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quinta-feira, 6 de julho de 2017

STE - Sintra Trail X'treme

Sintra não fica longe de minha casa, são cerca de 40k, mas esta foi apenas a 3ª vez que lá corri. A 1ª foi quando fiz a 1ª Ultra, a 2ª em meados de Maio num treino de cerca de 1h pelo trilho das pontes  depois de sair do trabalho, e esta agora, no Sintra Trail X'treme. No entanto fazia uma ideia das dificuldades que íamos apanhar na prova.


Saí de casa cedo, por volta das 6.20. A viagem seria rápida e sem trânsito estacionei perto do secretariado por volta das 6.45. Fui buscar o dorsal, e sem pressas acabei de me preparar para a prova.
Cerca das 7.30 começo a dirigir-me para a zona de partida, que distava cerca de 400m do secretariado, com muita conversa pelo caminho; as caras conhecidas eram mais que muitas, quase toda a gente se conhecia e o ambiente era de amena cavaqueira!

Depois de um breve briefing dado pela organização arrancamos.
Os primeiros 3k seriam a subir em direcção a St Eufemia, pelo que arranquei sem grandes entusiasmos. Calmo e a gerir o ritmo. Aliás era essa a minha estratégia para toda a prova, pois ando a sentir o corpo a pedir algum descanso e o objectivo seria apenas desfrutar destes trilhos.

Foi no entanto num instante que se chegou ao 1º abastecimento, localizado na Quinta Vale Flor. Aí bebi um copo de água, acabei de encher um dos flasks, que agora só iria haver novo abastecimento nos Capuchos, ao k16, e segui. 


Depois deste abastecimento ia ser sempre a descer até à Lagoa Azul, com o percurso a alternar entre estradões e alguns trilhos mais técnicos. Mesmo sendo a descer, tentei sempre não entusiasmar demasiado para não rebentar com as pernas, mas foi rapidamente que cheguei à lagoa. 

Daqui até à Barragem do Rio da Mula foi relativamente fácil, e a partir daqui começou  a1ª grande dificuldade da prova, com a subida ao Monge. Cerca de 300D+ em 3k, que me demoraram 30´a fazer! Fui sempre com uma passada firme a ultrapassei aqui entre 10 a 15 atletas! Chegado lá acima, nova descida técnica, onde perdi algumas posições. Nas subidas e descidas ia alternando de posição com alguns atletas: a subir passava-os eu, a descer passavam por mim parecia que iam a voar!! Continuo com receio nas descidas, demasiado nalgumas situações em que tenho medo de arriscar e fazer nova entorse. Tenho de trabalhar claramente este aspecto, porque condiciona bastante o meu desempenho e resultados em provas. Sugestões aceitam-se!! Pelo contrário a subir sinto-me bastante forte, desde o início do ano que comecei a frequentar o LH Ginásio que sinto imensas melhorias.
E foi assim que cheguei ao k16, abastecimento dos Capuchos. Aqui parei uns minutos para comer e beber, beber muito que estava a apertar o calor. 

Com as energias restabelecias segui, apresentava-se novo segmento de 12k até ao próximo abastecimento aos 28k. 
Mais umas descidas, onde perco algumas posições, depois o estradão paralelo ao trilho das pontes e nova subida, Trilho dos morangos que não conhecia e onde ganhei novamente algumas posições!!

Neste segmento depois da subida do trilho dos morangos segui durante muitos km sem ver atletas, e foi das zonas onde mais me diverti, no Trilho da Pedra Branca. Ligeiramente a descer gostei bastante desta parte :)

E eis que chego novamente à Lagoa azul, e aqui começou a parte mais difícil da prova. A temperatura deveria rondar os 35º, um calor arrasador, e a gestão de líquidos aqui tornou-se importantíssima mas difícil de fazer. Até estava a fazer um tempo simpático até aos 25k, mas depois nesta subida rebentei. A pouca água que tinha fui gerindo entre despejar na nuca e beber. Era difícil correr, e o abastecimento que estava anunciado ser aos 27k nunca mais chegava - chegou aos 28k, e esta é, na minha opinião a única falha que aponto à organização. 1k não é muito em condições normais, mas naquelas condições é bastante...

Quando finalmente cheguei ao abastecimento ia estoirado e seco, e bebi enorme quantidade de água e isotónico e fartei-me de comer também, ia esfomeado! 

Depois de comer e beber bem, fui a uma torneira que lá havia molhar-me. Molhei-me todo autêntico banho tomado, e já com energias repostas e fresco segui caminho. 
Daqui até à meta era um salto, 2 ligeiras subidas e depois sempre a descer até à meta.
Terminei com 4h39', aquela última subida até ao abastecimento estragou por completo qualquer tempo mais simpático que fosse fazer.

Foi uma manhã excelente com trilhos brutais. Tenho claramente que ir para Sintra treinar mais vezes, e treinar a parte psicológica nas descidas.

A organização está claramente de parabéns: trilhos fantásticos, marcações excelentes - enganei-me uma vez mas a culpa foi minha, era a descer e distraí-me!! - e imensos elementos do staff em muitos pontos do percurso. A única coisa que aponto é, como já disse, o facto do último abastecimento distar 1k do anunciado. Sendo a organização constituída por atletas sabem bem que esta situação, principalmente com o calor que se fazia sentir, faz uma enorme diferença.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Montejunto Trail 2017 - uma desistência com sabor salgado

Saber quando desistir é difícil, uma decisão que nunca é tomada de ânimo leve e raramente à primeira. 
A expectativa estava elevada. Não que fosse com pretensões de ganhar a prova, mas o corpo andava a responder bem ao treino e, sendo esta a última prova antes do UTSM, queria ver como se portava neste último teste.


Tudo preparado de véspera, no domingo saí de casa cedinho para ir encontrar com o resto da malta, o Cláudio e o Carlos. Viagem tranquila até Montejunto, fomos doa 1º a chegar e ir levantar o dorsal. Depois com o tempo que ainda tínhamos, ficámos por ali na conversa, tratar das questões logísticas e perto das 9 ir para a zona de partida.



Pouco depois das 9h e de um ligeiro briefing, é feita a contagem de 3 a 0 e dada a partida.
Arranco bem, sem sentir que ia a forçar, mas ainda assim num ritmo mais elevado que o que esperava. Segui durante uns 2k no grupo da frente de 4 elementos, liderado pelo Daniel Rodrigues - estás em grande forma, sempre em crescendo, parabéns!. Depois decidi que era hora de seguir ao meu ritmo mais constante, e com mais cautela nas descidas, pelo que fui ultrapassado por  alguns atletas. Em conversa nos dias anteriores com o Daniel, que conhece bem a serra de Montejunto, tinha-me avisado que a serra tinha trilhos com muita pedra solta e propícios a entorses, o que fez soar o alarme!!

Deixo-me ir ao meu ritmo, cuidadoso nas descidas e nas subidas sempre que possível a trote, e sinto o corpo sempre a responder bem. O calor ia apertando, pelo que fui sempre a hidratar e em todos os abastecimentos - 7 no total, para 36k!! - despejava 1 ou 2 copos de água por cima de mim.

Quando passei no posto de controlo aos 25k disse a menina: vai em 18! Vou?? 
Fixe!! Dali a 100m era o abastecimento. Cheguei lá, água por cima da cabeça, tomate, batata frita e sal, um pedaço de banana e segui. 
Logo a seguir entramos no Trilho da Senhora, trilho bastante técnico a descer. Ia bem, com cuidado por causa das entorses, até que comecei a ficar mal disposto e a sentir o corpo a fraquejar, perder força. 
Sentei-me a sombra, e despejei água por cima da cabeça, braços e pernas. Depois de uns minutos a descansar lá segui com calma. O estômago não estava bem, e na próxima sombra que apanhei voltei a encostar. Aqui a vontade de vomitar já era grande, mas nada saía. Tonturas obrigaram a sentar, mais uns 15 minutos. Voltei a arranjar forças para seguir, trilho a subir, até encontrar nova árvore, a única que fazia sombra. 
Aquela árvore era um oásis no deserto!! Reparei depois enquanto estava junto à carrinha da Cruz Vermelha que quase todos lá paravam a descansar por uns momentos!!

Mais 5 minutos. Mais acima está uma carrinha da Cruz Vermelha, é o próximo objetivo.. e o último. Chego, sento-me, bebo água, e começo a pensar...
Ainda faltam mais 500m a subir até ao abastecimento, 1k a descer, e a última subida com sensivelmente 5k. 

Ir ou não ir, eis a questão. 

Saber quando desistir é difícil, uma decisão que nunca é tomada de ânimo leve e raramente à primeira. 
A sensatez diz que não adianta arriscar, mas outra coisa diz para seguir...  já me sinto melhor, ainda me levanto para seguir, mas não...
Ia arriscar, sofrer por mais 6k para apenas dizer que terminei..  Valia a pena? Acho que não... há mais corridas, corpo há só um... 

Depois de mais de 1h de espera, lá veio um carro da organização buscar-nos. Falo no plural, porque depois de eu chegar mais uns 7 ou 8 atletas decidiram ficar também por ali.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Trilhos do Javali

Finalmente participei numa prova dos Trilhos do Javali..
Na 1ª edição no ano passado estava de férias, na edição nocturna estava lesionado, pelo que foi como diz o ditado, à 3ª foi de vez!!!


Os trilhos eram bem conhecidos, treino lá bastantes vezes, mas o feedback das outras edições em relação à organização da prova, aguçavam a curiosidade e a vontade de participar nesta prova, a juntar ao facto de ser na Arrábida. Havia apenas uma questão que me fez adiar a inscrição até às últimas, que era o facto de o nascimento da Oriana estar previsto para esta altura. Mais dia menos dia, mais semana menos semana, havia algum risco de no dia da prova não poder ir, ou ter de me vir embora a meio, mas acabei por fazer a inscrição!!

Dia da prova, encontro marcado com o resto dos Madrugas que acabou por ser a meio do caminho, e seguimos em direcção ao covil. Quando chegámos o movimento já era muito, imensos carros estacionados e o trail junior já tinha começado. Fomos levantar os dorsais, processo que decorreu sem problemas, acabar de equipar e voltámos para a zona de partida, onde se começavam a juntar os atletas dos 25k.
Os Madruga Runners
Paulo, eu, André e o João "Kilian Jornet"!!
Depois de um briefing inicial, é dada a partida, controlada nos primeiros 400m.

No último mês e meio não treinei com a disciplina que se pedia, depois da última prova em Outubro desleixei-me um bocado. Uma dor que me apareceu no pé no final de Outubro durante um treino espectacular nocturno pela Arrábida também ajudou ao abrandamento dos treinos (uma ressonância magnética detectou Bursites...); ainda assim, e conhecendo bem os trilhos por onde íamos andar, e porque em prova nunca consigo ir em "ritmo de treino", logo após a partida tentei impor-me um ritmo que não sendo elevado, fosse um ritmo constante e que conseguisse aguentar até ao final. 

Outro factor que me estava a entusiasmar para esta prova, era o facto de ser a 1ª prova dos novos Salomon S-Lab Wings 8, ainda com menos de 1 mês e que tinham nem meia dúzia de treinos feitos para habituação. 


Desde os fáceis trilhos da Mata da Machada até à serra da Arrábida cheia de lama, as sensações transmitidas pelos ténis tinham sido bastante positivas. Aderência espectacular nos trilhos mais técnicos e enlameados, estabilidade, conforto e, importante agora no inverno, drenagem rápida da água. Nota-se que estamos com um modelo topo gama, ou não se tratasse de uns ténis da linha S-Lab, com uma qualidade de construção assinalável. Se juntarmos aos ténis as meias Lurbel Desafio, ficamos com um conjunto espectacular para os trilhos mais exigentes. 
Estou completamente rendido a estes ténis, e era, como referia acima, outro factor causador de entusiasmo. Queria testá-los em prova, onde há sempre uma pressão adicional para entrar mais rápido, para arriscar mais. 
Com o ritmo que impus, não sendo elevado, permitiu passar muitos atletas e fugir a potenciais engarrafamentos nos trilhos mais apertados. Nas subidas, algumas delas durinhas, tentei caminhar apenas só em último caso, e correr sempre que fosse a direito e "entrar a matar" nas descidas. Se nos treinos que tinha feito ainda não tinha dado para ganhar a confiança necessária nos ténis, aqui rapidamente passei essa fase, e conhecendo os trilhos, entrei nas descidas sempre a correr rápido. E senti os ténis a transmitirem a segurança que se pede, e a pedirem para dar mais.

Foi com estas boas sensações que fui fazendo a minha prova, em que passei pelo 1º abastecimento sem parar, e no 2º apenas aproveitei para encher um flask.


Terminei com o tempo total de 3h00, que era o tempo +/- que esperava fazer; esperar menos que isso era ter as expectativas demasiado elevadas. 
A chegar à meta

Na fila para a massagem, e a ver se os outros Madrugas chegavam!!!
3/4 da equipa!!
Quanto à organização, apenas 1 reparo num par de locais onde as marcações poderiam estar melhor, com as fitas mais visíveis ou marcações no chão. De resto, uma prova onde juntam todos os trilhos excelentes existentes naquela zona, e quando feito por quem sabe, o resultado só podia ser este: uma prova de excelência.


E para quem ainda não teve oportunidade de participar nesta prova, dia 4 de Março há a II edição dos Trilhos do Javali Nocturno


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Rock'n'Roll Maratona de Lisboa 2016

Cada vez gosto mais de Trail, mas terminar a prova rainha é uma sensação indescritível.

Ao contrário da participação na maratona do ano passado, a minha 1ª, este ano não há tanto para contar!
Até ao último dia de inscrições estava na dúvida se ia fazer a maratona ou não. Uma semana antes ia fazer os 53k do Grande Trail Serra D'Arga, pelo que corria o risco de não estar nas melhores condições para esta prova. Ainda assim, inscrevi-me!! 
No ano passado fiz a maratona, a 1ª, e adorei. Cortar aquela meta é uma sensação brutal, e este ano não resisti ao chamamento!

A semana anterior à prova foi essencialmente de recuperação. 3k lentos na segunda-feira, e 4 na sexta. No domingo foi sem qualquer pressão que me dirigi para Cascais. O plano era gerir dentro do possível, e chegar ao fim.

Tal como no ano passado, o carro ficou em Algés, e segui de comboio para Cascais. Lá chegado, dirigir para a zona da partida e tratar da logística: wc, equipar, levar o saco para o camião, aquecer e ir para a caixa de partida.

Tal como no ano passado, tinha como companheiro de maratona o Nuno Oiveira: para o ano vamos à terceira?!

Após uns minutos de espera, dá-se a tão aguardada partida. Este ano pareceu estar mais gente, e por isso uma partida mais lenta e confusa. Feito o primeiro km, o pelotão começa a alargar e a haver aos poucos mais espaço para correr. Vamos os dois juntos e a controlar mutuamente o ritmo: quando um se entusiasma, o outro mete travão!!

Por volta do km13 tenho de fazer uma pequena paragem para aliviar a bexiga, e perco o grupo onde íamos, junto do balão das 3h30'. Depois de voltar a tentação era acelerar para os poder apanhar, mas isso poderia ter repercussões negativas mais à frente, pelo que segui no meu ritmo sozinho.
Ao chegar à zona de Belém voltei a apanhá-los, o Nuno diz que vai com uma ligeira dor, e para eu seguir, e assim fiz. Ia a sentir-me bastante bem, e talvez tenha exagerado no ritmo nesta parte, mas o corpo e a adrenalina estavam a pedir, e eu deixei-me ir. E assim segui até cerca do km28, onde, seguindo o plano que havia traçado, devia comer uma barra que levava comigo. Abrandei, e a certo ponto fui a caminhar, para poder comer e beber. Lembro-me bem do ano passado que custou-me bastante a fazer aqueles km a seguir a Santa Apolónia, por isso este ano queria ter energia para passar essa zona sem o mesmo custo.
Voltei a correr, não tão rápido como antes, mas num ritmo mais calmo agora; as pernas já começavam a acusar o cansaço acumulado.
Passei Santa Apolónia, e o encontro com os atletas da meia-maratona... esta é a parte que mais desgosto nesta prova. Aqui vamos já com 33/34 quilómetros, muito mais lentos que os atletas da meia, e somos completamente engolidos pelo pelotão.

Prossegui ao meu ritmo calmo e cheguei finalmente à zona do Parque das Nações.
Assim que entro na Av D João II, com o apoio do público dos 2 lados, esqueci o cansaço, a meta era já ali à frente e acelerei por ali fora!!


Corto a meta com o tempo de 3h38'. Uma semana depois de fazer 58k na Serra D'Arga, consegui fazer a maratona de Lisboa, terminar em melhores condições e retirar cerca de 20' ao tempo do ano passado!!





terça-feira, 4 de outubro de 2016

Grande Trail Serra D'Arga

A propósito de um post que fiz no Facebook, dizia o meu primo Henrique: "Estás em casa." 
E era verdade, estava em casa.
O Grande Trail da Serra D’Arga não era apenas uma prova organizada pelo Carlos Sá, mas sim um regresso às origens. A minha avó materna é de um concelho vizinho, e a minha Mãe também. Esta não era apenas mais uma prova de superação, mas sim uma prova com uma enorme carga emocional. Enquanto percorria os trilhos da serra, não tao bela como outrora devido ao flagelo dos incêndios, passava pelo meio das aldeias com o seu cheiro característico, sentia o cheiro dos animais, as ruas empedradas estreitas e com a marca da passagem do gado, os pequenos muros a demarcar os terrenos, tudo isto me transportava para os meus tempos de menino, em que no Verão, no Natal ou na Pascoa íamos passar as ferias, como dizia na altura, ao Minho. Alturas houveram em que me revia a caminhar por ali com os meus pais, a saltitar de pedra em pedra, enquanto íamos a caminho da casa de algum familiar. Lembro-me que na altura não gostava do chão estar tão sujo, desta vez adorei reviver essa memoria.
As ruas que percorria em menino não eram aquelas de Dem, de Arga de São João ou da Montaria, mas eram iguais, numa aldeia ali ao lado…


São 6:50 da manhã, tenho tudo arrumado e sento-me a comer o pequeno-almoço a que estou habituado: umas sandes mistas (2 porque o pão era pequenino e um sumo natural).  E aqui tenho o 1º sinal que as coisas poderiam não vir a correr como eu esperava; o pequeno-almoço não me caiu bem, comi a custo uma sandes, e a outra nem lhe toquei… tentei ignorar, e seguimos para Dem.
Viagem rápida, e aqui respira-se trail por todo o lado. O tempo está encoberto, à nossa frente a serra que havemos de seguir logo ao início. 


Dirijo-me para a zona de partida, com passagem rápida pelo controle zero. Cumprimento umas caras conhecidas, e ouvimos o sino a dar as badaladas. Tenho ainda um historial de grandes corridas pequeno e esta será a mais mítica de todas em que participei. A atmosfera é brutal, o nervoso miudinho apodera-se e arrancamos. Ao passar o pórtico ligo o cronómetro. Começou o tão aguardado Grande Trail Serra D’Arga!!


A prova começa com a já conhecida volta a Dem, para esticar o pelotão, e dai segue para a serra. Tento não me entusiasmar e gerir o ritmo, pois a prova é longa. Correr a descer e a direito, trote sempre que possível a subir, e quando não conseguir ir a caminhar mas tentar manter um ritmo constante. 
Ao km4
Consigo ir a seguir o planeado e a prova vai a correr muito bem. Á passagem da 1ª hora tomo um gel, no 1º abastecimento bebo um copo de água para poupar a que levo, e sigo.


Vou-me a sentir bem até chegar ao abastecimento no km21. Tentei comer banana, laranja ou batatas fritas, mas não me sabia bem. Bebi um pouco de isotónico e segui, mas a pensar nesta questão, a juntar ao pequeno-almoço e que me abalou a confiança.
Daqui para a frente, e até chegar ao Alto da Srª do Minho, fui a muito custo. 
A última foto que tirei com a GoPro. Os cavalos soltos na serra
A maior parte do tempo a caminhar, com ataques de tosse e vómito. A certa altura passou-me pela cabeça desistir logo ali, ou seguir no máximo até aos 33, onde seria classificado nessa distância. Ao chegar ao alto, bebi água fresca de umas torneiras que lá havia, e descansei um pouco. 
Era esta a minha cara de ânimo ao chegar à Srª do Minho

Não muito, mas o suficiente. Falar com o meu Pai e a Lena que estavam lá à minha espera devolveu-me algum ânimo. Deixei-lhes a GoPro, já não a ia a usar e só me pesava! Disse-lhes que ia seguir pelo menos até à Montaria, que ia avaliar como me sentia até lá e decidiria se ficava por ali ou continuava. Esta era a parte racional a falar, porque a outra, a irracional e mais competitiva, já tinha decidido que ia até ao fim! Estava ali, a cumprir um desejo, e não ia deitar a toalha ao chão tão facilmente!
Saído do alto, voltei a conseguir correr no planalto que se segue, e depois na descida para a Montaria. Apesar de técnica, ser preciso andar a saltar de pedra em pedra e a massacrar mais as pernas, gosto bastante destas descidas, e voltei a ganhar alguma força amímica nesta descida.
Cheguei à Montaria, e encostei à esquerda no abastecimento. A meta dos 33k era mesmo ali, tentador ainda! Aqui encontro o Joel Ginga e pergunto como ele está, digo que vou descansar um bocado e que depois sigo. Ele arranca, porque amigo não empata amigo e há que aproveitar o momento.
Não consegui mais uma vez comer nada, sentei-me no chão durante uns 5’. Tinha perdido imenso tempo desde o último abastecimento, cheguei ali com 4h53’ e decidido a recuperar de alguma forma forças para seguir. Ponderei, alonguei, e ao fazer 5h de prova, levantei-me e dirigi-me para o lado direito da passadeira vermelha, para prosseguir a prova.
Ainda caminhei durante uns metros, e depois comecei a correr. Primeiro devagar, um trote lento, e depois fui aumentando o ritmo.
A sentir alguma fraqueza porque há muitas horas que não conseguia comer nada de jeito, cheguei ao abastecimento seguinte. Aí voltei a encontrar o Joel, comentei que não conseguia comer nada, e ele sugere para pelo menos tentar a melancia. Assim fiz, e que bem que soube! Comi uns bocados de melancia e seguimos juntos. Dentro do possível íamos correndo, até porque estávamos agora na zona junto ao rio e era uma zona mais técnica, e já não estando bem, era mais complicado correr.

Fazia em muito lembrar a 1ª prova que fiz este ano, o Trail Centro Vicentino da Serra em Portalegre, e onde me lesionei, por isso foi com algum cuidado redobrado que transpus alguns obstáculos. Sempre a subir, chegámos ao último abastecimento. Já ia novamente a sentir fraqueza, nalgumas partes em piloto automático e a seguir o Joel, que ia sempre a dizer que devia comer algo com açúcar. Pois, os géis até iam na mochila, mas só de pensar nisso….
Aqui consegui finalmente comer. Bebi um copo de Coca-Cola, que penso que ajudou bastante, comi banana, laranja, batatas fritas, e chocolate, muito chocolate!! Fomos ainda informados que a prova não seriam apenas 53k, mas sim 53 + 3 ou 4. OK, siga!!

Ainda subimos mais um bocado até às eólicas, onde já sentia bastante frio. Ainda pensei vestir o casaco, mas não adiantava porque íamos começar a descer e ficar protegidos pela encosta.
E começámos a descer, aquilo que penso que foi uma estrada romana. E ia a sentir-me bem. E a descida era tal como eu gosto, e fui!! Fui por ali abaixo a correr, abrandando só no final. Aí voltei a ser apanhado pelo Joel, mas ele só dizia: “o motor voltou a trabalhar, não pares!!”. E Dem já se via ali ao fundo, o motor continuava a trabalhar, e eu fui novamente! Obrigado Joel pelo apoio, foi importantíssimo.
Num instante cheguei à aldeia, e estava a virar à esquerda para meta. As dores e a fraqueza desapareceram! Ao chegar à passadeira vermelha, vejo o meu Pai e a Lena. Estão também contentes, e o meu Pai segue a correr comigo a cortar a meta!!
Estava feito, não tão bem como tinha planeado, mas o principal objectivo estava cumprido.


Um trail por variadas razoes especial, numa região especial. Não consegui ainda perceber o que se passou, já várias pessoas me disseram que pode ter sido dos nervos, de todas as emoções sentidas no fim-de-semana. Talvez, não sei….

Esta foi sem dúvida a melhor prova em que participei. Desde o levantamento dos dorsais em Caminha, à partida em Dem, marcações do percurso que nunca deram margem para duvidas, abastecimentos e simpatia dos voluntários. TOP. É claramente uma prova a repetir, e esperar que dessa vez consiga gerir melhor tudo.



terça-feira, 7 de junho de 2016

VI Ultra Sesimbra - 21k


Quando, no ano passado, terminei os 21k, ficou praticamente ali decidido que este ano iria fazer a distância maior. No entanto, estava longe de imaginar o calvário que ia passar com a lesão, e no dia da prova, como tudo ia correr mal desde o acordar....


Esta prova tinha tudo para correr bem. Da lesão já não há sinais, o local é sobejamente conhecido, andava a treinar bem, e era a 1ª prova enquanto membro dos "Madruga Runners"! Só que....

As coisas ficaram preparadas desde o dia anterior, não me deitei muito tarde, mas de manhã não ouvi o despertador tocar. E ele toca várias vezes!!! Nunca me tinha acontecido, adormecer para uma prova. Normalmente, acordo até antes do despertador tocar. Mas não desta vez. Tínhamos combinado às 7.20, para irmos com tempo, sem stress. Acordei às 7.40, com o pessoal a ligar-me a perguntar onde estava...Sigam, eu vou lá ter!!

Levantei-me à pressa, equipei e comi qualquer coisa, quase sem mastigar. Esta pressa veio a ter resultados depois, já durante a prova, onde houve uma fase em que não ia muito bem.
Arranquei para Sesimbra, estacionei sem problemas - abençoado sejas Smart, que com o parque cheio consigo sempre um lugar!!! -  e corri para a secretaria levantar o dorsal.
Pronto. Ainda tive tempo de voltar ao carro e acabar de preparar, mas sempre em stress e sem nunca conseguir acalmar.

Fomos para a partida, onde já estava tudo concentrado, e apertado. Talvez pudessem repensar em como colocar os atletas antes da partida, porque grande maioria estava na lateral do pórtico, o que originou alguns empurrões quando foi dado o sinal.

Este ano havia uma novidade, que era em vez de ir logo pela marginal, irmos pela areia da praia e depois pelo passadiço de madeira. 


Não contava com esta incursão à areia, e deu ainda mais cabo de mim. Quando voltámos à marginal tentei estabilizar a pulsação, e o ritmo até chegar à 1ª subida e entrada no estradão, mas sem muito sucesso. Começava a ter a noção que não estava bem e que não ia ser fácil. 
Fiz a subida a caminhar, em passo acelerado, e voltei a correr quando entrámos no trilho que vai dar à Ribeira do Cavalo. Aqui ainda consegui ir sem alguns problemas, sempre em corrida até lá abaixo, mas depois na Subida do cascalho não consegui. Limitei-me a seguir atrás de outros atletas, sempre sem conseguir forçar uma ultrapassagem ou um passo mais acelerado. O tempo começava a abafar, e já transpirava muito. 
Chegado lá acima, voltei a correr, mas sempre sem conseguir aumentar o ritmo. Transpirava e sentia frio, e deixei-me ir a um ritmo lento ou simplesmente a caminhar quando não conseguia mais. 
Confesso que pensei em desistir. Não estava a desfrutar nada, em trilhos onde adoro correr...


Assim segui até ao 2º abastecimento. Parei, comi, despejei uma garrafa de água por cima de mim, e parece que teve efeito quase imediato. Senti-me melhor, os pensamentos mais negativos desapareceram e arranquei. 


Já conseguia imprimir um ritmo um pouco mais elevado, e segui, ainda que, na descida antes do 3º abastecimento,  onde ainda há semana e meia me diverti imenso a descer a um ritmo a que não estou muito habituado, tenha abrandado devido a umas tonturas que voltei a sentir. Cheguei ao 3º abastecimento, aquele onde já li várias críticas a dizer que foi negada comida aos atletas dos 21k. Aqui comi, bebi e despejei água em cima de mim, e ninguém negou nem a mim nem aos atletas que ali estavam naquele momento o que quer que fosse. Aliás, em todos os abastecimentos os voluntários foram de extrema simpatia, o que me leva a crer que não terá passado de um mal entendido.

Depois da pausa, segui pedreira acima, e em direcção ao castelo.Não há muito a dizer, não voltei a sentir tonturas e daqui até final foi a parte em que me senti melhor.


No final uma nota à organização, porque não se percebia bem se tínhamos de seguir pela praia ou pela marginal. Pelo que falei com outros atletas, vários foram os que foram pela areia até ao fim, quando o pretendido, acho que era ir pelo alcatrão - foi o que entendi pelas fitas.

Cortei a meta 2:23:00 depois, com um sentimento de enorme desilusão. Nunca me tinha sentido tão mal numa prova, ainda mais numa de apenas 21k.

Valeu a camaradagem da equipa, e ver os colegas Madrugas a terminarem o 1º Trail.