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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Trilhos do Javali

Finalmente participei numa prova dos Trilhos do Javali..
Na 1ª edição no ano passado estava de férias, na edição nocturna estava lesionado, pelo que foi como diz o ditado, à 3ª foi de vez!!!


Os trilhos eram bem conhecidos, treino lá bastantes vezes, mas o feedback das outras edições em relação à organização da prova, aguçavam a curiosidade e a vontade de participar nesta prova, a juntar ao facto de ser na Arrábida. Havia apenas uma questão que me fez adiar a inscrição até às últimas, que era o facto de o nascimento da Oriana estar previsto para esta altura. Mais dia menos dia, mais semana menos semana, havia algum risco de no dia da prova não poder ir, ou ter de me vir embora a meio, mas acabei por fazer a inscrição!!

Dia da prova, encontro marcado com o resto dos Madrugas que acabou por ser a meio do caminho, e seguimos em direcção ao covil. Quando chegámos o movimento já era muito, imensos carros estacionados e o trail junior já tinha começado. Fomos levantar os dorsais, processo que decorreu sem problemas, acabar de equipar e voltámos para a zona de partida, onde se começavam a juntar os atletas dos 25k.
Os Madruga Runners
Paulo, eu, André e o João "Kilian Jornet"!!
Depois de um briefing inicial, é dada a partida, controlada nos primeiros 400m.

No último mês e meio não treinei com a disciplina que se pedia, depois da última prova em Outubro desleixei-me um bocado. Uma dor que me apareceu no pé no final de Outubro durante um treino espectacular nocturno pela Arrábida também ajudou ao abrandamento dos treinos (uma ressonância magnética detectou Bursites...); ainda assim, e conhecendo bem os trilhos por onde íamos andar, e porque em prova nunca consigo ir em "ritmo de treino", logo após a partida tentei impor-me um ritmo que não sendo elevado, fosse um ritmo constante e que conseguisse aguentar até ao final. 

Outro factor que me estava a entusiasmar para esta prova, era o facto de ser a 1ª prova dos novos Salomon S-Lab Wings 8, ainda com menos de 1 mês e que tinham nem meia dúzia de treinos feitos para habituação. 


Desde os fáceis trilhos da Mata da Machada até à serra da Arrábida cheia de lama, as sensações transmitidas pelos ténis tinham sido bastante positivas. Aderência espectacular nos trilhos mais técnicos e enlameados, estabilidade, conforto e, importante agora no inverno, drenagem rápida da água. Nota-se que estamos com um modelo topo gama, ou não se tratasse de uns ténis da linha S-Lab, com uma qualidade de construção assinalável. Se juntarmos aos ténis as meias Lurbel Desafio, ficamos com um conjunto espectacular para os trilhos mais exigentes. 
Estou completamente rendido a estes ténis, e era, como referia acima, outro factor causador de entusiasmo. Queria testá-los em prova, onde há sempre uma pressão adicional para entrar mais rápido, para arriscar mais. 
Com o ritmo que impus, não sendo elevado, permitiu passar muitos atletas e fugir a potenciais engarrafamentos nos trilhos mais apertados. Nas subidas, algumas delas durinhas, tentei caminhar apenas só em último caso, e correr sempre que fosse a direito e "entrar a matar" nas descidas. Se nos treinos que tinha feito ainda não tinha dado para ganhar a confiança necessária nos ténis, aqui rapidamente passei essa fase, e conhecendo os trilhos, entrei nas descidas sempre a correr rápido. E senti os ténis a transmitirem a segurança que se pede, e a pedirem para dar mais.

Foi com estas boas sensações que fui fazendo a minha prova, em que passei pelo 1º abastecimento sem parar, e no 2º apenas aproveitei para encher um flask.


Terminei com o tempo total de 3h00, que era o tempo +/- que esperava fazer; esperar menos que isso era ter as expectativas demasiado elevadas. 
A chegar à meta

Na fila para a massagem, e a ver se os outros Madrugas chegavam!!!
3/4 da equipa!!
Quanto à organização, apenas 1 reparo num par de locais onde as marcações poderiam estar melhor, com as fitas mais visíveis ou marcações no chão. De resto, uma prova onde juntam todos os trilhos excelentes existentes naquela zona, e quando feito por quem sabe, o resultado só podia ser este: uma prova de excelência.


E para quem ainda não teve oportunidade de participar nesta prova, dia 4 de Março há a II edição dos Trilhos do Javali Nocturno


terça-feira, 22 de novembro de 2016

II Trail Quinta do Pinhão



4ª e última etapa das 4 semanas non stop!

No ano passado participei no I Trail da Quita do Pinhão, e disse para mim que, apesar de ser aqui ao pé de casa, este ano não iria participar. Mas... há sempre um mas...! apesar de não estar muito interessado em participar, ser na semana seguinte ao Duratrail, depois da Maratona de Lisboa e do Grande Trail Serra D'Arga, ofereceram-me um dorsal!! E se era dado, não podia rejeitar, e como era perto, e das 4 provas era a mais pequena e dava para fazer nas calmas, sem desníveis... bem, a verdade é que arranjei uma data de razões para participar. No entanto, na 5ª feira antes da prova, não sei como, sofri uma contractura muscular no gémeo esquerdo, o que me fez andar com dores e ter de recorrer ao David na 6ª, que já me tinha tratado a tendinite que sofri no início do ano. Remedio santo, problema resolvido!!

E assim no dia 16 lá me dirigi para a Quinta do Pinhão, onde cheguei apenas 10 minutos antes da partida. Aquecimento feito a caminho da zona de partida, e lá me posicionei, ali pelo 1º terço do pelotão, a aguardar pela partida. Não ia com grandes objectivos definidos, apenas ir a gerir a prova, rolar num ritmo a rondar os 5'/km o que daria para fazer os 18k em 1h30'. E assim arranquei, a segurar-me para não entrar em loucuras na recta logo a seguir à partida.


A prova decorreu toda na mata de Belverde, onde o desnível é mínimo; nos 18k deu pouco mais de 100DA. As marcações também estavam impecáveis, e os abastecimentos pareceram-me ter o essencial para uma prova desta distância; pareceram, porque não parei, levava um soft flask comigo e chegou, apenas comi alguma coisa no abastecimento final. 
De resto, a prova correu sem grande história. 
Um corta-mato denominado de Trail, propício a ritmos elevados e para o pessoal da estrada deixar o alcatrão por uns momentos. Sinal disso, eram os muitos atletas com ténis de estrada, muitos deles caras conhecidas do troféu do Seixal.

Na recta final, nos últimos 700m olho para o relógio e verifico que o objectivo de terminar com 1h30' será atingido, pelo que acelero um pouco para terminar antes de chegar ao minuto 30. Consegui, acabei com 1h29'51'' e no 27º lugar da geral!!!

O ciclo das 4 provas tinha sido concluído. A que correu pior foi aquela que mais ansiava fazer, mas é mesmo assim, há dias menos bons e aquele 25 de Setembro foi um desses. Em 2017 há Serra D'Arga novamente, e quem sabe não volto para a desforra ;)

sábado, 22 de outubro de 2016

IV DuraTrail 2016



No ano passado queria ter participado nesta prova. Custou-me imenso não ir, uma prova na Arrábida, mas era apenas a 15 dias do grande objectivo do ano, a Maratona de Lisboa e não quis arriscar uma lesão que iria deitar tudo por terra.

Este ano, decidi que tinha de ir, mas havia um problema: era na semana a seguir à Maratona de Lisboa, 2 semanas apenas depois do Grande Trail Serra D'Arga....
Inscrevi-me para os 28k, mas até aos últimos dias andou sempre no pensamento ir fazer os 53k. Ganhou o bom senso.. Sei que os conseguiria fazer, mas depois das provas das 2 últimas semanas, não iria desfrutar da melhor maneira da Arrábida.

Dia da prova, cedo, lá vão os 3 madrugas, eu, o João "KJ" Carapinha e o Paulo Sousa :)
Levantamento de dorsais sem problemas, volta ao carro para acabar de equipar e toca de ir para a caixa de partida que a hora aproxima-se.

Tinha decidido fazer a prova com cabeça, MESMO!! Não me podia entusiasmar! Conhecia praticamente todos os trilhos por onde íamos passar, conhecia as grandes subidas que iríamos enfrentar, e sabia que se abusasse ao início ia sofrer desnecessariamente para o final.
Dada a partida simbólica, lá fomos em pelotão até à partida real, junto à Av Luísa Todi. Saí do PUA no último quarto do pelotão, mas consegui posicionar-me mais à frente para a partida que interessava.

Partida real dada, e arranquei calmo. Já se sabe que o 1º km é sempre rápido, mas rapidamente acalmei e segui ao meu ritmo. A táctica passava por ir a trote sempre que possível nas subidas, e foi isso que fiz logo aos 700m, na subida que nos levava para perto do forte de São Filipe. Entrada nos trilhos, e tive de me aguentar um pouco atrás de um grupo de atletas, que passei assim que me foi possível. Ia em trilhos que conheço bem, por isso sabia que logo à frente havia uma subida curta, mas com alguma inclinação, e depois do Moinho dos Campistas, um trilho a descer em que não queria apanhar atletas à minha frente. E assim foi, conhecendo bem o que tinha pela frente, fui passando atletas e divertindo-me bastante pelos fantásticos trilhos.

Ia tudo a correr maravilhosamente, quando ao quilómetro 9, um percurso que até então estava marcado de forma excelente, e no restante também não deixa queixas, tem ali uma falha enorme, que na minha opinião não pode acontecer: numa descida grande, em que vamos concentrados em descer rápido sem nos esbadalharmos por ali abaixo, sensivelmente a meio, tínhamos de virar à direita. Havia fitas no caminho à direita, mas não havia nada nem ninguém a bloquear o caminho em frente. Ia com outro atleta, e apenas dei conta que tínhamos de virar para a direita porque olhei ligeiramente para o lado.
Era para virar à direita, e não seguir em frente

Comentámos que muitos atletas ali iriam seguir em frente, e seria chato terem de voltar atrás e subir aquilo tudo.Pois, mas o que aconteceu foi que quem seguiu em frente, continuou, e quando chegámos ao abastecimento que era logo à frente, nós que até iríamos bem classificados e não com muitos atletas à nossa frente, encontrámos uma enorme multidão de volta das mesas, sem contar com os que, segundo o João da minha equipa, já teriam seguido ou nem parado no abastecimento.
Fiquei fulo, bastante. Mal lhe respondi, bebi um copo de água e segui.
Logo a seguir ao abastecimento havia talvez a pior subida da prova, a Durassaurus, mas da forma como ia chateado entrei na subida a correr, e segui a trote quase até ao fim. 

Rapidamente e bem cheguei ao 2º abastecimento, que foi onde me demorei mais. Comi, bebi e molhei a cabeça com água fresquinha, e segui. 
Ia com boas sensações, na serra que adoro, trilhos que conheço bem, a divertir-me bastante. 

Estava a cumprir com o planeado, com uma gestão de ritmo irrepreensível, e num salto estava na toca dos javalis, e dali à meta era sempre a descer :)

Apesar de ter feito 2 provas grandes nas semanas anteriores, senti-me sempre bem, sem nunca notar demasiado o cansaço, e com grande satisfação cumpri mais esta meta.

3h18', não sendo um tempo excepcional, considero que foi um bom tempo, o que valeu na classificação final um 56º lugar da geral.
Organização excepcional que, infelizmente, ficou manchada com aquele episódio. Felizmente sei que vão fazer os possíveis para que não se volte a repetir, pelo que para o ano lá estarei novamente, na Ultra!

sexta-feira, 29 de julho de 2016

VII Trail do Almonda

Ultimamente não tenho andado mito inspirado para escrever, daí só agora publicar o report desta prova.


Já tinha ouvido falar do Trail do Almonda como sendo uma prova rolante, sem grandes dificuldades técnicas, e de facto foi isso que se verificou. Não sei quais eram as diferenças a nível de percurso para os anos anteriores, mas este ano a prova era recheada de estradões, largos e corríveis apesar de muita pedra solta, e alguns single tracks, alguns técnicos, e outros em que era impossível correr devido à vegetação e silvas que dificultavam a progressão.

A prova não me correu nem bem, nem mal, antes pelo contrário, como disse em tempos o bem-humorado jornalista Gabriel Alves acerca de um jogo da selecção de futebol.
Esta prova inseria-se na minha planificação de preparação para o meu grande objectivo do ano, o Grande Trail Serra D'Arga. A ideia era meter km, fazer o melhor tempo possível, mas acima de tudo, não sofrer nenhuma lesão que pudesse, pela 2ª vez este ano, colocar em causa os objectivos do ano.

No dia anterior deitei-me cedo, não queria que se voltasse a repetir um episódio como quando foi o VI Ultra Sesimbra
4.30 da manhã toca o despertador, e levanto-me. Acho que já estava acordado antes do alarme tocar. Tomar banho, vestir e tomar pequeno-almoço, tudo previamente preparado no dia anterior, e saio de casa com tempo para ir buscar o outro Madruga que me ia acompanhar nesta aventura. Arrancamos em direcção a Pedrogão, e é sem sobressaltos que lá chegamos, cerca de hora e meia depois de sairmos da Margem Sul.

Procurámos o secretariado para levantar os dorsais, e tudo decorreu rapidamente e sem qualquer problema. Acabar de aprontar junto ao carro, fazer o aquecimento e esperar na zona de partida pela hora.

É altura de últimas afinações, reavivar a estratégia para a corrida, e é dado o tiro de partida. 


Aqui reside uma das situações que tenho de controlar melhor nas provas: arranco quase sempre muito rápido, e sabendo que demoro os 1ºs quilometros para estabilizar a respiração, estes arranques em sprint só aumentam as dificuldades... 



Contudo, depressa tomei noção da realidade, e passado um km abrandei o ritmo, para o meu ritmo, e deixei o grupo da frente seguir na sua vidinha!! Ainda assim, seguia bem, a boa velocidade, até que por volta do km5, na 1ª descida técnica da prova, apanhei um susto, com um tropeção que dei numa pedra e que me fez ir com as mãos ao chão, esfolando um bocado a mão direita. Aqui soou o alarme, e decidi que tinha de ir mais devagar, O objectivo para esta prova era meter km e desnível nas pernas, e não queria arriscar uma qualquer lesão que me fizesse voltar a parar. Também o calor que se começava a fazer sentir cada vez mais, a escassez de sombra e o episódio em Sesimbra, em que abafei completamente com o calor, fizeram soar o alarme, e dessa forma passei a fazer uma prova mais resguardada.

Também ia ouvindo por vários atletas que até cerca do k22 ia ser sempre a subir, o que se verificou, o que era mais uma razão para não abusar. E assim fui seguindo, sem dificuldades de maior, até à grande subida, uma parede autêntica que nos levava Às antenas. Aí admito que suspirei bastantes vezes e tratei mal a organização por não colocarem uma escada rolante....

Depois de atingido o topo, veio a parte mais divertida da prova, em que inicialmente por um estradão, mas depois por um trilho empedrado iamos descendo serra abaixo. Foi o segmento onde mais desfrutei da corrida e da paisagem, até chegar ao abastecimento do k24 ou 25, onde indicam que é para continuar a descer, mas afinal ao virar da curva o que estava era mais uma subidinha. E um trilho, apertado pela vegetação, que tal como noutros a organização não mostrou um pouco de trabalho a limpar os trilhos, e de onde saímos todos arranhados - braços e pernas - e mal dava para ver o chão onde colocar os pés. Esta foi, para mim, a maior falha da organização, pois vários foram os trilhos em que era impossível correr e mal se via onde colocar os pés. Daquilo que ouvi doutros atletas, o percurso também estaria pior que nos anos passados, mais estradões secantes, sem sombra e cheios de pedra solta.. Se eram piores não sei, mas a verdade é que o percurso apresentou poucos trilhos interessantes.

Depois deste segmento em que não se conseguia correr, entrou-se num que se chamava algo como "Sauna do Javali", e onde dava para voltar a correr, e com alguma sombra!! Mais a frente, aparece um jovem da organização, que me informa que agora no estradão onde me encontro, faltam uns 2 ou 3 km e é sempre a descer. Bem, não sei se os conceitos do descer são trocados em Pedrogão, porque logo a seguir há uma curva apertada para a direita - aqui poderia estar alguém da organização a indicar, porque sei que houve vários atletas que seguiram em frente enganados - e voltam as subidas. Aqui, mais que a dificuldade física, é a parte psicológica que sofre, pois após alguém da organização indicar que faltam 2k sempre a descer, já não ia de todo a contar com mais subidas. A correr devagar, ou a caminhar, lá se fez, e admito que com alívio cheguei à meta.

Acabei com 4:02:53, algo superior àquele que tinha imaginado fazer, mas contrariamente a outras provas, não fiquei nada desiludido com a minha prestação. Acima de tudo, cumpri os objectivos que tinha estabelecido, acabar bem e sem lesões.


Em relação à organização, quero realçar a simpatia e atenção demonstrados por todos os elementos, mas destacar também, como já referi, várias falhas ao nível do percurso. Não se notou em nenhum trilho que tivesse havido limpeza dos mesmos, e vários foram em que tivemos de passar pelo meio de tojos altos, porque o trilho era ali, as marcações estavam de facto lá; também o excesso de estradões e sem sombra alguma, para uma prova realizada em Julho, deveria merecer uma atenção extra; decisão acertadíssima terem antecipado a hora de partida para as 8, mas essa já deveria ser a hora inicialmente estabelecida.




terça-feira, 7 de junho de 2016

VI Ultra Sesimbra - 21k


Quando, no ano passado, terminei os 21k, ficou praticamente ali decidido que este ano iria fazer a distância maior. No entanto, estava longe de imaginar o calvário que ia passar com a lesão, e no dia da prova, como tudo ia correr mal desde o acordar....


Esta prova tinha tudo para correr bem. Da lesão já não há sinais, o local é sobejamente conhecido, andava a treinar bem, e era a 1ª prova enquanto membro dos "Madruga Runners"! Só que....

As coisas ficaram preparadas desde o dia anterior, não me deitei muito tarde, mas de manhã não ouvi o despertador tocar. E ele toca várias vezes!!! Nunca me tinha acontecido, adormecer para uma prova. Normalmente, acordo até antes do despertador tocar. Mas não desta vez. Tínhamos combinado às 7.20, para irmos com tempo, sem stress. Acordei às 7.40, com o pessoal a ligar-me a perguntar onde estava...Sigam, eu vou lá ter!!

Levantei-me à pressa, equipei e comi qualquer coisa, quase sem mastigar. Esta pressa veio a ter resultados depois, já durante a prova, onde houve uma fase em que não ia muito bem.
Arranquei para Sesimbra, estacionei sem problemas - abençoado sejas Smart, que com o parque cheio consigo sempre um lugar!!! -  e corri para a secretaria levantar o dorsal.
Pronto. Ainda tive tempo de voltar ao carro e acabar de preparar, mas sempre em stress e sem nunca conseguir acalmar.

Fomos para a partida, onde já estava tudo concentrado, e apertado. Talvez pudessem repensar em como colocar os atletas antes da partida, porque grande maioria estava na lateral do pórtico, o que originou alguns empurrões quando foi dado o sinal.

Este ano havia uma novidade, que era em vez de ir logo pela marginal, irmos pela areia da praia e depois pelo passadiço de madeira. 


Não contava com esta incursão à areia, e deu ainda mais cabo de mim. Quando voltámos à marginal tentei estabilizar a pulsação, e o ritmo até chegar à 1ª subida e entrada no estradão, mas sem muito sucesso. Começava a ter a noção que não estava bem e que não ia ser fácil. 
Fiz a subida a caminhar, em passo acelerado, e voltei a correr quando entrámos no trilho que vai dar à Ribeira do Cavalo. Aqui ainda consegui ir sem alguns problemas, sempre em corrida até lá abaixo, mas depois na Subida do cascalho não consegui. Limitei-me a seguir atrás de outros atletas, sempre sem conseguir forçar uma ultrapassagem ou um passo mais acelerado. O tempo começava a abafar, e já transpirava muito. 
Chegado lá acima, voltei a correr, mas sempre sem conseguir aumentar o ritmo. Transpirava e sentia frio, e deixei-me ir a um ritmo lento ou simplesmente a caminhar quando não conseguia mais. 
Confesso que pensei em desistir. Não estava a desfrutar nada, em trilhos onde adoro correr...


Assim segui até ao 2º abastecimento. Parei, comi, despejei uma garrafa de água por cima de mim, e parece que teve efeito quase imediato. Senti-me melhor, os pensamentos mais negativos desapareceram e arranquei. 


Já conseguia imprimir um ritmo um pouco mais elevado, e segui, ainda que, na descida antes do 3º abastecimento,  onde ainda há semana e meia me diverti imenso a descer a um ritmo a que não estou muito habituado, tenha abrandado devido a umas tonturas que voltei a sentir. Cheguei ao 3º abastecimento, aquele onde já li várias críticas a dizer que foi negada comida aos atletas dos 21k. Aqui comi, bebi e despejei água em cima de mim, e ninguém negou nem a mim nem aos atletas que ali estavam naquele momento o que quer que fosse. Aliás, em todos os abastecimentos os voluntários foram de extrema simpatia, o que me leva a crer que não terá passado de um mal entendido.

Depois da pausa, segui pedreira acima, e em direcção ao castelo.Não há muito a dizer, não voltei a sentir tonturas e daqui até final foi a parte em que me senti melhor.


No final uma nota à organização, porque não se percebia bem se tínhamos de seguir pela praia ou pela marginal. Pelo que falei com outros atletas, vários foram os que foram pela areia até ao fim, quando o pretendido, acho que era ir pelo alcatrão - foi o que entendi pelas fitas.

Cortei a meta 2:23:00 depois, com um sentimento de enorme desilusão. Nunca me tinha sentido tão mal numa prova, ainda mais numa de apenas 21k.

Valeu a camaradagem da equipa, e ver os colegas Madrugas a terminarem o 1º Trail. 


terça-feira, 12 de abril de 2016

II Trail de Almeirim

  
 3 meses após a ultima prova, onde contraí uma tendinite, muitas sessões de fisioterapia ( que só terminam esta semana ) e muito poucos treinos, voltei a participar numa prova.


3 meses.
3 meses após a ultima prova, onde contraí uma tendinite, muitas sessões de fisioterapia ( que só terminam esta semana ) e muito poucos treinos, voltei a participar numa prova.

Apesar de não gostar da expressão, tinha a consciência que esta tinha de ser feita em ritmo de treino, e assim foi, até porque as pernas também não permitiam mais. Voltei a treinar apenas a partir do fim-de-semana da Páscoa, treinos não muito longos e lentos, pelo que o ritmo tinha de ser muito bem gerido nesta prova. Para contrabalançar com isto tudo, neste dia ia ter uma motivação muito especial à minha espera na meta: a Ana Bela e os miúdos acompanharam-me até Fazendas de Almeirim J

A prova

Chegados a Fazendas de Almeirim, dirigi-me ao secretariado para levantar o dorsal e o chip.
E aqui foi o único ponto que não gostei: fila desde a porta do centro cultural, que tanto servia para os 17 como para os 30k. Demorava imenso a avançar, e para piorar, os chips tinham de ser levantados indo para outra fila. Penso que no próximo ano esta situação pode e deve ser melhorada.

Depois de ir ao carro equipar, voltar para a zona de partida. Fazer o aquecimento e posicionar-me. O ritmo cardíaco aumenta e um nervoso miudinho toma conta de mim. Após 3 meses estava novamente numa linha de partida. São dadas as ultimas indicações por parte da organização e a partida.
Arranco com calma, mas dada a quantidade de pessoas, acelero um pouco até chegar a uma zona com espaço, e onde encontro o meu ritmo.

Cerca do km2 entramos nos trilhos, e que trilhos!
Nota-se bem que esta prova foi feita por atletas para atletas. Trilhos fantásticos, single tracks onde dá uma vontade enorme de correr sem parar, um sobe e desce constante, algumas subidas onde consigo ir a correr ( com os famosos baby steps! ), outras nem pensar, autenticas paredes que são! e também porque não posso forçar nada, descidas brutais onde mal dá para travar e só espero que não apareça nenhuma árvore mal posicionada!! E ainda houve direito a cordas num destes desce e sobe! Brutal!!!



Os abastecimentos, estavam também bem compostos, de conteúdo e simpatia por parte dos voluntários. Parei em todos, comi e bebi água e isotónico, e segui.

Se nalgumas zonas ia na companhia de outros atletas, por vezes ia sozinho, mas por nenhuma vez tive duvidas no caminho. Marcações exemplares, fitas bem visíveis e a cada 5/10m. Espectacular!  

Antes do ultimo abastecimento, mais um autentico banquete, o trilho mais bonito onde corremos, na minha opinião. Pelo meio de um bosque um singe track aos S, que eu só pedia que não chegasse rápido ao fim. Apesar de já ir a sentir alguma fadiga muscular devido à escassez de treinos, a tendinite não dava sinais de aparecer, e diverti-me bastante nesta secção.

O último abastecimento!!

Depois do ultimo abastecimento e até à meta foi um autêntico passeio no parque, praticamente sempre a descer e com a companhia de centenas de participantes na caminhada.

E ao entrar na recta da meta, vejo ao fundo, a Ana Bela com a Madalena ao colo, e o Tomás, aos saltos e a gritar por mim! Esta é a melhor recepção, o melhor pódio que se pode ter. Veio a correr ao meu encontro, e juntos, de coração cheio, passámos a meta. No abastecimento que estava na meta, quem comeu mais foi ele, premiado pelos 100m em que me acompanhou, que se empanturrou de batatas fritas!!!

Depois ainda houve direito a almoço, mais um banquete, com a bela da sopa da pedra, bifanas enormes e sumos!!

Terminar esta prova soube-me melhor que a ultima ultra que fiz, não só pela companhia a cortar a meta, mas também porque depois de tantos dias em que até caminhar para o trabalho me custava, semanas seguidas a ir todos os dias para a fisioterapia, consegui terminar a prova sem dores de maior. A lesão ainda não está curada a 100%, mas para lá caminha.

Toda a organização está de parabéns pelo excelente trabalho, têm ali uma prova, e uns trilhos, de excelência.

Agora não sei qual será a próxima prova, eventualmente os 21k do trail de Sesimbra em Junho ( vai ser impossível estar em condições de fazer os 60 bem ), mas até lá, e até retomar os treinos mais intensos, ainda tenho trabalho de reforço muscular para fazer na perna esquerda, que se nota bastante mais enfraquecida que a direita neste momento.

Quanto ao Trail de Almeirim, espero em 2017 estar de volta, desta feita para a distancia mais longa. 



sábado, 16 de janeiro de 2016

Trail Centro Vicentino da Serra/Delta Cafés 2016 - Vicentino Abútrico! Violento, Brutal, Épico



Há 1 ano, numa tarde caseira, estava a ver o Desporto 2 e vi uma reportagem acerca do Trail Centro Vicentino da Serra.
Gostei do que vi, e assim que as inscrições para esta edição abriram, tratei de reservar um dorsal para mim. Nos meses que se seguiram, a organização foi aguçando o apetite no Facebook, e a vontade que chegasse o dia crescia a cada post. As previsões de chuva, que se confirmaram na semana antes, também aumentaram a expectativa em relação a esta prova.

Foi portanto com grande entusiasmo que acordei no domingo, pouco depois das 4h da manhã! À hora marcada, estava no local combinado, onde ia ser apanhado pela minha boleia, combinado no dia antes através do Facebook!! Viagem que correu sem sobressaltos, e chegados a Portalegre fomos levantar os dorsais. No ar, a chuva e a humidade, e olhando para a zona envolvente da cidade, mais alta, coberta de nevoeiro, deixava antever que a prova ia ser molhada!

Após o briefing em que fomos avisados do estado da serra e dos perigos que íamos encontrar, deu-se a partida simbólica dentro do pavilhão, em clima de grande festa.



Minutos depois, a partida oficial, e arrancámos em direcção à serra. Arranquei calmo, sem entrar em grandes acelerações; como sempre, nos 1ºs quilómetros tratei de estabilizar a respiração, e segui sempre ao meu ritmo, sem forçar nada.





Ia a divertir-me bastante, por trilhos espectaculares e exemplarmente bem marcados, com lama, muita lama, água, travessias de riachos, mais lama, subidas de gatas e descidas em sku... quando por volta do k17 comecei a sentir uma dor na zona superior do gémeo, na perna esquerda... BOLAAASSSS Pensei que eram câimbras, parei, massajei um pouco e continuei. Mas a dor não passou, e salvo raros momentos em que abrandou, acompanhou-me até ao fim...

No abastecimento do k30 ainda pensei em desistir. Não estava a correr bem, a dor na perna não dava tréguas, e com as várias paragens que ia fazendo para massajar, tinha arrefecido bastante. Estávamos no topo da serra, com chuva e muito frio, estava gelado... Sentei-me um pouco, não consegui comer quase nada - estava um bocado mal disposto de um gel que tinha tentado tomar - e esperei uns minutos a ponderar o que ia fazer...


Na mochila tinha um buff seco, e os manguitos, que normalmente uso, mas desta vez tinham sido substituídos por uma camisola. Coloquei o buff na cabeça, os manguitos por baixo das mangas da camisola, senti-me a aquecer um pouco, e decidi continuar.

Continuei com dificuldades, e a um ritmo muito baixo lá fui avançando, tentando abstrair-me das dores, e divertir-me nos fantásticos trilhos com que éramos brindados. Já disse que estavam espectacularmente bem marcados? E que eram brutais? E que havia lama? E água??

No abastecimento do k37 comi apenas umas batatas fritas, e segui. Aqui começa a única coisa que aponto à organização... Naquela fase da prova, e esta é opinião partilhada também por outros atletas, acho que foram um pouco desnecessárias toas aquelas travessias do rio, com a corrente forte, e sem qualquer tipo de segurança. E havendo, entre algumas dessas travessias de um lado para o outro, trilhos bem definidos ao lado do rio...

Estes últimos km passaram rápido, e foi com algum alívio que cheguei ao pavilhão, onde se encontrava a meta. Objectivo de terminar estava conseguido, se bem que muito depois daquilo que tinha planeado.

Depois de um banho retemperador, finalmente consegui comer alguma coisa, e que bem que soube!


Não tenho ainda muitas provas realizadas, mas de todas em que já participei, esta foi sem dúvida a melhor, em todos os níveis. Trilhos brutais, marcações que não deixavam dúvidas, abastecimentos nos locais exactos, membros do staff ao longo do percurso, meios de socorro, e o mais fantástico, membros da organização "plantados" no meio do rio para auxiliar na passagem. Em todos os locais, extrema simpatia e sempre prontos a ajudar. Excelente mesmo, um exemplo de organização.

Contem comigo, novamente, em 2017!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Ericeira Trail Run 2015 - Será que alguma coisa podia correr pior??




Nos últimos dias não treinei tanto quanto queria.
Nos últimos com os 2 miúdos adoentados, não descansei o que devia.
Apanhei uma constipação na passada 5ª feira..
Na 6ª feira à noite ainda estava na dúvida se preparava as coisas para sábado ou não... mas lá acabei por preparar a mochila, dormir meia dúzia de horas e à hora marcada estar no local combinado com o Paulo para seguirmos para a Ericeira.

A viagem correu sem sobressaltos, e com os dorsais já levantados na Pro Runner, e depois de chegar, fomos para o edifício do secretariado para nos abrigarmos do frio.
Depois de nos equiparmos, voltámos para este edifício, para ouvir o briefing. Ouvir, ou tentar ouvir, porque as pessoas a falar não deixavam ouvir em condições as indicações que nos eram dadas...
O controlo zero, que era suposto haver, não houve.

Perto da hora da partida, que segundo o regulamento seria impreterivelmente às 8, fomos encaminhados para a zona de partida, ladeados por umas barreiras de plástico. No sistema de som só se ouvia o responsável repetir que nos primeiros metros o iríamos acompanhar, e que não o podíamos passar. Após várias repetições desta indicação, só dei conta de começar tudo a correr, sem ouvir qualquer tiro de partida. Sinceramente, não percebi esta partida, e não gostei.

Logo nos primeiros km comecei a sentir algumas dificuldades. O vento que se fazia sentir era bastante, e com o nariz tapado, tinha bastantes dificuldades em respirar. Com o corta-vento vestido sentia calor, e sem ele não conseguia ir, com o frio... Aos 7/8 km lá consegui aguentar sem ele e assim seguir. Nesta altura já me sentia melhor, e cheguei bem ao 2º abastecimento, apesar de cheio de fome. Aqui demorei-me sem me preocupar com o tempo, comi o que achei necessário para ficar sem fome, e depois lá segui.

Passados uns km voltei a sentir dificuldades, e desta vez, por volta do km 30/31, bati no fundo. Senti-me sem forças para continuar, e estava decidido a desistir no abastecimento seguinte, no km 35. Caminhei durante alguns km, sozinho, e a decisão parecia estar tomada, até que tentei voltar a correr, o que consegui, apesar de alguma dificuldade. Adiei a decisão para o abastecimento, e aí descansei comi e bebi, e decidi que ia tentar chegar ao próximo, 8 ou 9 km depois...

Neste segmento consegui correr mais que antes, e chegado ao último abastecimento, a cerca de 8km da meta, não havia motivos para não seguir até ao fim!! Este segmento foi fácil, sempre estradão e a descer até à Ericeira.

7h14m depois da partida, cortei a meta. Custou bastante nalguns momentos, levei em cheio com a marreta, mas consegui terminar. Terminar foi mesmo o mais positivo, porque de resto quase tudo correu mal, Nem o relógio gravou o percurso da prova....

Em relação à prova/organização, sinceramente não gostei. Como já referi, não percebi a partida, acho que durante o percurso poderiam haver mais elementos do staff, não vi nenhum meio de assistência em todo o percurso, e apenas num cruzamento um elemento da GNR, quando passámos vários cruzamentos com trânsito. Falhas muito graves, na minha opinião. Na parte final, a passagem pela praia dos pescadores, também nada vem acrescentar à prova, bem pelo contrário, não percebi a necessidade de nos enviarem pela praia, o que apenas serviu para massacrar na areia e na subida final..