/prova, e colocar em causa os próximos meses. Consultem um especialista que vos recomende o tratamento, e não se fiquem pela "sabedoria popular" e tratamento caseiro... 

Lesionei-me no dia 10 de Janeiro, no Trail Centro Vicentino da Serra, em Portalegre, sensivelmente ao km17. Senti uma dor na perna, na zona superior do gémeo, que associei a cãibras. 
Devia ter ficado por ali, ou pelo ponto de abastecimento mais próximo, mas quis ser guloso, armar-me em forte e segui. 
Terminei a prova, mas com um tempo muito acima das minhas expectativas, e cheio de dores. 

Depois, em vez de ir imediatamente pedir um diagnóstico a um especialista, fiquei pelo tratamento caseiro, e pela conversa do "isto não é nada, vai passar"... 
Os dias foram passando, mas as dores não. Ainda houveram umas sessões de fisioterapia, poucas e muito espaçadas entre si.. 

Hoje finalmente fui a uma consulta. O diagnóstico é uma tendinite, e a receita é parar completamente mais 3 semanas, no mínimo, e fazer sessões intensivas de fisioterapia.

Os planos que eu tinha começam a ser postos em causa. 

Sábado haviam os Trilhos do Javali Noturno, mas vou ficar pelo sofá...

Dia 3 de Abril há os Trilhos Do Almourol, pondero se mesmo que já esteja recuperado irei ou nao.

E em Maio... os 100k do UTSM - Ultra-Trail de São Mamede, o grande objectivo do ano....

sábado, 16 de janeiro de 2016

Trail Centro Vicentino da Serra/Delta Cafés 2016 - Vicentino Abútrico! Violento, Brutal, Épico



Há 1 ano, numa tarde caseira, estava a ver o Desporto 2 e vi uma reportagem acerca do Trail Centro Vicentino da Serra.
Gostei do que vi, e assim que as inscrições para esta edição abriram, tratei de reservar um dorsal para mim. Nos meses que se seguiram, a organização foi aguçando o apetite no Facebook, e a vontade que chegasse o dia crescia a cada post. As previsões de chuva, que se confirmaram na semana antes, também aumentaram a expectativa em relação a esta prova.

Foi portanto com grande entusiasmo que acordei no domingo, pouco depois das 4h da manhã! À hora marcada, estava no local combinado, onde ia ser apanhado pela minha boleia, combinado no dia antes através do Facebook!! Viagem que correu sem sobressaltos, e chegados a Portalegre fomos levantar os dorsais. No ar, a chuva e a humidade, e olhando para a zona envolvente da cidade, mais alta, coberta de nevoeiro, deixava antever que a prova ia ser molhada!

Após o briefing em que fomos avisados do estado da serra e dos perigos que íamos encontrar, deu-se a partida simbólica dentro do pavilhão, em clima de grande festa.



Minutos depois, a partida oficial, e arrancámos em direcção à serra. Arranquei calmo, sem entrar em grandes acelerações; como sempre, nos 1ºs quilómetros tratei de estabilizar a respiração, e segui sempre ao meu ritmo, sem forçar nada.





Ia a divertir-me bastante, por trilhos espectaculares e exemplarmente bem marcados, com lama, muita lama, água, travessias de riachos, mais lama, subidas de gatas e descidas em sku... quando por volta do k17 comecei a sentir uma dor na zona superior do gémeo, na perna esquerda... BOLAAASSSS Pensei que eram câimbras, parei, massajei um pouco e continuei. Mas a dor não passou, e salvo raros momentos em que abrandou, acompanhou-me até ao fim...

No abastecimento do k30 ainda pensei em desistir. Não estava a correr bem, a dor na perna não dava tréguas, e com as várias paragens que ia fazendo para massajar, tinha arrefecido bastante. Estávamos no topo da serra, com chuva e muito frio, estava gelado... Sentei-me um pouco, não consegui comer quase nada - estava um bocado mal disposto de um gel que tinha tentado tomar - e esperei uns minutos a ponderar o que ia fazer...


Na mochila tinha um buff seco, e os manguitos, que normalmente uso, mas desta vez tinham sido substituídos por uma camisola. Coloquei o buff na cabeça, os manguitos por baixo das mangas da camisola, senti-me a aquecer um pouco, e decidi continuar.

Continuei com dificuldades, e a um ritmo muito baixo lá fui avançando, tentando abstrair-me das dores, e divertir-me nos fantásticos trilhos com que éramos brindados. Já disse que estavam espectacularmente bem marcados? E que eram brutais? E que havia lama? E água??

No abastecimento do k37 comi apenas umas batatas fritas, e segui. Aqui começa a única coisa que aponto à organização... Naquela fase da prova, e esta é opinião partilhada também por outros atletas, acho que foram um pouco desnecessárias toas aquelas travessias do rio, com a corrente forte, e sem qualquer tipo de segurança. E havendo, entre algumas dessas travessias de um lado para o outro, trilhos bem definidos ao lado do rio...

Estes últimos km passaram rápido, e foi com algum alívio que cheguei ao pavilhão, onde se encontrava a meta. Objectivo de terminar estava conseguido, se bem que muito depois daquilo que tinha planeado.

Depois de um banho retemperador, finalmente consegui comer alguma coisa, e que bem que soube!


Não tenho ainda muitas provas realizadas, mas de todas em que já participei, esta foi sem dúvida a melhor, em todos os níveis. Trilhos brutais, marcações que não deixavam dúvidas, abastecimentos nos locais exactos, membros do staff ao longo do percurso, meios de socorro, e o mais fantástico, membros da organização "plantados" no meio do rio para auxiliar na passagem. Em todos os locais, extrema simpatia e sempre prontos a ajudar. Excelente mesmo, um exemplo de organização.

Contem comigo, novamente, em 2017!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Ericeira Trail Run 2015 - Será que alguma coisa podia correr pior??




Nos últimos dias não treinei tanto quanto queria.
Nos últimos com os 2 miúdos adoentados, não descansei o que devia.
Apanhei uma constipação na passada 5ª feira..
Na 6ª feira à noite ainda estava na dúvida se preparava as coisas para sábado ou não... mas lá acabei por preparar a mochila, dormir meia dúzia de horas e à hora marcada estar no local combinado com o Paulo para seguirmos para a Ericeira.

A viagem correu sem sobressaltos, e com os dorsais já levantados na Pro Runner, e depois de chegar, fomos para o edifício do secretariado para nos abrigarmos do frio.
Depois de nos equiparmos, voltámos para este edifício, para ouvir o briefing. Ouvir, ou tentar ouvir, porque as pessoas a falar não deixavam ouvir em condições as indicações que nos eram dadas...
O controlo zero, que era suposto haver, não houve.

Perto da hora da partida, que segundo o regulamento seria impreterivelmente às 8, fomos encaminhados para a zona de partida, ladeados por umas barreiras de plástico. No sistema de som só se ouvia o responsável repetir que nos primeiros metros o iríamos acompanhar, e que não o podíamos passar. Após várias repetições desta indicação, só dei conta de começar tudo a correr, sem ouvir qualquer tiro de partida. Sinceramente, não percebi esta partida, e não gostei.

Logo nos primeiros km comecei a sentir algumas dificuldades. O vento que se fazia sentir era bastante, e com o nariz tapado, tinha bastantes dificuldades em respirar. Com o corta-vento vestido sentia calor, e sem ele não conseguia ir, com o frio... Aos 7/8 km lá consegui aguentar sem ele e assim seguir. Nesta altura já me sentia melhor, e cheguei bem ao 2º abastecimento, apesar de cheio de fome. Aqui demorei-me sem me preocupar com o tempo, comi o que achei necessário para ficar sem fome, e depois lá segui.

Passados uns km voltei a sentir dificuldades, e desta vez, por volta do km 30/31, bati no fundo. Senti-me sem forças para continuar, e estava decidido a desistir no abastecimento seguinte, no km 35. Caminhei durante alguns km, sozinho, e a decisão parecia estar tomada, até que tentei voltar a correr, o que consegui, apesar de alguma dificuldade. Adiei a decisão para o abastecimento, e aí descansei comi e bebi, e decidi que ia tentar chegar ao próximo, 8 ou 9 km depois...

Neste segmento consegui correr mais que antes, e chegado ao último abastecimento, a cerca de 8km da meta, não havia motivos para não seguir até ao fim!! Este segmento foi fácil, sempre estradão e a descer até à Ericeira.

7h14m depois da partida, cortei a meta. Custou bastante nalguns momentos, levei em cheio com a marreta, mas consegui terminar. Terminar foi mesmo o mais positivo, porque de resto quase tudo correu mal, Nem o relógio gravou o percurso da prova....

Em relação à prova/organização, sinceramente não gostei. Como já referi, não percebi a partida, acho que durante o percurso poderiam haver mais elementos do staff, não vi nenhum meio de assistência em todo o percurso, e apenas num cruzamento um elemento da GNR, quando passámos vários cruzamentos com trânsito. Falhas muito graves, na minha opinião. Na parte final, a passagem pela praia dos pescadores, também nada vem acrescentar à prova, bem pelo contrário, não percebi a necessidade de nos enviarem pela praia, o que apenas serviu para massacrar na areia e na subida final..