Mostrar mensagens com a etiqueta trail. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta trail. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Monchique Open Trail 2019


Quanto em finais de Setembro me apareceu no feed do Facebook esta prova, o interesse ficou logo em níveis elevados!!
No longínquo ano de 2011 estive com a Ana Bela 1 semana de férias no Monchique Resort & Spa e adorámos, e voltar agora lá, desta vez já com 3 miúdos e ainda com a possibilidade de correr.... bem era uma oportunidade que queria aproveitar!!

Apresentei a ideia de um fim-de-semana interessante cá em casa e foi imediatamente aceite eheh :) 


E assim na sexta-feira saímos de casa com tempo e lá fomos em direcção a Monchique. Lá chegados e feito o check-in no hotel, lá fomos conduzidos para a nossa suite. Não fosse isto um resort de 5*****, o saco com as lembranças e o dorsal já estava lá à espera!! Maravilha assim!! E seguiu-se o estágio para a prova, com ida pra piscina quentinha do spa!

Sábado de manhã com tempo ideal para correr, depois de um pequeno-almoço de hotel não exagerado, lá fomos para a zona da partida! Era uma prova onde não estava à espera de ver muitas caras conhecidas, mas lá apareceu o Bruno Narciso, irmão do meu grande amigo Heitor e assim ainda estivemos por ali à conversa.








Após um muito breve briefing lá foi dada a partida e, partida de prova curta que se preze e a descer, tem de ser feita em ritmo elevado e esta não foi excepção!!! 1º km a descer e a 3'59"km, ia bem mas com noção que tinha de abrandar, mas deixei-me ir no grupo dos 3 primeiros até deixar de ser a descer e inverter a inclinação!

A subir e com noção que o treino nos últimos tempos não tem sido o melhor, abrandei e estabilizei num ritmo mais confortável. Não sei se foi do café que bebi poucos minutos antes da prova começar, o ritmo cardíaco ia algo elevado, o que fez com que abrandasse também...


Não conhecia nada do percurso, mas uns comentários no Facebook da prova tinham aconselhado a levar bastões! Não levei, afinal eram apenas 23k, e a verdade é que não senti falta deles, mas ia sempre na expectativa a ver quando é que eles fariam falta. O percurso não apresentou grandes dificuldades técnicas, e sempre muito muito bem marcado.


Depois de passarmos por Caldas de Monchique começou a 1ª grande subida da prova. Aqui senti a diferença nas pernas para quando andava a treinar com disciplina, mas eram poucos km por isso não havia muito a gerir! Puxar no máximo, feita a subida deu para correr um bocado a direito e a descer até chegarmos a Monchique onde, aí sim começou o principal desafio da prova: a subida à Picota.

Com muitos atletas da prova curta e pessoal da caminhada pelo caminho, foi sempre a dar o máximo que enfrentei esta subida. Eu gosto destas subidas!
A prova tinha 2 abastecimentos, aos cerca de 7km e 14. Não parei em nenhum, mas quando passei e olhei pareceram-me bem compostos.

O topo da Picota estava aos cerca de 16km, cheguei lá com 2h. Nas minhas previsões esperava chegar mais cedo, e tinha sido possível se estivesse em melhor forma. 
Estou mesmo a chegar ao topo da Picota e toca o telefone! A Ana Bela e os miúdos andam na piscina, e querem saber se ainda estou longe!! Respondo para não terem pressa, que ainda demorarei um bocado!!

Chegados à Picota, o caminho era a descer claro!! Só que o topo da serra era só pedra, e como tinha estado de chuva estava tudo molhado e alguma lama. 
Pouco depois de começar a descer apanho um susto, vou a curtir a descida, pedra está molhada, escorrego e torço o pé direito! Não foi nada grave, mas fez soar os alarmes.
Daí para a frente abrandei, desci com muita mais cuidado e a arriscar ZERO! Com este abrandamento perdi cerca de 10 posições.... Não é que interesse muito até porque o que interessava era não lesionar, mas ia contente com o meu lugar e depois como abrandei perdi bastantes posições, mas os atletas iam perto uns dos outros e era inevitável...

Cerca de 2km da meta ligo, a avisar que estou a chegar. Com o caminho fácil e a descer, disparo em direcção à meta a ritmos bastante abaixo dos 4'km! 
A poucos metros da chegada tenho o melhor prémio que se pode ter à espera: a Ana Bela, o Tomás, a Madalena e a Oriana, que me acompanham contentes para cruzar a meta!

Depois ficámos por ali, fui tomar banho e voltámos para a festa final que estava preparada para os atletas e familiares.

Para uma 1º edição, e já tive oportunidade de o dizer à organização, foi uma prova excelente! Percurso muito bom, marcações excelentes, abastecimentos que me pareceram qb
Fiquei com pena de não ter conseguido uma melhor classificação, mas depois do susto que apanhei ao torcer o pé tive medo de arriscar... o objectivo começa em Janeiro no Trilho dos Reis, e é aí que tenho de estar nas melhores condições.

Mas mais importante que qualquer classificação que pudesse obter, foi o fim-de-semana espectacular que passámos! A Oriana que é a mais pequena e que só faz 3 anos daqui a dias, continua a perguntar quando voltamos para o hotel!!! :) 


quinta-feira, 4 de julho de 2019

Ultra Sesimbra 2019



Pelo 5º ano seguido marquei presença nesta prova. Nas 2 primeiras participações na distância mais curta, e nos seguintes na distância Ultra.
De todas, acho que esta foi a mais difícil não devido à elevada dificuldade do percurso, que basicamente é a mesma dos anos anteriores, mas devido ao calor extremo que se fazia sentir este ano.

Ao final da tarde já no conforto do sofá em casa, escrevi o seguinte no Facebook:
"Agora que o Ultra Trilhos Rocha da Pena - UTRP vai ser feito de noite, o Ultra Sesimbra está bem lançado para ganhar o prémio de prova mais quente do ano 🔥
Prova duríssima, o percurso de sempre mas debaixo de um braseiro
Ah, e não devia ter ido fazê-la 2 semanas apenas depois do UTSM - Ultra-Trail de São Mamede..."

Pois.... aliado ao calor que se fazia sentir, passavam somente 2 semanas depois do UTSM e quer se queira quer não, não é tempo suficiente para recuperar convenientemente. Mas era difícil ter esta prova à porta de casa e não ir...

Assim sendo, no dia da prova o ritual foi o de sempre: quando faltava cerca de 1h para a prova saí de casa, passados 20 minutos estava a estacionar em Sesimbra e de seguida a levantar o dorsal. De todos os lados, pessoal amigo e conhecido a cumprimentar, trocar 2 dedos de conversa e a desejar boa sorte para a prova.

Perto das 8h estou na zona de partida, como sempre na Praça da Califórnia. 
A partida é dada à hora certa e, este ano ao contrário dos anos anteriores, uma boa novidade: não noa vão meter logo de início pela praia; para mim isso não fazia sentido nenhum e finalmente este ano parece que a organização percebeu isso!!

Conhecendo bem o percurso da prova, arranco com calma, sem me entusiasmar com os primeiros km de alcatrão! Passado o par de km a subida para a pedreira para depois entrarmos no trilho de acesso à Ribeira do Cavalo, e com o bafo que se fazia sentir já começava a sentir o calor a apertar!!
Este trilho para a Ribeira do Cavalo não é de uma tecnicidade elevada, mas aqui apercebi-me que fiz a escolha de ténis errada!! Para esta prova levei os já "velhos" Salomon S-Lab Sense 6 que contam já com cerca de 600 km, como tal a sola já apresenta algum desgaste e não agarram como dantes. Pois, pois não, e numa curva do trilho lá me esbardalhei!!! Nada de grave, levantei-me e segui trilho abaixo, para logo de seguida dar início à subida cascalheira acima.
Aqui em fila, sem espaço para grandes acelerações, cheguei ao topo e suava em bica, o suor escorria que parecia que me tinham despejado um balde de água em cima!!! Cheguei ao 1º abastecimento da prova e parei: desconfio que terei sido dos pouco a fazê-lo, mas com o calor que estava era essencial hidratar muito e bem!

Segui caminho, agora um segmento mais rolante até ao Cabo Espichel. Pensei que aqui não iria sentir muitas dificuldades, mas com o calor que começava a fazer-se sentir cada vez mais o cansaço ainda do UTSM começou a aparecer... 
Decidi abrandar um pouco o ritmo, e fiz uns bocados a caminhar... Chegue ao Cabo e enchi flasks, comi banana, laranja e melancia e arranquei.

Este bocado é uma seca... Seguir pelos trilhos junto à orla costeira, sem sombra alguma e com o calor cada vez mais forte... Os kms parece que não passavam, e o terreno com areia fina não ajuda em anda...

Na praia da Foz há um abastecimento, e aproveito para comer e refrescar. Estavam mais de 30º, um dia bastante quente, e este percurso quase não tem sombra; esta prova feita em Fevereiro/Março era uma coisa, mas num dia destes....
Prossigo caminho, cada vez mais farto do percurso... Agora seriam cerca de 8km a subir, não muito acentuado mas como se costuma dizer "não mata mas mói"...
A meio caminho um abastecimento extra, mesmo em boa hora para voltar e encher flasks... 
No abastecimento da pedreira demorei muito tempo. Chegou a passar-me pela cabeça a ideia de desistir; já fiz esta prova imensas vezes, treino nesta zona quando quero e estava a ser um sacrifício fazê-la, não estava a tirar nenhum prazer... Comi, bebi, andei para trás e para a frente, e decidi seguir, a correr ou a caminhar, ia indo e ia vendo!!

Saio da pedreira e sigo a caminhar, mas num passo rápido. Chegado ao topo da pedreira, entro no estradão a descer e inicío um trote. Vou cansado, está imenso calor e começo a alternar trote e caminhada até chegar ao trilho que sobe ao castelo, pois aqui já seria impossível pensar em algo mais que fosse caminhar!!!!

No castelo junto ao abastecimento tem uma torneira, e quando lá chego completamente esgotado, tomei quase um banho completo! Depois dirigi-me para o abastecimento, e sou recebido pela Mena que tinha feit comigo muitos kms no UTSM!! Sempre bem disposta, mandou-me logo sentar à sombra e tratou de me arranjar uma sandes, e coca-cola fresca!!! Soube pela vida!! Ainda comi também umas bolachas, e já recomposto arranquei para os últimos 10km.
Continuei a alternar trote e caminhada, já não dava mais! A caminhar tentava manter um ritmo vivo, mas era o possível! O percurso continuava a não oferecer qualquer sombra, e o corpo já não dava mais... Agora era gerir e chegar ao fim....

Acho que foi também neste segmento que decidi que nos próximos anos não volto a fazer a Ultra distância nesta prova; o percurso é basicamente o mesmo todos os anos, sem grande interesse (as paisagens são bonitas na sua grande parte, mas torna-se desinteressante) e cansativo psicologicamente... Provavelmente volto, mas para fazer a distância de 21km...

7h depois do início cheguei à meta. É um resultado péssimo, apenas justificado pelo cansaço ainda do UTSM conjugado com o elevado calor que se fez sentir, mas ainda assim muito muito mau....
Família LH Ginásio




terça-feira, 26 de junho de 2018

Louzan Trail 2018

A expectativa era enorme. Nunca tinha corrido na serra da Lousã, sabia que era recheada de excelentes trilhos, belos e muito técnicos e, que a prova ia ser duríssima! Como publiquei na página uns dias antes, o gráfico com o perfil da prova e a tabela com a localização dos abastecimentos (muito importante esta tabela!!) e desníveis parciais e acumulado, metiam respeito, punham-me em sentido!


Foi então com expectativa, algum medo, respeito e alguma confiança que arranquei no sábado para a Lousã na companhia do Rui Nascimento e do Eduardo. 
Viagem de pouco mais de 2h e chegámos à Lousã. À chegada só olhava à volta, a olhar para os grandes montes que teríamos de subir no dia seguinte!!! 

Depois de levantar o dorsal no secretariado, jantámos por ali mesmo, num jardim situado mesmo ao lado da zona da prova. Tínhamos levado comida de casa, pelo que foi em modo pique-nique que comemos o jantar!!

Depois do belo repasto fomos preparar o "quarto" no solo duro; havia 2 locais disponíveis, mas apenas 1 estava publicado no guia do atleta, talvez por isso quase ninguém tenha ido para os bombeiros, que eram ali ao lado e ofereciam condições muito boas! À chegada reparamos logo num monte de colchões disponíveis, que maravilha!! Depois de tudo preparado, ainda fomos dar uma pequena caminhada e ouvir um bocado do briefing, e por fim fomos descansar.

Alarme do relógio toca às 4.30', mas já estava acordado. Acordado foi um estado em que estive muitas vezes durante a noite! Não é que houvesse barulho pois era pouquinha gente ali a dormir, mas não gosto de dormir em saco cama...
Levantar, vestir e arrumar tudo no carro e tomar o pequeno-almoço que trouxe preparado de casa :) Eram 6 menos 15' estava pronto e fui pra zona da partida. Ao chegar lá aparecem-me de surpresa o meu Pai e a Helena! Não sei quem é mais maluco, se eu ou eles que acordaram às 3.30 para estar ali àquela hora!!!



Cumprimentar o pessoal, concentrar para o que aí vem e é dado o sinal de partida!

O início dentro das ruas da Lousã tende a ser um pouco rápido e deixo-me ir, mas sempre sem nunca forçar, até que ao 1,5k da prova entramos em trilho. Como só podia ser, a subir pois claro!! 
Daqui até ao 1º abastecimento foi praticamente sempre a subir! Subir subir subir, daquelas que se olha para a frente e não se vê o fim!


No 1º abastecimento comi uns pedaços de laranja, banana, enchi os flasks e segui. Este abastecimento estava colocado aos 8k, olhei para o reógio e já marava mais de 1000D+!!! QUE BRUTALIDADE!!
Se as subidas pareciam intermináveis, as descidas, algumas bastante técnicas metiam-me em sentido. Se calhar até demais, se calhar um dos erros que cometi nesta prova que me fizeram perder tanto tempo foi o excesso de respeito pelas subidas, medo das descidas e de fazer alguma entorse novamente... 

O 2º abastecimento estava antes dos anunciados 17k, e a partir daqui percebi que provavelmente se iria repetir com a localização dos abastecimento a mesma coisa que já tinha acontecido noutros lados....
Prossegui a minha prova, o calor a aumentar brutalmente e aproveitava cada fonte que apanhava para refrescar, de cima a baixo! 

Com o amigo Nuno Santiago a descansar por uns segundos!!!
Aos 18,5 chego ao Talasnal, novo abastecimento e muito gente por ali, incluindo o meu Pai e a Helena. 

Eles estão a curtir o evento, eu tou a aperceber-me que a prova não está a correr nada de feição mas se bem me lembro dos tempos de corte terei tempo para seguir. Saio daqui acompanhado por outro atleta, o João, e colocamos um ritmo calmo mas constante, vamos correndo quando é mais a direito e poupamo-nos nas subidas. Um pouco à frente somos apanhados pela Isabel e a Su e seguimos todos juntos uns quantos km, até que ele nos deixa numa das muitas passagens pelo rio, onde eu parei para refrescar-me. 
De subidas a pique e intermináveis passávamos a decidas muito técnicas e que apenas acabavam quando chegávamos ao rio, para depois andar por ali a passar de uma margem para a outra até se seguir nova subida!
Com o calor a apertar cada vez mais, começamos a andar em troços mais abertos e expostos; as ondas de calor a bater nas pedras de xisto sentiam-se a vir contra nós..A passagem pela água era um alívio, pois servia para refrescar. 




Aos 30,9k chego ao Candal, supostamente seria aos 29,5k! Como uma sandes de panado e uns pedaços de banana e laranja, e enquanto isso o meu Pai e a Helena, sempre a curtirem!!!, enchem-me os flasks de água e com o Tailwind. O voluntário que lá estava diz que o próximo abastecimento era dali a 5k mas que era perfeitamente fazível numa hora e meia!! Era era...

Saio do abastecimento decidido a recuperar algum tempo, apanhei algum do pessoal que tinha estado menos tempo no abastecimento - a Isabel, a Su e o Adelino, e juntos seguimos com o objectivo de chegar ao km 34,3 antes da barreira horária.
À saída do Candal seguimos por um estradão, inicialmente a subir ligeiramente e que depois começa a descer, atravessamos a estrada (onde aparece uma vez mais o meu Pai e a Helena a apoiar, incansáveis!!!) e seguimos para nova descida em direcção ao rio; nesta fase já cansado e com calor brutal, a descoordenação motora era por demais evidente!! Chegados ao rio aproveitámos para refrescar, sentar na água, saímos dali todos molhados mas o calor era tanto que rapidamente secou tudo! Daí para a frente (estávamos com 33,3km) , esperava-nos uma subida que parecia interminável, exposta ao sol e sem trilho mas que, olhando para o gráfico no dorsal e que confirmava o que constava do regulamento, seria "apenas" 1km de subida até ao abastecimento e posto de controlo.
Só que não..... Passamos o 34,3, o 35, 35,5 e começamos a descer em direcção à Cerdeira. Há uns minutos que eu já tinha percebido que o PC estava mal, e tinha-me adiantado ao resto do grupo numa tentativa de chegar a tempo.
Era ali que devia estar o PC da Cerdeira

36k e nada ainda do PC, resta-me pouco mais de 1 minuto para as 9h e a barreira horária... 
Aos 36,4k chego ao abastecimento / Posto de Controlo. 

O relógio marcava 9h01'. O responsável do abastecimento avisa-me logo que já não posso seguir, já fechou.
Como?? 
Esta informação foi fornecida pela organização.
Estava no regulamento, no guia do atleta e no dorsal

Ok, tenho perfeita noção que estava a fazer uma prova de m****, mas porra! Cheguei a um Posto de Controlo que estava colocado 2km à frente do indicado em tudo quanto era sítio, apenas 1 minuto após a hora de fecho. Estavam condições de calor extremo que levaram a organização a ter bom senso de colocar alguns abastecimentos de água extra, mas não há o bom senso para permiti que siga???
Podia não conseguir terminar mesmo assim, mas não é isso que está em causa aqui. 

Regras são regras e são para cumprir seja em que caso for, mas se assim é tem de ser para ambas as partes! 
A juntar a isso, de realçar também a arrogância, prepotência e falta de bom senso do responsável do PC. 
Entretanto chegaram mais atletas, seríamos ao todo uns 15 a mostrar nos relógios que o PC estava cerca de 2k à frente do indicado, mas ele teimosamente afirmava que nós é que estávamos mal e que o PC estava no máximo aos 35!!! Engraçado que já depois da prova falei com mais atletas e todos confirmam que aquele PC estava muito à frente do indicado! Não faço ideia se ele algum dia irá ler estas linhas, mas para o caso de as ler, admitir que estamos errados é uma qualidade muito valiosa, chama-se humildade e isso faltou em demasia às 15h do dia 17 de Junho de 2018. 

Pela 1ª vez fui barrado numa prova, há sempre uma 1ª vez para tudo e a minha foi agora. 
Sei que fiz uma prova miserável, mas não posso aceitar que uma prova que faz parte dos circuitos nacionais, com mais de 1000 atletas a competir, continue a cometer erros destes em todas as edições (basta procurar por relatos do Louzan Trail das edições passadas e verifica-se que são recorrentes os erros na localização dos abastecimentos / PC ). Não vou afirmar que nuca mais voltarei a esta prova, até porque tenho a certeza que numa próxima ida à Lousã as coisas irão correr melhor, mas vai ser difícil lá voltar sem ter a certeza que estes erros básicos foram corrigidos e deixaram de acontecer...

sábado, 12 de maio de 2018

30K Vale dos Barris - Bailado na lama!

A Arrábida é o meu local de eleição. Seja para treinar ou simplesmente para passear com família e amigos, a minha 1ª opção é sempre a mesma: Serra da Arrábida, local onde passo grande parte das manhãs dos domingos. Apesar disso, nunca tinha participado nos 30k de Vale dos Barris...


Não sei explicar o porquê, sempre que pensava nesta prova via uma prova muito rolante, sem grande dificuldade e realizada pelos estradões da Serra do Louro e Vale dos Barris. Nada mais errado, pelo menos este ano!!

A partida estava marcada para as 9h, cheguei ao local onde era a partida pelas 8h30'! Levantar o dorsal e ficar por ali na conversa com o pessoal da equipa até à hora de arrancar. Depois de uma pequena contagem, deu-se início a mais uma edição dos 30k de Vale dos Barris.

Arranque rápido, mas mantive-me perto do grupo da frente. Contudo, assim que passei a 1ª zona com mais lama, percebi que ia ser uma manhã "engraçada"!! Até cerca do km 4 mantive o ritmo que levava, mas depois decidi abrandar um pouco. Os ténis - a dúvida era entre estrear os Sense Ultra 2 ou levar os Wings 8, e optei pelos últimos - não estavam com aderência nenhuma, e sempre que apanhava um pouco mais de lama parecia que estava num escorrega!!

Assim num ritmo um pouco mais calmo e menos perigoso fui seguindo por trilhos bem conhecidos até chegar à Aldeia Grande e atravessar a N10. 

Depois um pouco à frente, cerca do km8 até ao k 10,5 entrámos em trilhos que eu não conhecia e com alguma tecnicidade, e onde os meus ténis hoje não estavam a ajudar nada e fazia aumentar o receio de alguma entorse. Aí fui com mais cautela, até chegar ao estradão no sopé da Vigia, zona já muito familiar! Foi com satisfação que cheguei à casa do Javali, local tão bem conhecido e onde começa a subida pela pedreira até à Vigia. Aí ainda pensei que fôssemos subir ao posto da vigia; apesar de no gráfico de altimetria só ir até cerca dos 200m, ao chegar ali já não batia certo o perfil do gráfico com o que estávamos a fazer, portanto..... Mas não, ao chegar a meio da subida virámos à esquerda e começámos a descer, e a meio dessa descida nova virada à direita, por um trilho aberto propositadamente para a prova e que, sinceramente não gostei de o fazer: preferia que nos tivessem deixado aproveitar a descida até ao fim!! Neste momento começou também a chover quase torrencialmente, e o impermeável... tinha ficado no carro pois claro!! O que vale é que foi chuva de pouca dura, a roupa seca rapidamente, mas deu para encharcar os trilhos e fazer um pouco mais de lama ainda! Houve subidas, pequenas rampas que se fazem facilmente, que era um passo para a frente e dois para trás! Estava a ser uma aventura nalguns locais!

E com isto, atravessamos Vale dos Barris e entramos na zona do Alcube. Aqui já com roupa seca, tempo seco, trilho largo e a descer, entro com demasiada confiança e não reparo que havia uma zona com pedra. Pois, está-se mesmo a ver o que aconteceu! Escorreguei e pumba, um bom par de trambolhões que me puseram a sangrar e cheio de dores no joelho direito e mão direita... ah, e uma valente capa de lama por cima do local onde sangrava!!Aquilo que temia quase desde o início acabou por acontecer, e segui a passo até chegar mais à frente a um atravessamento de um curso de água, onde aproveitei para lavar a pernas e mãos! A água não parecia muito limpa, mas sempre ouvi dizer que água corrente não faz mal!!
Depois desta pequena pausa lá segui, com alguma dificuldade em caminhar ainda, e a perna direita mais fraca dificultava a progressão num terreno já de si complicado. Aguentei-me assim um par de km até que fui voltando a conseguir correr. Com muito cuidado segui, mas sem conseguir evitar mais umas quantas quedas. Bem tentava nas descidas fugir à zona mais escorregadia, ir pelas ervas, mas havia zonas onde era quase impossível!!

E foi depois de mais umas quedas que entrei no estradão do Alcube, e um par de km depois cheguei ao abastecimento, onde parei e comi que já ia com fome!

Depois lá segui para os 9km finais, atravessar novamente a N10, Aldeia Grande e seguir em direcção à Comenda. No parque de merendas aproveitei para lavar novamente o joelho, aqui já com água limpa! Aqui estava a cerca de 3km do final, faltava apenas a subida final para cortar a meta.

3h55' depois da partida acabei a prova. Não fiquei satisfeito com o tempo final pois esperava fazer no máximo cerca de 3h30', mas depois da queda que dei não havia mesmo maneira de arriscar e os últimos 14k foram feitos a um ritmo muito calmo! O EGT é já daqui a dias e é mais importante. Fiquei no entanto satisfeito porque não senti nenhuma quebra física, o corpo transmitiu sempre boas sensações.

Em relação à organização, há vários pontos que devem melhorar para próximas edições: o perfil disponibilizado não correspondeu com o que fizemos, os abastecimentos não estavam nos locais indicados e as marcações houve vários locais onde ficámos na dúvida para onde seguir.





sexta-feira, 30 de março de 2018

IV Trail De Almeirim - Na Rota do Vinho e da Sopa da Pedra


O trail de Almeirim já começa a ser tradição. Mas não é só para mim, é também para a família que vai acompanhar a prova e comer a sopa da pedra. Este ano seria igual, pelo 3º ano, não fosse a ameaça da tempestade Hugo ter estragado os planos….


Foi no almoço de ano novo que ficou uma vez mais combinado que a 18 de Março nos iriamos reunir novamente todos em Almeirim – no ano passado se não tínhamos a maior mesa no almoço, andámos la perto! Decisão tomada, inscrição efectuada para os 30k, que afinal iriam ser 35.

Não gosto, nem tenho de arranjar justificações para os resultados melhores ou piores que consiga obter, mas a realidade é que para esta prova a preparação foi claramente insuficiente. Estes primeiros meses do ano não têm sido muito favoráveis; 1º foi a recuperação da lesão que fiz nos 100k de Abrantes, e depois quando estava a voltar a treinar bem em Fevereiro fui atacado por uma constipação que não esta ainda totalmente curada…
Foi então com uma preparação “assim-assim” que me apresentei em Almeirim. Entretanto, e por culpa das ameaças de tempestade, tomamos a decisão de a equipa de apoio ficar por casa; caso se confirmassem as previsões era complicado ir para Almeirim com as 3 crianças…

Aparentemente as previsões assustaram também vários atletas, porque eramos apenas cerca de uns 100 na linha de partida.
Antes da partida, com a Ana e o Paulo.
Foto do  outro Paulo!


Contrariamente aos anos anteriores este ano o percurso sofreu algumas alterações; em vez de começar e acabar no mesmo local (a prova dos 30k, porque a L.U.T.A. começava e acabava no pavilhão) era um percurso em linha. Desta forma fomos de autocarro ate Marianos, e depois de ver passar os 1º classificados da LUTA (grande Rovisco em 1º lugar!!) teve inicio a nossa prova.

Tinha claramente a noção que não estava bem, pelo que arranquei sem forçar grandes ritmos­ no inicio, puxando apenas um pouco pelo 3º km para evitar um possível engarrafamento numa subida. E rapidamente entramos no sobe e desce, no parte pernas autentico que caracteriza esta prova. 

Pequenas rampas a subir e descer e que lhes vemos o fim, mas que assim que acabam viramos para o lado e temos outra rampa igual, no sentido inverso, em constantes ‘S’.
E foi com este parte pernas que cheguei ao 1º abastecimento, cerca do 11º km. 


A poucos metros do 1º abastecimento, fotos do Paulo!

Não me demorei, peguei apenas num pedaço de banana e segui. Os flasks iam cheios ainda, pelo que não senti necessidade de mais nada.
E se até aqui tinha vindo quase sempre acompanhado, a partir deste ponto segui já mais sozinho.
Apesar de não estar na minha melhor forma estava a aguentar-me bem, até ao 16ºkm onde tive um ataque de tosse que parecia que saltava tudo para fora…. Estive uns minutos parado, ate conseguir recuperar um pouco, e decidi abrandar o ritmo, de forma a baixar os BPM e a respiração.
Com este baixar de ritmo comecei a ser ultrapassado por vários atletas, mas isso seria o menos importante. Fui também apanhado, cerca do km 20, pelo meu amigo Paulo Sousa. Contei-lhe o que se tinha passado e disse-lhe que ia seguir nas calmas, para ele seguir que no final la nos encontrávamos, mas ele decidiu ficar e seguirmos juntos. Km 23 e abastecimento, neste parei, enchi os flasks e aproveitei para comer alguma coisa. Estivemos parados aí uns 5 minutos e seguimos, em ritmo de passeio e na conversa.

Se as previsões para este dia eram de tempestade, neste segmento tive calor que parecia verão! Ate ao abastecimento seguinte, 30º km seguimos nas calmas alternando corrida com passo rápido, e depois de mais uma pausa para reabastecer no ultimo abastecimento decidimos correr um pouco. 
No último abastecimento

Pouco depois do último abastecimento, 4km para a meta

Faltavam cerca de 4km, já cheirava a sopa da pedra e à caralhota!!

Quase 5h depois do inicio cortámos a meta. Foi, de longe, a pior prestação que tive nas 3 participações do Trail de Almeirim, mas dadas as circunstancias fazer melhor era difícil.


Quanto à organização, já sabia com o que contar e uma vez mais não desiludiram. Gostei da alteração do percurso, embora ache um pouco chatos aqueles ‘S’ nos km iniciais, onde descemos e subimos por vezes lado a lado, mas percebo, pois sem grande altitude de serra tem de se criar altimetria; quanto ao resto tudo excepcional desde as marcações a abastecimentos, a massagem no final e os banhos com água quente, e o almoço.
A famosa caralhota! :P 


Até para o ano!!!!