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terça-feira, 7 de junho de 2016

VI Ultra Sesimbra - 21k


Quando, no ano passado, terminei os 21k, ficou praticamente ali decidido que este ano iria fazer a distância maior. No entanto, estava longe de imaginar o calvário que ia passar com a lesão, e no dia da prova, como tudo ia correr mal desde o acordar....


Esta prova tinha tudo para correr bem. Da lesão já não há sinais, o local é sobejamente conhecido, andava a treinar bem, e era a 1ª prova enquanto membro dos "Madruga Runners"! Só que....

As coisas ficaram preparadas desde o dia anterior, não me deitei muito tarde, mas de manhã não ouvi o despertador tocar. E ele toca várias vezes!!! Nunca me tinha acontecido, adormecer para uma prova. Normalmente, acordo até antes do despertador tocar. Mas não desta vez. Tínhamos combinado às 7.20, para irmos com tempo, sem stress. Acordei às 7.40, com o pessoal a ligar-me a perguntar onde estava...Sigam, eu vou lá ter!!

Levantei-me à pressa, equipei e comi qualquer coisa, quase sem mastigar. Esta pressa veio a ter resultados depois, já durante a prova, onde houve uma fase em que não ia muito bem.
Arranquei para Sesimbra, estacionei sem problemas - abençoado sejas Smart, que com o parque cheio consigo sempre um lugar!!! -  e corri para a secretaria levantar o dorsal.
Pronto. Ainda tive tempo de voltar ao carro e acabar de preparar, mas sempre em stress e sem nunca conseguir acalmar.

Fomos para a partida, onde já estava tudo concentrado, e apertado. Talvez pudessem repensar em como colocar os atletas antes da partida, porque grande maioria estava na lateral do pórtico, o que originou alguns empurrões quando foi dado o sinal.

Este ano havia uma novidade, que era em vez de ir logo pela marginal, irmos pela areia da praia e depois pelo passadiço de madeira. 


Não contava com esta incursão à areia, e deu ainda mais cabo de mim. Quando voltámos à marginal tentei estabilizar a pulsação, e o ritmo até chegar à 1ª subida e entrada no estradão, mas sem muito sucesso. Começava a ter a noção que não estava bem e que não ia ser fácil. 
Fiz a subida a caminhar, em passo acelerado, e voltei a correr quando entrámos no trilho que vai dar à Ribeira do Cavalo. Aqui ainda consegui ir sem alguns problemas, sempre em corrida até lá abaixo, mas depois na Subida do cascalho não consegui. Limitei-me a seguir atrás de outros atletas, sempre sem conseguir forçar uma ultrapassagem ou um passo mais acelerado. O tempo começava a abafar, e já transpirava muito. 
Chegado lá acima, voltei a correr, mas sempre sem conseguir aumentar o ritmo. Transpirava e sentia frio, e deixei-me ir a um ritmo lento ou simplesmente a caminhar quando não conseguia mais. 
Confesso que pensei em desistir. Não estava a desfrutar nada, em trilhos onde adoro correr...


Assim segui até ao 2º abastecimento. Parei, comi, despejei uma garrafa de água por cima de mim, e parece que teve efeito quase imediato. Senti-me melhor, os pensamentos mais negativos desapareceram e arranquei. 


Já conseguia imprimir um ritmo um pouco mais elevado, e segui, ainda que, na descida antes do 3º abastecimento,  onde ainda há semana e meia me diverti imenso a descer a um ritmo a que não estou muito habituado, tenha abrandado devido a umas tonturas que voltei a sentir. Cheguei ao 3º abastecimento, aquele onde já li várias críticas a dizer que foi negada comida aos atletas dos 21k. Aqui comi, bebi e despejei água em cima de mim, e ninguém negou nem a mim nem aos atletas que ali estavam naquele momento o que quer que fosse. Aliás, em todos os abastecimentos os voluntários foram de extrema simpatia, o que me leva a crer que não terá passado de um mal entendido.

Depois da pausa, segui pedreira acima, e em direcção ao castelo.Não há muito a dizer, não voltei a sentir tonturas e daqui até final foi a parte em que me senti melhor.


No final uma nota à organização, porque não se percebia bem se tínhamos de seguir pela praia ou pela marginal. Pelo que falei com outros atletas, vários foram os que foram pela areia até ao fim, quando o pretendido, acho que era ir pelo alcatrão - foi o que entendi pelas fitas.

Cortei a meta 2:23:00 depois, com um sentimento de enorme desilusão. Nunca me tinha sentido tão mal numa prova, ainda mais numa de apenas 21k.

Valeu a camaradagem da equipa, e ver os colegas Madrugas a terminarem o 1º Trail. 


terça-feira, 12 de abril de 2016

II Trail de Almeirim

  
 3 meses após a ultima prova, onde contraí uma tendinite, muitas sessões de fisioterapia ( que só terminam esta semana ) e muito poucos treinos, voltei a participar numa prova.


3 meses.
3 meses após a ultima prova, onde contraí uma tendinite, muitas sessões de fisioterapia ( que só terminam esta semana ) e muito poucos treinos, voltei a participar numa prova.

Apesar de não gostar da expressão, tinha a consciência que esta tinha de ser feita em ritmo de treino, e assim foi, até porque as pernas também não permitiam mais. Voltei a treinar apenas a partir do fim-de-semana da Páscoa, treinos não muito longos e lentos, pelo que o ritmo tinha de ser muito bem gerido nesta prova. Para contrabalançar com isto tudo, neste dia ia ter uma motivação muito especial à minha espera na meta: a Ana Bela e os miúdos acompanharam-me até Fazendas de Almeirim J

A prova

Chegados a Fazendas de Almeirim, dirigi-me ao secretariado para levantar o dorsal e o chip.
E aqui foi o único ponto que não gostei: fila desde a porta do centro cultural, que tanto servia para os 17 como para os 30k. Demorava imenso a avançar, e para piorar, os chips tinham de ser levantados indo para outra fila. Penso que no próximo ano esta situação pode e deve ser melhorada.

Depois de ir ao carro equipar, voltar para a zona de partida. Fazer o aquecimento e posicionar-me. O ritmo cardíaco aumenta e um nervoso miudinho toma conta de mim. Após 3 meses estava novamente numa linha de partida. São dadas as ultimas indicações por parte da organização e a partida.
Arranco com calma, mas dada a quantidade de pessoas, acelero um pouco até chegar a uma zona com espaço, e onde encontro o meu ritmo.

Cerca do km2 entramos nos trilhos, e que trilhos!
Nota-se bem que esta prova foi feita por atletas para atletas. Trilhos fantásticos, single tracks onde dá uma vontade enorme de correr sem parar, um sobe e desce constante, algumas subidas onde consigo ir a correr ( com os famosos baby steps! ), outras nem pensar, autenticas paredes que são! e também porque não posso forçar nada, descidas brutais onde mal dá para travar e só espero que não apareça nenhuma árvore mal posicionada!! E ainda houve direito a cordas num destes desce e sobe! Brutal!!!



Os abastecimentos, estavam também bem compostos, de conteúdo e simpatia por parte dos voluntários. Parei em todos, comi e bebi água e isotónico, e segui.

Se nalgumas zonas ia na companhia de outros atletas, por vezes ia sozinho, mas por nenhuma vez tive duvidas no caminho. Marcações exemplares, fitas bem visíveis e a cada 5/10m. Espectacular!  

Antes do ultimo abastecimento, mais um autentico banquete, o trilho mais bonito onde corremos, na minha opinião. Pelo meio de um bosque um singe track aos S, que eu só pedia que não chegasse rápido ao fim. Apesar de já ir a sentir alguma fadiga muscular devido à escassez de treinos, a tendinite não dava sinais de aparecer, e diverti-me bastante nesta secção.

O último abastecimento!!

Depois do ultimo abastecimento e até à meta foi um autêntico passeio no parque, praticamente sempre a descer e com a companhia de centenas de participantes na caminhada.

E ao entrar na recta da meta, vejo ao fundo, a Ana Bela com a Madalena ao colo, e o Tomás, aos saltos e a gritar por mim! Esta é a melhor recepção, o melhor pódio que se pode ter. Veio a correr ao meu encontro, e juntos, de coração cheio, passámos a meta. No abastecimento que estava na meta, quem comeu mais foi ele, premiado pelos 100m em que me acompanhou, que se empanturrou de batatas fritas!!!

Depois ainda houve direito a almoço, mais um banquete, com a bela da sopa da pedra, bifanas enormes e sumos!!

Terminar esta prova soube-me melhor que a ultima ultra que fiz, não só pela companhia a cortar a meta, mas também porque depois de tantos dias em que até caminhar para o trabalho me custava, semanas seguidas a ir todos os dias para a fisioterapia, consegui terminar a prova sem dores de maior. A lesão ainda não está curada a 100%, mas para lá caminha.

Toda a organização está de parabéns pelo excelente trabalho, têm ali uma prova, e uns trilhos, de excelência.

Agora não sei qual será a próxima prova, eventualmente os 21k do trail de Sesimbra em Junho ( vai ser impossível estar em condições de fazer os 60 bem ), mas até lá, e até retomar os treinos mais intensos, ainda tenho trabalho de reforço muscular para fazer na perna esquerda, que se nota bastante mais enfraquecida que a direita neste momento.

Quanto ao Trail de Almeirim, espero em 2017 estar de volta, desta feita para a distancia mais longa. 



quinta-feira, 3 de março de 2016

Lesão.....



Quando sentirem uma dor, não forcem, parem logo. Não justifica acabar aquele treino/prova, e colocar em causa os próximos meses. Consultem um especialista que vos recomende o tratamento, e não se fiquem pela "sabedoria popular" e tratamento caseiro... 

Lesionei-me no dia 10 de Janeiro, no Trail Centro Vicentino da Serra, em Portalegre, sensivelmente ao km17. Senti uma dor na perna, na zona superior do gémeo, que associei a cãibras. 
Devia ter ficado por ali, ou pelo ponto de abastecimento mais próximo, mas quis ser guloso, armar-me em forte e segui. 
Terminei a prova, mas com um tempo muito acima das minhas expectativas, e cheio de dores. 

Depois, em vez de ir imediatamente pedir um diagnóstico a um especialista, fiquei pelo tratamento caseiro, e pela conversa do "isto não é nada, vai passar"... 
Os dias foram passando, mas as dores não. Ainda houveram umas sessões de fisioterapia, poucas e muito espaçadas entre si.. 

Hoje finalmente fui a uma consulta. O diagnóstico é uma tendinite, e a receita é parar completamente mais 3 semanas, no mínimo, e fazer sessões intensivas de fisioterapia.

Os planos que eu tinha começam a ser postos em causa. 

Sábado haviam os Trilhos do Javali Noturno, mas vou ficar pelo sofá...

Dia 3 de Abril há os Trilhos Do Almourol, pondero se mesmo que já esteja recuperado irei ou nao.

E em Maio... os 100k do UTSM - Ultra-Trail de São Mamede, o grande objectivo do ano....

sábado, 16 de janeiro de 2016

Trail Centro Vicentino da Serra/Delta Cafés 2016 - Vicentino Abútrico! Violento, Brutal, Épico



Há 1 ano, numa tarde caseira, estava a ver o Desporto 2 e vi uma reportagem acerca do Trail Centro Vicentino da Serra.
Gostei do que vi, e assim que as inscrições para esta edição abriram, tratei de reservar um dorsal para mim. Nos meses que se seguiram, a organização foi aguçando o apetite no Facebook, e a vontade que chegasse o dia crescia a cada post. As previsões de chuva, que se confirmaram na semana antes, também aumentaram a expectativa em relação a esta prova.

Foi portanto com grande entusiasmo que acordei no domingo, pouco depois das 4h da manhã! À hora marcada, estava no local combinado, onde ia ser apanhado pela minha boleia, combinado no dia antes através do Facebook!! Viagem que correu sem sobressaltos, e chegados a Portalegre fomos levantar os dorsais. No ar, a chuva e a humidade, e olhando para a zona envolvente da cidade, mais alta, coberta de nevoeiro, deixava antever que a prova ia ser molhada!

Após o briefing em que fomos avisados do estado da serra e dos perigos que íamos encontrar, deu-se a partida simbólica dentro do pavilhão, em clima de grande festa.



Minutos depois, a partida oficial, e arrancámos em direcção à serra. Arranquei calmo, sem entrar em grandes acelerações; como sempre, nos 1ºs quilómetros tratei de estabilizar a respiração, e segui sempre ao meu ritmo, sem forçar nada.





Ia a divertir-me bastante, por trilhos espectaculares e exemplarmente bem marcados, com lama, muita lama, água, travessias de riachos, mais lama, subidas de gatas e descidas em sku... quando por volta do k17 comecei a sentir uma dor na zona superior do gémeo, na perna esquerda... BOLAAASSSS Pensei que eram câimbras, parei, massajei um pouco e continuei. Mas a dor não passou, e salvo raros momentos em que abrandou, acompanhou-me até ao fim...

No abastecimento do k30 ainda pensei em desistir. Não estava a correr bem, a dor na perna não dava tréguas, e com as várias paragens que ia fazendo para massajar, tinha arrefecido bastante. Estávamos no topo da serra, com chuva e muito frio, estava gelado... Sentei-me um pouco, não consegui comer quase nada - estava um bocado mal disposto de um gel que tinha tentado tomar - e esperei uns minutos a ponderar o que ia fazer...


Na mochila tinha um buff seco, e os manguitos, que normalmente uso, mas desta vez tinham sido substituídos por uma camisola. Coloquei o buff na cabeça, os manguitos por baixo das mangas da camisola, senti-me a aquecer um pouco, e decidi continuar.

Continuei com dificuldades, e a um ritmo muito baixo lá fui avançando, tentando abstrair-me das dores, e divertir-me nos fantásticos trilhos com que éramos brindados. Já disse que estavam espectacularmente bem marcados? E que eram brutais? E que havia lama? E água??

No abastecimento do k37 comi apenas umas batatas fritas, e segui. Aqui começa a única coisa que aponto à organização... Naquela fase da prova, e esta é opinião partilhada também por outros atletas, acho que foram um pouco desnecessárias toas aquelas travessias do rio, com a corrente forte, e sem qualquer tipo de segurança. E havendo, entre algumas dessas travessias de um lado para o outro, trilhos bem definidos ao lado do rio...

Estes últimos km passaram rápido, e foi com algum alívio que cheguei ao pavilhão, onde se encontrava a meta. Objectivo de terminar estava conseguido, se bem que muito depois daquilo que tinha planeado.

Depois de um banho retemperador, finalmente consegui comer alguma coisa, e que bem que soube!


Não tenho ainda muitas provas realizadas, mas de todas em que já participei, esta foi sem dúvida a melhor, em todos os níveis. Trilhos brutais, marcações que não deixavam dúvidas, abastecimentos nos locais exactos, membros do staff ao longo do percurso, meios de socorro, e o mais fantástico, membros da organização "plantados" no meio do rio para auxiliar na passagem. Em todos os locais, extrema simpatia e sempre prontos a ajudar. Excelente mesmo, um exemplo de organização.

Contem comigo, novamente, em 2017!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Ericeira Trail Run 2015 - Será que alguma coisa podia correr pior??




Nos últimos dias não treinei tanto quanto queria.
Nos últimos com os 2 miúdos adoentados, não descansei o que devia.
Apanhei uma constipação na passada 5ª feira..
Na 6ª feira à noite ainda estava na dúvida se preparava as coisas para sábado ou não... mas lá acabei por preparar a mochila, dormir meia dúzia de horas e à hora marcada estar no local combinado com o Paulo para seguirmos para a Ericeira.

A viagem correu sem sobressaltos, e com os dorsais já levantados na Pro Runner, e depois de chegar, fomos para o edifício do secretariado para nos abrigarmos do frio.
Depois de nos equiparmos, voltámos para este edifício, para ouvir o briefing. Ouvir, ou tentar ouvir, porque as pessoas a falar não deixavam ouvir em condições as indicações que nos eram dadas...
O controlo zero, que era suposto haver, não houve.

Perto da hora da partida, que segundo o regulamento seria impreterivelmente às 8, fomos encaminhados para a zona de partida, ladeados por umas barreiras de plástico. No sistema de som só se ouvia o responsável repetir que nos primeiros metros o iríamos acompanhar, e que não o podíamos passar. Após várias repetições desta indicação, só dei conta de começar tudo a correr, sem ouvir qualquer tiro de partida. Sinceramente, não percebi esta partida, e não gostei.

Logo nos primeiros km comecei a sentir algumas dificuldades. O vento que se fazia sentir era bastante, e com o nariz tapado, tinha bastantes dificuldades em respirar. Com o corta-vento vestido sentia calor, e sem ele não conseguia ir, com o frio... Aos 7/8 km lá consegui aguentar sem ele e assim seguir. Nesta altura já me sentia melhor, e cheguei bem ao 2º abastecimento, apesar de cheio de fome. Aqui demorei-me sem me preocupar com o tempo, comi o que achei necessário para ficar sem fome, e depois lá segui.

Passados uns km voltei a sentir dificuldades, e desta vez, por volta do km 30/31, bati no fundo. Senti-me sem forças para continuar, e estava decidido a desistir no abastecimento seguinte, no km 35. Caminhei durante alguns km, sozinho, e a decisão parecia estar tomada, até que tentei voltar a correr, o que consegui, apesar de alguma dificuldade. Adiei a decisão para o abastecimento, e aí descansei comi e bebi, e decidi que ia tentar chegar ao próximo, 8 ou 9 km depois...

Neste segmento consegui correr mais que antes, e chegado ao último abastecimento, a cerca de 8km da meta, não havia motivos para não seguir até ao fim!! Este segmento foi fácil, sempre estradão e a descer até à Ericeira.

7h14m depois da partida, cortei a meta. Custou bastante nalguns momentos, levei em cheio com a marreta, mas consegui terminar. Terminar foi mesmo o mais positivo, porque de resto quase tudo correu mal, Nem o relógio gravou o percurso da prova....

Em relação à prova/organização, sinceramente não gostei. Como já referi, não percebi a partida, acho que durante o percurso poderiam haver mais elementos do staff, não vi nenhum meio de assistência em todo o percurso, e apenas num cruzamento um elemento da GNR, quando passámos vários cruzamentos com trânsito. Falhas muito graves, na minha opinião. Na parte final, a passagem pela praia dos pescadores, também nada vem acrescentar à prova, bem pelo contrário, não percebi a necessidade de nos enviarem pela praia, o que apenas serviu para massacrar na areia e na subida final..

sábado, 14 de novembro de 2015

"Mini" I Ultra Trail Serra de Grândola

"...para os 50k apenas 32 atletas se inscreveram. E desses, 4 não compareceram na linha de partida, pelo que era um pelotão super pequeno que ia enfrentar a Serra de Grândola. Uma "mini" Ultra, portanto!!"


4.30 toca o despertador. Deixo tocar uma segunda vez, passados 5 minutos, e levanto-me. Acordo bem, sem sono, e não quero acordar ninguém em casa. Vou tomar um banho rápido, e visto-me. Toda a roupa, bem como tudo que é para levar, está preparado de véspera no "quarto das visitas". Não há motivos para perder tempo, ou para esquecer alguma coisa. As coisas para o pequeno-almoço também estão preparadas na mesa da cozinha, pelo que é sem sobressaltos que me preparo para sair. Saio de casa satisfeito, tudo está a correr bem, tal como a viagem até Grândola, de cerca de 100km feitos em 45 minutos.
Viagem calminha
Chegado a Grândola, estaciono no parque junto ao Parque de Feiras e Exposições, local onde estava situada a tenda para levantamento de dorsais. Processo decorreu sem problemas, e recebo um saco com dorsal, chip, uma t-shirt e algumas lembranças alusivas ao concelho de Grândola. E uma entrada para a Feira do Chocolate, a decorrer naquele espaço por aqueles dias!!
Volto ao carro e preparo-me. Faltavam cerca de 20 minutos para a hora de partida e dirijo-me para o local, a cerca de 200m, para efectuar aquecimento e o controlo zero.

Quando tive conhecimento desta prova, na altura que foi lançada, confesso que fiquei de pé atrás. 1ª edição, o regulamento apresentava, a meu ver, algumas falhas graves, como por exemplo a indicação de que haveriam apenas 3 abastecimentos, não ter a indicação de haver um prémio para quem terminasse - sim, eu gosto de ficar com uma lembrança! - e o valor pedido pela inscrição, fizeram com que demorasse a me convencer a fazer a inscrição - coisa que fiz apenas no último dia da fase mais barata. Não sei se terá sido por isso, mas para os 50k apenas 32 atletas se inscreveram. E desses, 4 não compareceram na linha de partida, pelo que era um pelotão super pequeno que ia enfrentar a Serra de Grândola. Uma "mini" Ultra, portanto!!

É dada a partida e arrancamos. Até  ao km2 vamos seguir atrás de uma viatura da GNR, altura em que entraremos em terra.
 

Esses 2 km foram feitos a um ritmo a rondar os 4.50, mas depois de entrar na serra, decidi seguir o plano que traço sempre para estas provas, que passa essencialmente por não me entusiasmar demasiado no início, caminhar a passo rápido nas subidas e correr quando é plano e a descer.
E assim foi, depois de estabilizar o ritmo e a respiração, segui descontraído. 

Um dos motivos que ajudava a ir sem preocupações eram as marcações. Nesta prova, estiveram irrepreensíveis, do melhor que já vi. 




A nível de percurso, era quase sempre estradão, Quando não estávamos nos topos dos montes, era bastante agradável correr, pois a tecnicidade era mínima e a envolvência era muito boa, com vegetação verde à nossa volta e um ambiente fresco que sabia bastante bem. 
Como sugestão para a próxima edição, gostava de referir que se calhar houveram demasiadas subidas "forçadas", fora de trilhos e pelo meio da vegetação, apenas a seguir fitas, e nada de single tracks e trilhos técnicos. Um aspecto muito importante na minha opinião, a rever.

Nos últimos tempos, mais precisamente após a Maratona de Lisboa, que não tenho treinado tanto e como devia. Não voltei à serra, porque os fins-de-semana têm sido ocupados; durante a semana e depois de sair do trabalho há coisas para fazer, pelo que tenho saído para treinar pelas 11 da noite.. à vezes sem vontade nenhuma, e com o corpo já só a pedir descanso e uma cama... Por tudo isto, foi sem grande surpresa que entre o km 25 e o 28 comecei a sentir algumas dificuldades. A subir já me custava bastante a avançar, e mesmo em terrenos mais planos ou a descer sentia algumas dores...
Fui seguindo nas calmas, ora sozinho, ora na companhia do amigo Hugo Caldeira, e mais tarde do Luís Matos, que se juntou a nós e assim seguimos até final-
Quase a chegar!!!
Acabámos juntos (quando houver foto adiciono!), porque se nos fomos a apoiar uns aos outros quando já não haviam forças, então não nos íamos separar quando estivéssemos a chegar à meta. São estas pequenas diferenças que fazem a grande diferença entre as provas de estrada e o trail. O cronómetro marcava 7:02:01.

Acabei a prova em piores condições que o Ultra Trail do Monte da Lua ou a maratona, o que serve como um alerta, porque se quero colocar em prática aquilo que trago na cabeça para os próximos tempos, não pode haver tanto relaxamento e os treinos têm de começar a ser mais duros...

Em relação a esta prova, para o ano volto! Depois do cepticismo inicial, tudo me surpreendeu pela positiva. É óbvio que há pontos a melhorar, tais como o percurso ter zonas mais técnicas e menos subidas pelo meio de nada, ou os abastecimentos, que foram os suficientes em qualidade e quantidade, mas, e tal como disse a membros da organização ou na página do evento no Facebook, não faz sentido ter abastecimentos aos 16k e depois só aos 32k, com o seguinte aos 44,5. e a prova a acabar 3km depois!! 
No final, estando a prova integrada na Feira do Chocolate, não dava para colocar a meta junto à entrada ou  mesmo no interior do recinto? Era uma forma de, pelo menos na chegada, haver mais apoio para os atletas.
Estes são pontos que serão de fácil resolução, e a prova terá tudo para se tornar uma referência.
E todo o pessoal da organização, desde o levantamento do dorsal, abastecimentos e no final, super simpático e prestável, 5***** mesmo.

Agora, segue-se dia 19 de Dezembro o Ericeira Trail Run, pelo que se quero que corra melhor, tenho de até lá treinar melhor também...


terça-feira, 20 de outubro de 2015

Rock'n'Roll Maratona de Lisboa 2015

As lágrimas começaram a cair, o objectivo estava prestes a ser cumprido. Na mão a fotografia que me acompanhou em toda a prova, que me fez acreditar que eu conseguia, que me deu forças quando elas acabaram. Olho para o céu e a linha final é transposta. 03:58 depois de ter começado, estava feito, eu estava feliz e tenho a certeza que Ela, onde quer que esteja, estava também feliz por eu ter alcançado o objectivo.
Obrigado por toda a força Mãe…


Pré Maratona

Se à 2 anos me dissessem que um dia ia correr uma maratona – ou uma meia até!! – iria chamar essa pessoa de maluca! Quando à 1 ano participei na mini-maratona e disse que minis nunca mais, não pensava sequer em correr a maratona 1 ano depois. O objectivo seria a meia-maratona, dizia eu…
Contudo, a vida é feita de desafios, e 21k seriam sempre um desafio muito pequeno e fácil de alcançar, por isso decidi no início de Março que iria correr a Maratona de Lisboa! Na altura não foi uma decisão que tomei de ânimo leve, ponderei vários dias, a maratona não é uma prova qualquer, mas acabei por me inscrever. Criei um plano de treinos no site MyAsics, e o foco maior desde essa altura passou a ser a preparação para a maratona, o grande objectivo do ano.
Pelo meio houveram muitas provas, algumas de estrada e outras de trail, a grande paixão, tendo feito inclusive um ultra-trail de 52k em Sintra em Julho - Ultra Trail Monte da Lua (52km) - a Ultra estreia!!
Foram muitas horas de treino e de corrida, focado no objectivo principal. Muitas horas em que se abdica de estar com a família, com os amigos, no sofá em casa a ver televisão ou a dormir. Mas todas essas horas valeram a pena.
O plano de treinos foi sendo cumprido, não à risca, foi sofrendo algumas adaptações pelo meio, consoante as provas que iam surgindo, mas no geral cumpriu-se, com excepção do mês de Agosto, onde os treinos foram mais raros – afinal, férias são férias!!!
E assim aproximou-se a grande velocidade o grande dia.
1 semana antes fiz a 18ª Meia Maratona da Moita, em 01:40:37, que considerei um excelente tempo tendo em conta algumas dificuldades que passei no decorrer da prova, e que me deixou com bastante confiança para o grande dia, confiança a mais!!!


Dia M

As previsões meteorológicas faziam antever um dia de diluvio. O temporal que se abateu sobre a zona de Lisboa no dia antes fechou várias zonas da estrada marginal, com zonas alagadas e arvores caídas. A expectativa era elevada: iriamos correr a maratona ou fazer um duatlo?!


Domingo, 5 da manhã toca o despertador. Não sei precisar se já estava acordado, se acordei com o despertador ou com a chuva a bater na janela e a trovoada…, levantei-me sem problemas – porque não é assim para ir trabalhar??! – tomei pequeno-almoço e um banho para ter a certeza de estava acordado! As coisas estavam todas preparadas de véspera, pelo que não demorei nada a estar pronto a sair.

À hora marcada o Nuno manda um sms, a avisar que estava a minha porta!
Tínhamos combinado ir juntos, tínhamos feito muitos treinos e provas juntos, pelo que o grande dia também ia ser vivido em conjunto!
Havíamos decidido ir de carro até Algés, e apanhar lá o comboio para Cascais, o local da partida. Tudo correu conforme planeado, estacionámos sem problemas junto à estação, apanhámos o 1º comboio, que já ia cheio, e chegámos com bastante tempo a Cascais. Seguimos juntamente com várias centenas de atletas para a zona de partida, onde deu para ainda estarmos à conversa alguns momentos a descomprimir, acabar de preparar, entregar o saco com a muda de roupa nos camiões e ir ao wc!

Cerca das 8.15 dirigimo-nos para a zona de partida, bloco das 3:30 – ambição quanta baste!!!
8:20 e acho que toda a gente entrou em pânico,  pois começou a chover torrencialmente. A sorte foi que durou apenas um par de minutos, pelo que depois do susto pudemos concentrar-nos no que realmente importava – a corrida!
A estratégia era seguirmos num ritmo a rondar os 5km/min, e ir analisando a nossa condição. Abrandar se necessário, acelerar se possível!

Arrancámos eram 8:35, e tentámos seguir ao ritmo planeado. Nem sempre era fácil abrandar para manter os 5km/min, ainda estávamos plenos de energia e excitação, e vários foram os km que fizemos abaixo desse ritmo.
Os km foram passando sem dificuldades, 1º abastecimento ao km5, outro ao 7.5, e outro aos 10km, este o 1º com isotónico.
E aqui… bem, aqui aconteceu mais uma situação que me faz cada vez mais gostar do trail em detrimento da estrada.

Um individuo – chamemos-lhe assim agora, porque na hora chamei-o de todos os nomes possíveis e imaginários – daqueles que quando correm devem ir a olhar apenas para os pés deles próprios, ao aperceber-se que havia abastecimento de isotónico do lado direito, corta a estrada dum lado ao outro, atravessando-se à frente de quem vinha.
Estava eu a aproximar-me da mesa para pegar num copo, quando sou abalroado por ele. Estrada molhada da chuva e do isotónico derramado no chão, escorregadia quando baste, fui ao chão… cotovelo, anca e joelho do lado esquerdo tudo esfolado e em sangue…
Então e ele não parou, podem perguntar vocês! Não, nem ele, nem ninguém, quem vinha atrás, desviavam-se apenas o suficiente para não me pisarem e seguiam apenas, sem mostrar qualquer sinal de preocupação em saber se estava bem ou mal, se seria precisa ajuda!!! Incrível a quantidade de “atletas” que iam a lutar pelo pódio, é só o que posso supor…
Aqui já foi no final, parece menos mal!


Esta situação e as dores inerentes causaram-me desconforto durante os próximos km, sendo que apesar de abrandar, segui até ao final com dores no braço e na anca…
Chateado, bastante irritado lá segui a fazer a minha prova, e passei na meia-maratona com 01:47. Nada mau, é só manter o ritmo até final, pensei eu!!
Só que o pior estava para vir. Depois de passar Belém, uma monotonia abateu-se sobre mim e fui abaixo. Abrandei várias vezes, e houve períodos que os km’s pareciam não passar. Aqui ia sozinho, porque o Nuno tinha ficado mais para trás, vinha com uma dor no pé e fez força para que eu seguisse. E eu segui, ate que fui apanhado por ele no Cais do Sodré, e que bem soube ter novamente companhia!

O Muro… o muro, o martelo, a marreta, bateram-me com força por volta do km 33. Ai tive de ir um bocado a caminhar, não conseguir correr, mas se já tinha ali chegado, depois de tanto esforço, não ia desistir.

Lá seguimos, ora puxando um, ora o outro, dando apoio mutuo, e assim foi até final, onde acabámos com poucos segundos de diferença.

Os metros que antecedem a linha final, quando já nada nos pode impedir de acabar, é um turbilhão de emoções que nunca pensei que pudessem existir.

As lágrimas começaram a cair, o objectivo estava prestes a ser cumprido. Na mão a fotografia que me acompanhou em toda a prova, que me fez acreditar que eu conseguia, que me deu forças quando elas acabaram. Olho para o céu e a linha final é transposta. 03:58 depois de ter começado, estava feito, eu estava feliz e tenho a certeza que Ela, onde quer que esteja, estava também feliz por eu ter alcançado o objectivo. Obrigado por toda a força Mãe…


Tive ainda uma surpresa que não estava à espera, sei que não é fácil cuidar dos 2 miúdos ali no meio de tantas pessoas e com o risco de chover, mas ali estavam eles os 3 a gritar por mim. A Bela, a Madalena e o Tomás. Felizes porque eu estava bem e tinha acabado.
Obrigado por tudo, por todo o apoio durante todos estes meses, toda a força e motivação que me transmitiram. A medalha que recebi também é vossa, Amo-vos mais que tudo.

Obrigado também ao Nuno, companheiro de muitos treinos e de maratona, por todo o apoio durante a prova e por me colocar travão ao início quando a minha vontade era acelerar!! Grande prova mano, esforço e determinação.
Temos de ir buscar a de Sevilha!!

Acabei com 03:58. Os dois objectivos mínimos foram cumpridos, que eram acabar, e fazer menos de 4h. percebo agora que subestimei a maratona, pensei que ia ser mais fácil, mas como diz e bem o Filipe, a maratona é a prova justa, não perdoa ninguém e aqui não dá para descansar nos abastecimentos ou nas descidas.

Hei-de voltar a fazer esta prova, e da próxima terei mais atenção a estes pormenores ;) Ouvi dizer que Sevilha é um bom local para se correr uma Maratona!

É Linda!!!!


terça-feira, 29 de setembro de 2015

I Trail da Quinta do Pinhão



...Todas as dores passaram, uma alegria imensa invadiu-me por tê-los ali à minha espera, e foi num estado de euforia que fiz os últimos metros com o Tomás ao meu lado, e cortámos juntos a linha de chegada. Foi uma sensação espectacular, melhor que receber qualquer medalha ou subir ao pódio...


Há mais de 2 meses, desde 19 de Julho no Monte da Lua, que não participava numa prova. Pelo meio, esteve o mês de Agosto, mês de férias e menos treinos. 
No início de Setembro voltei à carga, aos treinos regulares e aos fins-de-semana treinos na Arrábida. Tudo corria bem na preparação deste Trail, englobada na preparação para a Maratona de Lisboa, até que na semana passada fui atingido por uma constipação. Fiz um treino no domingo, na 2ª levei em força com ela, na 4ª feira ainda tentei correr um pouco, mas o melhor que consegui foram 4km e pouco, e na 6ª feira lá me forcei a conseguir fazer um treino maior, e com mais intensidade... Foi por isso ainda a recuperar e sem grandes expectativas que iniciei esta prova.

Sendo perto, saí de casa apenas 1 hora antes da partida. Tempo mais que suficiente para chegar à Quinta do Pinhão, estacionar, ir levantar o dorsal, voltar ao carro para mudar de calçado e colocar a mochila, e fazer um pequeno aquecimento. Tudo decorreu sem problemas, e ainda deu para estar um pouco à conversa com o grande Nelson Diogo!

Dada a partida, entusiasmei-me e ainda acompanhei o grupo da frente no 1º km, mas depois decidi acalmar, estabilizar a respiração e o ritmo, pois haviam ainda muitos km pela frente, e muita areia...

A areia... Apesar de morar ali perto, nunca fui correr para a Apostiça (local por onde passou a prova), não fazendo por isso ideia que ali já havia tanta areia... As arribas da praia eu conhecia e sabia o que me esperava, não contava era com o antes, e o depois!!

Os km's foram passando a um ritmo aceitável, e quando passei no abastecimento dos 16km, fiquei confiante que conseguiria fazer um bom tempo no que restava da prova e acabar com menos de 3h30m!! Que parvinho... A partir daí é que veio o sofrimento. Primeiro as arribas, onde fui correndo, mas sentindo cada vez mais dificuldades na areia fina, mas onde estourei foi na chegada à Lagoa de Albufeira, onde os caminhos eram só areia e mais areia, e por mais que tentasse não conseguia muito mais que caminhar... O sol começava a aquecer, e durante cerca de 4km segui a caminhar, a pensar que iria ser assim até final...

Mais à frente o caminho volta a ser terra dura, e volto a correr. Corria a um ritmo devagar, mas corria!! Seguia-se agora por uns estradões, sem grande interesse, monótonos, onde o que apenas distraía era fugir da areia mais mole...

Aos 30km, um telefonema da Ana Bela, a perguntar como eu estava e a dizer que estava com os miúdos à minha espera na meta. Este foi o tónico que precisava e durante 1 ou 2 km a motivação superou o cansaço e a areia, mas depois voltei a ser vencido. Cada metro em areia mais fina custava bastante a avançar, olhava para o relógio e a distância para a meta não diminuía... 

Com um enorme alívio, cheguei finalmente à Quinta do Pinhão. Um pouco antes de chegar liguei à Ana Bela a dizer que estava perto, e ao chegar estavam os 3 à minha espera, o Tomás a vir ter ao meu encontro. 
Todas as dores passaram, uma alegria imensa invadiu-me por tê-los ali à minha espera, e foi num estado de euforia que fiz os últimos metros com o Tomás ao meu lado, e cortámos juntos a linha de chegada. Foi uma sensação espectacular, melhor que receber qualquer medalha ou subir ao pódio...

Cortada a meta, uma garrafa de água e um pequeno abastecimento à nossa espera...

Já li muitas críticas à organização. Devo dizer que para 1ª edição, não se podia pedir muito mais. Os abastecimentos foram qb, as marcações estavam irrepreensíveis, apenas num ponto onde ia mais distraído tive dúvidas no caminho a seguir. 




sábado, 11 de julho de 2015

Seixal Night Run 2015 - 1 ano depois!


Há 1 ano foi nesta corrida a minha estreia. O objectivo era apenas terminar, sem grandes expectativas quanto ao desempenho.



Este ano, com outra preparação, outros objectivos estavam presentes: alcançar o melhor lugar possível.



Comparativamente ao ano passado, havia muitos mais atletas: na edição anterior falaram em cerca de 400, este ano eram 2500 inscritos! Também o percurso foi diferente, este muito mais agradável e plano, sempre junto à sempre bela e fantástica baía do Seixal. Havia também muitas mais pessoas na rua a assistir e a incentivar os atletas. Mais importante ainda, estavam lá a Bela e os miúdos para ver a corrida :)
Estavam portanto, reunidas as condições para ser uma grande corrida!

Cerca de meia hora cheguei à zona da partida. Montes de pessoas andavam por ali, muitos atletas já faziam o aquecimento. Procurei o Nuno Oliveira, não o vi e lá tive de telefonar, e depois já juntos, fizemos algum aquecimento e fomos para a zona de partida. Muita muita gente, devíamos estar mais ou menos a meio, e apertados como sardinhas em lata! 
À hora marcada, soa o sinal de partida, e os primeiros metros são feitos a passo... Depois lá consigo começar a correr, tento ir atrás do Nuno, mas há imensos atletas mais lentos para ultrapassar. Aguento-me, e quando damos a volta junto à PSP para a marginal junto à baía, já com mais algum espaço, começo enfim a aumentar o ritmo e a ultrapassar atletas.



Sigo a bom ritmo, e continuo a passar atletas até cerca do km 4,5, onde tive de abrandar por causa da chamada dor de burro!! Cheguei mesmo a parar por uns instantes, respirei fundo e voltei a correr. Não consegui voltar ao ritmo que tinha antes, mas a dor foi diminuindo e consegui acabar bem :)


Passei a meta com tempo oficial de 0:26:22, em 34º lugar de 170 em Seniores. 
Depois de receber uma garrafa de água e uma caneca em barro de brinde, tinha a Bela e os miúdos e os cunhados Hélder e Lurdes à espera, com o Tomás a vir a correr para mim. Tão bom!!!!

Quanto à prova, e tendo em conta que se trata de uma prova gratuita e inserida no troféu de atletismo do Seixal, acho que atingiu um nível muito bom. Excelente organização antes, durante e depois da corrida, exemplar. Para a próxima edição, no caso de o nº de inscritos ser semelhante, talvez mudasse o local da partida para a marginal por ser mais larga. De resto, se mantiverem o nível, é uma prova que tem tudo para ganhar cada vez mais adeptos. Eu estarei lá!!!


E agora, o próximo desafio... :D





quinta-feira, 2 de julho de 2015

I Trail Por Uma Causa - uma prova especial


Esta não era uma prova qualquer, não era simplesmente mais uma, era a 1ª prova de trail em Canas!!!


Há já algum tempo que eu vinha sugerindo a algumas pessoas com quem ia falando a realização de uma prova de trail em Canas. Felizmente os Bombeiros tomaram a iniciativa, e lançaram o Trail Por Uma Causa.

Quando a meio de Março o evento foi publicado, fui logo avisado pelo meu pai que me enviou o cartaz por mensagem. Obviamente respondi na hora que ia e fiz de imediato a inscrição!

Pelo menos no nº de dorsal fui ao pódio!!!

Conforme a data se aproximava, a ansiedade aumentava também. Até que chega o fim-de-semana da prova! Fim-de-semana em família, vamos para cima logo na 6ª feira depois de sair do trabalho. Ainda deu para ir no sábado fazer um treino ligeiro nas margens do rio Paiva, e depois de almoço lá seguimos em direcção a Canas.


Quase de seguida fui até aos bombeiros, ver como estava o ambiente e, no caso de ser possível e que aconteceu, recolher o dorsal e camisola.


A ansiedade crescia, e estava na hora de ir para casa preparar as coisas...

No grande dia, lá acordei cedo, fui tomar o pequeno-almoço descansado e depois um banho, para acabar de acordar!!
Saí de casa faltavam 25 minutos para a hora de partida, mas como estava a menos de 5 minutos a pé não havia problema!

Problemas constatei que haviam quando lá cheguei - e aqui é a principal falha a apontar à organização. Estando a partida agendada para as 9h, e prevendo-se um dia bastante quente, o que se verificou com temperaturas a rondar os 40º, a partida NUNCA poderá atrasar como atrasou. Foi o 1º ano e erros acontecem e acredito que no próximo ano já não se irá repetir, sendo uma questão que até se resolve facilmente colocando várias pessoas a entregar os dorsais aos atletas.

Foi por isso que, com cerca de meia hora de atraso, nos colocámos na linha de partida, à espera do sinal para arrancar!

Tudo a postos!
Saiam da frente!!

Conhecendo bem a rua por onde íamos arrancar, e tendo em conta que a partida dos 25k e 15k era em conjunto, fiz questão de sair logo na frente, pois a rua é de paralelo e nem sempre direita ou muito larga.

Imprimi também um ritmo alto, e consegui ir em 1º cerca de 1,5km, mas depois abrandei um pouco pois com a temperatura a aumentar já estava com a camisola toda transpirada. 
Mesmo assim segui no grupo da frente até descermos às Caldas da Felgueira com a passagem pelo Grande Hotel. Depois, mais uma subida em alcatrão, o grupo da frente começa a esticar e percebo que não os consigo acompanhar, portanto decido seguir calmamente no meu ritmo.

Aqui entramos finalmente na encosta do rio. Trilhos largos, sem grande dificuldade técnica, que permitiam rolar a um bom ritmo.
Por volta do km8, a primeira grande subida. Com o sol muito forte e sem sombras, e muita areia solta, foi com alguma dificuldade que se transpôs este obstáculo...


Ao km10, finalmente, a travessia do rio!!! Foi pena ser tão pequena, poucos metros apenas dentro de água, mas soube bastante bem colocar os pés na água :)

Depois de mais 1km a subir, um "abastecimento" surpresa: um jeep dos bombeiros com a mangueira pronta a molhar quem o desejasse! Soube mesmo bem a água fresca a cair. Voltámos a descer ao rio, mas desta vez a travessia não se fez por dentro de água, mas por uma espécie de barragem natural.

Depois desta passagem, subida novamente pela encosta em direcção à Lapa do Lobo. Mais uma vez, mais difícil que a subida, foi o calor que se fazia sentir e a falta de sombras. 

À chegada ao abastecimento da Lapa do Lobo, sensivelmente ao km16, mais uma chuveirada à nossa espera:


Uns metros mais à frente tinha à minha espera uma muito agradável surpresa, e que me deu um boost amímico enorme! Logo a seguir a este chuveiro, vejo o meu carro estacionado à sombra. Desconfiei logo o que seria, e quando estou a chegar à zona do abastecimento, vejo lá à minha espera, a Bela e os miúdos, o meu Pai e a Lena :)



Quando os vi todos, à minha espera!


Não estava à espera de os ter ali, e fiquei super feliz! O meu Pai estava a ajudar a fazer o controlo aos atletas, e o Tomás veio contente ter comigo, e ainda comeu umas batatas fritas ao pé de mim!!!

Foi por isso muito mais feliz que me fiz à última parte da prova. Segui estrada fora a bom ritmo, até voltar a entrar nos trilhos e chegar à pedreira da Cominalta.

Contornámos este lago, e bem que apetecia ir lá para dentro!!

Daqui até à meta era um instante, e por caminhos muito bem conhecidos. Se grande parte do percurso até aqui já tinha sido feito por caminhos meus conhecidos, estes que se seguiam eram quase familiares.
Foram muitas as caminhadas, voltas de bicicleta e as primeiras tentativas que fiz para correr assiduamente, mas há mais de 10 anos já, que passaram nestes trilhos, que iam ter à rua que passa em frente a minha casa :) 
Foi por isso com um misto de sensações, por um lado algum cansaço, mas por outro as recordações que apareciam a cada passada, que fiz os últimos quilómetros, passei junto a casa dos meus avós e a poucos metros de minha casa, e me dirigi para a meta.

A chegar à meta
Acabei a prova, uma vez mais com aqueles que me são mais queridos à minha espera, e aqui também com os meus avós :) (A minha avó toda preocupada porque a camisola estava encharcada e me fazia mal!! )

Demorei 2h40m, a fazer os 25km com temperaturas de quase 40º. Nos meus melhores sonhos tinha feito um tempo muito melhor, subido ao pódio até! Sendo realista, acho que não correu nada mal!

Tive oportunidade de falar com a organização e dizer o que achei, mas vou mais uma vez fazê-lo aqui: acho que no geral, e tendo em conta que era a 1ª edição, correu bastante bem, com excepção do atraso na partida. 
Aquilo que considero mais importante, que são os abastecimentos, estavam sensivelmente nos locais indicados, e à minha passagem não faltava bebida nem comida, e as marcações também estavam bastante boas, com fitas sempre visíveis e nalguns locais marcações no chão; talvez mudasse a cor das fitas nalguns sítios, como a pedreira por exemplo, onde o sol a bater na areia branca causava alguma dificuldade a ver as fitas também elas brancas...


Agora fiquei com umas ideias, mas nos próximas dias haverão novidades ;)